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Da descaracterização de um país

por Ana Vidal, em 06.11.13

"Havias de os ver, havias de os ver. Mestres sem assinatura é o que eles sempre foram e continuam a ser, mais hábeis e pacientes como nenhuns. De martelinho sagaz, aparelham pedaços de basalto na concha da mão que depois implantam na brancura dos passeios como quem implanta diamantes negros. Capricham nos artifícios, são tão mestres na figura livre como no traçado geométrico e se for preciso vão até às inscrições caligráficas num rigor de compêndio emplumado. Calceteiros. Em inglês não sei como se diz mas eu chamar-lhes-ia ilustradores ou joalheiros de calçadas, se não fosse literário de mais chamar-lhes assim. São eles, fica sabendo, que embelezam e combrem de memórias os caminhos que nós, os de Lisboa, cumprimos todos os dias."                                                                                                                                                 

José Cardoso Pires, in "Lisboa - Livro de Bordo"


Eu chamar-lhes-ia desempregados ou emigrantes, que é menos literário mas muito mais duramente real.


30 comentários

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De Vasco a 07.11.2013 às 00:49

Só estava a tentar ilustrar algumas incoerências. Pessoalmente parece-me que o benefício supera largamente a perda, porque tirando as zonas da Baixa com os motivos e outras excepções, o resto é horrível e não tem interesse nenhum. Com placas longitudinais sustentadas por caixilhos de betão ou caixilhos metálicos, até, é possível arrumar muito melhor os diversos serviços no sub-solo e aceder-lhes com muito mais facilidade, tornando as reparações também mais rápidas e asseadas como convém a uma cidade que pretende ser moderna. É também a solução para escoar águas em excesso, uma vez que podem ser feitos canais (ou "levadas", para os mais serranos) sob as lajes ao longo de TODA A CIDADE e resolver de vez o problema das cheias, etc, etc.

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