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Blue Jasmine

por Helena Sacadura Cabral, em 22.09.13

Derrotada pelo calor - não posso andar com o ar condicionado atrás de mim - voltei aos meus Domingos. Almoço e cinema com amigos.

A  opção foi pelo Woody Allen e a sua Blue Jasmine. Em boa hora. Woody volta à America, depois de deambular por várias cidades europeias, e realiza um dos seus melhores filmes a par de Match Point, talvez o meu preferido.
Larga a Scarlett Johansson dos seus últimos filmes, para pegar nessa fabulosa actriz que é Cate Blanchett e fazer dela uma socialite que não pensa - para que havia de pensar? - e abandona os estudos para casar com um  biltre milionário, que a rodeia de jóias e boa vida, mas a trai por dá cá aquela palha. Trata-se de uma interpretação magnífica de alguém que vacila entre a adaptação à vida real - dura e difícil - e o retorno à caça do marido rico.
No outro polo está a irmã,  Sally Hawkins, digna representante de um proletariado que jamais deixará de o ser, que a recebe quando fenece o mundo cor de rosa da primeira.
A crítica social de Allen não se fica pelo mundo dos ricos e da sua loucura. Ela estende-se a esse proletariado crédulo, manejável, que se pauta pela falta de ambição e recua sempre que o seu pequeno mundo é ameaçado.
Tudo se torna surreal quando Cate se passeia vestida de roupa de marca no bairro pobre onde a irmã vive, ou quando esta frequenta, com roupa espalhafatosa, o mundo da gente com dinheiro, nessa permanente dicotomia dos dois pequenos universos que elas representam.
Um belo filme que nos não azeda nem deprime, talvez porque Woody Allen nunca é moralista nas histórias que conta e tem a mesma dose de humor negro quer para ricos quer para pobres. Felizmente, aquilo que o continua a interessar são as pessoas!


16 comentários

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De Fernando Torres a 22.09.2013 às 20:44

Amanhã não é dia de regresso aos mercados?
Não!
Regressamos ao trabalho a pensar que no domingo vamos votar.
E para 2014 mais impostos.

"O ministro adjunto, Miguel Relvas, garantiu hoje que em "circunstâncias normais" Portugal regressará aos mercados a 23 de setembro de 2013, lamentando o "ruído" que tem existido sobre a questão nos últimos dias".

http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=2407570
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De Helena Sacadura Cabral a 22.09.2013 às 21:46

Ó Fernando Torres se me permite, porque é que um post sobre a Blue Jasmine lhe lembra o regresso aos mercados previsto pelo ex-ministro Relvas, quando até lá fomos esta semana?!
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De Fernando Torres a 22.09.2013 às 21:52

Porque o nosso país está a afundar-se.
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De Helena Marques a 25.09.2013 às 23:59

Desculpe, mas o sr. Torres deve ter um grave problema de interpretação, aconselho-lhe que vá rapidamente a um psicólogo antes que se torne irreversível.
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De Ana Vidal a 22.09.2013 às 21:26

Também aplaudo o regresso de Woody Allen ao território que ele conhece como ninguém, apesar de neste caso ser mais a cidade de S. Francisco do que Nova Iorque. Gostei muito deste filme, já estava farta dos cartões postais da Europa. E a Cate Blanchett está magnífica, como sempre.
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De Bom Aluno a 22.09.2013 às 21:59

Aprendi no DdO: A ambição não é uma qualidade, é uma ambiguidade.
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De Anónimo a 22.09.2013 às 22:29

Permita-me dizer-lhe que nunca compreendi muito bem, em termos de comportamentos, essa do mundo dos ricos e dos pobres. Fazer isso, a divisão, é simplesmente revelar que existem aqueles e outros.
Mas concordo com o final de seu texto: "aquilo que continua a interessar são as pessoas".
Terminando, isto não significa que o rico ou poderoso se possa sentir neste meu comentário demitido de suas maiores responsabilidades; e só por isto eu me atrevo a escrever que existem pessoas e ricos.

Nota: Não há regra sem excepção, mas em matéria de justiça e liberdade a excepção não pode constituir argumento.
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De Helena Sacadura Cabral a 23.09.2013 às 11:17

Caro Anónimo das 22:29
É uma divisão igual à dos que vêm e dos que não vêm; dos que ouvem e dos que não ouvem, dos maus e dos bons.
Nem o rico nem o pobre se deve demitir das suas responsabilidades, porque ambos são "pessoas", com direitos e deveres que, à partida até são iguais.
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De Anónimo a 23.09.2013 às 11:46

Prezada Helena,

a dívida e o dever pertence a todos, mas mais a uns que a outros: "a quem muito se dá muito se exigirá".
A questão não se coloca ao nível de ricos e pobres (há também novos ricos em todas as gerações saídos da pobreza), mas de pessoas e "deuses".
Em termos de comportamentos não há divisões, porque a acção diz respeito à natureza, sejam eles ricos ou pobres; e isto verifica-se principalmente quando se inverte, ou transforma, a situação.
Logo, é preferível guardar tesouros onde a traça não corrói, situação que raramente se encontra em quem serve a riqueza, isto é, a si mesmo.
Por último, não há maus e bons, existem os que optam por uma outra situação. A bondade conquista-se, e a maldade compra-se.
Na parábola do administrador infiel, este quando cai em desgraça procura comprar segurança usando a miséria e a necessidade do próximo. Por isto mesmo reduz a dívida das talhas de azeite pela metade, mas tão somente para seu próprio benefício futuro. Quem compra a miséria e o desespero é vil.

Padre António Vieira, no Sermão do Bom Ladrão, faz uma execelente crónica sobre esta matéria:
"Porque este mesmo Zaqueu, como cabeça de publicanos: Princeps publicanorum, tinha roubado a muitos, e como rico que era: Et ipses dives, tinha com que restituir o que roubara, e enquanto estava devedor e não restituía o alheio, por mais boas obras que fizesse, nem o mesmo Cristo o podia absolver, e por mais fazenda que despendesse piamente, nem o mesmo Cristo o podia salvar. (...) A salvação não pode entrar sem se perdoar o pecado, e o pecado não se pode perdoar sem se restituir o roubado."
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De Pedro Correia a 22.09.2013 às 23:11

Também achei um excelente filme. Com uma interpretação superlativa da Cate Blanchett.
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De Teresa Ribeiro a 23.09.2013 às 00:06

Tens razão, Helena. É super refrescante ver Woody Allen em todas as estações, mas com este calor ainda apetece mais :) Gostei muito deste filme, que tem uma das melhores interpretações que já vi da Blanchett.
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De Romão a 23.09.2013 às 14:50

Assim vou ver o filme...
Acho que a Europa fez mal ao Woody Allen, ultimamente eram só xaropes! (com excepção do Vichy Cristina Barcelona).
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De Anónimo a 24.09.2013 às 08:11

Cari Romão,

Permita-me que discorde. Achei o Match Point do melhor que ele fez até hoje e o Midnight in Paris é uma bela homenagem, não só a Paris mas também aos loucos anos vinte.
Para mim, o melhor de sempre continua a ser o Manhattan (Inesquecível aquela abertura ao som de Gershwin).
Mas o WA não tem só filmes divertidos, como muitos pensam.
Posso citar dois bem sérios: Interiors (a sua homenagem ao Mestre Bergman) e Another Woman.
Quanto ao Blue Jasmine vou ter que esperar pelo DVD.
:-) Antonieta
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De Anónimo a 24.09.2013 às 08:14

Caro (e não cari) Romão!
Teclados virtuais e minúsculos é no que dá.
;-) Antonieta
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De H2O a 24.09.2013 às 08:33

Vichy não é xarope, é água.
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De Helena Marques a 26.09.2013 às 00:05

Tenho imensa pena de, por razões que não interessam agora, não poder ver já o filme, vou esperar pelo dvd, e que não demore muito a sair. Adoro a Blanchet, tem o glamour e a beleza das antigas divas de Holywood e é uma excelente actriz; nunca percebi porque o Woody gosta tanto da Scarlett, lá terá razões bem mais fundamentadas que as minhas. Ainda ontem vi o Scoop, que achei excelente, e sim, a figura da Scarlett Johansson está perfeita para aquele papel, mas acho-a um pouco enjoativa.

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