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A cabra morreu

por jpt, em 27.08.13

Abro o facebook e leio "The bitch is dead", frase colocado por uma amiga, verdadeira e bem antiga, nem sei quem morreu, mas vejo logo uma fila de comentários entusiastas, festivos, depois percebo, e é aqui que tomo conhecimento que Thatcher acaba de morrer. Choco-me, imenso, não pela notícia da morte da antiga primeira-ministra, que sempre me faz lembrar o velho Dylan alive em "Maggie's Farm", a qual vi há tempos (há quanto tempo?) na TV já muito idosa e doente, li que com essa demência que tanto amesquinha os ocasos dos nossos mais velhos, tanto que sempre me custa sabê-la em alguém enquanto vou agradecendo que os meus mais velhos, pais e sogros, se venham escapando desse martírio. O que me choca agora, o que me desagrega, é o brusco fim da memória dessa minha amiga daquele antes, ali vizinha mais nova, tão bonita, que conheci como namorada de bom amigo, e pela qual vim depois a ter aquilo a que os meus pais chamariam um "béguin", muito pela sua doçura, até adolescente, aquele fresco que agora já velho ainda lembro nas raparigas do meu tempo, e uns olhos mar que me faziam sonhar marinheiro. Nos últimos 25 anos vi-a duas ou três vezes, breves acasos de Lisboa, e agora reencontrei-a no FB, o tempo foi-nos passando mas mantém (ou mantinha, quando a vi) aquele sorriso e, presumo, o encanto nos olhos. Espanto-me, que se passou com esta miúda, de esquerda sim, que já o era, mas caminhando na normal vida lisboeta, ali para as faculdades, que eu saiba nunca tendo vivido em Inglaterra, para assim festejar a morte da velha líder, para acoitar aqueles comentários d'amigos, celebrando o momento, vociferando fel? Hesito. E depois preservo-me, e às résteas daquele velho encanto ou só a memória dele. Clico e "desamigo-me", fico com ela sem isto.


Passa pouco e volto ao FB. Noto que outra amiga desses antes, outro reencontro aqui na "rede", anuncia mais uma morte. Vem concisa, seca, sarcástica, também ela colhendo ecos dos seus amigos, invectivas ao "assassino", "criminoso", saudando-lhe o fim, e falam de António Borges, um apenas economista, parcial político, caído do maldito cancro que a todos nos assusta nesta nossa meia-idade, esses calvários que amputam. Lembro-a "nos tempos", bela bela, complexa e, muito, apetitosa, raisparta. Lembro-a, jovem, em desatino. E em carinho. E tenho saudades. Hesito, mas não me desamigo. Fico, ficarei, mais um bocadinho.


Que aconteceu às miúdas do meu tempo durante este tempo? Que azedume é este?

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19 comentários

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De monge silésio a 27.08.2013 às 23:20

Percebo-o bem.

Quando ocorriam na jornalice local as famosas frases "bombásticas" do Prof. António Borges que eu "postava" no meu FB caíam setas, flechas e cargas de canhão de 52 mm..Não havia um único argumento, a não ser "ad hominem" e ligada às "conspirações".

Afinal num país de empresários encostados à autarquia, ou ao Governo, conforme seja PME ou grande grupo, num país que se julga que a Constituição é que põe o bife no prato, num país em que o tolo e o parvo de ideias ganha ascensão académica e profissional por lamber ora o sapato esquerdo ou a meia direita...não se pode pedir muito.

O Prof. António Borges desafiava a interrogarmo-nos sobre o essencial: Que Estado podemos suportar?

Ora, numa nação séria defronta-se teoricamente liberais, conservadores e socialistas. Mas as receitas não dão, porque s pessoas que as tomam...deixam muito a desejar.
É intemporal a saloice nacional, rendida ao papel ou ao título, à boa palavra e ar janota.
Se era o ouro do Brasil, ou o fundo comunitário, a gentalha pulula, seja na aristocracia lisboeta, ou na burguesia da Foz do Douro.
Ora, um Povo que tem máquinas partidárias que desenvolve os Marcos, os Luises, os Almeidas, os Ribeiros, ou os cabos saloios que estão na quase totalidade do Poder Local e que já foi 3 vezes à bancarrota em 35 anos é o quê?

Um País que tem medo do risco, vergonha de quem age diferente, e sobretudo inveja.
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De jpt a 28.08.2013 às 04:59

(não acompanhei o percurso de António Borges, para além de algumas declarações nos últimos anos. E de notícias há cerca de uma década que o diziam possível presidente do PSD. Não tenho, deste modo, ideia fundamentada sobre o conteúdo das suas concepções).

Pois será como diz mas ocorre-me que há (ou poderia haver) uma grande diferença entre o que diz e o facto de tanta gente (que até me é ou foi próxima) se sentar ao teclado a vociferar impropérios quando as pessoas morrem. Numa espécie de festim canibal
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De Helena Sacadura Cabral a 27.08.2013 às 23:33

Belíssimo texto jpt.
As miúdas do teu tempo envelheceram, amigo. Umas partiram. Outras ainda cá estão, viçosas. Ó para mim?!
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De jpt a 28.08.2013 às 05:07

Obrigado. E pois será, mas custa-me que seja deste modo. Que nem todas tenham o engenho e arte de o fazerem desse viçoso modo.
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De lucklucky a 28.08.2013 às 00:50

É o método de combate político de uma certa esquerda: BE, PCP e a ala esquerda do PS. Provocando diria que toca as almas.
Como tudo passou a ser política para essa esquerda é evidente que os pontos de concordância são poucos ou inexistentes.
Por isso é que nos EUA há cada vez mais Estado Republicanos e cada vez mais Estados Democratas. O centro das cidades são Esquerda e os subúrbios e o campo são Direita. Como tudo é política a separação é a única solução para não existir conflito aberto e declarado.
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De jpt a 28.08.2013 às 05:04

Não sei se a rapaziada e a raparigada de centro ou de direita não está no mesmo estado d'alma. Como blogo há muitos anos em Moçambique tenho contactado e tenho muitas ligações-FB com oriundos daqui que partiram para Portugal e para outros locais no cerca de 1975. Nesse âmbito leio, por vezes, coisas do mesmo veneno. E de óbvio diferente conteúdo político.
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De Carlos Duarte a 28.08.2013 às 10:53

Caro jpt,

Não me parece que se tenha passado nada de extraordinário, apenas mais uma prova da personalização das ideias. Se reparar, cada vez mais se mistura pessoas e ideias. Se as ideias são más (discordantes das nossas), as pessoas também o são. Como discutir ideias é difícil, e muitas vezes perdemos e somos obrigados a mudar as nossas, discutem-se pessoas. Opta-se pelo fácil ataque pessoal, com o objectivo final de desumanizar os nossos adversários. Se alguém não é uma pessoa, mas sim um monstro, é mais simples, mais higiénico, até moral celebrar a sua morte.

A Esquerda - especialmente a de origem ateia e marxista - tem alguma vantagem neste aspecto, uma vez que sempre se especializou (de certa forma) na classificação social e defende que as ideias contaminam - biologicamente - as pessoas. Daí, e comparando regimes ditatoriais ideologicamente diferentes, ser comum os crimes ideológicos transitarem de pais para filhos em regimes de esquerda (Khmer, Coreia do Norte, etc.) enquanto o mesmo não se passa com os de direita (na Argentina as crianças eram adoptadas por pessoas "de confiança").

Isto não quer dizer que os ataques pessoais apenas ocorram à Esquerda. Há Direita ocorrem na mesma e, até diria, em igual intensidade. Só que a formulação é diferente: existem alguns de pendor racial/nacionalista (a clássica xenofobia, activamente combatida nos dias de hoje) e outros ideológicos, sendo que estes últimos tendem a ser menos "pessoalizados". Basta ver a sanha contra "os socialistas", "os comunistas" ou, a última moda, "os funcionários públicos".

No entanto, e no fundo, o processo é igual: começa-se por criticar pessoas, depois caricaturas dessas pessoas e acaba-se a atacar monstros por nós criados. E quando se matam (ou morrem) dragões, somos heróis. O regozijo pela morte da Sr.ª Tatcher, do Prof. António Borges é idêntica à satisfação - que vejo e que me custa, como pessoa auto-identificada de "Direita" - pelos funcionários públicos despedidos ou pelas pessoas que perdem o RSI. "Trabalhem, malandros".

Pegando um pouco no post do Pedro Correia sobre Martin Luther King, estamos cada vez mais longe do "sonho". Porque para nos sentarmos à mesma mesa com aqueles que são diferentes de nós (ideologicamente, culturalmente, biologicamente) precisamos, em parte, de abdicar de alguns conceitos, da nossa tendência natural para nos acharmos superiores. Sim, somos todos diferentes, mas discutamos ideias e não pessoas porque PESSOAS somos todos.
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De jpt a 28.08.2013 às 11:18

Tem alguma razão no que aponta, ainda que me pareça que a pessoalização das ideias (e seu corolário canibal) é mais transversal ideologicamente do que aquilo que avança. Até porque esse caminho de classificação social (e de desvalorização associada) não é da "esquerda", os critérios é que vão sendo diversos consoante a origem do ... classificador.

Quanto ao "sonho" que o Pedro Correia tão bem recorda. Sim, faz falta a gente ter algumas iluminações. Mas neste caso dos impropérios diante dos mortos acho que é algo diverso o que falta: é mais um bocadinho de calma. E, já agora, de superstição, isso de acreditar que dá azar invectivar os mortos, ainda para mais ainda quentes. Que tal é agoirento, não nos (aliás, lhes) vá acontecer o mesmo. Nestes tempos mais racionalistas a essa superstição chamar-se-á decência.

Mas talvez tudo isto seja tecnológico, que a culpa seja da tecnologia. As pessoas ao vivo, no face a face, são gentis, às vezes mal-dispostas, rudes mas no fundo humanas (ou supersticiosas). Depois, sozinhas , atrás do teclado e à frente do ecrã, soltam a Besta que nelas habita. Falo por mim, claro (ainda que a minha Besta também actue ao vivo, às vezes. Mais dantes, que anda acabrunhada)
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De Carlos Duarte a 28.08.2013 às 18:11

Como escreveu o Pedro Correia mais abaixo, as pessoas transformam-se no anonimato. Ou no poder. Um bom exemplo - amplamente coberto na literatura - é a dos comandantes de campos de concentração alemães. Muitos deles com formados, com gostos requintados, educadíssimos e mesmo assim torcionários. Porquê?
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De jpt a 29.08.2013 às 06:51

Bem, isso é levar a atenção para o mal absoluto. A questão é (ainda, e sempre o será) pertinente, mas algo distante. Mas será interessante perceber, no registo que aqui coloquei, como é que as pessoas se transformam no pequeno poder, o acriticismo, as malevolências, a mesquinhez de que são capazes, e também de que necessitam para serem promovidas e mantidas.
Tive oportunidade de trabalhar para a administração pública portuguesa durante quase uma década. Certo que conheci gente muito capaz. Certo que vi e conheci gente inenarrável. Não são os guarda-nazis, esse mal absoluto, que são os meus patrícios perdigotando impropérios na internet. Mas são, com toda a certeza, essa gentalha subserviente e malévola, incompetente, que anda desvairada teclando no quotidiano
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De Carlos Duarte a 29.08.2013 às 09:14

O levar para o "mal absoluto", como referiu, foi propositado. Porque todos nós somos capazes do mal, em menor ou maior grau e o grau depende muito dos condicionamentos a que estamos sujeitos (alguns deles voluntários).

As experiências feitas em "laboratório" (como a de Stanford - http://www.prisonexp.org - ou a de Stanley Milgran - http://nature.berkeley.edu/ucce50/ag-labor/7article/article35.htm) demonstram isso mesmo.

Lembrando Lord Acton, o poder corrompe.
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De JP a 28.08.2013 às 11:49

Caro jpt, o seu post é pertinente e dá que pensar. Permita-me, por isso, uma tentativa de interpretação mais lata do fenómeno.

Esse "enraivecimento" que descreve nas suas "amigas" vejo-o um pouco por todo o país. Nos transportes, nas lojas e nos empregos as pessoas estão sem paciência e andam com o rastilho curto.

Perante as dificuldades que estão a sentir, a ausência de perspectivas de melhoria, os indicadores económicos todos a cair e a emigração em massa as pessoas estão a sentir-se permanentemente atacadas, todos os telejornais são uma deprimência e é raro o dia em que não há más notícias.

Repare que não são coisas abstratas... O supermercado ficou mais caro, o marido ficou desempregado, a água e luz aumentaram, já não há dinheiro para o colégio é preciso ir para "a pública", esquece os restaurantes e cinemas, ir ao médico exige esperas infinitas, afinal o centro de saúde fechou, os fogos nunca mais páram, a água aumentou, deixa lá comprar uma marmita para o almoço do trabalho, as lojas do bairro estão a fechar, o Zé foi para Inglaterra, a Ana para o Brasil, já não dá para ir ao cabeleireiro, o miúdo precisa de ténis novos, etc....

Ora, como Pacheco Pereira tão bem tem descrito, isto corrói e destrói o tecido social, destrói aquilo que faz uma sociedade civilizada (o respeito pelo outro, a sensatez e a convivência). Sentindo-se entre a espada e a parede, as pessoas deixam vir ao de cima aquilo que antes calavam. Sentem-se compelidas a celebrar a morte de "um gajo que queria que eu vivesse ainda pior".

Dou-lhe um exemplo. Hoje de manhã tive uma reunião com uma pessoa que conheço há 10 anos. Sempre o conheci como uma pessoa habitualmente calma e tranquila. Tem formação superior, é responsável por uma empresa que emprega 20 pessoas, de "boas famílias" e estrato sócio-económico médio-alto.

Pois bem, de há 1 ano para cá tenho-o visto progressivamente mais descrente do nosso país. Hoje, por diversas vezes, referiu-se aos nossos governantes como "estes filhos da puta".

Foi a primeira vez que o ouvi praguejar.
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De jpt a 29.08.2013 às 06:37

O que me custa é que neste caso não é de "amigas" que se trata, mas mesmo de amigas.
O jpp escreveu uma belíssima crónica, lembro-me de a ter lido no jornal, sobre essa situação. Depois veio a recuperá-la já no Abrupto (ou a referi-la, jã não me lembro). Foi na altura do "Buzinão", sobre um casal remediado, habitante da "Outra Banda".
Eu percebo que a situação aí está mal, quando vou deparo-me com problemas no meu círculo, e com os lamentos, posso entender o contexto que refere. Mas daí a este vociferar feliz porque uma velha senil morreu ou que um fdp rebentou vai (ou deveria ir?) algum espaço mental. E como muito bem diz o Pedro Correia aqui isto que narro é uma pequenissima amostra, comparando com as cloacas que são os comentários dos jornais (que nunca leio) e as caixas de comentários de alguns grandes blogs - que já é um assunto repisado nisto do bloguismo.

Depois há outra coisa: vivo fora há quase 20 anos, num país paupérrimo. Não sou nenhuma luminária mas, até por razões profissionais, olhando um bocado para as mudanças estruturais (aqui chama-se desenvolvimento). E daí que não tenha tanta simpatia para com os lamentos pelas coisas "não abstractas" que refere. Desisti de botar sobre política portuguesa, que só me fazia mal. Mas passei anos quase-desesperado, a última década pelo menos, a olhar a demência aí. Não a dos políticos mas sim a de tantos dos meus amigos, e a dos "amigos" também, felizes e adeptos, em coro, com o que era óbvio que os e nos iria conduzir para isto. Felizes com as coisas nada abstractas que iam possuindo (bens e serviços). Muitos deles já vociferando contra quem resmungava "estes romanos são loucos". Agora vociferam também. Não acredito na justiça divina, punitiva, "agora sofram". Mas, caramba, não me esqueço das tantas vezes que aí resmunguei entre amigos "esta m.... (eu praguejo muito, e acho que é um dever) vai rebentar" e recebi "vens lá d´África, não percebes nada disto". E em gente que estudou, que viajou, que tem acesso a toda a informação que quer (mas que vê os telejornais daí, uma miséria verdadeira; que se fica nos jornais portugueses, um verdadeiro vazio sobre o mundo significante), isso é sinal de uma pobreza chocante.
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De JP a 29.08.2013 às 10:57

Está coberto de razão, mas o que quis sublinhar é que, na minha opinião, a reação das pessoas não é contra a pessoa em si mas contra uma figura pública (pode ser aquela ou qualquer outra) que lhes parece privilegiada (mesmo que tenha morrido).

Estamos num clima de "todos contra todos" (muito promovido, é preciso dizê-lo, pelos últimos governos) e não me parece haver diferenças de reação entre pessoas de esquerda ou direita. Veja os comentários por exemplo ao roubo da Lili Caneças no aeroporto e é a mesma coisa... É a desagregação da sociedade, a corrosão da solidariedade e do sentimento de pertença e bem comum.

Quanto ao que referiu, do caminho previsível que estávamos caminhando, partilho em absoluto e também fui alvo de reações semelhantes. Ser olhado como extraterrestre por dizer que isto assim não ia lá...

Mas agora não se passa o mesmo? De que forma é olhado quem refere que este caminho não é possível? Que a austeridade não resolve nenhum dos problemas do país e agrava-os todos? Não é matematico que, no caminho atual, a nossa dívida é impagável? E não existe esse mesmo consenso de outrora de que "temos que fazer porque sim"... A seu tempo se dirá, "Mas porque razão não reestruturaram a dívida mais cedo? Porque se insistiu numa receita sem resultados?"
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De jpt a 29.08.2013 às 11:23

Não acompanhei esse roubo do aeroporto mas posso imaginar o coro festiva, presumo que um alarve "Bem Feita!!".
Em relação ao seu último parágrafo: não acredito que a reacção seja a mesma. O facto de se viver em abundância levava a uma adesão muito maior por parte dos "adeptos" do que agora que se vive em aflição. As vozes contrárias não receberão hoje o mesmo desagrado ou enfado do que há alguns anos.
Quanto às soluções para a situação, em particular as que aventa. Eu não as tenho (se as tivesse não estaria aqui a escrever, estaria a escrevê-las e a vendê-las). Mas lembro que há uns anos comentei / comentava que seria isso, mais ou menos. A gente aqui (Moçambique) vive num país com troika há vinte anos - não comparo, claro, a estrutura económica e social dos países, nem equiparo a viabilidade das soluções. Mas o que se fez em tantos países foi a entrada do FMI, a retracção estatal, depois o reestruturação da dívida e, depois, o perdão substancial (década de 90, principalmente, durante inúmeros processos de democratização em África e não só). Não sei se aí é possível.
Do que não me lembro é dos "lusófonos" todos, em particular dos PSs ou algum PSD, resmungarem com essas soluções exercidas nos "países irmãos". Que enquanto a "ajuda externa" (que aí se chama "fundos estruturais") abundou tudo corria bem sob esse sol soalheiro.
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De Pedro Correia a 28.08.2013 às 13:33

Meu caro: o mais chocante, para mim, é detectar a atitude dicotómica de tantas pessoas. Como refere um dos comentadores do teu texto, gente que ao vivo é afável e gentil, transfigura-se quando abanca nas chamadas "redes sociais". Um pouco à semelhança do tuga porreiro que se transforma no tuga besta selvagem quando se senta ao volante e se imagina o rei das estradas de pedal no acelerador.
As novas tecnologias vieram dar projecção pública - e até algum verniz social - àquilo que antigamente se escrevinhava nas portas das latrinas. Para este efeito, valha a verdade, muito têm contribuído as caixas de comentários das edições em linha de certos jornais (não todos), autênticas cloacas ou vomitórios em locais que tinham a obrigação deontológica de promover o exercício da cidadania.
Foi também por ter lido as tuas linhas que fiz a referência supra ao Luther King. Duas faces da mesma moeda, no fundo. Andamos necessitados, como de pão para a boca, de exemplos inspiradores. Eles existem. Falta-nos apenas, quase sempre, a capacidade de os ver.
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De jpt a 29.08.2013 às 06:43

Esses teus apontamentos sobre os discursos são excelentes (e eu não sou grande adepto disto dos elogios intra-blog).
Lamento mas discordo um pouco. Certo que precisamos de exemplos e de referências. Mas no universo que referes (e eu também, por outra forma), o das catacumbas blogo-jornalísticas, em que há anos se coligam as vozes anónimas ululantes, e no fb-twitter mais assanhado, não me parece que haja permeabilidade para exemplos
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De AEfetivamente a 29.08.2013 às 15:41

Post interessante e interessantes comentários - quanta verdade - que li atentamente. Subscrevo-os ... é chocante ver tanta agressividade, venha lá de onde for... embora a situação, péssima para uns e a piorar para outros, esteja a dar cabo de muita paciência e calma.
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De Ana Vidal a 29.08.2013 às 16:18

Belíssimo texto, Jpt. Como tu, já "desamiguei" amigos pelas mesmas razões... a falta de sensibilidade é contagiosa, prefiro-a longe.
O que lhes aconteceu, perguntas? Azedaram, murcharam, foram talvez pessoalmente maltratadas (e há muitas formas de se ser maltratado), ou simplesmente deixaram morrer os neurónios junto com a generosidade que a frescura sempre tem. Mas não desanimes, nem todas estarão assim, acéfalas e vingativas. Há quem tenha sobrevivido aos anos, garanto-te. Conheço casos suficientes para poder tranquilizar-te. :-)

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