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Farinha Amparo

por Ana Vidal, em 13.11.13

 

Leio este post do Rui Rocha, depois leio esta notícia. E chego à triste conclusão de que não é possível levar a sério os níveis de exigência no ensino em Portugal, tão apregoados por um governo aparentemente bi-polar. Se a ideia é facilitar cada vez mais o acesso a cursos superiores e a sua conclusão rápida - e é verdadeiramente escandalosa a admissão descarada de que o objectivo é "aumentar o número de diplomados em Portugal e atingir as metas da União Europeia, de 40 por cento" - só posso concluir que a preocupação extrema com a formação dos professores não passa de uma cortina de fumo, ou, pior ainda, que os professores estão a ser muito convenientemente escolhidos para bodes expiatórios do inevitável fracasso de uma política de ensino que assenta num único eixo: trabalhar para as estatísticas. Lembro-me de um dichote popular antigo, que visava desvalorizar cursos de má fama de onde resultavam profissionais incompetentes: "Saíu-te o curso na Farinha Amparo?". Pois bem, este governo parece definitivamente apostado em voltar aos cursos da Farinha Amparo. Por este andar, ainda havemos de ter médicos formados em workshops.


8 comentários

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De umBhalane a 13.11.2013 às 13:42

"trabalhar para as estatísticas."

Mal antigo, já com muitos bons anos.
O faz de conta.
A falsa dinâmica, os profissionais da dinâmica.
Há muito tempo.
Nas empresas, na sociedade, no Estado, nos desgovernos,...
Poeira.

E ai daquele que tivesse dito "o rei vai nu" - simplesmente trucidado.

As facturas aí estão, cá estão.
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De Carlos Cunha a 13.11.2013 às 14:52

ora bem, mas adondéquemensinaram a fazer deduções e arovações por reductio ad absurdum? olha, foi em matemática 1,2,3, era uma vez.

e o ministro da educação para exportação (consta que) é oquê?

e é ministro por via da dedução por redução ao absurdo do coelho dos paços do conselho.

já um aristóteles ainda antes do onassis tinha, por essa via, provado o seguinte:

" Um exemplo de raciocínio dedutivo por redução ao absurdo foi a elegante prova matemática da irracionalidade da raiz quadrada de 2 apresentada por Aristóteles em Analytica Priora2 . Supondo que exista uma raiz racional de 2, e que ela possa ser expressa na forma a/b, é possível demonstrar que b deve ser par, e também que deve ser ímpar. Sendo absurda a hipótese de um número ser ao mesmo tempo par e ímpar, conclui-se que a raiz não pode ser expressa por um número racional."

http://pt.wikipedia.org/wiki/Reductio_ad_absurdum

a questão é que o método utilizado pelo coelho dos paços + miguel dos relvados para escolher o ministro da educação para exportação foi levado completamente à letra (muito habitual a quem se opõe ao ao) e o resultado foi: absurdo.

qed


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De Luís Lavoura a 13.11.2013 às 15:45

É difícil entender o que pretende o secretário de Estado, dado que os cursos superiores estão, em grande medida, regulamentados pela convenção de Bolonha e têm uma duração harmonizada por essa convenção.
Pela convenção de Bolonha, uma licenciatura tem que durar três anos, não pode durar menos. Pelo que, não se percebe o que pretende o secretário de Estado fazer.
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De Carlos Duarte a 13.11.2013 às 16:07

Cara Ana Vidal,

Apesar de não achar o objectivo do Sec. Estado merecedor de crítica - sublinhando, no entanto, que tanto é legítimo o Sec. Estado do Ensino Superior querer 40% da população com um curso como um Sec. Estado da Indústria querer 40% como electricistas ou serralheiros - já a ideia de cursos (ainda?) mais curtos me causa algum mal-estar.

O nosso sistema "clássico" de ensino superior baseava-se inicialmente em 3 graus (bacharelato, licenciatura e doutoramente), sendo posteriormente adicionado o mestrado como um grau de especialização à licenciatura.

O bacharelato era um curso superior iminentemente mais prático, muito direccionado a um saber intermédio com aplicação directa na realidade laboral(um bom exemplo disso mesmo existia no campo económico, em que o contabilista era bacharel e o economista licenciado).

Já a licenciatura trocava a prática pela teoria, sendo o licenciado mais vocacionado para cargos superiores (de chefia, se quisermos) em que não se pretendia tanto que o próprio lidasse directamente com os problemas, mas antes que soubesse como lidar com uma variedade de situações existentes ou novas, integrado numa equipa não obstante ter alguma formação prática que lhe permita, caso necessário, intervir directamente.

O doutoramento foi até à muito pouco um grau de especialização académica, tendo a vista a formação de pessoas capazes de transmitir os seus conhecimentos bem como de desenvolver conhecimentos novos, sendo de aplicabilidade quase nula fora do contexto universitário. Entretanto a situação modificou-se - e bem - um pouco, muito por culpa de doutoramentos em áreas iminentemente aplicadas.

No entanto, e a partir da década de 90 do século passado, verificou-se um fenómeno altamente pernicioso: por via do estatuto social, desvalorizou-se o bacharel e endeusou-se a licenciatura. Os institutos politécnicos correram a transformar-se em autênticas proto-universidades e a grande vantagem competitiva do grau (competência técnica aplicada) tem vindo a esvanecer-se. Para piorar esta situação, apareceu o processo de Bolonha que, tendo por finalidade normalizar os cursos no espaço europeu (com o que concordo em absoluto), foi pessimamente aplicado no nosso país, começando pela barbaridade da extinção do grau de Bacharel, passagem do grau de Licenciado a Bacharel e de Mestre a Licenciado! Esta decisão teve a única finalidade de, administrativamente, transformar-nos num país de doutores e mestres. A normalização deveria ter sido feita - até por comparação com os outros países - pela abolição do grau de licenciado e passagem deste a mestre, mantendo o bacharelato.

Agora, e pelos vistos, vão "ressuscitar" o bacharel como curso inútil (não acredito em formações superiores inferiores a 3 anos), não compreendendo a necessidade de evitar a proliferação de cursos e graus inúteis. Compreendo - como escrevi anteriormente - os 40%, mas devem ser 40% de cursos de boa qualidade, que efectivamente dotem as pessoas de formação que lhes seja útil quer pessoalmente quer profissionalmente. E a ser 40%, sou a opinião que a grande maioria deveria ocorrer nos cursos intermédios (antigos bacharelatos), de elevada empregabilidade e aplicabilidade no nosso tecido produtivo.
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De Leonor Barros a 13.11.2013 às 20:55

Já se trabalha para as estatísticas há muito, Ana, estes até para isso se estão nas tintas. Quem os salva em termos de abandono escolar, por exemplo, é o Sócrates com o ensino obrigatório até ao 12º ano.
Estes cursos são cursos especiais para alunos do vocacional ou profissional, pelo que sei, o objectivo não é encurtar os cursos, é criar outros. Depois gabar-se-ão que conseguiram aumentar o número de diplomados. Por outro lado, há que dar trabalho aos Institutos Politécnicos. Nada que venha deste governo é inocente. São perversos, gente do mal. Basta ver as condições das crianças com necessidades educativas especiais. O que os salva verdadeiramente é a dedicação e abnegação dos agentes envolvidos.
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De Vento a 13.11.2013 às 21:57

Aninha,

mais importante que essa da farinha amparo é a imagem que nos indica que andamos de cavalo para burro.

Perante um desastre nada melhor que ver um sorriso:

http://www.youtube.com/watch?v=nDIDV_nDOfg

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De Drº José Povinho a 13.11.2013 às 22:56

Num futuro próximo, nem vão ser precisos professores.
Um delírio de um maluco?! Sim, é o que parece, mas não são menos malucos aqueles que acreditam no sistema de ensino português actual.
Nesta crise, para quê gastar dinheiro com isso a que chamam de ensino?
O publico, está minado de tal forma que um professor que por lá se aventure, tem de estar mais preocupado com os meandros do sistema do que com o aproveitamento dos alunos, principalmente porque chumbar um aluno significa uma carga de trabalhos extra e correr o risco de ir para o desemprego. Depois a malta entra numa de baldas, que já é antiga, tão antiga que presentemente temos professores que foram formados com base nesse mesmo sistema. O sistema, é esse das boas médias que são pura e simplesmente uma treta para inglês ver.
Em alternativa, temos o privado, não sei, sou filho do zé povinho e pouco andei na escola, mas entre este povinho, o que se sabe é que os fdp&bétinhos que podem ir para a privada, todos chegam a doutores. Diz-se que o dinheiro compra tudo, inclusive créditos.
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De Rita a 14.11.2013 às 02:29

Infelizmente é mesmo trabalhar para estatísticas. Temos de reduzir o analfabetismo, subir o nível de escolaridade, mas exigir o menos possível. Não é problema só deste governo, embora este supere todas as expectativas. Tornou-se um hábito passar alunos e nada mais, pois eles tinham de passar tivessem 5 ou 6 negativos. Arranje-se maneira de passar as negativas a positivas, eram as ordens vindas do ministério que nunca amadureceu uma ideia, antes pelo contrário passa o tempo em experimentalismos. Veja-se o que se passou com as novas oportunidades em três meses faziam-se dois anos, em seis meses faziam-se três e ainda se recebiam ordens para não exigir nada aos alunos. Foi uma pouca vergonha. Quantos neste país ficaram com o sexto, o nono ano e o décimo segundo sem saberem nada de nada. Agora há que matar professores..... Primeiro formam-se, perdem tempo e dinheiro e depois dizem-lhes, agora tens de fazer exame para verificarmos se estás em condições de leccionar..... se chumbares é porque foste mal formado. Quem formou mal não tem responsabilidades? É grave, muito grave, o que se passa neste país. Dá vontade de fugir, ou perguntar: Que estamos a fazer aqui, onde somos tão mal tratados?

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