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Da parte fraca

por Jorge Assunção, em 03.06.09

O porta-voz dos clientes do BPP, Durval Padrão, disse à Lusa que os clientes apoiam a solução defendida pelo presidente do BPI, Fernando Ulrich, que apontou para a necessidade de ser o Estado a gerir o "mega-fundo". O presidente executivo do BPI defendeu na terça-feira que o Estado deve comprar os títulos dos clientes do Banco Privado Português (BPP) considerados de retorno absoluto e apelou às autoridades para que resolvam depressa a situação. E eu, simples contribuinte português, defendo que o presidente do BPI antes de defender o que o Estado deve ou não deve fazer, deve ser o primeiro a chegar-se à frente. Quanto à questão de fundo, compreendo perfeitamente a revolta dos clientes do BPP, mais ainda quando são discriminados face aos clientes do BPN, mas o essencial aqui é que se perceba que o contribuinte português não pode ir a todas e os clientes devem responsabilizar aqueles que são os verdadeiros culpados pela situação em que se encontram: os gestores privados da instituição em causa. Espero, portanto, que o governo português saiba dizer não aos clientes do BPP, evitando ceder à pressão a que está a ser sujeito.

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12 comentários

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De João Carvalho a 03.06.2009 às 22:25

Se bem entendo, os clientes do BPP devem é processar os seus administradores e gestores. Certo, Jorge. E já deviam estar a fazê-lo. De resto, não consta que qualquer deles note muito a diferença, se tiver de pagar alguns milhares de trocos.
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De Jorge Assunção a 03.06.2009 às 22:59

"Se bem entendo, os clientes do BPP devem é processar os seus administradores e gestores. Certo, Jorge."

Não sei, João. Do ponto de vista dos clientes do BPP muito provavelmente deviam fazer o que estão a fazer: pressão sobre o governo para que resolva a sua situação (pressão, aliás, que aparenta contar com o apoio da administração actual do banco). O ponto que quero marcar não é sobre o que devem os clientes fazer, mas sim o que o Estado deve fazer. Quanto muito, o Estado deve limitar-se a salvaguardar os depósitos até 100 mil euros como havia prometido e nada mais. De resto, os clientes, se considerarem que existe motivo para isso, até podem processar o Estado e as entidades de regulação portuguesas.

"De resto, não consta que qualquer deles note muito a diferença, se tiver de pagar alguns milhares de trocos."

Acredito que alguns notarão a diferença, tal como muitos outros portugueses notam a diferença e não consta que o Estado português corra em seu apoio.
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De Jorge Assunção a 03.06.2009 às 23:41

Só uma pequena nota ao meu comentário: obviamente, a partir do momento em que o Estado esclareça definitivamente que não vai obrigar o contribuinte a assumir a responsabilidade pelo que aconteceu no BPP, aos clientes não restará muitas outras soluções que não processar a instituição ou aceitar a solução que a actual gestão, supostamente, já lhes apresentou. Mas enquanto existir a possibilidade do Estado chamar a si a responsabilidade, compreendo que os clientes do BPP optem mais pelo barulho do que pela acção judicial contra quem quer que seja.
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De João Carvalho a 04.06.2009 às 01:06

Acontece que estaremos sempre a 'entrar', como contribuintes. Não sei se o Estado (o contribuinte) pagará ou não até ao prometido, tão-pouco sei se isso chegará para os clientes com mais capital. Mas continuo a achar que quem deve responder por isso são os responsáveis pela suposta gestão danosa. E também continuo a achar que se trata de gente que não saiu do banco para pobreza.
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De Jorge Assunção a 04.06.2009 às 01:46

"Mas continuo a achar que quem deve responder por isso são os responsáveis pela suposta gestão danosa. E também continuo a achar que se trata de gente que não saiu do banco para pobreza."

Nisso estamos totalmente de acordo. Interpretei mal o primeiro comentário, João. Quando li a referência aos "milhares de trocos" associei-a aos clientes e às respectivas custas judiciais que vão ter de pagar para processar os antigos gestores (sem garantia de vitória num processo do género).
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De João Carvalho a 04.06.2009 às 01:50

Por acaso, achei estranha a resposta ao meu comentário anterior. Estamos de acordo.
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De Pedro Correia a 03.06.2009 às 22:26

Espero o mesmo, Jorge. Fazer do BPP um novo BPN, não. Repito: NÃO.
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De Jorge Assunção a 03.06.2009 às 23:04

Exacto, Pedro. Ou o Estado arrisca-se a passar o sinal de que erros privados têm sempre cobertura com o dinheiro do contribuinte, o que é um óptimo incentivo para que as práticas de mal gestão se mantenham no futuro.
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De Luís Reis Figueira a 04.06.2009 às 01:52

Se é verdade que o Estado não pode andar continuamente a apagar fogos deste género com o dinheiro dos contribuintes, também não é menos verdade que a grande responsabilidade por este estado de coisas é precisamente do próprio Estado, que não supervisionou devidamente, como lhe competia, todo o género de manigâncias e tropelias que estas autênticas «pandilhas» levavam a cabo. Não é assim, a meu ver, tão linear que o Estado possa daqui lavar as suas mãos como Pilatos.
Todos nós, certamente, teremos algum dinheiro em algum banco e nenhum de nós, por certo, gostaria de ser tratado pelo Estado da maneira que o Estado está a tratar os clientes do BPP.
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De Jorge Assunção a 04.06.2009 às 02:45

Caro Luís,

"não é menos verdade que a grande responsabilidade por este estado de coisas é precisamente do próprio Estado, que não supervisionou devidamente, como lhe competia"

Talvez, mas eu resumia as coisas assim: a maior parte da responsabilidade é do banco, isto parece-me certo. A supervisão falhou? Talvez. Mas o cliente também sabia que estava num banco que pagava um juro mais elevado e nunca se queixou. O juro mais elevado era indício suficiente de maior risco, não tivessem as coisas corrido mal e nenhum cliente se queixaria, muito menos aceitaria partilhar comigo, contribuinte, parte do proveito que tinham. Não queiram agora, que as coisas correram mal, pedir-me algo.

"Todos nós, certamente, teremos algum dinheiro em algum banco e nenhum de nós, por certo, gostaria de ser tratado pelo Estado da maneira que o Estado está a tratar os clientes do BPP."

O que eu não gostaria era de ter o dinheiro num banco com tão má gestão como a do BPP se veio a revelar - embora, e na defesa dos meus interesses, em situação semelhante à dos clientes do BPP actuasse perante o Estado da mesma forma que os actuais clientes o fazem. Mas se a maneira do Estado actuar, neste momento, me parece errada, é precisamente por ainda não ter esclarecido frontalmente e sem rodeios qual a decisão sobre o caso. E quanto mais tempo demoram a tomar uma decisão, mais difícil se torna dizer não (o que na minha condição de contribuinte é a decisão que desejo). E muito menos percebo esta paralisia quando o ministro das Finanças esteve tão bem logo da primeira vez que pronunciou-se sobre o caso.
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De Luís Reis Figueira a 04.06.2009 às 04:49

Caro Jorge Assunção,
Algumas das ideias que expõe neste seu comentário são, no mínimo, estranhas, pelo que venho dizer o seguinte:
1º) «A supervisão falhou? Talvez.» Em minha opinião, a supervisão não falhou apenas eventualmente, mas sim completa, redonda e absolutamente;
2º) «Mas o cliente também sabia que estava num banco que pagava um juro mais elevado e nunca se queixou». Ó Jorge!, mas haverá algum cliente neste mundo que se queixe de um banco pagar um juro mais elevado??... Pela parte que me toca, só espero que o meu banco possa dar-me o melhor juro possível e penso que é isso que toda a gente procura, ou não será?;
3º) «O juro mais elevado era indício suficiente de maior risco». Não necessáriamente, Jorge. Como decerto sabe, o preço que cada banco está disposto a pagar pelo nosso dinheiro, depende (entre outros factores), da sua liquidez em determinado momento e da necessidade (ou não) que ele tem nesse factor. Não podemos concluir que os bons bancos são os que pagam juros baixos e os maus são os que pagam juros altos;
4º) «O que eu não gostaria era de ter o dinheiro num banco com tão má gestão como a do BPP se veio a revelar». Como V. próprio conclui, Jorge, só agora a má gestão deste BPP se veio a revelar, ou seja, tudo isto só se vem a saber "à posteriori". Antes disso, tudo corria no melhor dos mundos e este era um banco tão sério e credível como todos os outros que "ainda" não deixaram de o ser. Se as pessoas tivesse dons devinatórios, é óbvio que casos destes não existiriam, com absoluta certeza. Também na parte que me toca, (porque não faço parte do seu conselho de gestão) devo confessar que nada sei acerca da boa ou má saúde financeira do meu banco, limitando-me a acreditar que seja uma instituição minimamente séria e honesta. Mas nada me garante, na verdade, que não venha a acontecer com ele, ou com qualquer outro, aquilo que sucedeu com o BPP e o BPN;
5º) Estou inteiramente de acordo consigo quando diz que «o não, na minha condição de contribuinte é a decisão que desejo». Também eu não gostaria que o dinheiro dos meus impostos fosse, mais uma vez, canalizado para este tipo de loucuras. A verdade, porém, é que o Estado tem uma enorme, imensa culpa neste actual estado de coisas e não pode nem deve virar as costas a este problema fingindo que nada tem a ver com ele. Muito menos ainda, não pode nem deve ter dois pesos e duas medidas para tratar de forma tão diferente dois casos tão semelhantes.
Um abraço.
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De Jorge Assunção a 04.06.2009 às 10:41

Caro Luís,

1ª) No caso do BPP tenha dúvidas disso (no do BPN tenho menos dúvidas). A situação de falência de um banco não é condição suficiente para afirmar que a supervisão falhou.

2ª e 3ª) O cliente também deve procurar segurança. Uma situação prolongada no tempo de juro acima da média de mercado tem de reflectir risco mais elevado (sublinho a ideia de situação prolongada no tempo). E repare que não se trata de maus e bons bancos, mas tão só de produtos com maior ou menor risco.

4ª) O que quero dizer com isso é que estas coisas acontecem. E, é certo, para quem passa por elas não é nada agradável. Mas não é possível excluir a probabilidade da sua ocorrência, nem é possível pedir à supervisão, que também não é dotada de "dons devinatórios", que antecipe todos estes casos. Repare também que uma gestão "séria e honesta" não é condição suficiente para uma boa gestão. E não aceito que, mesmo atendendo à especificidade do sector em causa, se passe a responsabilidade do que aconteceu para o Estado.

5ª) Um erro não justifica outro erro. E tenho dúvidas que os casos sejam tão semelhantes quanto isso. No caso do BPN há pelo menos uma pessoa na prisão, no caso do BPP não. Para já, não consta que no BPP tenham existido situações como as negociatas em Porto Rico ou o banco Insular de Cabo Verde. O BPP está na situação em que está porque tinha uma carteira arriscada e boa parte dos produtos que faziam parte da sua carteira desvalorizaram no mercado com a crise financeira.

É para discutir ideias estranhas que aqui estou. :)

Cumprimentos.

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