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Europeias (39)

por Pedro Correia, em 02.06.09

 

PCTP/MRPP: ORGULHOSAMENTE SÓS

 

Li o programa do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses às eleições europeias.

 

Principais propostas:

- Ruptura com a actual União Europeia

- Renegociação dos termos de participação de Portugal na UE

- Semana das 30 horas para todos os trabalhadores europeus, sem perda de remuneração

- Fixação de um salário mínimo europeu

- Uniformização da legislação laboral e dos sistemas de protecção social no espaço europeu

- Luta contra o capital

- Luta contra o imperalismo

 

Comentários:

- O PCTP/MRPP confunde programa eleitoral com análise política ou ensaísmo histórico neste extenso texto em que chega a perorar sobre a "camarilha dos cabrais e dos braganças", como se estivéssemos no século XIX.

- Não há, em todo este documento apocalíptico, uma só linha de apreciação positiva da UE.

- Com menos graça do que no passado, o MRPP mantém-se fiel a um certo fraseado muito típico, de que é exemplo esta frase: "Os deputados portugueses no Parlamento Europeu, atrelados ao Presidente da Comissão Europeia da sua laia, parecem uma só família, sem que ninguém saiba o que eles lá fazem." Populismo esquerdista no seu melhor.

- "Com os milhões das 'ajudas', de 250 mil explorações agrícolas que existiam em Portugal em 1970, existem hoje cerca de 15 mil empresas na agricultura; de 100 mil pessoas a viver da pesca, hoje subsistem (e mal) cerca de 12 mil pescadores; e no sector secundário, com a adesão, perdemos mais de 80 mil operários", sublinha o partido de Garcia Pereira, para justificar a sua oposição firme à UE. Em 1970, recordo, Portugal vivia em ditadura.

- Acometido de uma irreprimível tentação nostálgica, o 'verdadeiro partido comunista dos trabalhadores portugueses' acentua: "O País económico encontra-se hoje numa situação comparativamente semelhante ou ainda pior àquela que vigorava na época em que eclodiu o 25 de Abril de 1974".

- Levando à letra este raciocínio, conclui-se que vivíamos melhor no Portugal salazarista, orgulhosamente só. Fiquei na dúvida: será mesmo esse o modelo que o PCTP/MRPP pretende recuperar?


15 comentários

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De Teresa Ribeiro a 02.06.2009 às 21:09

Como dizes e muito bem, eles já perderam a graça. Que saudades daquele discurso anacrónico e belicoso!
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De Pedro Correia a 03.06.2009 às 00:26

Perderam de facto a graça, Teresa. Só continuam anacrónicos, graças a São Arnaldo (Matos).
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De Jonas a 12.06.2009 às 12:24

Pois bem!
Pelo que tenho conhecimento o "delito de opinião" de facto não leu o programa mas sim o Manifesto Eleitoral", donde a tal confusão afinal é justificada (e os longos perorares também). Já a classificaçãos de "populismo esquerdista" para a denúncia do mau-gastar dos fundos europeus parecem deslocadas porque, como toda a gente ouviu e sabe, tais denúncias têm partido de todos os sectores do espectro político, correspondem à verdade e só servem de ponto de partida, para todos os sectores partidários da esquerda à direita, para novas propostas.
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De mike a 02.06.2009 às 23:00

Pedro, tenho acompanhado a sua saga "Europeias", sem comentar. Hoje faço-o por causa de um certo MRPP por quem nutri simpatia. Mas faço-o, acima de tudo para elogiar o serviço público que aqui vem prestado. E com um humor, por vezes cítrico, que me agrada, fazendo jus ao nome e conceito do Delito de Opinião.
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De Pedro Correia a 02.06.2009 às 23:39

Obrigado pelas suas palavras, Mike. É um prazer escrever para leitores assim.
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De João Carvalho a 03.06.2009 às 00:38

Há uns anos, teria graça defender simultaneamente a ruptura com a União Europeia e a uniformização de um modelo favorável a todos os trabalhadores europeus. Hoje, como dizes, não tem graça nenhuma.
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De Pedro Correia a 03.06.2009 às 00:41

Não tem mesmo, compadre. Sinto mesmo que isso é um atentado à inteligência dos trabalhadores.
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De PDuarte a 03.06.2009 às 02:14

estavam todos muito mais novos.
o Arnaldo de Matos ainda nem tinha bigode.
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De Vítor B. a 03.06.2009 às 02:16

... E tinham todos o mesmo corte de cabelo.
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De mdsol a 03.06.2009 às 09:49

Estes já passaram para a galeria dos cromos. E confesso, nunca lhes achei piada nenhuma. Mesmo nenhuma. Talvez por ter "convivido" com alguns nos tempos a seguir a 74.
Quanto ao seu trabalho, Pedro Correia, só posso agradecer-lho. Estas sínteses tão bem feitas e confortáveis para quem lê. Um luxo!

:)))
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De Pedro Correia a 03.06.2009 às 12:39

Obrigado, Maria do Sol. É uma tarefa que faço com gosto. É sempre um prazer mergulhar na prosa épica do MRPP (brrrr...)
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De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 03.06.2009 às 10:43

Pedro
Pego aqui nas palavras da Mdsol para lhe agradecer estas sínteses das Europeias com o essencial dos programas e tudo muito arrumadinho.
E também nas do Mike, em relação ao humor, que também "anima a malta". Sim, "um verdadeiro serviço público".
Tal como a Mdsol, também convivi com MRPPs no Liceu. Nunca compreendi, a bem dizer, nem nessa época, como era possível gostar do regime do Mao e da Revolução Cultural.
Achava-os excêntricos, no mínimo! Mais tarde venho a saber que eram do MRPP Durão Barroso e Ana Gomes. "Give me a break"!
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De Pedro Correia a 03.06.2009 às 12:39

Obrigado, Ana. Eu, por mim, sempre achei o Mao muito mau.
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De João André a 03.06.2009 às 10:59

Gosto particularmente do facto de serem pela ruptura com a UE e a seguir apresentarem propostas para a... UE.

Por menos Andrei Gromiko recebeu o epíteto de "Sr. Nyet", sempre a favor da não intervenção...
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De Pedro Correia a 03.06.2009 às 12:40

Eheheheh. Bons tempos esses, do camarada Gromyko, em que estava tudo muito mais arrumadinho neste mundo...

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