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Maus hábitos

por Ana Vidal, em 02.06.09

 

Dos políticos, já há muito tempo que não esperamos outra coisa que não seja traições, facadas nas costas e carecas descobertas, por crimes mais ou menos graves de que, prontamente, se acusam entre si com prazer visível e total ausência de vergonha. Habituámo-nos, porque nos habituamos a tudo.

 

Agora, vieram os homens das leis oferecer-nos o triste espectáculo televisivo da sua mesquinha guerra intestina, provando-nos, sem necessidade de grande argumentação, que a toga não faz o monge e que não são melhores, com todos os seus canudos e palavras caras, do que as peixeiras do Cais da Ribeira em hora de contagem de canastras. Habituamo-nos, porque nos habituamos a tudo.

 

Talvez venham um dia destes os médicos, quem sabe, acusar-se uns aos outros de assassinatos e maus tratos aos doentes, de receitas vendidas a peso de ouro ou de outras torpezas avulsas, sei lá. Habituar-nos-emos, porque nos habituamos a tudo.

 

Já não reagimos aos maus hábitos que vamos acumulando, neste torpor doentio em que caímos, todos os dias um pouco mais. E o pior de todos eles é a indiferença.

 


37 comentários

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De Leonor Barros a 02.06.2009 às 08:46

Habituamo-nos a tudo, dizes bem, Ana. Infelizmente.
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De Ana Vidal a 02.06.2009 às 09:48

E estamos a ficar cada vez mais abúlicos, Leonor. É isso que me faz impressão.
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De Luís Lavoura a 02.06.2009 às 09:38

Não há nada de novo nem de surpreendente. Qualquer pessoa que já litigou em tribunal sabe que os advogados são capazes das piores torpezas e dos golpes mais baixos. A lei para eles é um instrumento ao serviço da desonestidade e da sacanice.
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De Ana Vidal a 02.06.2009 às 09:55

A questão não é essa. O que há de novo é a desunião total de uma classe que era bastante corporativa, tal como os médicos. Por isso os citei. E o que há de novo é uma peixeirada pública e em directo para todo o país, em vez da resolução de problemas internos em sede própria e à porta fechada.
A maioria dos portugueses não percebeu patavina do que foi dito ontem e do que está em causa, porque são coisas muito específicas da Ordem. Por isso, só a ficou a mensagem da roupa suja lavada em público.
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De Luís Lavoura a 02.06.2009 às 10:08

"O que há de novo é a desunião total de uma classe que era bastante corporativa"

Sim, mas isso é altamente positivo e merece toda a nossa satisfação e aprovação. Que a corporação se desfaça, é isso mesmo que é preciso. Que a Ordem dos Advogados se dissolva, ficamos todos contentes. À falta de partidos políticos que tenham a coragem de acabar com o Estado Corporativo, acabando com as Ordens e promovendo a associação livre e a regulação pelo Estado, ao menos que sejam as próprias Ordens a suicidarem-se.

"uma peixeirada pública [...] em vez da resolução de problemas internos [...] à porta fechada"

Mas se há coisa que é odiosa são precisamente essas portas fechadas. Ainda bem que a peixeirada é pública. Assim ficamos todos a conhecer melhor estes senhores. Deixamo-nos de hipocrisias e de respeitos injustificados. A roupa suja deve ser lavada em público, para que toda a gente possa ver quão suja ela está.
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De Ana Vidal a 02.06.2009 às 10:27

Não tem nada que ver com hipocrisias. Concordo com a transparência, mas não com a peixeirada pública. Há assuntos que devem resolver-se à porta fechada, sim, a bem da credibilidade e da dignidade de uma classe profissional. Até porque, repito, o público não percebe nada do que está em causa. É só mais um assunto para opinarmos na rua e nos cafés, sem saber do que estamos a falar.
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De Luísa a 02.06.2009 às 18:19

Acho que sim, Ana. As Ordens têm regulamentos, zelam pela ética das profissões, e devem punir os prevaricadores. Têm autoridade para isso e não precisam de vir pedir aprovação ou apoio para a praça pública. Gostava de ver o que é que os portugueses diriam se o seu Presidente da República, porque não consegue impor a todos (nem ao Governo) o mesmo respeito pela Lei, fosse lá para fora, para as instâncias europeias, fazer queixinhas do seu povo, falar das corrupções, etc., etc., etc..
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De Ricardo S a 02.06.2009 às 18:32

Caro Luis, permita-me apresentar alguns escracimentos, tendo em conta que escreveu algumas coisas que nao correspondem bem à verdade:

1. A Ordem (OA) existe por varias razoes e, ao contrario do que muitos pensam, nao é um sindicato nem uma associação de advogados, que se limita a defender a classe e os seus profissionais.

2. Ao contrario de outras ordens profissionais, a OA aplica muitas sanções disciplinares e os processos sao justos e nao parciais, no sentido de arquivar as queixas dos cidadaos, para proteger os advogados. Basta o Luis ir, por exemplo, a um tribunal e ver nos paineis afixadas varias sentenças dos orgaos da OA (sobretudo do Conselho de Deontologia) a punirem advogados com multas, suspensoes e expulsoes. Elas existem e nao sao assim tao poucas.

3. Apesar de uma ideia errada do "cidadao comum", a OA actua, pune e separa o trigo do joio, ao contrario de outros... De corporativista nao tem nada (acredite!).

4. A OA tem, ainda, outras competencias, como, por exemplo, arranjar advogados para os mais carenciados. Actualmente, o sistema de acesso ao Direito (apoio judiciario) passa integralmente pela OA, nomeadamente as escalas em tribunais para assegurar o patrocinio de advogados às pessoas em diligencias, ou as consultas para quem precise de tirar duvidas e nao tenha possibilidades (financeiras) de consultar um advogado.

Posto isto, resta-me, para alem de repudiar a posiçao do Luis, de "dissolver" a Ordem, de remeter para um outro comentario (mais generico) quanto à generalizaçao que faz. Nem todos os advogados sao assim. Alias, a larga maioria ficou triste com o péssimo espectaculo de ontem à noite. Acredite.

Cumprimentos.
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De Luís Lavoura a 03.06.2009 às 09:41

Ricardo S

a Ordem dos Advogados é corporativa na medida em que limita ou retarda o acesso à profissão. Ou seja, objetivamente, protege os advogados da concorrência.

As funções úteis que você diz que a Ordem desempenha, e que você diz que ela desempenha bem, poderiam e deveriam ser desempenhadas por um órgão estatal. Ou então pelo mercado. Há montes de profissões onde se verificam desrespeitos da ética profissional sem que seja necessária uma Ordem para os punir. E o apoio judiciário é primariamente uma função do Estado (acesso à justiça). Não há razão para que o Estado delegue num órgão corporativo as suas próprias competências e obrigações.
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De Ricardo S a 03.06.2009 às 11:17

Caro Luis, tem razão no ponto de que a actividade da OA poderia ser exercida por outro organismo. Mas qual? Um dependente do poder politico, do Ministério da Justiça, do governo? É que a OA é totalmente independente, tal como o Conselho Superior da Magistratura ou o Conselho Superior do Ministerio Publico.
Quanto ao acesso à profissão, é inegavel que temos advogados a mais e a taxa mais alta da Europa. Ora se houvesse "corporativismo" no sentido de proteger os que ja estao inscritos evitando a entrada de mais advogados, os numeros nao seriam estes, mas outros mais baixos, nao acha?
E acrescento, ainda, outro aspecto. Compete à OA organizar os estagios, obrigatorios para o exercicio da advocacia. Os formadores sao advogados. Quem acha que deveria, caso a OA acabasse e passasse a ser o Estado a tratar disto tudo, formar os estagiarios? Os boys do Governo, que pouco percebem de Direito e so la estao porque tem o cartao do partido (basta olhar para os diplomas emanados do governo e ver a pessima tecnica juridica utilizada)?
Compreendo que, para quem nao conhece o meio, pareça facil criar uma alternativa, mas, acredite caro Luis, que o actual sistema (OA e estagios obrigatorios) acaba por ser o melhor.
Cumprimentos.
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De Luís Lavoura a 03.06.2009 às 11:56

Ricardo S

a Justiça em Portugal é, por definição, independente do governo e dos partidos. O Ministério Público e os juízes são independentes da Assembleia da República e não são regidos pelos partidos políticos. Custaria tanto, então, ter mais um órgão independente, formado por juristas em geral mas não necessariamente por advogados, que analisasse e punisse as violações da ética profissional pelos advogados? Da mesma forma que os juízes são punidos - por um órgão do Estado, mas independente da política - quando faltam às regras?

Quanto a termos advogados a mais, o país tem os advogados que quiser. Se os tem a mais, é problema dos advogados, que provavelmente estarão com míngua de trabalho, não sei. Em todo o caso, existe uma explícita barreira no acesso à profissão, sob a forma de longos estágios não pagos. Esta é uma barreira explicitamente promovida e apadrinhada - como você bem diz - pela Ordem. Já tenho contactado com bastantes advogados que se queixam que, para acederem à profissão, foram obrigados a penar anos em estágios nos quais, dizem, não aprenderam nada que não soubessem já, estágios esses pouco ou mal remunerados e nos quais são maltratados por colegas mais velhos. O sistema de estágios promovido pela Ordem é efetivamente uma barreira corporativa ao acesso à profissão. O facto de muitos juristas ultrapassarem essa barreira, e o facto de haver muitos advogados em Portugal, em nada significa que a barreira seja justificada.

Noutras profissões também há estágios e tal. Em todas as profissões há principiantes.
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De João Carvalho a 03.06.2009 às 12:23

Luís, quem é que lhe disse que «a Justiça em Portugal é, por definição, independente«? Não faça nem lance confusões: independente é Poder Judicial, representado pelos seus órgãos de soberania, que são os tribunais judiciais.

O Ministério Público é autónomo e está na dependência da Procuradoria-Geral da República, sendo o Procurador-Geral nomeado politicamente para o exercício de um cargo cujo desempenho é autónomo. Não invente, pois, independências que não existem.

Também as Ordens são autónomas, como é evidente, e têm funções específicas atribuídas pelo Estado. Como muito bem diz o Ricardo S, a advocacia não é diferente das outras profissões: tem bons e maus e os maus constituem sempre a minoria.
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De Nicolina Cabrita a 03.06.2009 às 02:32

«Qualquer pessoa que já litigou em tribunal sabe que os advogados são capazes das piores torpezas e dos golpes mais baixos. A lei para eles é um instrumento ao serviço da desonestidade e da sacanice.»

Se me permite, fala dos advogados em geral ou de algum em particular? E se fala de algum em particular, o que é que o leva a fazer este tipo de generalização?

Concretizando. Eu sou advogada. O Senhor conhece-me? E se não me conhece, quem lhe confere o direito de afirmar que eu sou desonesta e sacana?

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De Luís Lavoura a 03.06.2009 às 09:43

Não falo dos advogados em geral nem de nenhum em particular. Falo de práticas de que se ouve falar, que são praticadas por alguns advogados, certamente que não por todos.
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De Ricardo S a 03.06.2009 às 11:23

"Das praticas de que se ouve falar"... Acredita em tudo o que ouve? Eu nao. Tambem ouço muitas estorias, algumas delas totalmente fantasiosas, e sei quando sao reais ou nao passam de ma-lingua ou especulação.
Pessoalmente, apenas faço juizos com base em experiencias proprias, ou com base no que leio, vejo e ouço e nao no que me contam, em conversa de cafe. Pelo que percebo, o Luis fez um juizo sem ter qaulquer contacto com um advogado. Quando tiver - repito - as probabilidades de ver corrigida a sua ma imagem serão elevadas.
Cumprimentos.

PS: reforço o comentario da minha Colega Nicolina Cabrita. Na replica, o Luis admite que nao somos todos assim, mas no primeiro comentario faz a generalizaçao, fala em todos os advogados. Tal como outros comentarios ou posts, que fazem a mesma injustiça, meter todos no mesmo saco. É por isto que comento neste sentido: nao se pode ter a mesma opiniao para todos, com base na amostra de segunda-feira.
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De Nicolina Cabrita a 03.06.2009 às 13:33

Fala de práticas de que se ouve falar. Estou a ver. Portanto, se eu lhe pedir para me dar exemplos concretos, vai responder-me que não lhe compete apontar nomes, que quem os conhece que os aponte. E no meio de tudo isto, há pessoas, como eu, que não se reconhecem neste retrato. Mais, que entendem que este retrato é pura ficção, da qual se alimentam muitos comentadores, que assim ganham muito dinheiro. Bastante mais, asseguro-lhe, que a generalidade dos advogados, que são pessoas honestas e, presentemente, lutam com muitas dificuldades.
Perdoará a franqueza, mas não aprecio nem um bocadinho este estilo de comentário, que em nada contribui para mudar o que quer que seja.
Ser advogado é precisamente o contrário disto. Ser advogado é expor factos concretos a quem de direito, «chamando os bois pelos nomes», depois assinar por baixo, e aceitar as consequências. Isto é que é ser advogado. É o que eu sou, com muito orgulho, há vinte e cinco anos. E não sei bem o que vai acontecer aos cidadãos se, um dia destes, não houver mais ninguém para fazer isto. Peço-lhe que pondere agora o assunto nesta perspectiva, e vai ver que a sua conclusão será muito diferente, relativamente a tudo, incluindo a minha Ordem.
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De Virgínia a 02.06.2009 às 09:50

Ana, tem razão, nós habituamo-nos, mas sofremos com todas estas 'aberrações'.
Somos muito pequeninos para poder chamar à razão estas personagens que chafurdam num lamaçal, sem olhar a meios para atingir os seus sórdios fins.
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De Ana Vidal a 02.06.2009 às 10:30

É uma tristeza, sim, Virgínia. Vão caindo todas as instituições, e habituamo-nos. Sofremos, claro, mas cada vez esperamos menos de tudo e de todos.
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De TOZE Canaveira a 02.06.2009 às 10:26

Quando alguém, que deve acima de tudo, ao seu bastonário, RESPEITO, lhe diz "cale-se", só vem mostrar a pouca vergonha e o sentimento de poder adquirido que reina nestes "intocáveis".
Mas o poleiro parte-se.....
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De Ana Vidal a 02.06.2009 às 16:57

Todos os poleiros se partem, sobretudo se forem pisados com esta total falta de souplesse a que assistimos ontem.
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De Pedro Correia a 02.06.2009 às 10:32

Se eu fosse advogado, teria neste momento vergonha de me ver profissionalmente representado nesta equipa dirigente, que fez mais para desunir e descredibilizar a classe do que todos os factores externos, que já são muitos. O debate da RTP, de ontem à noite (enfim, um verdadeiro Prós e Contras'), demonstrou isso bem.
Como temos advogados entre a tribo 'delituosa' sugiro que se pronunciem sobre o tema. Quanto ao que escreves, Ana, só posso dar-te razão.
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De Ana Vidal a 02.06.2009 às 11:07

Eu também teria vergonha, Pedro. O espectáculo foi lamentável e o bastonário tem um estilo chicaneiro que lhe retira toda a razão que possa ter. Mas gostava de ouvir as opiniões dos "nossos" advogados, porque só posso julgar a forma e não o conteúdo.
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De Chloé a 02.06.2009 às 13:17

Mais um efeito retardado do abrilismo . Da política de ensino superior. Da saturação do mercado de advogados, pejada de eternos aspirantes a uma carteira de clientes, tanta vez sem saber ler nem escrever... O engraçado é que Marinho Pinto é em muitos aspectos um produto desse fenómeno.
Aquele detalhe demagógico dos estatutos, que quer pôr fim à prioridade no atendimento nas repartições públicas, é revelador... Só de quem, de facto, não percebe o alcance desse privilégio, que reverte a favor do público (os clientes).
Pouca prática, é o que é.
Por outro lado, MP faz aquilo que "estava na cara"! O desnorte começou quando o deixaram eleger, um primário romântico e paladino dos pobres e injustiçados...
Para quem queira distanciar-se da questão, contudo, não deixa de ser compreensível porque é que isso aconteceu. Não foi por acaso. Estavam lá ontem sentados, actuando em todo o seu esplendor, os antecedentes próximos desta "queda do poder". Excepção feita ao Rogério Alves, o resto foi uma perfeita lástima. Compreende-se que a maioria não se reconheça naquela gente.
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De Pedro Correia a 02.06.2009 às 13:21

Concordo. O melhor foi, de longe, o Rogério Alves.
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De João Carvalho a 02.06.2009 às 15:38

O melhor foi Rogério Alves, sim. Como sempre. Também não é difícil...
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De Ana Vidal a 02.06.2009 às 15:51

Também concordo, apesar do sarcasmo de tratar por "meu querido amigo" pessoas que visivelmente detesta. Mas naquela terra de cegos, ele era o único que tinha um olho.
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De Chloé a 02.06.2009 às 18:05

Penso que isso faz parte. Há uma habituação/tradição nestas formas de tratamento, ditas urbanas e curiais, que são comuns na classe (e tb nas lides de tribunal, mutatis mutandis). Acho que foi uma tentativa de elevar o tom do debate: - já que deixavam devassar a intimidade familiar, ao menos que os vínculos da "consanguinidade" não ficassem esquecidos na fotografia :-).
Este MPinto nem é má pessoa, mas o desastre foi dar-lhe poder. Converteu uma certa ingenuidade benigna, desarmada, numa perigosa cruzada provida de excesso de artilharia
(género mega-operação da eternamente falhada bruxinha Perereca :-)
E agora adivinhem lá: - Quem foi, quem foi que o meteu lé dentro, pondo-o a jeito no corredor do poder? Uma Madame Min disfarçada, pensem lá um bocadinho :-)
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De Ana Vidal a 03.06.2009 às 00:56

Sei que faz parte, Chloé, mas naquele contexto soou demasiadamente a sarcasmo e não foi bonito.

Quanto à Mme Min, acho que percebo o que quer dizer...
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De João Carvalho a 02.06.2009 às 13:28

Crua e rude, esta reflexão, Ana. Gostei. Infelizmente.
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De Ana Vidal a 02.06.2009 às 15:28

Também não gosto do que digo aqui, João. Mas é o que me faz sentir esta palhaçada diária a que assisto, impotente, num país de que gostava muito de ter orgulho.
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De Luís Reis Figueira a 02.06.2009 às 15:01

O que a OA tem vindo a trazer para a praça pública é verdadeiramente lamentável. Tal como já disseram aqui outros comentadores eu, se fosse advogado, sentir-me-ia envergonhado com esta exposição e representação da minha classe profissional. Por uma vez, dou alguma razão aos argumentos expostos acima pelo Luís Lavoura, embora me pareça que este não será o melhor caminho para acabar com estas verdadeiras corporações, com estes verdadeiros ninhos de víboras. Quanto ao Marinho Pinto, esteve ontem, como tem estado sempre - igual a si próprio. É um descamisado que ainda não compreendeu que está autenticamente a "espantar a caça", ao fazer tanto barulho e ao dar tiros para o ar a torto e a direito, sem ter conseguido ainda abater o que quer que fosse. Já está bom de ver que, pelo andar da carruagem, vai-se virar a caça ao caçador.
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De Ana Vidal a 02.06.2009 às 17:01

Boa achega, Luís. Mesmo não sendo advogada, o que se passou ontem envergonha-me.
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De Ricardo S a 02.06.2009 às 18:22

Cara Ana, lido isto sou obrigado a defender os advogados (e a defender-me) das injustas generalizações.
Ontem pudemos assistir, como a Ana escreveu e muito bem, a um triste espectáculo. Mas - acredite - a maioria dos advogados ficaram igualmente tristes ao verem que os seus representantes são assim e comportam-se de uma forma que apenas contribui para a má imagem da advocacia na sociedade.
Esta guerra, interna e que deveria ser discutida na Ordem e nao na praça publica, mostra como alguns querem apenas o poder e manter os seus interesses. Mostra como alguns querem mandar nos outros, como nao querem uma Ordem a servir a comunidade mas a servir os proprios e os amigos.
A generalização da Ana é injusta pois a larga maioria dos 27 advogados é competente, séria e digna da profissão que exerce. Tal como em todas as outras profissões, temos as ovelhas negras e os maus, mas a larga maioria sao bons. Acredite que sim.
Se algum dia a Ana tiver algum contacto com algum advogado (para representa-la numa acçao, por exemplo) asseguro-lhe que as probabilidades de ser bem patrocinada serão elevadas.
Ontem foi um pessimo dia para a advocacia. Mas é injusto que se diga e escreva que todos os outros dias são como o de ontem. Porque nao sao.
Cumprimentos.
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De Ricardo S a 02.06.2009 às 19:14

Queria escrever "27 mil" e nao "27", como é obvio. Fica a correcção...
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De Ana Vidal a 03.06.2009 às 00:53

Caro Ricardo, as generalizações nunca são justas, tem toda a razão. Tenho plena noção de que há advogados bons e honestos, até porque, felizmente, conheço vários assim. O meu comentário refere-se sobretudo aos dirigentes que ontem nos fizeram presenciar um espectáculo indigno, muito longe do respeito que deveria merecer-nos uma instituição tão antiga e prestigiada como a Ordem dos Advogados. E tenho pena, acredite.

(já tive boas e más experiências com serviços de advogados, se quer saber. Uma delas, lamentável, foi bem ao estilo do que vimos ontem)
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De mdsol a 03.06.2009 às 10:03

Cara Ana:

Vi o debate e lamentei quase tudo. Porém, esclareci que entre um lado e outro, entre o Bastonário e, por exemplo o dr. Cabrita, vem o diabo e saltita (de indecisão). Excepção para o R.Alves, que tem uma atitude mais urbana e uma retórica mais rica. Fiquei mesmo desiludida. Imaginava eu que quem criticava os Bastonário era manifestamente diferente. Se o são não o mostraram. Pareceu-me até que quem fez questão de introduzir no debate minudências (normalmente ligadas a questões de dinheiro) foram os opositores do bastonário. Simplesmente lamentável.
: ))

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