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Livros de cabeceira (10)

por Ivone Mendes da Silva, em 29.10.13

Sei ler mas não sei fotografar. Nem de máquina sou possuidora, daí que fui pedir emprestada. Para quê? Não sabes tirar fotografias. Lá expliquei da mesa-de-cabeceira e do blogue. Só te dás com gente estranha. Eu sei mas e a máquina, posso levá-la? Que sim e aqui está o resultado. Esclareço primeiro: eu que leio em todo o lado, o local onde menos leio é na cama. Deito-me madrugada alta e é mesmo para dormir, que já sei como me acordam as olheiras. O mais habitual é ler no canto do sofá e esse é infotografável pela desordem bibliófila que o ocupa. Mas tenho dias, melhor, tenho noites em que digo de mim para mim, majestática como convém nos solilóquios que se prezam: vou retirar-me. Agarro então num outro livro, que não o que esteja a ler, por uma qualquer razão que me salte ao caminho no momento. E esses volumes ocasionais empilham-se por lá, nas mesas, no chão, não era para fotografar o chão, pois não? Faço-lhes uma leitura entrecortada de algumas páginas benevolentes, demoro-os temporadas inteiras, esqueço-os, retorno-lhes. Começando a legenda: atrás, junto à parede e com um marcador timorense, está D. João III de Ana Isabel Buescu. O reinado de D. João III, sobretudo os últimos anos, de 55 a 57, ocupa muito espaço nas minhas leituras. Por cima, está Contemplação carinhosa da angústia, uma compilação de ensaios da Agustina, prefaciados por Pedro Mexia. É-se da Agustina como de uma religião, no chão estão outros, lidos e relidos. Em primeiro plano à direita está, por baixo, a Rayuela do Cortázar, que é como quem diz a tradução de Alberto Simões para a Cavalo de Ferro, O jogo do mundo. Nunca tinha lido Cortázar traduzido, fi-lo este Verão. Por cima, está um livro fininho, Amadeo de Mário Cláudio. Sobre Amadeo de Souza-Cardoso, uma beleza de texto. No topo, Rolando Teixo, o primeiro romance de Pedro Bidarra, que recomendo. À esquerda, por baixo há um caderno, também há uma caneta mas não se vê, vão ter de acreditar em mim que não sei tirar fotografias. Por cima do caderno, L’ imparfait du Présent – Pièces bréves, ensaios de Alain Finkielkraut para a colecção branca da Gallimard. A haste metálica que sai de dentro dos Tales of Mistery and Imagination pertence a uns óculos que estão praticamente partidos mas que ainda servem para ler. Levei o Poe para a mesa-de-cabeceira na semana passada mas já não sei precisar porquê. Ao lado há uma base onde pouso a chávena de chá que levo para comigo nas noites em que me retiro e, por detrás, há uma garrafa com água. Podia continuar na outra mesa-de-cabeceira mas achei que exagerava se a fotografasse também. Sou comedida, não quero exagerar.


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