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Livros de cabeceira (5)

por Teresa Ribeiro, em 24.10.13

 

"Livros de cabeceira" tenho vários, mas raramente os levo para a cama. São obras fetiche, algumas primas, outras nem por isso, a que volto para sentir de novo as vibrações da primeira leitura, ou recordar certas passagens à procura de estímulo criativo ou intelectual. Tenho entre esses títulos poesia, muitos livros de contos, ideais para debicar, Lobo Antunes, o camaleónico Livro do Desassossego, que nunca proporciona duas leituras iguais, paixões antigas como Eça, Scott Fitzgerald, Jorge Amado, Camus e Greene. Menos antigas como John Updike, Saul Bellow, Duras, Yourcenar e Vargas Llosa, recentes, como Roberto Bolaño, Philip Roth e Don Delillo.

Como raramente leio mais do que um livro ao mesmo tempo, na mesa de cabeceira tenho neste momento Na América, de Susan Sontag, de que deixo aqui algumas citações:

 

"Não te parece mesmo americano que a América tenha a sua América, um destino ideal para onde todos sonham ir?",

 

"O americano é alguém que a todo o momento deixa tudo atrás de si",

 

"Talvez seja essa a definição de optimista: alguém que nega o poder do passado (...) A debilidade de qualquer ligação ao passado é talvez a característica que mais nos impressiona nos americanos. Fá-los parecer superficiais, ocos, mas confere-lhes uma grande força e autoconfiança. Não se sentem diminuídos por nada".

 

Trata-se de um romance (galardoado em 2000 com o National Book Award) mas é quando a ensaísta se insinua na ficção que Na América ganha mais fôlego.


10 comentários

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De jj.amarante a 24.10.2013 às 12:18

"Talvez seja essa a definição de optimista: alguém que nega o poder do passado (...) A debilidade de qualquer ligação ao passado é talvez a característica que mais nos impressiona nos americanos. Fá-los parecer superficiais, ocos, mas confere-lhes uma grande força e autoconfiança. Não se sentem diminuídos por nada".

Os americanos serão mais assim do que outros povos mas têm para lá uma caterva de pacientes de stress pós-traumático,das guerras em que se envolvem continuamente, e da sociedade violenta e altamente competitiva em que vivem. Eu diria, "alguns não se sentem diminuídos por nada".
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De Teresa Ribeiro a 24.10.2013 às 12:57

Sontag, insuspeita de comungar com essa América "violenta e altamente competitiva", referia-se à forma como o colectivo se comporta enquanto nação. Não há dúvida de que aquela manta de retalhos, para se entender, teve que criar um espírito de corpo, deixando para trás atavismos culturais. Nunca me esqueci da atitude dos americanos, e em particular dos nova-iorquinos, no 11 de Setembro. Solidários e combativos, passados poucos dias já falavam que iriam contruir naquele sítio uma torre ainda mais alta. É dessa inegável força e autoconfiança, a que todos assistimos pela televisão, de que ela fala.

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