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Arrumar a biblioteca (XVIII)

por Pedro Correia, em 06.10.13

 

Kennedy, Churchill e Fidel Castro

 

A empreitada está quase a chegar ao fim.

Grande parte dos livros já se encontra distribuída pelas prateleiras -- "estacionados" em primeira ou em segunda mão.

Faltava quase só o grupo das obras -- também muito numerosas cá por casa -- de autores estrangeiros fora do domínio da ficção. Ensaio, história, biografias. Também estas encontraram o seu lugar. Ou nas estantes que tenho no corredor ou nas que circundam a divisão a que, com ironia, chamo escritório.

Esporadicamente, ficam acompanhadas por obras de autores nacionais: é o que acontece com The Greek Myths (dois volumes) e a História da Idade Média (cinco volumes), editados pela Folio Society, que decidi manter em amena parceria com os três volumes encadernados da História da Cultura em Portugal, de António José Saraiva, um dos melhores ensaístas portugueses de todos os tempos. Por mim, tudo farei para que nunca seja esquecido. Foi um dos autores que mais me ensinaram a pensar, quando o descobri, ainda na adolescência.

 

Uma parte considerável deste segmento da minha biblioteca é dedicada a livros sobre política e ensaios sobre o mundo contemporâneo. Como O Fim da História e o Último Homem, de Francis Fukuyama. Ou alguns dos mais célebres títulos de Alvin Toffler: O Choque do Futuro, A Terceira Vaga e Guerra e Antiguerra. Entrevistei-o na década de 80, em Lisboa, e guardo um autógrafo dele e da mulher, Heidi, no meu exemplar d' A Terceira Vaga -- termo que ele cunhou e passou a integrar o vocabulário comum um pouco por toda a parte.

Não faltam biografias. Duas de Churchill, por Martin Gilbert e Paul Johnson. Duas de Franco, por Paul Preston e Andrée Bachoud. Outras duas do Rei Juan Carlos, por Preston e Pilar Urbano -- ambas com muito interesse. De Gaulle também a dobrar: por Éric Roussel e pelo filho, o almirante Philippe De Gaulle.

A de Truman, por David McCullough, premiado com o Pulitzer. Hitler, por Ian Kershaw. Deng Xiaoping, por David Bonavia. A extraordinária biografia de Estaline saída da pena de Martin Amis, sob o título Koba, o Terrível.

Fora da política, mas ainda no género biográfico, destaco as obras que Jeffrey Meyers e A. E. Hotchner dedicaram a Ernest Hemingway, e as que Bernard Crick e John Newsinger dedicaram a George Orwell. Sem esquecer a de Albert Camus, por Olivier Todd, a de Victor Hugo, por André Maurois, e a de Jack London, por Irving Stone. Tal como esse livro a todos os títulos notável que é O Anjo Pornográfico, a biografia do grande Nelson Rodrigues, por Ruy Castro.

 

E há, claro, muitas memórias e autobiografias.

Para mim, neste âmbito, nada equivale aos seis volumes das memórias de guerra, de Churchill, que descobri há mais de vinte anos numa livraria da baixa de Hong Kong. Não hesitei um segundo em trazê-los. Figuram entre os livros mais entusiasticamente lidos e sublinhados da minha biblioteca.

 

 

E que mais?

As memórias de Gandhi, Raymond Aron, Norberto Bobbio e Jacques Delors. A extraordinária autobiografia de Françoise Gilot, a única das mulheres de Picasso que o abandonou: Life With Picasso (tenho a edição em inglês) é uma obra-prima do género. Tal como, num âmbito completamente diferente, O III Reich por Dentro, ambígua mea culpa de Albert Speer, o arquitecto e ministro do Armamento de Hitler. Esse pungente documento que é A Confissão, de Artur London, o ministro checo vítima das brutais purgas estalinistas, um dos raros que sobreviveram para narrá-las com conhecimento directo.

Outros: Conversas com Tito, de Milovan Djilas; O Século de Sartre, Bernard-Henri Lévy; alguns ensaios de Jean-François Revel (Nem Marx nem Jesus, A Tentação Totalitária, O Conhecimento Inútil); Rousseau e outros Cinco Inimigos da Liberdade, de Isaiah Berlin; Responsabilidade e Juízo, de Hannah Arendt. Clássicos como O Antigo Regime e a Revolução, de Tocqueville, e A Rebelião das Massas, de Ortega y Gasset.

Sem esquecer esse originalíssimo romance-documento que é Autobiografia de Fidel Castro, escrito por Norberto Fuentes, que foi durante anos um dos colaboradores mais próximos do ditador cubano. Espero escrever mais detalhadamente sobre esta obra um dia destes.

 

Dois temas que sempre me fascinaram, por motivos muito diferentes, são a Guerra Civil de Espanha e os mil dias da presidência de John Kennedy em Washington.

Sobre Espanha, releio com frequência obras como A Guerra Civil de Espanha, de Hugh Thomas, A República Espanhola e a Guerra Civil, de Gabriel Jackson, e A Guerra Civil de Espanha, de Ramon Tamames. O mandato de Kennedy é analisado em livros que também consulto com frequência, como 1960, de David Pietruszka (relato pormenorizado da campanha que conduziu ao posto máximo do poder o 35º presidente dos EUA), The Best and the Brightest, de David Halberstam (sobre as origens da guerra do Vietname, que remontam ao consulado de Kennedy), Irmãos, de David Talbot (sobre a estreitíssima relação entre John e o o irmão Robert, que foi seu braço direito na Casa Branca) e A Face Oculta de Kennedy, de Seymour M. Hersh (sobre os escândalos, visíveis ou invisíveis, desse mandato).

 

 

E há ainda as obras que resultam de investigações jornalísticas ou reúnem reportagens publicadas na imprensa. Têm, por motivos óbvios, lugar privilegiado na minha biblioteca.

Ficam aqui alguns títulos (a lista não é exaustiva, nesta como nas outras matérias):

- A Face da Guerra, de Martha Gellhorn

- Morte no Arrozal, de Peter Scholl-Latour (sobre as três guerras da Indochina entre 1945 e 1980)

- Anatomia de um Instante, de Javier Cercas (sobre a tentativa de golpe de extrema-direita no dia 23 de Fevereiro de 1981 em Espanha)

- From Beirut to Jerusalem, de John Simpson

- Os Maus Rapazes de Bagdad, de Alfonso Rojo

- Revolução 1989 - A Queda do Império Soviético, de Victor Sebestyen

- 102 Minutos, de Jim Dwyer e Kevin Flynn (impressionante relato sobre o 11 de Setembro em Nova Iorque)

 

Tenho praticamente tudo arrumado. Hoje foi ao som da magnífica banda sonora de Cabaret, em sessões contínuas. Com temas excepcionais, como este que aqui vos deixo.

 

Até quarta-feira.

 


2 comentários

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De Ana Vidal a 07.10.2013 às 14:54

Uff, temos suado todos contigo a arrumar essas prateleiras. Mas valeu a pena! :-)
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De Pedro Correia a 07.10.2013 às 15:14

Está quase, Ana. Está quase.

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