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Reflexão sobre as eleições autárquicas (1)

por Pedro Correia, em 29.09.13

 

 

1. António Costa obtém a maior vitória de sempre em Lisboa, conseguindo um inédito terceiro mandato consecutivo do PS no executivo municipal. Vence em dois planos: derrota a direita que o enfrentou em coligação e o sectarismo à sua esquerda. Governará o maior município do País como entender, até porque se sagrou vencedor em quase todas as 24 freguesias da capital e dispõe finalmente de maioria na Assembleia Municipal. Torna-se, a partir de agora, o maior triunfo eleitoral da sua área política: ninguém à esquerda soma tanto como ele. Num futuro próximo será candidato ao que entender, à revelia dos estados de alma do actual secretário-geral do partido.

 

2. O maior triunfador da noite, em termos individuais, foi Rui Moreira. Um verdadeiro independente, ao contrário de vários outros que concorreram às autárquicas. A sua vitória resulta da genuína cidadania dos portuenses, que insistem em pensar pela sua própria cabeça, sem obediência a diktaks partidários. Mesmo sem dispor de maioria absoluta, o sucessor de Rui Rio não terá a menor dificuldade em gerir o município. E ganha projecção nacional. A sua vitória fará mais do que mil editoriais na imprensa pela alteração dos mecanismos de decisão no interior dos partidos, algo que constitui um imperativo para o aperfeiçoamento e regeneração da democracia portuguesa.

 

3. A coordenação autárquica do PSD foi catastrófica, designadamente com as escolhas de candidatos gerados pela mais pura lógica aparelhística, sem interligação com o eleitorado nem a menor hipótese de sucesso nas urnas, nomeadamente em municípios como Gaia, Sintra, Covilhã, Portalegre ou Almodôvar. E, nessa medida, não adianta apontar culpas a mais ninguém: Pedro Passos Coelho é o grande responsável pela derrocada eleitoral dos sociais-democratas. Pelas escolhas directas que fez e pelas opções que validou olhando mais a critérios de estrita confiança pessoal do que de competência política.

 

4. Os comunistas triplicam o número de capitais distritais sob a sua gestão, recuperando Évora e Beja além de manterem o seu bastião de Setúbal. E na área metropolitana de Lisboa ganham Loures, onde o PS predominava. É o melhor resultado eleitoral da CDU desde 1982. Uma boa notícia para todos quantos recusam ver a democracia afunilada na lógica do rotativismo bipartidário, confirmando a forte vocação autárquica do partido liderado por Jerónimo de Sousa e a sua fortíssima implantação um pouco por todo o Alentejo. Somando este sucesso à sua sólida base sindical, não custa vaticinar que o PCP sairá destas autárquicas robustecido como voz de protesto contra o Governo a nível nacional.

 

5. O Bloco de Esquerda chegou a este dia eleitoral com apenas uma presidência de câmara. Sai dele sem nenhuma: perdeu o solitário município de Salvaterra de Magos para os socialistas e não conseguiu ver João Semedo eleito vereador em Lisboa. Sem bases sindicais, com uma presença residual no mapa autárquico, os bloquistas permanecem em crise de identidade, aliás acentuada desde que entrou em funções a actual liderança bicéfala: ou se limitam a secundar as grandes opções estratégicas do PCP enquanto partido de protesto ou descolam desta linha para se tornarem o parceiro preferencial de coligações com o PS. Quanto mais tarde se resolver este dilema pior será para o mais jovem partido português com representação parlamentar.

 

 (actualizado)


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