Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A prova dos docentes

por Rui Rocha, em 12.11.13

Peço desculpa, mas até este momento não ouvi um único argumento válido contra a prova de avaliação dos docentes. E, antes de mais, devo esclarecer que em meu entender Portugal precisa de uma escola pública de qualidade. Só quem vive fora da realidade pode desconhecer o papel determinante que a escola pública tem no tecido social português. Em Portugal, a escola pública é, para além do mais, o suporte básico de vida de largos milhares de crianças e jovens. Só a escola pública lhes permite aspirar a uma vida diferente, só a escola lhes permite escapar a uma condenação de miséria. Tantas vezes, só a escola pública lhes permite comer. Acrescento que, mesmo num contexto de extrema dificuldade como o que vivemos, algumas medidas do presente governo são absolutamente criminosas. É evidente que mais do que 22 a 24 alunos por turma é uma enormidade que só com agudo sentido de hipocrisia Nuno Crato pode defender. E mais. Num país em bancarrota, é incompreensível que continue a existir dinheiro para uma frota automóvel pública colossal e que, em contrapartida, a falta de recursos seja invocada para justificar a existência de mais de 30 alunos por turma. Não é demagogia da minha parte. São opções da parte de quem as toma. Isto dito, regresso ao princípio. Não colhe o argumento de que a existência da prova descredibiliza as entidades formadoras. Muitas dessas entidades estão há muito descredibilizadas e a si próprias o devem. E, infelizmente, isso não sucede apenas relativamente às Escolas Superiores de Educação. Há muitas outras instituições que formam professores que não reúnem os requisitos mínimos para o fazer. Só a cegueira ideológica, o oportunismo político ou o corporativismo mais básico podem fazer calar esta evidência que se comenta e demonstra nas mais diversas salas de aula por esse país fora. Por outro lado, também não colhe o argumento de que a frequência de um curso com especialização em ensino torna a prova uma redundância. Vejamos. A conclusão de uma licenciatura em Economia atesta um determinado nível de conhecimentos. Mas, ninguém se escandaliza se, para preencher uma vaga numa empresa privada, esta submeter os candidatos a diversos testes e provas que avaliem o raciocínio numérico, verbal, diagramático e outras competências de um candidato. E não é o facto de a empresa escolher o candidato formado na Faculdade A em detrimento do licenciado pela Faculdade B que, só por si, retira credibilidade formadora a esta última. Pode-se discutir a natureza da prova. Mas reconheça-se que qualquer outra alternativa encerraria um nível de subjectividade bem superior (entrevistas, testes, dinâmicas de grupo?) do que uma prova de conhecimentos gerais e específicos corrigida de acordo com critérios objectivos. O sistema de ensino público deve viver para os alunos e com os professores, mas não pode estar ao serviço destes últimos. Independentemente das considerações que se possam fazer, o certo é que o sistema não está a absorver cerca de 50.000 professores anualmente. Se assim é, o fundamental é garantir o acesso dos mais preparados. A prova constitui uma garantia adicional de que será assim.  Aliás, o interesse dos alunos exigiria, levado às últimas consequências, que a prova fosse aplicada não só aos professores contratados, mas também aos do quadro. Para um país com recursos tão escassos como Portugal, é tão grave ter turmas sobredimensionadas como professores impreparados.


44 comentários

Sem imagem de perfil

De jj.amarante a 12.11.2013 às 22:45

Por outro lado parece-me um esforço inútil estar constantemente a fazer provas sobre a capacidade dos professores darem aulas. Na realidade cada aula é uma prova para um professor, em que está a ser avaliado pelos seus alunos. À primeira vista existem profissões em que as pessoas são menos postas à prova. Estou-me a lembrar, por exemplo, dos economistas que falham pipas de previsões e o melhor que consseguem dizer é que ficaram surpreendidos. Porque não fazer exames todos os anos aos economistas?
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 12.11.2013 às 23:11

Percebo o ponto. Não me parece que a periodicidade da prova para os professores do quadro devesse ser anual. Ciclos de 5 anos, com possibilidade de os que não ficassem aprovados fazerem uma 2ª época para evitar injustiças devido a azares ou indisposições seria razoável. Note ainda que comparar professores e economistas me parece uma maldade. No texto fi-lo mas para defender que devido à sua importância os professores devem ser seleccionados de forma tão ou mais rigorosa que os economistas. No mais, os economistas só devem ser comparados aos meteorologistas. Se não chover.
Sem imagem de perfil

De dbo a 12.11.2013 às 23:05

Caro Rui, realmente o que mais me impressiona é o facto de se submeter a exame apenas os contratados, pois existem ainda muitos professores (conheço alguns) que estão praticamente no topo de carreira com apenas o curso antigo das Escolas Técnicas (vulgo Industriais), ou seja, com o 5º ano antigo, a leccionarem TICs e outras técnicas laborais, sem sequer lhes ter sido obrigatório a frequência de um bacharelato ou curso de pós-graduação. Já não pretendo falar de professores com "cursos não docentes" e que optaram pela via do ensino exº engenheiros, economistas, arquitectos, etc ). Não significa que sejam maus docentes, no entanto acho errado advogados exercerem medicina e vice versa, médicos exercerem advocacia. E por aí fora. E a má qualidade dos professores de Matemática e Português, fabricados nas milhentas de ESES , que tiravam lugares a licenciados (hoje muitos no desemprego) com cursos de clássicas ou matemática via ensino. Depois querem bom português transmitido por milhares de professores que nunca viram latim nem grego à sua frente; assim como bons professores de matemática em detrimento de "professorecos" que estudaram "teatrinho", música e matemártica elementar em ESES de má reputação.
Quanto ao número de alunos por turma e carros públicos (pagos por nós)...totalmente de acordo
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 13.11.2013 às 09:35

O sistema de ensino é de facto demasiado importante para que os professores do quadro façam 30 ou 40 anos de carreira sem nenhum tipo de avaliação séria ou prova de demonstração de competências.
Sem imagem de perfil

De rmg a 12.11.2013 às 23:19


Um comentador anterior , que habitualmente gosto (gostava ...) de ler aqui e noutros sítios , perdeu-se algures , no mínimo dos mínimos .
Meter no mesmo saco alguns poucos economistas que fazem previsões que nos afectam a todos com as dezenas de milhar de economistas que trabalham nos mais diversos ramos de actividade e contribuem decisivamente para a criação de riqueza neste país é de difícil classificação , nem me atrevo a ír mais longe .
E eu nem sou economista !

Desconhece porventura que cada dia de trabalho é uma prova para qualquer profissional que seja de qualquer ramo , na maioria dos casos sujeito à apreciação de quem lhe garante o ganha-pão e não de quem se limita a comentar que o "Prof" é ou não bué da fixe ?
Está tudo apanhado , que diabo !
Sem imagem de perfil

De da Maia a 13.11.2013 às 00:12

rmg:
Deixei de ler o que escreve.
Já que se interessa em informar se lê ou não os outros, fica aqui para as suas estatísticas.

No entanto, por azar, calhei a ler este manifesto de desprezo a uma profissão, que certamente foi fundamental na sua formação. Não sei que professores teve, eu tive alguns melhores que outros... mas nunca me passava pela cabeça culpá-los das suas falhas. A época era outra, e os alunos culpavam-se a si quando não percebiam, e não aos professores porque "não explicavam bem".

Eles ensinavam o que sabiam, e o que se sabe não é sujeito a avaliação constante, é sujeito a avaliação prévia. Se há mudanças programáticas, pois que haja acções de formação a sério, e não simples convívios patrocinados.

Agora, o Estado licenciou muita gente, e isso implica atribuir uma licença. Querer revogar essa licença, exigindo prova suplementar, é uma mudança de regras.
As provas das Ordem dos Advogados, da Ordem dos Engenheiros, etc... vão passar a ser feitas pelo Estado?
Não? Porquê?

As perguntas, são meramente retóricas, pois já entendi que não me entende.
Cumprimentos.
Sem imagem de perfil

De rmg a 13.11.2013 às 11:24


"Da Maia" , muito bom dia para si

Agradeço a atenção que me deu , mesmo de má vontade e a título excepcional.
Mas não tenho estatísticas nem guardo rancores por mais de 2 a 3 horas pelo que os desabafos valem o que valem (o "gostava ..." referia-se óbviamente àquele comentário específico).

Não o entendi como também não me entendeu mas também me parece que o "da Maia" não está interessado em que o entendam nem em entender os outros (já não será a 1ª vez que temos esta conversa mas já nem imagino por que razão terá sido a anterior) .
Basta classificar as minhas afirmações como "de desprezo a uma profissão" para confirmar que dispara antes e pergunta depois .

Pois eu digo-lhe que professores tive : muito bons , bons , assim-assim , maus , muito maus , a habitual curva de Gauss de todas as profissões do mundo , mais inclinada para cá ou para lá , tinha "épocas" .
E como não me considero mais ou menos burro que qualquer outro , pois também lhe digo que a mim me passava pela cabeça culpá-los das falhas ou elogiá-los pela capacidade .

Mas também não sei qual era a "sua época" e onde estudou , é um facto , como V. não sabe qual era a "minha época" e onde estudei .
E as "épocas" foram várias nos últimos 60 anos e eu atravessei-as todas , como verá a seguir .

Por isso digo-lhe que cresci em Lisboa , entrei para a 1ª classe em 1952 e saí licenciado do IST em 1970 , tive uma carreira profissional sempre na indústria (muito) pesada sem estar sentado num gabinete e dei aulas como professor convidado numa instituição universitária durante algum (pouco) tempo.
Portanto tive muitos professores e eu próprio fui um , mais até junto dos jovens engenheiros que íam entrando do que nas salas de aula .

Tenho 3 filhos com mais de 40 anos cujos estudos óbviamente acompanhei com muita atenção e agora uma caterva de netos adolescentes no liceu (um dos quais vive comigo devido a azares da vida) , de um modo geral todos eles razoáveis alunos .
Isto para concluír que não falo por falar , se alguém enfiar o "barrete" paciência , não sou um teórico destas andanças pois há mais de 60 anos que eu , os filhos ou os netos "andamos" na escola , no liceu ou na universidade .
E estou rodeado de amigos e conhecidos em idênticas circunstâncias , é a sina de quem tem filhos e depois netos a crescer o estar sempre atento e preocupado com estes assuntos , do ponto de vista do "utilizador" (digamos assim).

Admito assim que diga asneiras mas não tenho uma visão do mundo em que os meus professores ao longo de tantos anos eram uns coitadinhos que "ensinavam o que sabiam" , porque acontece que isso não é de todo verdade e , isso sim , não me parece mesmo nada respeitador do enorme esforço que toda a vida fizeram para se actualizar com os parcos meios técnicos , humanos e financeiros de que dispunham ao tempo .

Desejo-lhe assim uma vida feliz

PS - Um dos meu avôs foi professor de pintura mas não tinha as ideias políticas adequadas aos anos 40 , foi "corrido" do ensino e morreu quase na miséria .
Desculpe o àparte .



Sem imagem de perfil

De da Maia a 13.11.2013 às 12:19

rmg:
Gostei bastante da sua crítica do "dispara antes e pergunta depois"... que aceito como crítica pertinente. No entanto, não "disparo" sem razão, e ao remeter a docência para um "à parte" jocoso do "Prof. bué da fixe", não estaria por certo a respeitar da melhor forma uma profissão que exigirá grande paciência com dois "clientes" - pais e alunos, e com um "patrão" que enviará ordens desconexas/ absurdas - o Ministério.

A minha crítica aos professores é justamente o não procurarem saber mais... não acontecia com todos, mas com uma boa maioria, até no ensino superior. No ensino superior, porque estavam preocupados com a sua investigação e não aprofundavam a origem do que ensinavam, no outro ensino porque envolviam-se mais com pedagogias do que com a matéria de ensino. O meu ensino é dos anos 70/80, mas como não sou de Lisboa, talvez a perspectiva menos reivindicativa estivesse mais implantada na "província".

Quanto ao resto, folgo em saber que não "guarda rancores", ainda que os profira de forma definitiva (no meu caso)... e quanto mais não seja, servirá de informação aos outros comentadores. Aceito perfeitamente que não me entendam, mas a acusação de não procurar ser entendido pode ser pertinente pela forma (do "disparo"), mas não creio que seja pelo conteúdo.

Cumprimentos.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 13.11.2013 às 14:16

"A minha crítica aos professores é justamente o não procurarem saber mais..."

Você tem um sistema de Ensino Publico Totalitário que pune a diferença devido à sua ideologia que professa e quer que os professores queiram saber mais!?
Quando o sistema para ser igualitário tirou liberdade aos professores...

Seria Hilariante se não fosse Trágico.

Querer saber mais quer dizer liberdade de ser diferente. A inovação, o saber nasce da possibilidade de ser diferente. Saber mais é ser diferente porque há muitos que não querem saber.

O Ensino Publico Totalitário que temos - Totalitário porque impede, proíbe e se necessário pela força das armas que exista outro- existe para a igualdade não para a diferença.
Se os alunos sabem muito ou pouco não interessa até ao momento em que a colecta de impostos começa a baixar e o sistema ameaça implodir.

Aí já será preciso que o Ensino Publico Totalitário crie pagadores de impostos:
http://www.ionline.pt/artigos/portugal/pires-lima-quer-empreendedorismo-disciplina-ensino-obrigatorio
Sem imagem de perfil

De da Maia a 13.11.2013 às 14:51

LL:
... desculpe ter-lhe tirado a deixa liberal, mas já a tinha invocado em comentários seguintes, dizendo até que este "Ministério da Avaliação" parecia reminiscência de costela UDP do ministro, pela sistemática intromissão do Estado Central.

No entanto, já que aparece, devo notar que uma sociedade seria disfuncional se não houvesse ponto comum de aprendizagem. Há necessidade de cultura comum mínima, para que nos entendamos minimamente. Coisa diferente é pretender dar estatuto de cartilha ao que é ensinado, como se estivessem a programar cidadãos como peças de uma máquina, com o pretexto da ciência coxa do utilitarismo.

Por isso, não se esforce por discordar... neste caso não teve sorte, luck, lucky.
Sem imagem de perfil

De rmg a 13.11.2013 às 15:45


"da Maia" , uma boa tarde para si

Li-o , claro e relevo o seu sentido de humor ao aceitar aquele meu àparte .
Umas das vantagens de estar reformado , dormir 6 horas por noite e nunca (mas nunca mesmo !) ver televisão permite-me ter o mais precioso dos bens : TEMPO.
Até ver , claro , a partir de certa idade as probabilidades alteram-se sem pré-aviso estatístico que nos valha .

Portanto respondo-lhe com calma .
O "bué da fixe" não é meu , é dos meus netos e dos colegas todos deles , como já foi dos meus filhos e dos colegas todos deles (não era "bué" na altura) e terá sido meu e dos meus colegas todos (acho que no meu tempo era "porreiro" que se dizía).
Levar isso para um "desprezo com a profissão" só pode ser possível quando não se tem ainda netos e já se esqueceu os filhos e nem de nós próprios nos lembramos enquanto adolescentes .
A vida é difícil e por vezes torna-nos amargos mas a memória não se pode perder.

Há-de reparar que não me pronunciei sobre o conteúdo do post .
Limitei-me a comentar uma comparação que achei infeliz do "j.j.amarante", cujo blog "Imagens com Texto" (passe a publicidade , ele me desculpará) está nos meus favoritos há 3 anos porque não o tinha descoberto antes ...

Talvez por não esperar aquela comparação terei reagido mal , não sei , cada vez mais me limito aqui a só mandar umas bocas sobre música ao Pedro Correia , incansável divulgador (como já lhe disse isto a ele , isto não é graxa por tabela).

Não percebo a sua argumentação .
Qualquer pessoa que tenha trabalhado onde quer que seja na vida e em funções não meramente burocráticas sabe que TODAS as profissões exigem muita paciência para com os clientes ou os utentes e estão sujeitas às variações de humores e de amores dos respectivos patrões (nuns o patrão é um privado qualquer e noutros o patrão é o Estado através dos seus vários organismos) .
Com a agravante em muitos casos da insatisfação (justificada ou não) dos clientes dar cabo do sustento dos ditos profissionais .

Tudo o que diz sobre alguma falta de exigência pessoal colhe o meu apoio e também isso tudo que diz é válido em qualquer profissão , só que se criou uma espécie de "mito" que não está a ajudar nada nem ninguém e acaba invariàvelmente em desconversa : há profissões em que por uma razão ou por outra não se pode criticar sem ser apodado de "feito com o governo" (qualquer governo) , "ao serviço de interesses inconfessáveis" (os interesses dos outros são-no sempre) , os campos extremam-se e quem se devia unir a evitar barbaridades acaba a defender capelinhas , dar o braço a torcer não é para todos.

Quanto ao espírito que se vivia fora de Lisboa nestas matérias devo-lhe dizer que tem alguma razão pois diferia muito nessa época , hoje já nem tanto .
Acontece que não havendo indústria que se veja no Parque Eduardo VII ou nas Avenidas Novas (o que sempre lamentei !) acabei por passar 20 anos a trabalhar em 4 distritos diferentes e a viver em pequenas sedes de concelho desde o interior norte ao Alentejo mais ou menos profundo e o espírito era de facto outro .
No ensino superior estou tanto mais de acordo consigo que até foi por isso que resolvi não continuar : para quem vem "da fábrica" o confronto com os que vivem "no laboratório" não era pacífico , para os dois lados .

Quanto ao último parágrafo tem uma certa razão .
Mas o facto é que , não vendo caras nem ouvindo entoações , ficam os "disparos" , sejam meus ou sejam seus .
E tenha lá paciência (só desta vez) mas quem disparou primeiro foi Você .
Eu tinha disparado mas nem sabia que V. estava aí !

Como eu costumo dizer "Quantas pessoas se insultam na net e se adorariam se estivessem cara-a-cara e quantos pessoas se adoram na net e se insultariam se estivessem cara-a-cara" .
São as vantagens das desvantagens ou então as desvantagens das vantagens , como diría o famoso Prof. Ilharco do IST , em meados dos anos 60.

PS - Ao Rui Rocha peço desculpa pelo espaço e tempo ocupado mas , como me disse uma vez o Pedro Correia , os comentários são algo essencial para quem escreve aqui , só é mau quando não os há .
Sem imagem de perfil

De da Maia a 14.11.2013 às 00:02

Caro rmg,
obrigado pela forma e conteúdo.
Como já tivémos oportunidade de (des)conversar, não sou de salamaleques, mas devo dizer-lhe que gostei de o ler... e se não o lia, afinal era apenas porque não escrevia! Como lhe disse da outra vez é o argumento que me motiva, não o alvo, nem o emissor, porque não gosto de confundir ideias com pessoas. As ideias mudam de pessoas, e as pessoas mudam de ideias.
Continuaremos a conversar... e se me apanhar no modo disparo, "diz paro", que eu paro!
Cumprimentos.
Sem imagem de perfil

De rmg a 14.11.2013 às 16:25


Caro da Maia

Agradeço as suas palavras , sei há muito que não é de salamaleques mas também sei há muito que justifica as ideias que defende e não se limita a mandar bocas - se depois concordo ou não é outro caso (e a recíproca será idêntica , é isso que é saudável).

Mais que concordarmos o importante é entendermo-nos e isso acho que já o conseguimos .

Não são os que me louvam a inteligência e a perspicácia que me ajudam a progredir (até porque inteligente e perspicaz já eu imaginava que era , como toda a gente se acha …) mas sim aqueles que me contradizem de boa fé , explicitando as suas razões , permitindo o contraditório e eventualmente aceitando as minhas teses sem por isso abdicarem de qualquer dos seus princípios , por mais calor e entusiasmo que se ponha na “refrega” .
Creio que foi assim que ambos agora actuámos e isso , para mim , foi muito reconfortante verificá-lo e explico porquê .

Uma das razões pelas quais cada vez participo menos (com alguma pena minha) é a falta de capacidade de discutir (no bom sentido) os assuntos sem se entrar ou na indiferença total à 2ª réplica ou na ofensa gratuita (na blogosfera é quase sempre gratuita) .
Ora todos temos problemas na vida e já me bastam muitas vezes os que já tinha para ainda vir para aqui “irritar-me” com outras coisas!

E depois também há aqueles autores de blogs (colectivos ou não) a quem eu chamo “os donos da bola” , que equiparo aos miúdos mais abonados da minha infância , quando as bolas eram caras e os pais que as podiam oferecer eram poucos : ou o comentador o elogia ou é tratado de tal maneira que não volta ao “jogo” .
Por isso há autores a cujos blogs e posts volto sempre com prazer e/ou interesse e outros nem por isso , não pelo que defendem ou atacam mas pela incapacidade de dialogar ou , quanto muito , de nem o fazer , que seria bem preferível às vezes .

Continuaremos então a conversar .
E eu nunca lhe diría para parar !

Cumprimentos

PS - Rui Rocha : desculpe lá , outro "lençol"...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 14.11.2013 às 01:16

Disse e reitero, meu caro. Um abraço.
Sem imagem de perfil

De da Maia a 12.11.2013 às 23:33

Rui, acho que no meio do texto tem a resposta à pergunta.

No mercado automóvel não passa pela cabeça de ninguém ter que ir à inspecção com um carro novo, pois não? Porquê?
Porque tendo adquirido o carro se presume que ele esteja em condições.
Da mesma forma, quem é aprovado nessas instituições espera ter adquirido os conhecimentos suficientes.
O Estado autorizou que as instituições funcionassem, ganhassem dinheiro, vendendo diplomas. Agora muda as regras, como se tornou hábito no caos governativo.

Vai fiscalizar e fechar instituições?
Não o faz. Não culpa o formador, culpa os formados. Típico.
Parece que interessa garantir o rendimento do formador, em múltiplas instituições de ensino pseudo-superior, muitas delas directamente ligadas a interesses directos, que muito honram Corleones que apadrinham ministros.

O pseudo-rigor é uma total tanga deste ministério, que se serviu de mais uma reforma, para garantir outras tantas reformas, ou pensões para editoras, livreiros, etc.
Se com Sócrates-Gago houve um Magalhães para show-off, mas que ainda faz sucesso na América Latina, com Passos-Crato regressámos ao ábaco.
Manuais em PDF? O que é isso? Aumenta-se a lista de compras de livros na sala de aulas, para despesa dos pais. Pior, os livros implicam respostas neles próprios, para não serem usados nos anos seguintes.
Tudo cheira a mofo e interesses mesquinhos.

Mais, a ideia do Estado andar a financiar instituições privadas de ensino, quando "não há dinheiro", e deixar as públicas a cair, mostra bem o lodo fétido em que este ministro se quer enterrar...
Enfim, com uns cobres talvez se possam esconder frustrações de mediania científica.

Estes são exemplos em que a corrupção por favorecimento é tão evidente, que começa a fazer parecer que no PS havia uma réstia de honestidade...
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 13.11.2013 às 09:21

da Maia, concordo com o tom geral do seu comentário. Há todavia um ou outro aspecto que me parece importante salientar. Por um lado, mesmo que aceitasse a sua imagem do automóvel novo, isso deixaria intacto o meu argumento sobre o automóvel velho: a necessidade de provas periódicas para os docentes do quadro. Por outro lado, parece-me que o da Maia aceita que a formação de professores, globalmente considerada, esteve nos últimos anos (décadas?) uns bons furos abaixo da qualidade exigível. Pois bem. O da Maia defende a correcção do problema a montante. E eu concordo. O que digo é que essa solução, mesmo que fosse adoptada (e não será porque Crato nunca mudará nada de essencial no ensino superior) não resolveria o problema imediato e a jusante. Os professores que já saíram, formados nos últimos anos, apresentam níveis de proficiência muito irregulares, de acordo com a exigência ou falta dela das instituições onde se formaram (e repito que o problema não está só, embora esteja muito, nas ESEs). Como as classificações académicas, por isso mesmo, não são fiáveis (creio até que as classificações são em regra inversamente proporcionais à qualidade das instituições que as atribuem), a única forma de resolver o problema de momento (não a ideal, mas a única) é uma prova. Acrescento que mal ou bem (e no texto refiro o que penso sobre a dimensão das turmas) existem hoje milhares de candidatos a professores que não são absorvidos pelo sistema. A prova de conhecimentos, como critério adicional de selecção permite, embora de forma não perfeita, aproximar o sistema do objectivo desejável de escolher os melhores. E isso deve ser o desígnio de um sistema que esteja ao serviço dos alunos e não de interesses corporativos, sejam eles dos professores ou das entidades formadoras.
Sem imagem de perfil

De da Maia a 13.11.2013 às 11:51

Estou de acordo, Rui.
Aliás, quem se formou em instituições que "facilitavam" as coisas, deveria saber que adquiria uma licença "facilitada". Por isso, não deve estranhar que as suas competências sejam tidas como "duvidosas" por alguns.

Mas não é assim que se faz.
Se o Estado quer corrigir o erro - de que é grande responsável, deveria então suscitar uma "universidade de verão", gratuita, e ministrar os complementos que hão-de faltar. Deveria pagar às suas universidades clássicas para esse efeito.

Se o Estado duvida dos conhecimentos, sabe que os professores estão mal preparados. O que faz para lhes dar preparação? Nada!
Exige exame, sem apresentar a matéria sob suspeita de lacuna.
Isto é próprio de um Ministério de Educação?
Não, é próprio de um Ministério da Avaliação.
Portanto, o primeiro a chumbar o exame da educação é o Ministro, porque há pessoal que nunca deixa de evidenciar a sua burrice profunda.

Quanto ao exemplo do automóvel, neste caso:
- não é aplicável porquanto não haverá desgaste do saber...
- é aplicável porquanto há desgaste na falta de saber!

Aí, os professores são grandes responsáveis. Nas universidades públicas há exigência de investigação, pelo que a formação contínua é inevitável.
No restante não há nenhuma necessidade e os professores encostaram-se.
Poderia resolver-se com uma Ordem, como sugere o Carlos Duarte, em baixo... apesar de eu não ser fã das ordens, porque são basicamente sindicatos engravatados. O seu escrutínio interno é quase inexistente (por exemplo, veja-se o caso do Vale e Azevedo), e também não há nenhuma necessidade de actualização... entra-se e pronto!

De qualquer forma, a comparação com as Ordens faz sentido, e o Estado ao puxar a si um exame destes, está a questionar a "auto-regulação do sistema". Vai fazer o mesmo com os outros exames de acesso a profissões reconhecidas pelo Estado?
Por isso, esta intervenção estatal não parece coisa de Ministro liberal do PSD, parece mais coisa da UDP... reminiscências?
Sem imagem de perfil

De Ana Isabel a 13.11.2013 às 01:40

Os professores já prestaram todas as provas durante a sua formação e estágio, pois não existem professores a dar aulas sem a profissionalização. Se eles não estão preparados, o que ministério da educação tem de fazer é avaliar as universidades e escolas superiores de educação. Se as mesmas não reunirem os requisitos para os fins a que se propuseram então fechem-se esses cursos. Deixam-se formar as pessoas, garantindo-lhes que tudo está bem e depois de todo o tempo perdido e dinheiro gasto é que se vai ver se os professores estão ou não em condições de leccionar? Vivemos onde? É tão ridículo que ainda por cima têm de pagar para fazerem os dito exames. O dinheiro abunda para financiar os privados e no público formam-se turmas enormes, onde dificilmente poderá haver sucesso e não se colocam professores porquê? Que me desculpem se querem privado paguem porque o país tem de garantir uma educação para todos e essa é no público e não no privado.
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 13.11.2013 às 09:32

Ana Isabel, se tiver paciência peço para dar uma vista de olhos à minha resposta ao da Maia, para não ter de estar a repetir argumentos. Acrescento algumas notas adicionais. A posição de que os professores não têm que prestar provas adicionais parece-me de uma certa sobranceria. Todos os profissionais, de uma forma ou de outra têm de (ou deviam) prestar provas ao longo da vida. E isso ainda deveria ser mais verdade para os professores. Por outro lado, creio que erra no que toca à solução para um eventual défice de qualidade das entidades formadoras. Que se deviam fechar ou melhorar as que não servem? Certamente. Mas, como isso até agora não aconteceu, há milhares de candidatos a professores saídos dessas instituições nos últimos anos. A Ana Isabel defende que a solução é atirá-los para dentro de salas de aulas, indiscriminadamente, com prejuízo dos alunos. Em nome de quê? Da defesa formal da qualidade dessas instituições? Da expectativa dos professores por elas formados? Isso não faz qualquer sentido quando todos os anos ficam 30 ou 40 mil de fora. Neste cenário, que é o real, a defesa do interesse dos alunos (e da credibilidade da escola pública) impõe que exista um critério de selecção (o possível, não ideal) que permita escolher, com mais dados, os que são melhores. E um comentário adicional: se a prova se realizar, e se tiver uma exigência baixa oumédia (não é preciso ser muito exigente) a teoria de que todos estão "perfeitissimamente" habilitados a ensinar vai cair por terra. Convido-a a passar por cá no dia em que forem divulgados os resultados para os analisarmos.
Sem imagem de perfil

De Ana Isabel a 14.11.2013 às 01:48

"Por outro lado, creio que erra no que toca à solução para um eventual défice de qualidade das entidades formadoras. Que se deviam fechar ou melhorar as que não servem? Certamente. Mas, como isso até agora não aconteceu, há milhares de candidatos a professores saídos dessas instituições nos últimos anos." Mas esses milhares tiraram os cursos nessas instituições, fizeram a profissionalização e foram considerados aptos a exercer a sua profissão. Quando estão prontos a exercê-la, obrigam-nos a fazer exames porque estão mal preparados. Inspeccionem-se as universidades e se for preciso fechem-se. As pessoas tiram os seus cursos mediante as regras instituídas, gastam dinheiro e tempo e no fim de tudo dizem -lhes que estão mal preparados? Se foram mal preparados, o estado tem de arcar com as responsabilidades, pois foi ele que lhes proporcionou a má preparação. O mais triste, no meio de tudo isto, é que as universidades continuam sempre hirtas e firmes...... Será que só os professores são mal preparados? Os economistas que tanto disparate têm feito e dito são bem preparados? Não acredito.
Sem imagem de perfil

De Fátima a 14.11.2013 às 21:26

Como sabe que os professores estão mal preparados? Possivelmente para encararem turmas em que os alunos fazem o que querem e muito bem lhes apetece e o professor não pode dizer nem fazer nada, provavelmente não há preparação possível. Os professores com turmas de 26 ou 30 alunos não podem fazer milagres e sei do que falo porque já lá estive. Meu caro Rui Rocha não é fácil e para avaliarmos a situação só passando por lá e não pelo que os leigos no assunto dizem, porque lhes interessa que assim seja. Avaliar alguém é algo que se banalizou, mas com essa avaliação poderemos destruir a vida de alguém.
Na educação está tudo ao contrário: primeiro experimenta-se, a seguir vê-se que não serve, partimos para outra e andamos nisto há 40 anos. Quem sai prejudicado? Os alunos que são as cobaias e os professores que estão mal preparados, segundo se apregoa agora. Diz que devem ser avaliados. Plenamente de acordo, no princípio da minha carreira sempre fui avaliada e com inspector na sala de aula observando. Hoje não se faz isso porquê? Deixar que as pessoas tirem os cursos segundo as normas vigentes e depois terem de fazer exames para verem se estão em ordem é obra........
Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 13.11.2013 às 09:15

Adivinho que os candidatos a professores mais mal preparados, são os que encabeçam a campanha contra os exames de acesso.
Comparar professores a economistas, vá que não vá; comparar professores com viaturas novas, não faz qualquer sentido, apesar das viaturas velhas estarem, periodicamente, sujeitas a exame...
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 13.11.2013 às 09:33

Caro TA, se quiser dar-se ao trabalho, desenvolvo o que penso sobre o assunto nas respostas ao da Maia e à Ana Isabel.
Sem imagem de perfil

De Carlos Duarte a 13.11.2013 às 10:23

Caro Rui Rocha,

Concordo consigo (e, pela mesma medida, discordo de alguns comentários anteriores) sobre a legitimidade do Estado (ou qualquer empregador) requerer que quem se candidata a um emprego seja submetido a uma prova. Acho que, e se se caminhar para uma maior preponderância do ensino privado no emprego de professores (e não estou a defender que se o faça ou não), normal que os professores acabem por ver reconhecido o seu direito a se auto-regularem por via de uma Ordem profissional devidamente habilitada e passar a ser o estatuto de membro da Ordem que confira "licença" para ensinar, dispensando - nessa altura - o Estado os exames.

Por outro lado discordo em absoluto na realização de provas por professores do quadro como critério de desempenho. O facto de um professor ter uma dada nota numa prova nada me diz da sua competência científico-pedagógica (e pode nada dizer da competência científica!). A avaliação - que acho bem que exista - deve versar sobre dois pontos: resultados sobre os alunos (existindo uma comparação "antes" e "depois" aluno a aluno ou por amostragem aleatória, tendo por base exames nacionais) e avaliação por parte da chamada "comunidade educativa" (seja por inquéritos aos encarregados de educação, avaliação por parte do Director de Turma, eventualmente observação de aulas por inspector por parte do ME, etc.).

Finalmente, abomino por absoluto a imoralidade de COBRAR aos candidatos pela realização de provas. As provas devem ser de acesso livre e gratuito.
Sem imagem de perfil

De am a 13.11.2013 às 12:12

Gostaria que "aMaia" me dissesse se concorda que as crianças "novas", ainda em fase de fabrico , também deviam estar isentas de todos os exame(s) .

Olhe que não existe em Portugal exame mais rigoroso do que é feito aos candidatos a trabalharem na Auto -Europa....

.....
Sem imagem de perfil

De da Maia a 13.11.2013 às 12:43

am:
Refere-se aos exames médicos?
A analogia não é má, porque nesse caso, se é diagnosticado um problema, há obrigação de o tentar resolver.
Ou os médicos apenas fazem os exames? Não tentam curar?
Aqui a ideia parece ser o cure-se a si próprio...

Então, ao "am", devolvo a seguinte questão. Imagine que este grande estado "avaliador" decide avaliar a saúde dos cidadãos.
Só pode constituir empresa, ou ser candidato a emprego, quem tiver "boa saúde". Não tem que ser visto como ilógico... afinal a pessoa irá assumir responsabilidades e deve estar em forma.
Cobra 20 euros pelo exame médico.

Neste caso, a analogia é ainda pior, pois o "exame" já tinha sido feito por "entidades certificadas". O que se passa é que é inventado novo exame...

Percebe o problema de ter um Estado controlador, despótico?
Isto não significa que não deva ser corrigido o problema... só que há muita coisa a corrigir então, nomeadamente noutras profissões com exame não estatal, e sem necessidade de actualização.
Sem imagem de perfil

De am a 13.11.2013 às 14:40

O a Maia ... gosta de baralhar tudo...ou quer conversa!

É evidente que não se trata de exames médicos --- para isso bastaria um simples atestado médico --- mas sim de exames psicotécnicos e do conhecimento escolar em geral (etc)....Muitos ... muitos... muitos... chumbam por nem sequer saberem a tabuada...!

Dizem: -- Para quê... se temos a calculadora?
Pergunta o examinador: - E se faltar a bataria?

Percebe onde quero chegar?
Sem imagem de perfil

De da Maia a 13.11.2013 às 15:41

am:
... quando fala em "crianças em fase de fabrico", convenhamos que deixa a desejar na clareza. Pensei que se referia a exames médicos infantis ou pré-natais.
Já percebi que fala do "fabrico da cabecinhas"... o que é revelador de outro conceito de maquinaria.

O caso das crianças que não sabem fazer contas já tem barbas, e não são deste ministro, apesar dele ter aproveitado para surfar essa onda...
A crítica ao "eduquês" é antiga, e nada tem a ver com este ministro, nem com professores, tem a ver com as escolas de formação, e as suas pedagogias.
O alvo foram as escolas? Não, foram os formados.
Essas escolas embarcaram na moda do eduquês, tal como o divulgador Crato foi convidado a embarcar na moda do contra-eduquês.
É de tal forma um papaguear do que se passou fora de portas que até parece que os papagaios diziam o mesmo. Mas julgo que só aqui é que chegaram a ministro.

É claro que eu sou a favor da avaliação, mas de uma avaliação feita depois de ensino. O ministro apenas insiste na avaliação, não no ensino.
Neste caso ele arma-se em avaliador dos professores, mas esquece a sua função de ensino. Sabe que têm má formação, e vai mostrar isso.
Mostrará que é um grande avaliador e um péssimo professor.
Não ensina nada a quem precisa de ser requalificado, apesar de ter sido qualificado pelo Ministério que herdou.

Julga que se quisermos não podemos fazer uma prova aos advogados, engenheiros, etc., deste país, onde 90% chumba mesmo com perguntas fáceis?
Digo-lhe mais, pode-se fazer um teste da 4ª classe fácil, onde 99% dos licenciados portugueses chumbaria.
Ser avaliador é fácil, o que é difícil é ser formador e ser um avaliador consciente.
Sem imagem de perfil

De Vento a 13.11.2013 às 12:54

O seu texto não deixa de apontar para um outro tipo de reflexão.

Afirma o Rui, "Mas, ninguém se escandaliza se, para preencher uma vaga numa empresa privada, esta submeter os candidatos a diversos testes e provas que avaliem o raciocínio numérico, verbal, diagramático e outras competências de um candidato.".
Pois bem, eu escandalizo-me pelo uso de métodos que hoje colhem consenso quase mundial sobre a sua inutilidade. Porquanto os mesmos não atestam a aptidão do(a) candidato(a) para o exercício da função, e muitas vezes ou quase sempre estão aí para justificar débitos gerados ou funções exercidas (RH).

O que estes rapazes do estado-novo estão a fazer é repercutir métodos, que são carcaças, em uso num sistema privado que dá provas de falência, fazendo crer que estão a reformar o país.
Neste sentido, e noutros que não vão produzidos, creio que o sistema de avaliação deve ser substituído pelo sistema de acompanhamento contínuo, onde o debate periódico (anual ou semestral), a troca de experiências e a partilha dos avanços alcançados noutros quadrantes possa constituir-se como a verdadeira formação ao longo da vida e a formação sobre os novos conhecimentos, tornando assim aptos mesmo aqueles que eventualmente se presuma não estarem.

As "reformas" que estes do estado-novo estão a implementar não passam de uma cadeia de pensamentos e práticas obsoletas que introduzem o caos num lado do sistema para gerar receitas para outro que se presume mas apto. Vemos, pela prática, quem é que em última instância os mantém à tona.

Por último, não sou professor e não sou nem nunca fui funcionário público. Mas entendo que a estrutura pública, para o ser, necessita de autonomia (sem esquecer a supervisão) do poder político (como estes, também, do estado-novo), porque ele mesmo incentiva e apadrinha a constituição de corporações que os ajudam a alcançar seus intentos.
O liberalismo acéfalo garante a sua continuidade através de funcionários públicos ou privados que vai colocando no xadrez político.
Sem imagem de perfil

De Carlos Cunha a 13.11.2013 às 14:20

curiosidade 1: a prova que o rui rocha aprova para aprovar professores contratados a prazo tem a validade de?

Comentar post


Pág. 1/2



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D