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Livros de cabeceira (21)

por Ana Lima, em 09.11.13

 

Tenho dois pontos prévios a referir antes de vos falar acerca destes meus livros de cabeceira: é que nem são “livros”, nem são “de cabeceira”.

Começando pela questão da cabeceira: acho que não leio na cama desde, pelo menos, o nascimento da minha primeira filha. Esse hábito teve o seu auge na adolescência, altura em, sempre que podia, ficava manhãs inteiras deitada a ler. Actualmente na minha mesa de cabeceira raramente há livros. Esta foto foi portanto "encenada".

Por outro lado, padecendo eu de um certo distúrbio obsessivo-compulsivo (não diagnosticado e, creio eu, de pouca monta) raramente leio mais que um livro em simultâneo. 

No entanto, actualmente, por motivos profissionais, estou a ler esta obra de 1968, de Henri Lefebvre dedicada às questões da cidade e do urbano que só o ano passado foi publicada em Portugal. Já tinha lido excertos noutras circunstâncias mas nunca todo o texto que é um clássico para quem trabalha na área.

Nesta fotografia está também o pequeno livro que me tem acompanhado nos últimos dias. As suas folhas amareladas não recomendam sequer a sua permanência junto ao local onde se dorme. Comprei-o (numa daquelas vendas de livros nas estações de metro) por três razões. A primeira prende-se com a minha memória. O único livro que li deste autor (não sei qual, confesso), era eu adolescente, foi na mesma altura em que li "As Vinhas da Ira" do seu contemporâneo Steinbeck. Mal vi este "Um rapaz da georgia" apeteceu-me recordar aquela escrita e aquelas personagens tão marcadas pela dura vida no sul dos EUA, na primeira metade do séc. XX.

A segunda razão tem a ver com o objecto em si: um pequeno livro, uma edição de 1954, com muitas ilustrações de Birger Lundquist, que trabalhou sobretudo em jornais; desenhos de traços finos que acompanham as cenas facilitando muito a entrada nos ambientes descritos. 

A terceira razão de que queria falar tem a ver com o facto de a tradução e o prefácio serem da autoria de Jorge de Sena. 

Deixo-vos uns excertos desse prefácio: "... a ternura comovida e o riso poderoso das cenas ridículas, que são o estofo das suas páginas, deixam um travo amargo e um aumentado amor da liberdade, da justiça, da dignidade humana, noções cuja autenticidade as suas personagens mesquinhas e empobrecidas só caricaturalmente atingem... Neste caso de Georgia boy, publicado em 1943, o apelo toma a forma de uma voz de criança perdida na noite e implorando a toda a humanidade (de que o leitor rindo-se dele, da família dele e dos que o rodeiam, faz parte integrante) que o deixe ser livre e conscientemente um homem. Ainda quando não concordemos com a afinação da voz, ou ela nos não pareça portentosa, é uma voz humanizada. 

E se não é para assim nos ouvirmos uns aos outros que por aqui andamos, não se percebe muito bem porque seremos tantos e teremos voz."


4 comentários

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De Pedro Correia a 09.11.2013 às 12:32

Há coincidências curiosas, Ana. Num texto a publicar algures durante o dia também menciono Steinbeck e Caldwell. Dois autores a que regresso com frequência e que ainda hoje nos dizem muito, talvez por terem vivido tempos de crise semelhantes aos actuais.
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De Ana Lima a 11.11.2013 às 00:45

Pois... São provas de que a definição de Italo Calvino sobre os clássicos está correcta. :)
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De Luís Lavoura a 11.11.2013 às 10:45

"não leio na cama"

Faz Você muitíssimo bem. Ler na cama, além de fazer mal aos olhos, faz horrivelmente mal aos músculos das costas, que ficam numa posição péssima (se deitado de barriga para baixo). Quem mo disse foi uma médica da especialidade.
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De Ana Lima a 11.11.2013 às 13:14

Bem, essa não é a razão para eu não ler na cama. Mas compreendo que não faça muito bem à saúde. Mesmo assim, às vezes, bem que me apetecia ficar a ler de manhã na cama em vez de me levantar. :)

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