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The times they have a-changed

por José António Abreu, em 13.08.13
Mesmo os que, por defeitos de idade, não viram em directo se lembram de Rosa Mota cortando a meta para a vitória na maratona dos Jogos Olímpicos de Seoul, em 1988. Pequenina, magrinha, ar simpático, braços bem erguidos de justificado orgulho, sovacos por depilar. Rosa Mota já conquistara o bronze nos Jogos Olímpicos de 1984 e, em 1987, fora Campeã do Mundo em Roma (para além de ter conseguido vários títulos europeus e vencido uma mão-cheia de maratonas importantes). Mas convenhamos que, grande atleta que indiscutivelmente era, nunca o termo «sensual» se lhe aplicou. Pior um nadinha: Rosa, como Carlos Lopes, Aurora Cunha, Fernando Mamede, os gémeos Castro ou, na verdade, ainda vários dos atletas portugueses da actualidade, revelava um país mais parecido com os tempos de Salazar (esforçado mas pobrezinho, ligeiramente digno de pena) do que com o país em que, poucos anos volvidos, os portugueses gostavam de se imaginar a viver.
Mas isto não é sobre Portugal. É sobre algo muito mais importante e cem por cento internacional: mulheres. Atletas, mais exactamente. Assistia eu ontem à sessão da tarde dos Campeonatos do Mundo de Atletismo, a disputar-se em Moscovo, quando as atletas do heptatlo me fizeram pestanejar e arregalar os olhos. Várias vezes. Mais de uma dúzia de raparigas altas, esbeltas, giras. Algumas com características inteiramente adequadas a protagonismos de anúncios de produtos de beleza – que, lá no país delas, podem bem ser uma realidade. Claro que sempre houve raparigas atraentes no atletismo. Por virtude de idade, lembro-me bem da relação amor-ódio que Heike Drechsler me inspirava (amor porque era um bocadinho mais gira do que a grande rival, Jackie Joyner-Kersee, ódio porque competia pela RDA). Por virtude de não assistir apenas a futebol na televisão, sei igualmente que existem hoje raparigas atraentes em muitas disciplinas do atletismo (e de outros desportos) para além do heptatlo. Basta pensar nos olhos e na boca de Blanka Vlasic. Ou nos olhos e no resto de Yelena Isinbayeva. E fosse ela menos gira (e simpática e boa conversadora) e os azares de Lolo Jones nos Jogos Olímpicos (queda em 2008 quando liderava destacada os 100 metros barreiras, quarto lugar na mesma prova em 2012) não teriam doído tanto. Finalmente, por virtude de ser bom a extrapolar conclusões a partir de amostras minúsculas, também estou ciente de que uma significativa parte da população mundial tem andado a ficar mais atractiva. Mas o quadro de participantes no heptatlo deste Mundial é assim a modos que um ridículo concentrado de boa aparência num sector onde a boa aparência não costumava abundar. E garanto que as fotos acima, uma selecção retirada do site oficial da Federação Internacional, estão longe de fazer justiça às raparigas.

Agora desculpem mas vou ver a sessão desta tarde, que deixei a gravar. A Lolo não está em Moscovo (snif) mas o heptatlo acabou hoje.

 

Nas fotos, da direita para a esquerda e de cima para baixo: Dafne Schippers (Holanda); Ellen Sprunger (Suíça); Ganna Melnichenko (Ucrânia); Grit Šadeiko (Estónia); Györgi Farkas-Zsivoczky (Hungria); Ida Marcussen (Noruega); Karolina Tyminska (Polónia); Katarina Johnson-Thompson (Grã-Bretanha); Kristina Savistkaya (Rússia); Laura Ikauniece (Letónia); Mari Klaup (Estónia); Nadine Broersen (Holanda); Nafissatou Thiam (Bélgica); Sharon Day (EUA); Yasmina Omrani (Argélia).

 

Adenda: Em nome da igualdade de género, gostaria de salientar que este arrazoado poderá quase de certeza aplicar-se também a atletas do sexo masculino. Mas outra pessoa qualquer que trate dessa parte. Não vou ser eu a colocar aqui fotografias de Renaud Lavillenie.


8 comentários

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De Gui Abreu de Lima a 13.08.2013 às 22:46

A Lolo é top ;)
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De José António Abreu a 14.08.2013 às 07:53

Yep. Fiquei tão triste por (e com) ela quando tropeçou na penúltima barreira em Pequim. Pensar que há quem me acuse de falta de sensibilidade...
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De lucklucky a 13.08.2013 às 23:45

As atletas de alta competição ficam sempre com demasiada austeridade na poitrine...
Ok confesso que sou inflacionista nestas coisas embora só por métodos naturais.
O heptalto sendo multi disciplinar sempre teve atletas com desenvolvimento mais uniforme ao contrário de disciplinas especializadas que obrigam partes do corpo a serem dominantes, por outro lado a publicidade necessita de beleza para vender, é natural o investimento em treino beneficie quem tenha uma cara que possa vender.



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De José António Abreu a 14.08.2013 às 08:01

Como eu nem nestas coisas sou inflacionista...
Entretanto a Isinbayeva - que nem é totalmente desprovida nesta área - ganhou a medalha de ouro no salto à vara e bloqueou o site com um link para o Facebook. O que é uma pena.
http://www.bing.com/images/search?q=yelena+isinbayeva&FORM=HDRSC2
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De não só mas também a 14.08.2013 às 00:31

Verificará o mesmo milagre nas cantoras de ópera ou lied.Embora sejam mais para ser ouvidas, uma carinha e corpinho jeitosos também ajudam à festa que é a grande Música.E sempre houve excepções.E a sedução que sobre nós exercem pode bem contornar,sem esforço no caso de veros
artistas,o imediato físico como qualquer amador(o que ama) já sabe.De resto, hoje há muitos
tamancos bem envernizados...
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De José António Abreu a 14.08.2013 às 08:07

É verdade. Aliás, há um ano ou dois eu disse à Ana Vidal que ainda havia de fazer uma série de posts sobre isso. Mas nas cantoras (e cantores) de ópera justifica-se um pouco: quem acreditaria na trama de La Bohème com uma Mimi cinquentona de duzentos e dez quilos e um Rodolfo corcunda? Ou pelo menos seria uma La Bohème versão terceira idade - conceito que, pensando bem no assunto, até se estranha ainda não ter ocorrido a alguns encenadores actuais.
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De João André a 14.08.2013 às 13:32

Creio que haverá dois pontos a distinguir a actualidade do passado: por um lado temos hoje muito mais exposição televisiva (e de outros media), o que faz aumentar a consciência da imagem, mesmo quando não é usada para vender o produto (no caso, a atleta). Por outro lado há a questão dos critários da moda. Tivemos no passado o período dos penteados à la Charlie's Angels (ou Margarida Marante), os quais não são hoje vistos como particularmente atraentes. O mesmo se poderia dizer em relação a outros aspectos da imagem.

Engraçado foi ter lido há já uns tempos um artigo sobre a proliferação do sexo na aldeia olímpica, onde o stock de preservativos se esgota num ápice. A explicação costuma ser simples: os atletas são jovens, de uma forma geral têm corpos extremamente atraentes (se descontarmos os lançadores do peso e quejandos), passam anos em regimes extremamente rigorosos para poderem dar o máximo nos jogos e de repente estão descontraídos (as provas terminaram), estão em convício tão intímo quanto possível e, por fim, para atletas de países mais autoritários, há sempre a sensação de liberdade súbita.

Quanto às atletas tenho também um fraco imenso pela Lolo, pela Issimbaieva, a Daria Klichina (uiiii, bate todas) ou pela Jessica Ennis. Também gosto muito da Dibaba e o sorriso da Shelly-Ann Fraser compensa pela falta de beleza natural. Claro, isto restringindo-nos ao atletismo. Se enfiarmos outros desportos no saco, a lista aumenta. Já a Vlašić não me convence. Elegante e sensual sim. bonita, nem por isso (opinião pessoal e algo controversa, admito).
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De José António Abreu a 14.08.2013 às 15:03

É verdade, a Klichina - que, como a Lolo, falhou a qualificação para os Mundiais. Quanto à Jessica, quase a incluí no painel de fotos mas como não participou no heptatlo...
E o sorriso - e o cabelo cor-de-rosa com que apareceu em Moscovo - da Shelly-Ann são qualquer coisa de muito especial. Mas a Jamaica é outro estado de espírito.

http://ewn.co.za/2013/08/13/-/media/Images/2013/08/13/12/38/130813ShellyAnnFraserPrycejpg.ashx?as=1&w=520

http://images.worldnow.com/AP/images/2718748_G.jpg

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