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As Necessidades e a porcaria

por Rui Rocha, em 21.09.13

Rui Machete reagiu, no dia em que tomou posse como Ministro do Estado dos Negócios Estrangeiros, às críticas dos que sublinhavam as suas ligações ao BPP e ao BPN. Nessa oportunidade referiu que tais críticas eram “reflexo da podridão dos hábitos políticos”. Machete não podia estar mais certo no diagnóstico que fez. Há, de facto, hábitos podres na política portuguesa. Há por exemplo quem tenha escrito e enviado uma carta em 2008 onde garantia o seguinte: "Não sou nem nunca fui gestor/administrador do BPN ou membro do seu Conselho Fiscal ou sequer acionista ou depositante da mesma instituição bancária". Sabe-se hoje que as primeiras acções da SLN contabilizadas na carteira de investimentos de Machete foram subscritas, em 2001, no aumento de capital da holding para 350 milhões de euros. E que nos anos seguintes, voltou a investir na SLN e, no final de 2005, detinha 25.496 títulos. E que as acções foram vendidas com uma mais-valia de 150%. Agora, o Bloco de Esquerda trouxe à praça pública a contradição entre o que foi dito e a realidade dos factos. Se não existissem hábitos podres na política portuguesa, Machete teria apresentado, perante tudo isto, um pedido de desculpas e a sua demissão. Tal não apagaria a vergonha de ser apanhado a mentir aos setenta e tal anos. Mas daria pelo menos aos cidadãos um sinal de que sobra um módico de decência no sistema político: quem mente sai do governo, quem é “esquecido”, para além de ter de tomar Memofante, também não pode lá ficar. Todavia, como há podridão, Machete achou que podia introduzir um momento humorístico. Em comunicado hoje cometido, refere-se a imprecisão factual. E acrescenta:“No momento em que escrevi esta carta, em 5 de novembro de 2008, não tinha quaisquer ações ligadas ao Banco Português de Negócios (BPN). Aliás nunca tive, em qualquer momento, ações do BPN. Equivocadamente escrevi então que nunca tinha tido ações da Sociedade Lusa de Negócios (SLN)”. Como se alguém como Machete, metidinho até ao pescoço em todo o lodaçal desse escabroso negócio, não soubesse que, para o que está em causa, a SLN e o BPN eram uma e a mesma coisa. É preciso que esta gente saiba que há limites. E que, desta vez, um mínimo de salubridade impõe que as Necessidades não permaneçam envolvidas nesta porcaria.


11 comentários

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De jpt a 21.09.2013 às 20:03

Machete tem que sair. Este fim-de-semana-
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De Carlos Cunha a 21.09.2013 às 20:24

gente fina (e educada) é outra coisa... poderá ter esquecimentos ou imprecisões mas não mente. isso só acontece com os outros.
machete considera-se de uma casta superior, daqueles a quem qualquer imprecisão é desculpável.
isso até poderia não interessar nada, não fosse o homem ministro...mas, bem pior, é que o machete replica as reacções do presidente cavaco e deve pensar que, tal qual este, todos os outros têm que nascer mais que uma vez para serem mais honestos que eles (até o papa). atiram-nos isso à cara sempre que alguém se atreve a fazer-lhes um reparo, a estes impolutos.

são estes alguns dos homens ( e mulheres) que nos governam e nos vão governando. se não fossem eles, o que seria de nós...
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De Língua da Sogra a 21.09.2013 às 20:44

Mais valia Franquelim Alves ter ido para MNE, sempre tinha menor envolvimento com o BPN. Ah, e sempre era mais novo e teria mais pedalada.
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De Inês a 21.09.2013 às 23:22

Não há honestidade, vergonha, respeito, dignidade não há nada de bom, que se possa apontar a este governo. Mais grave ainda é tratarem-nos como atrasados mentais que comemos e calamos. Aqui põe-se uma pergunta: Será que nós eleitores não teremos culpa destes senhores estarem nos poleiros a mostrarem toda a sua incapacidade para os lugares que ocupam? Temos e muita, é que trinta e nove anos neste fadário é demais... Penso que está a chegar o momento de banir esta gente que, de ignorância de governação estão no máximo e de sabedoria são uns gnomos.
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De William Wallace a 22.09.2013 às 00:30

Caro RR louvo-lhe a perseverança mas hoje / amanhã já tem mais 3 / 4 post sobre as musicas do séc , como arrumar a biblioteca , até sobre o seu Sporting , etc.
Depois dizem que existem radicais .
Sabe o que lhe digo , no pasa nada , no ai cojones .
Essa casta "superior" como dizem e bem acima não mente (tem lapsos de memória) , não rouba (desvia) não mata (alivia o sofrimento de reformados e pensionistas ).
Mas pior que eles são quem todos os dias lhes limpa as fraldinhas e lhes põe talco.
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De Pedro Correia a 22.09.2013 às 00:55

'No hay cojones', «William Walace». Sobretudo da parte de quem esconde corajosamente o nome e se refugia em corajosíssimos pseudónimos.
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De William Wallace a 22.09.2013 às 03:34

O caro tem o meu ip e em 101% das vezes que aqui comento é sempre o mesmo.
Aprecio que o meu "delito de opinião" lhe tenha tão rapidamente tocado , é sinal que contra FACTOS não há argumentos sérios a não ser a suposta capa do pseudónimo.
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De da Maia a 22.09.2013 às 04:35

A troca de siglas pode dar-lhe também para trocar os EUA com os EAU (Emiratos Árabes Unidos)...
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De MJoão a 22.09.2013 às 10:43


A culpa é do AO, a distinção entre acionista e acionista fez toda a diferença!
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De MCN a 22.09.2013 às 11:54

Também tem poeira para os olhos, esta cena. Há muito ainda por revelar.
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De Depuralino a 23.09.2013 às 10:33

Ele é equívoco atrás de equívoco. Já enoja tanta porcaria.

http://expresso.sapo.pt/rui-machete-enganou-se-no-preco-das-acoes-da-sln=f826973

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