Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O mundo em que vivemos

por José António Abreu, em 29.08.13

Convém ter presente que em Portugal, como em muitos outros países, sempre ocorreram incêndios. Em 1980, por exemplo, arderam mais hectares do que em 2008 (44.251 contra 17.565). Mas é verdade que, ao longo das últimas duas décadas, a tendência foi de subida, tanto ao nível de número de incêndios (na década de 80 apenas em 1989 ocorreram mais de 10.000 enquanto na primeira década deste século apenas em 2008 o valor ficou abaixo de 20.000) como da área ardida (duas vezes acima dos 100.000 hectares na década de oitenta, quatro na de noventa, seis na de 2000), tendo-se registado picos de destruição em 2003 (recorde de área ardida: 425.839 ha) e 2005 (recorde de número de incêndios: 35.824 e segundo valor mais elevado de sempre de área ardida: 339.089 ha). Isto enquanto os meios de detecção e combate eram progressivamente reforçados e a formação dos bombeiros melhorada. Explicações para o aparente contra-senso? Ouve-se diariamente falar no interior cada vez mais desertificado, na alteração de espécies plantadas (com o crescimento das áreas de eucaliptal), nas florestas por limpar, em comportamentos negligentes. Serão factores importantes. Mas permitam-me acrescentar mais dois. O primeiro não ajudará a explicar o aumento (a  menos que se adopte uma perspectiva decididamente maquiavélica) mas talvez ajude a explicar a inexistência de diminuição. É tão politicamente incorrecto que, tivesse eu algum senso, esperaria pelo final da «época de fogos» (fantástica designação, que por um lado parece tentar empurrar os incêndios para uma normalidade similar à «época balnear» mas por outro contém um horror implícito, como que antecipando épocas ainda piores: a «época oficial das mortes na estrada», por exemplo, ou a «época dos afogamentos em massa») antes de o abordar, ou, se tivesse ainda um pouco mais de senso (o nível adequado às noções do politicamente correcto), nem sequer o abordaria. É, no entanto, muito simples: como noutras áreas, por incompetência e por interesses, do investimento efectuado nem sempre terão saído os resultados esperados. A prevenção dos incêndios e o combate aos mesmos são uma realidade com bastante que elogiar (acima de tudo, a abnegação de tantos voluntários) mas também são um negócio, um emprego para muita gente e um universo de hierarquias, jogos de poder, interesses cruzados e aparências. Nem sempre se terá comprado o equipamento mais adequado. Nem sempre se terá ministrado a formação mais útil. Nem sempre a competência terá sido premiada. Nem sempre o dinheiro terá chegado onde era suposto chegar. Nem sempre se terá funcionado de acordo com regras de sensatez financeira e operacional. Adoptando a tal visão maquiavélica, talvez até se possa acrescentar que nem sempre terá existido interesse em que os incêndios deixassem de assustar a população e, mais importante (mas uma coisa decorre da outra), os responsáveis políticos que assinam a maioria dos cheques (passatempo para um fã de teorias de conspiração: tentar estabelecer uma relação entre as épocas de cortes orçamentais e o valor da área ardida).

O segundo factor gera menos polémica. Muita gente já o referiu mas (desta feita, compreensivelmente) também é pouco abordado nos meios de comunicação social. Trata-se da histeria televisiva, inexistente há vinte e tal anos. Do mesmo modo que noticiar suicídios tende a fazer com que ocorram novos suicídios, o espectáculo televisivo das chamas, do fumo, do medo, da impotência, opera simultaneamente como prémio e incentivo aos pirómanos.  Há pouco mais de vinte anos somente existia a RTP e os incêndios ocupavam dois ou três minutos de um noticiário que demorava meia hora. Há pouco mais de trinta, as chamas nem sequer tinham cor. Hoje, as televisões dedicam aos incêndios mais de meia hora de cada serviço noticioso (alongado para hora e meia) e mostram aos pirómanos, com som, cor, transpiração, desespero, a grandiosidade dos seus actos. O que fazer? A única solução credível passaria pela auto-regulação e isso significa que dificilmente algo mudará. Continuaremos lamentando e protestando, horrorizados (mas também mais do que ligeiramente fascinados), diante dos televisores. O mundo em que vivemos é o mundo em que vivemos.


33 comentários

Sem imagem de perfil

De Bento Norte a 29.08.2013 às 19:13

Uma sugestão:
Que as estações de televisão sempre em estado de prontidão para estarem nos locais das tragédias a tempo e horas para nos encherem a casa de fogueiras, se façam deslocar em veículos adequados para combate às chamas, embora de pequeno porte, para colaborarem no ataque às labaredas, em vez de andarem por ali como vampiros do sangue e da tragédia alheia, a incomodar e explorar as desgraças dos outros, incomodando e perturbando quem está a trabalhar para o bem comum. Façam dos microfones mangueiras ou sumam-se seus anunciantes ardentes sedentos de lume no cu!
Sem imagem de perfil

De Cronicas do Oeste a 29.08.2013 às 21:54

Concordo em absoluto consigo, Bento Norte. Os incêndios são de facto uma tragédia. O circo mediático é outra. A diferença é que uma é angustiante, a outra mete nojo.
Sem imagem de perfil

De Assim é a 29.08.2013 às 19:28

Também já outros o referiram, mas acho totalmente despudorado que as televisões só nesta altura do ano e por causa dos fogos façam directos com aquela pobre gente, abandonada, desamparada, maioritariamente idosa, de aldeias onde não há engarrafamentos como para as praias, que não vão a pingos doces, continentes, outlets, institutos de beleza, fashion nights, e perdem as suas courelas e o seu gado, que é tudo o que têm.
Imagem de perfil

De Ana Vidal a 29.08.2013 às 19:33

Politicamente incorrecto? Pelo contrário, acho que verbalizaste o que mais ou menos toda a gente pensa: que há muitos interesses, e muito pouco recomendáveis, por detrás dos incêndios. Mal aterrei em Portugal, o taxista que me trouxe do aeroporto disse-me que é incompreensível a quantidade de vezes que os Canadair falham o alvo, e que o fazem de propósito para prolongar as horas de serviço, que são bem pagas. Fiquei arrepiada com a ideia.
Quanto à proporcionalidade directa entre o aumento dos fogos e este excesso pornográfico de divulgação televisiva (que excita e premeia os pirómanos), inteiramente de acordo.
Imagem de perfil

De Ana Vidal a 29.08.2013 às 19:38

Acrescento que um incêndio (na televisão ou, ainda mais, ao vivo) é de facto um espectáculo grandioso. É o "belo terrível", que fascina tanto ou mais do que qualquer outro tipo de beleza, sabiamente explorado pelos programadores dos canais generalistas.
Sem imagem de perfil

De Cuidadinho com eles... a 29.08.2013 às 21:52

Com sua licença, esse taxista do aeroporto não terá por acaso mencionado também que os taxistas do aeroporto dão voltas, e mais voltas, e mais voltas, para levarem os incautos até qualquer destino e assim prolongarem o serviço e ganharem muito mais que numa "corrida" decente e honesta?
Imagem de perfil

De Ana Vidal a 30.08.2013 às 00:57

Não, não mencionou, e comigo não teria grande sorte se resolvesse fazer essa graça. Mas, convenhamos, há uma certa desproporção entre aldrabar passageiros para ganhar mais umas coroas e deixar arder uma floresta (e casas, e pessoas) por interesses financeiros, não lhe parece?
Sem imagem de perfil

De Muito cuidado com eles... a 30.08.2013 às 09:39

Essencialmente, o que me parece é que uma acusação tão grave proferida por um taxista do aeroporto não me mereceria grande crédito...
Imagem de perfil

De Ana Vidal a 30.08.2013 às 20:23

Eu não disse que a afirmação me merecia crédito e sou pouco dada a teorias da conspiração. Limitei-me a repetir o que disse o taxista, que aliás me garantiu saber do que falava por também ser bombeiro. Seja como for, estranhei e rejeitei a ideia liminarmente por achá-la demasiado monstruosa.
Sem imagem de perfil

De rmg a 30.08.2013 às 19:19


Eu se fôsse a si não ía na conversa de taxistas urbanos ou , indo nela , não me precipitava a transmiti-la sem melhor aprofundamento da questão .
Os taxistas urbanos são bons é a falar de futebol .
Interesses financeiros há sempre e em toda a parte mas a sua generalização baseada na opinião de quem foi chocou-me e vai perceber porquê .

É que eu estou a responder-lhe sentado em frente de uma janela de onde vejo a Serra do Caramulo a arder, já lá estive várias vezes nestes dias a ajudar como posso quem precisa e um dos bombeiros em estado muito grave é sobrinho de um grande amigo meu .

E se acha que um Canadair à velocidade a que vai e com o fogo tapado pelo fumo não pode falhar umas quantas vezes não sei que lhe diga .
Claro que um helicóptero falha menos porque está parado mas também leva menos água e gasta mais tempo a voltar ao ponto de reabastecimento .

Só mais uma : vivi 65 anos em Lisboa e desde que me reformei há 3 anos mudei-me para o interior 2/3 do mês , não sei muito mais do que sabia de fogos mas pelo menos agora falo do que estou a ver e a sentir "in loco" ...

Imagem de perfil

De Ana Vidal a 30.08.2013 às 20:44

Já respondido na minha resposta ao comentário anterior ao seu, mas repito: a opinião é do taxista, não minha. Quis apenas demonstrar ao Jaa que a opinião de que há grandes interesses financeiros por detrás dos incêndios não é politicamente incorrecta nem invulgar: o cidadão português comum pensa isso mesmo e afirma-o sem engulhos em qualquer forum.

Quanto a conhecimento de causa no que toca a fogos, enfim, acho que tenho para a troca: vivi metade da minha vida na província, onde vi arder muitos hectares e apanhei vários sustos pessoalmente. Além disso, vivo em Sintra há anos e desde criança que passei aqui temporadas de Verão. Quer melhor lugar para ver fogos da janela?

Sem imagem de perfil

De rmg a 30.08.2013 às 21:47


A opinião é do taxista mas foi a Ana Vidal que a veiculou aqui , diga-me quem é o taxista e eu peço-lhe desde já desculpa a si e vou ter uma conversa com o taxista .

O cidadão comum só diz e escreve coisas políticamente correctas , como sabe tão bem como eu , pois o tal cidadão estuda pouco e informa-se mal junto de fontes em geral políticamente correctas .
Quanto ao que as pessoas dizem nos fórums "sem engulhos" acho que é assunto que não merece que a gente se zangue , de tão "pobrezinho" que é ...

Agora que há grandes interesses , não tenho dúvida , sou engenheiro mas não sou tão estúpido como aparento , por estranho que pareça .
E que há gente mal intencionada e gente muito inconsciente (causas do 1º e do 2º incêndios do Caramulo desta semana , por esta ordem) também há .

Como não sei quanto é metade da sua vida não vou longe com essa afirmação .
Eu contei-lhe de coisas que estou a ver e a sentir , tentei sintetizar alguns factos relacionados com as operações dos meios aéreos utilizados , falei do drama de familiares chegados (pais , tios) de um homem internado em estado muito grave que eu conheço bem e a Ana Vidal diz-me que vê fogos da janela ?

De qualquer modo teve algum azar com o que deu à troca : com uma casa de família em Mem-Martins passei os Verões todos dos anos 60 "pendurado" dos carros de bombeiros da corporação local e fui dos primeiros a chegar ao sítio onde faleceram mais de duas dezenas de soldados em Setembro de 1966 .
Algo que preferia nunca ter visto , mesmo de bastante longe como foi o caso.

Passe bem que temos os dois mais que fazer .
Imagem de perfil

De Ana Vidal a 30.08.2013 às 23:06

Ninguém diria que tem mais que fazer, assim tão entretido em esquartejar cada palavra minha e em exibir a sua superioridade e experiência em tragédias. Mas adiante, longe de mim querer retê-lo, não faça cerimónia. Afinal, não fui eu que o chamei aqui, pois não?

Parece-me que não reparou que eu estava só a citá-lo quando falei em ver fogos da janela, mas isso também não tem a menor importância. Passe bem.
Sem imagem de perfil

De rmg a 31.08.2013 às 00:34


Não tenho superioridade nenhuma em relação a ninguém e felizmente muito menos em tragédias , apenas mais anos e os anos , como se sabe , não trazem sabedoria só por si mas apenas artroses (e no meu caso nem isso) .
Alguma "sabedoria" (aspas!) só com estudo .

Ao longo do último ano tive algumas trocas de opiniões "mais acesas" aqui e que , depois de alguma pancadaria , acabaram em boas relações "virtuais" com alguns autores e comentadores do DO .
Mas também não insisto se não me parece que as coisas se encaminhem para aí.

Nisto das relações virtuais costumo dizer que se zangam pessoas que gostariam muito uma da outra assim que se conhecessem pessoalmente e gostam muito uma da outra pessoas que se zangariam assim que se conhecessem pessoalmente .

Uma boa noite para si
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 29.08.2013 às 21:10

As perguntas que faço são as seguintes:

Por onde andam os cantoneiros guardas florestais? Que fazem as forças militares - recrutas, instruendos e gente do quadro - de verão? Será que não poderiam fazer uns acampamentos e umas aulas de técnicas de orientação nas diferentes áreas florestais do país e simultaneamente prevenir incêndios durante três meses, em sistema de rotação (temos marinha, exército e força aérea)? Porque diabo não se aplicaria parte do dinheiro que não se gastaria a apagar fogos para pagar estas acções aos militares?
Qual a razão para que não se construam, preventivamente, no topo das florestas reservatórios de águas pluviais e através de condutas com aspersores, cuja água correria por inércia, humedecerem as matas no pico do calor?
A quem incomodará estas acções?
Sem imagem de perfil

De Isabel a 29.08.2013 às 22:02

Inteiramente de acordo. Porque razão as forças armadas que estão nos quartéis a fazer não sei o quê, não fazem limpeza às matas? Porque razão os incendiários não são devidamente castigados? Estas perguntas nunca têm respostas por incrível que pareça.
Sem imagem de perfil

De zé luís a 29.08.2013 às 23:48

Eh, pá, são muitas questões mesmo e você está a leste de tudo.
A tropa? É profissional, mas não são bombeiros sapadores, infelizmente. São poucos, estão reservados em missões de alto coturno que rendem juros no estrangeiro e você quer tirar os generais e seus ajudantes do remanso dos lares, perdão, dos quartéis operacionais de onde não saem...
Sobre os depósitos de água, o amigo deve estar a pensar em PPP e investimentos ruinosos.
Podia pensar em que os srs. deputados fizessem leis para impor aos próprios autarcas, a começar pelos presidentes de junta de quem muita gente tem pena que desapareçam, que limpem as suas matas; e os srs. deputados que imponham leis ao Estado para fazer o trabalhinho de casa também.

Só lhe fala, aligo, vir falar de ocupação de desempregados. Olhe que muitos, aqueles radicados nas aldeias, cumprem o serviço de vigilantes nestas alturas, trabalho de 8 horas, turnos rotativos (0h, 8h, 16h), sem folgas nem retribuição. Conheço casos em qualquer destas situações.

Cmprs
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 30.08.2013 às 12:40

Zé Luís,

é caso para dizer: ó caralho, o que o amigo sabe!

Eu não falei, eu não falei, foi o amigo que quis falar, refiro-me aos desempregados. Olhe, sobre estes eu tenho algo a dizer: se os gajos fizeram políticas para que os desempregados estivessem nessa situação eu penso que os desempregados não devem alinhar nessas tretas do serviço à nação. Serviço à nação parte de todos, e não de aproveitar pessoas que se entende estarem a mais para ganhar dinheiro a fazer o que escolheram para os colocar a fazer o que outros querem a troco de uma falsa ideia de que são contrapartidas para a nação.
Como vê, amigo, eu quando quero também boto faladura. Enganados andam eles se estiverem a fazer isso que não em sistema de voluntariado, refiro-me a voluntariado e não a voluntários à forma. E não me venham com estorietas do trabalho, porque nunca vi uma nação onde tanto se traballhasse de língua. E se quer exemplos é começar a olhar para os discursos dos ditos líderes desta nação (políticos, empresariais, opinion makers...). Mas digo-lhe mais, aqui, onde se trabalha, trabalhasse muito porque se trabalha demasiado mal. Mudem os líderes e vão ver que a nação muda.
Sem imagem de perfil

De rmg a 30.08.2013 às 20:16


Tem toda a razão quanto à tropa (que pelos vistos alguns nem sabem que já só há profissionais , o que não quer dizer que não devessem ajudar em missões de apoio aos bombeiros) , quanto à ideia dos depósitos que estariam ali um ano a encher para esvaziar em poucas horas e , finalmente , aos desempregados a trabalhar como vigilantes e de boa vontade (conheço vários aqui pelo interior norte onde passo 2/3 do mês) .

O problema neste caso concreto é que me parece que as caixas de comentários só são frequentadas por malta que da vida e do mundo fora das cidades só conhece (e mal) a da praia .

Sem imagem de perfil

De Fernando Marques Pinheiro a 29.08.2013 às 22:56


Li este texto ("O mundo em que vivemos"), que começa assim : "Convém ter presente que em Portugal, como em muitos outros países, sempre ocorreram incêndios. Em 1980, por exemplo". etc.
Também li os comentários introduzidos até então.
Nada me surpreendeu.
FMP
Sem imagem de perfil

De William Wallace a 29.08.2013 às 23:05

Eu vivo numa área critica onde o ano passado ardeu uma das maiores manchas de pinheiro bravo de Portugal.
Não estou no interior profundo porque disto apenas 8 km do CENTRO (mesmo centro) da capital de distrito e o ano passado por estes lados foi um ai jesus , este ano também arde (ardeu) mas até agora os meios chegaram a tempo para não se tornar uma calamidade de maiores dimensões.
Os media fazem o seu trabalho , como sempre fizeram , espectáculo em cima de espectáculo , não vão mudar , aliás nem podem pois são privados e os que o não são têm de seguir a linha dos mais fortes.
Na minha modesta opinião existem vários factores que levam a que os incêndios sejam a calamidade "natural" que mais destrói o País :

- Abandono dos campos e substituição de adubos ecológicos (estrume) por adubos químicos ;
- Prevenção inexistente que poderia ser feita através de cadastro florestal obrigando os proprietários e celuloses a plantar única e exclusivamente espécies autóctones , criação de estradas municipais (picadas e estradões) que teriam de ser feitas pelas camaras municipais , criação de forças de vigilância / alerta compostas por cidadãos desempregados para bater as matas de Maio a Outubro fazendo levantamentos cartográficos e cinegéticos com a colaboração do Exército e Ministério do Ambiente , criação de pontos de água em várias zonas (se lá estão as torres eólicas) também lá podem fazer uns "tanques" de água das chuvas.
- A nível de combate e não sendo bombeiro não consigo entender que existam meios tão escassos nas zonas mais criticas que tenham de ser chamados efectivos de Lisboa para acorrer a fogos no Centro - Norte de Portugal e ainda menos o facto de não ser usado o exército em acções de rescaldo.
Ao nível do exército também me choca o facto de saber que existem uns velhinhos Puma que já foram "abatidos" ao serviço activo há bastante tempo e que os mesmos não tenham sido até agora transformados para combate a incêndios por ordem do governo.
Outra coisa que não entendo é como pode haver distinção entre bombeiros voluntários e profissionais sendo que ambos recebem verbas do estado e prestam serviços á população todo o ano.

Por ultimo , já era vivo e consciente quando houve uma grande tragédia nos Bombeiros em Portugal em que pereceram 17 Bombeiros (creio eu) no mesmo incendio em 1985 ou 87 já não recordo o ano ao certo e custa-me muito que as pessoas só se lembrem quem nos faz bem só nos momentos trágicos.

" mas também são um negócio, um emprego para muita gente e um universo de hierarquias, jogos de poder, interesses cruzados e aparências. Nem sempre se terá comprado o equipamento mais adequado. Nem sempre se terá ministrado a formação mais útil. Nem sempre a competência terá sido premiada. Nem sempre o dinheiro terá chegado onde era suposto chegar. Nem sempre se terá funcionado de acordo com regras de sensatez financeira e operacional. Adoptando a tal visão maquiavélica, talvez até se possa acrescentar que nem sempre terá existido interesse em que os incêndios deixassem de assustar a população e, mais importante (mas uma coisa decorre da outra), os responsáveis políticos que assinam a maioria dos cheques "

P.S. - E não o é tudo assim em Portugal ?
Sem imagem de perfil

De rmg a 30.08.2013 às 22:20


De acordo com (quase) tudo o que diz pois apresenta sugestões estruturadas com grande lógica e não muito difíceis de implementar pelo que eu conheço das autarquias do interior (e neste momento já é qualquer coisita) .

As minhas dúvidas vão no entanto para os tanques de água pois é um investimento pesado para cobrir bem o território e com o risco de grande parte deles não virem a ser utilizados porque "o incêndio não é por ali" , tornando mais prática a solução actual dos auto-tanques se abastecerem em pontos de água naturais (normalmente locais onde se acumula a água da chuva do Inverno e são bastantes) ou até nas "bases" habituais em localidades .

Quanto aos Puma temo que a reconversão saísse mais cara do que se pensa mas aí agradecia que me desse a sua opinião pois a ideia despertou-me a curiosidade (já não sou militar há um pouco mais de 40 anos ...).

De resto todo o apoio logístico devia ser feito pelas Forças Armadas .
Já por mais de uma vez tenho colaborado na entrega de mantimentos no local , faço-o porque acho que o devo fazer e sempre o faria , mas não me parece que tenham que ser só as populações a ajudar .

Finalmente , e fora disto , a falta de meios humanos naqueles locais nesta altura tem uma explicação simples , na minha opinião .
Os bombeiros , como voluntários que são , têm os seus empregos e Agosto é o mês de férias por excelência (em muita empresa nem há alternativa) .
Assim , tal como em toda a parte menos nas praias , há menos gente para acorrer aos incêndios quando a sirene toca .
Sem imagem de perfil

De William Wallace a 02.09.2013 às 03:19

Creio que os tanques de água não ficariam assim tão caros pois poderiam ser utilizados em intervalos para irrigação dos solos a espaços (tempos de seca) , além de que o jet fuel dos helis é bem caro para andar no leva e trás além de que o tempo perdido nestas manobras é tempo que poderia ser usado no combate quase que imediato.
É mais que obvio que também não será com este governo que se fará um plano "quinquenal" para combater os incêndios focando a utilização dos meios em grande parte na prevenção mas mantendo um efectivo suficiente para as necessidades!? e como mobilidade e coordenação acima da média (ex . divisão panzer ).
Quanto á transformação dos Pumas . ela pode ser feita assim quem manda queira , os Kamov e Huey a actuar também foram modificados e penso que acoplar um "balão" com sistema de descarga não deve ser muito difícil para os Eng. de Manutenção Aeronáutica da FAP ou das OGMA.
Sem imagem de perfil

De rmg a 02.09.2013 às 17:27


Muito agradeço a sua resposta e o seu cuidado .

Totalmente de acordo com a questão no que respeita aos helis , com pouca capacidade de transporte e com tempos por vezes longos de deslocação .
No entanto continuo a ter dúvidas em relação aos tanques pois teriam que ser de facto muito grandes para serem úteis , uma menor capacidade de armazenamento de água levaria a que em tempo de incêndio ou de seca os terrenos "sedentos" tudo absorvessem num raio relativamente pequeno .

Depois da sua curta mas clara explicação no que respeita aos Puma também penso que é factível com custos razoáveis , não estava a "visualizar" bem .

Cumprimentos
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 29.08.2013 às 23:14

O teu último parágrafo merece muita reflexão dos decisores editoriais. Hei-de escrever também sobre este assunto. Não tenho a menor dúvida que o "espectáculo do fogo" nas pantalhas alimenta por sua vez o horror concreto dos incêndios, como uma espécie de jogos de caixas chinesas. A propósito, seria curioso algum investigador indagar sobre a relação entre tempo de emissão televisiva dedicado aos incêndios e a área de floresta ardida: haverá certamente correspondência directa entre os dois fenómenos.
O mais chocante é verificar que estas opções editoriais ocorrem na razão inversa da agenda política. Diminui a agenda política, aumenta o espaço dedicado aos fogos - e vice-versa. Como se verá a partir da próxima semana, mesmo que o interior do País continue a arder.
Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 30.08.2013 às 09:21

Sem dúvida que há uma correlação directa entre os tempos de emissão e as áreas ardidas e/ou o número de ignições. Interessante seria saber se os tempos de emissão são a causa ou o efeito.
Não me custa nada a admitir que a transmissão televisiva dos “espectáculos” provoque o aparecimento de incêndios mas, essa exposição pública, também deveria motivar-nos a todos, e sobretudo os decisores políticos, para tentarmos acabar com esta tragédia, combatendo alguns interesses instalados que vivem à custa destas desgraças. E não são só os interesses das gentes da televisão…
Sem imagem de perfil

De zé luís a 29.08.2013 às 23:43

"Hoje, as televisões dedicam aos incêndios mais de meia hora de cada serviço noticioso (alongado para hora e meia) e mostram aos pirómanos, com som, cor, transpiração, desespero, a grandiosidade dos seus actos".

Tem razão. Ontem, 4ª feira, a RTP ao almoço, noticiário produzido no Porto, e ao jantar, produzido em Lisboa, abriu com fogos por todos o lado por causa do aumento de 1 hora no horário de trabalho da FP. É o chamado fogo posto e o combate assumido pelo operariado do costume em que os da RTP, claro, se sentem na obrigação de defender a sua courela com costela de FP.

As outras tv's, realmente, faziam um trabalho sujo ao lançarem-se a sítios recônditos envoltos em chamas... Uma porcaria, de facto.~
Sem imagem de perfil

De amendes a 30.08.2013 às 00:15

Concordo com o que disse Santana Lopes: - ... ( cito de cor) " A culpa principal de tanto fogos é dos autarcas que não cuidam da prevenção "

Como pode, por exemplo, uma Serra do Caramulo arder? Só por abandono e incúria...!

Como pode um chefe-de-bombeiros mandar jovens, certamente inexperientes, para as labaredas?... É como mandar recrutas para a guerra!

Como é bizarro ver comandantes ( cheios de galões) a passearem-se mo posto-de-comando, fardados de camuflado militar!

Há muito amadorismo ... ou melhor : Improvisação.

Sem imagem de perfil

De Sopa & Gravatas a 30.08.2013 às 12:14

Não há assunto em que o Santana Flops não seja especialista.
Sem imagem de perfil

De amendes a 30.08.2013 às 16:57

Eu acho que ele também é especialista em Sopas & Gravatas...

"Não há pior arrogância do que a ignorância quando se presume sábio"...

Atente unicamente nas palavras que ele proferiu... na qualidade de ex-autarca na Figueira da Foz... onde, por sinal, durante o seu mandato não houve um incêndio... tragédia habitual naquelas paragens...
O resto é Sopa... Não é caro Gravata ?
Sem imagem de perfil

De Sopa & Gravatas a 30.08.2013 às 19:13

É mesmo. E, tanto na Douta Vereação Sem Pelouro da Câmara Municipal de Lisboa como na Santa Casa, também não há notícia de ter havido incêndios durante os últimos anos. Tal e qual como nos longinquiquíssimos tempos em que o Excelentíssimo Lopes andou pelos areais da FdF.
Imagem de perfil

De Equipa SAPO a 30.08.2013 às 08:29

Bom dia,
este post está em destaque na área de Opinião do SAPO.
Cumprimentos,
Ana Barrela - Portal SAPO

Comentar post


Pág. 1/2



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D