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"Dia de reflexão"? Não, obrigado

por José Gomes André, em 03.06.09

Decorre na blogosfera um debate sobre o chamado “dia de reflexão”, com interessantes contributos do Nuno Gouveia, Rodrigo Saraiva e Vítor Dias. Eu sou contra a existência deste mecanismo. A meu ver, o “dia de reflexão” apenas faria sentido numa sociedade desinformada, com media poucos desenvolvidos, alheia à coisa pública e mais ou menos afastada dos centros de decisão política.

Ora neste momento em Portugal não se verifica nenhuma destas condições. Pelo contrário. Assistimos a uma profusão de comícios, debates, artigos, mesas-redondas, tempos de antena e propaganda de toda a espécie. Os jornais e os noticiários televisivos veiculam informação política de forma sistemática. Fala-se das eleições na blogosfera e nos cafés. Só indivíduos completamente absortos na sua vida quotidiana – que na sua esmagadora maioria são abstencionistas crónicos – ainda poderão ter dúvidas em relação ao seu sentido de voto. Neste contexto, o “dia de reflexão” não serve qualquer propósito.
Por outro lado, o “dia de reflexão” introduz uma espécie de movimento paradoxal na sociedade. Durante várias semanas, a sociedade e os partidos mobilizaram-se para apelar ao voto e à discussão de temas políticos. De súbito, exige-se legalmente que os movimentos organizados, os cronistas, os comentadores, os jornalistas e o cidadão  se silenciem justamente nas 24 horas que precedem o evento eleitoral. É também por isso – ou sobretudo por isso – que o “dia de reflexão” é habitualmente marcado por uma outra disputa, entre aqueles que acabam a violar a lei (incentivando ao voto nos blogues ou imiscuindo-se em propaganda dissimulada) e os que passam o sábado a denunciá-las. Com franqueza, é um triste espectáculo que se podia evitar. 

[adaptado de um texto que escrevi aqui a um outro propósito].

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3 comentários

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De Pedro Correia a 03.06.2009 às 07:58

Faz todo o sentido, este debate. Como diz o Nuno, "o dia de reflexão é inútil, e poderá mesmo servir até para desmobilizar algum eleitorado. Na era dos novos media, impor um silêncio até pode ser considerado quase anti-democrático."
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De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 03.06.2009 às 09:56

José, pelas mesmas razões apresentadas no seu "post" sou a favor do dia de reflexão:
- vivemos "numa sociedade desinformada";
- "com media pouco desenvolvidos";
- "alheia à coisa pública";
- "e mais ou menos afastada ds centros de decisão política".
O dia de reflexão acaba por funcionar como um dia livre do ruído e da histeria colectiva. E isso é fundamental para que cada um tenha aquele espaço-tempo a que deve ter direito: a distância necessária para reflectir ou simplesmente "fazer uma pausa".
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De Helena a 04.06.2009 às 09:22

É pá, há quanto tempo não vens à Marinha? Ou pelo menos, há quanto tempo não socializas com o pessoal Marinhense? E quem fala do pessoal Marinhense, fala de muitos outros espalhados por este Portugal, onde reina a desinformação e onde falar de política é tabu e quase suicídio social. Garantidamente que as poucas pessoas que sabem que no Domingo há eleições, não sabem que eleições são. No entanto, se lhes perguntares o que aconteceu à mulher que se pôs debaixo do comboio, todos te saberão responder.
Quanto ao dia de reflexão, não será boa ideia, pois os poucos que se lembram das eleições, são capazes de ver ali um motivo para se esquecerem.

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