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Livros de cabeceira (16)

por João Campos, em 04.11.13

Talvez o artefacto mais curioso da minha ínfima mesa de cabeceira não seja algum livro, mas sim o relógio - um banalíssimo despertador digital, de dígitos encarnados, quase tão antigo como eu. É certo: na nossa época, e felizmente, vinte e oito anos não combinam muito bem com o adjectivo "antigo" no que às pessoas diz respeito; já o mesmo não se poderá dizer sobre aparelhos electrónicos. E nota-se. Está gasto, o aparelho: os botões funcionam mal há anos, o indicador de que o despertador está ligado já nem aparece no mostrador. Mas continua a funcionar, enfim, como um relógio (bem sei, o trocadilho é fácil, e pior, óbvio); e se o indicador falha, já o despertador continua a soar estridente como sempre. Terá sido uma das minhas tias-avós a residir no estrangeiro que deu o relógio lá para casa - e, sem outro lugar para ocupar, acabou por se instalar no meu quarto, e por vir para Lisboa comigo há uma década. Após tantos anos, já se tornou um hábito ver aqueles dígitos rubros antes de adormecer, ou ao acordar.

 

Mas adiante, que o tema do artigo não é relojoaria, mas sim livros. Sempre tive o hábito, mais ou menos regular, de ler na cama. Nem que seja um único capitulo de um livro, ou apenas duas páginas de uma banda desenhada; regra geral, porém, acaba por ser bem mais do que isso, e não é incomum distrair-me na leitura até começar a ver claridade pelas portadas da janela. Por isso, há sempre livros na minha mesa de cabeceira. Serenity: Those Left Behind é uma banda desenhada do universo ficcional criado por Joss Whedon para a extraordinária e malograda série televisiva Firefly; encontrei-a há uns anos numa loja de banda desenhada de Lisboa e não resisti: as aventuras da tripulação da nave "Serenity" são demasiado boas para deixar passar, venham em que formato vierem. Logo de seguida, um pequeno livrinho de poesia, um dos poucos da minha biblioteca. Não sou leitor habitual de poesia, admito, mas regresso sempre a Edgar Allan Poe; e esta Complete Poetry há muito que deixou de apanhar pó na estante para conquistar lugar cativo na mesa de cabeceira. Segue-se ficção científica, como não podia deixar de ser: World of Exile and Illusion, colectânea dos três primeiros romances publicados por Ursula K. Le Guin entre 1966 e 1967 (Rocannon's WorldPlanet of Exile e City of Illusions). Será uma das minhas próximas leituras. E, no topo, o livro que me tem ocupado nos últimos dias: River of Gods, do britânico Ian McDonald, uma história fascinante e multifacetada de ficção científica passada na Índia. Dele já li Brasyl, uma excelente história tripartida num Brasil passado, presente e futuro (que aproveito para recomendar) e, mais recentemente, Desolation Road, o seu romance de estreia ainda nos anos 80, uma história ousada que transporta um realismo mágico sul-americano e uma certa nostalgia bradburyana (passe o neologismo) para um Marte futurista. Ian McDonald irá estar em Portugal em breve, como convidado especial do Fórum Fantástico; nada como actualizar as leituras antes de ter a oportunidade de estar à conversa com o autor. 


6 comentários

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De Pedro Correia a 04.11.2013 às 17:28

Parem as máquinas: tanto quanto me recordo, é o primeiro despertador que aparece nesta série das nossas cabeceiras. Chama-me ainda mais a atenção pois posso gabar-me de jamais ter necessitado de um despertador: é objecto que nunca usei.
Reitero a minha ignorância, já tantas vezes expressa neste blogue, sobre ficção científica em geral e lamento em particular nada ter lido até hoje de Ursula Le Guin, autora de que sempre me chegaram as melhores referências. Mas o teu conselho, meu caro João, acabará por ser seguido.
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De João Campos a 04.11.2013 às 17:41

Sorte tua. Eu por vezes preciso de dois ou três...

Quanto a Le Guin, começa por "The Dispossessed".
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De Lina a 04.11.2013 às 21:03

Muita leitura em inglês ... ;-)
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De João Campos a 05.11.2013 às 02:32

Toda, de facto. Tenho ali um Vergílio Ferreira e um Mário de Carvalho à espera, mas estão ainda na estante.
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De Leonor Barros a 05.11.2013 às 14:57

Se a tua mesa-de-cabeceira não tivesse literatura fantástica ou sci-fi mais nenhuma teria, João :) E quanto ao despertador, uso o telemóvel mas tenho de ter algo que acorde. E leio muito na cama também.
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De João Campos a 05.11.2013 às 17:42

Ainda ponderei ir ali à prateleira de ficção literária para trocar as voltas :)

Eu também uso o telemóvel. Mais o despertador. E por vezes até o computador serve para completar a coisa. Sair da cama cedo é mesmo uma tarefa árdua por estes lados...

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