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Caninamente

por José Navarro de Andrade, em 08.08.13

O mastim que supostamente trucidou uma criança (o prudente advérbio de modo deve-se ao facto de a magistrada não ter dado como provada uma relação de causa e efeito entre as dentadas do pitbull e a morte da vítima) foi entregue no princípio deste mês, assim deliberou o tribunal, à guarda da Associação Animal.

A Sra. D. Rita Silva, responsável por esta organização, tendo todos os motivos para celebrar semelhante decisão, deu largas à sua filosofia:

“Vamos chamá-lo Mandela, porque tal como o líder sul-africano este cão também é um símbolo de liberdade. Esteve preso sete meses sem saber porquê, tal como Mandela esteve preso mais de duas décadas”.

"A ANIMAL dá SEMPRE nomes de humanos ou de outros animais aos animais que resgata. Fá-lo SEMPRE como uma homenagem."

“Desconfiamos que pode ter problemas de saúde. Depois, não excluímos o recurso a um comportamentalista animal e a uma especialista em recuperação de animais agressores.”

No contexto destas afirmações não surpreende que a senhora tenha afirmado, seriamente e sem angústias existenciais, que um cão possa ter consciência da injustiça do seu encarceramento, quem sabe se expressando com articulados uivos e latidos as suas razões. Dar ao bicho nome de gente é simbólico, ou seja, revela uma ideologia. Já dada como garantida a formidável divisão de toda a fauna terrestre entre animais sencientes e não-sencientes, anulando, assim, a vetusta distinção entre racionais e irracionais, está claro que chegou o momento de proceder à humanização de certos mamíferos, nomeadamente aqueles que foram domesticados ou, talvez em melhor concordância com o pensamento de Rita Silva, que nos domesticaram.   


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