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Da improbabilidade

por Ana Vidal, em 06.08.13


1. No Canadá, duas crianças dormem tranquilamente no primeiro andar de um prédio em cujo rés-do-chão há uma pet shop. Uma piton de 45Kg escapa-se inexplicavelmente do seu "aquário", infiltra-se no sistema de ar condicionado do prédio, sai no apartamento do primeiro andar, vai até ao quarto das crianças e asfixia ambas até à morte.

2. Na Suécia, uma família composta de pai, mãe grávida e duas crianças, viaja de carro em direcção ao hospital onde a mãe vai dar à luz. A meio do caminho a mãe entra em trabalho de parto e tem a criança no carro em andamento. Com o susto, o pai distrai-se da estrada e o carro despista-se, num aparatoso e violento acidente com inúmeras cambalhotas em que todos são cuspidos e se perdem de vista. Reencontram-se horas depois no dito hospital, abismados e ilesos, incluindo o recém-nascido.

Em ambos os acontecimentos, do final trágico ao final feliz, o mesmo inacreditável grau de improbabilidade. Perante isto, pergunto: à luz de que religião, crença ou filosofia podem estes factos ser explicados? Que deus ou deuses, se algum existe, presidiram a estes destinos? Com que bitola de arbitrariedade e de justiça? Com que misterioso objectivo?
Ou não serão eles simplesmente duas provas de que só o acaso, esse imenso absurdo caprichoso e volátil, é o plasma das nossas vidas?


54 comentários

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De zé luís a 06.08.2013 às 21:25

Acaso, sim; pura sorte e azar do car...
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De Anónimo a 06.08.2013 às 22:31

Aninha, muito Boa Noite. Quero deixar-lhe em particular a Paz, dou-lhe a minha Paz na certeza que não terei necessidade, perante si, de sacudir a areia de minhas sandálias por forma a que a mesma regresse a mim.
Antes de tudo permita que lhe fale sobre esse tal de Acaso. Esse Acaso é aquele que em torno de dois acontecimentos exteriores nos reunem nesta partilha que desejo seja de bastante utilidade para ambos. A esta Ordem Universal acrescentemos portanto o que cumpre dizer:

- Pretende a Aninha uma resposta, à luz da religião, crença ou filosofia, para os acontecimentos que descreve. Pois bem, estou em crer que a resposta só virá depois que falarmos sobre outras questões que a isso nos leve. Desta feita, influenciado certamente por Simone Weil, permita a Aninha que junte todos esses factores - religião, crença e filosofia - neste comentário que pretendo seja destituído de qualquer vaidade ou soberba;
- A questão de Deus tem duas componentes, concêntrica/excêntrica: uma pessoal e outra impessoal. No Ocidente a palavra Deus designa uma Pessoa. Por isto mesmo qualquer Homem cuja fé, atenção e amor recai sobre o aspecto impessoal (fé, atenção e Amor) podem também crer e simultaneamente dizer-se ateus, porque o amor sobrenatural habita suas almas (Ser). Pela sua atitude, reconhecem-se em relação às coisas do mundo. Por isto mesmo todos aqueles que possuem o Amor pelo próximo e a aceitação da Ordem Universal (Acaso), mesmo que vivam e morram dizendo-se Ateus, estão certamnte SALVOS e podem ser considerados Santos.

Se a Aninha reparou bem, eu escrevi SALVOS. Porque a história deste Deus é uma história de Salvação. Mas uma Salvação que visa dar a VIDA e não contrariar a inevitabilidade dita carnal, porque se assim fosse, então, qual o sentido desta VIda?
O Evangelho de João começa por traduzir o seguinte: No início era o VERBO... Este termo, Verbo, na realidade parece ter sido mal traduzido. O significado correcto seria LOGOS, que significa Ligação.
Ao traduzir este significado não pretendo entrar em erudições, pretendo somente referir que sem LIGAÇÂO não há essa VIDA que lhe dou conta. Por isto mesmo esta VIDA alcança-se com um MEDIADOR, Jesus. Aquele que tão plenamente se TRANSFIGURA para que todos possam receber a Vida e a Vida em Abundância.

Na tradição nacional fomos erradamente educados a ser esperançosos, e pouco instruídos no significado da ESPERANÇA. Uma tradição que gerou uma quase catástrofe identitária na medida em que na espera desse Deus pouco cumprimos com o que Devemos. A TRANSFIGURAÇÃO também tem um significado de ruptura, ao contrário do que nos é ensinado. Repare que no monte, no momento da TRNSFIGURAÇÂO de Jesus, Moisés e Elias, que dizem representar a Lei os Profetas, não obstante Pedro Tiago e João pretenderem fazer uma tenda para eles (repare que a narrativa diz que eles não "sabem o que dizem"), estes afastam-se e a Luz resplandece nas vestes e na face de Jesus. Esta Luz tem um significado particular, porque o não saber significa ignorância (TREVAS); eis o sentido da ruptura.
Quando esta LUZ brilhar em cada SER as interrogações que coloca deixarão de fazer sentido, pois um outro significado dos acontecimentos, assim como o sentido dos mesmos, estarão escritos e reimpressos em cada um.

Ao seu dispôr, Aninha.
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De Ana Vidal a 06.08.2013 às 23:05

Tudo isso é interessantíssimo (não estou a ser irónica, acredite) mas não responde à minha pergunta. Anyway, quem me dera ter as suas certezas.
Boa noite para si também, Anoniminho. :-)
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De Anónimo a 06.08.2013 às 23:14

Aninha, o caminho faz-se caminhando; e as respostas acontecem pelo Caminho. Como pretende a Aninha desvendar o Fim se ainda não concluiu o percurso?
Olhe que este caminho, no início, tanto pode ser uma brisa suave quanto dolorosa. E cada pedra que se apresenta é somente mais um obstáculo a transpôr.
Uma Boa noite plena de respostas.
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De Ana Vidal a 08.08.2013 às 01:46

Não tenho mais respostas do que tinha, Inho. Por outro lado, tenho muito mais perguntas. E isso é bom. :-)

(vou adoptar esta invenção do nosso amigo Da Maia quanto ao seu nick, porque gostei e porque é mais fácil. mas o gostava mesmo é que se apresentasse com o seu nome, depois de tanto tempo como comentador dos meus posts)
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De da Maia a 07.08.2013 às 00:07

Creio que o Inho (baptizado de Anóniminho :-) remeteu o significado a uma vida, pela razão de não se esgotar nesta "vida".
Como a minha resposta vai no mesmo sentido... acho que o problema detectado pela Ana, é que falta sentido para "esta vida" dos outros quando ela não faz sentido para nós.
Acrescento por isso que o "não fazer sentido para nós" é algo mal compreendido.
Depois de explicada a situação, aceitamo-la ou não? Parece-nos verosímil ou não?
Se parece verosímil, é porque nunca deixámos, nem deixaremos de considerar essa possibilidade, e é nesse sentido que faz sentido.
Faz sentido, porque somos filhos de um nexo caótico que nos gerou, na aparente improbabilidade de sucesso de uns seres que se parecem com macacos, mas não o são.
Essa é a ligação, o nexo racional, que pela improbabilidade nos admitiu, e será uma ilusão querer abdicar da essência imprevisível que nos formou e definiu, sob pena de querermos passar a raciocínio vegetal.

Só um detalhe, quanto ao Verbo... o verbo serve sempre uma ligação, uma ligação entre palavras.
No princípio não era o Verbo, era a Palavra, mas foi o verbo que deu significado às palavras, acima da simples correspondência que tinham com o natural.
Foi pelo verbo que adquirimos a ligação com o sobrenatural, porque o verbo não está escrito em nenhuma rocha, nem corresponde a nenhum calhau, é algo que habita em nós acima da realidade física.
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De Ana Vidal a 08.08.2013 às 02:04

Percebi ambos, Da Maia, mas gosto de reduzir as coisas à sua essência para tentar entendê-las, para chegar-lhes sem floreados. É um exercício que me remete sempre para a minha verdadeira dimensão (a de todos nós, afinal), simultaneamente mínima e enorme. Simplicidade e grandeza, grandeza essa que só na simplicidade se revela. O resto são palavras (não confundir com a Palavra a que se refere no seu comentário, ou com o Verbo que lhe dá sentido) e todos os jogos de palavras são enganadores. Eu diria, alinhando também nesse jogo, que no princípio era a Luz. Depois as brumas adensaram-se e só muito de vez em quando se rasgam, pelo menos no que me diz respeito é intermitente e não uma conquista progressiva. Mas quando isso acontece é prodigioso e compensa toda a escuridão habitual. A minha pergunta, ou as mil que lhe vou somando sempre, resumem-se a uma única expectativa: entender o porquê e o para quê a tempo inteiro, seja lá o Tempo o que for. Um dia, talvez. Ou nunca.
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De da Maia a 08.08.2013 às 06:39

Cara Ana,
não se tratava de nenhum jogo de palavras, pelo menos no sentido habitual.
A "Luz" pode-nos remeter a uma noção geral que se prende com o simples "ser", com a existência: - "o que existiu viu a luz, o resto não".
Esse sentido mais abstracto pode estar presente em mitologias antigas, tal como o dia., da seguinte forma - a nossa vida definir-se-ia entre uma alvorada e um crepúsculo.
Aquilo que estava a dizer é diferente... no sentido em que a matéria, energia, etc. - tudo aquilo que se toma como "real" - é de facto efémero, porque não há nada que lhe garanta existência eterna.

No entanto, repare que a linguagem nos presenteia com ideias, noções abstractas, que são intemporais.
O caso mais simples - o número.
O universo físico poderia colapsar, mas nunca eclipsaria a noção de número.
As palavras foram definidas com correspondência nesta realidade, mas a linguagem tem noções que a transcendem... e por isso não somos simples bestas, apesar de quem queira que acreditemos que sim.

Quanto ao resto, coloco-lhe as seguintes questões:
i) Algo teria que existir?
ii) Existindo algum universo, como esse universo saberia que existia?
iii) Apercebendo-se dessa existência, teria ou não que haver um nexo, que a justificasse?

Deixando a questão i) de lado, porque é uma evidência indesmentível, faço apenas notar que não seria através de pedras, nem de plantas, nem de animais simples, nenhum desses seres trouxe ao universo a reflexão necessária para que a estrutura pudesse concluir da existência.
Mas bastaria um ser reflexivo, que pela conclusão da sua existência, concluiria da existência do universo. O homem é reflexivo, e permite concluir da sua existência, respondendo a ii).

Agora vem o problema dos zarolhos, que não percebem que o olho tem que se ver a si próprio, e a intelectualidade vigente tem mergulhado no "zerolho"... ou seja, como não usam os dois olhos, só se vendo a si próprios, não vêem nada!

Assim, a questão iii) pode ser colocada desta forma... o homem conseguiria ver-se a si próprio, e concluir da sua existência, e assim, também do universo.
Só que nesse ver-se a si próprio, o universo teria criado micro-universos que só se veriam a si mesmos, para seu belo prazer, e nada mais.
Como fazer com que os seres aprendessem a olhar para além do seu umbigo?
Para isso teria feito deuses que achariam que o universo se identificava com os próprios. Por uma questão de imortalidade inata, a questão de princípio e fim nem se lhes colocaria. Faltaria um nexo para justificar o aparecimento e resolver a questão de eventual desaparecimento.

Acabar também com os homens?
Porquê? Porque, afinal a existência implica um nexo... e se o nexo existe, tem que emergir em alguém no universo. Caso contrário, não se manifestando, não existiria. Não existindo nexo, a própria existência não faria sentido.
Os mortais trabalham sem rede... ou seja, ninguém nos garante vida eterna.
Perante todos os indícios de morte devemos concluir da imortalidade?...
Tal como todo o universo perante todas as transformações poderia garantir que nenhuma o anularia?
Qual esfinge, o universo coloca assim a sua questão... se quisermos, para os micro-universos resolverem!
Ora, como já disse, há noções intemporais... por isso a intemporalidade universal fica arrumada, mas não é pela matéria, é pelas ideias. Ideias que só se manifestam por via de inteligência.
Foram as ideias que definiram a perenidade deste universo... mas essas ideias não sugiram "sem mais nem menos", há toda uma história tortuosa, que faz parte do nexo. Recusá-la, é recusar o nexo que nos definiu, que teve e tem a sua parte "caótica".
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De Ana Vidal a 09.08.2013 às 12:30

Da Maia, se me permite guardo para mais logo a resposta ao seu comentário. A sua longa exposição pede e merece mais tempo do que aquele que tenho agora para responder-lhe como gostaria. Eu volto.
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De Ana Vidal a 29.08.2013 às 18:56

Amigos da Maia, Inho e Xico, abandonei-vos indecentemente e peço desculpa por isso. Mas livo-vos com o maior interesse e aprendi imenso com os vossos doutos comentários. Nada como ter amigos de luxo. :-)
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De Anónimo a 07.08.2013 às 14:43

Aninha, boa tarde,

eu respondi à sua questão, no primeiro comentário e no segundo que ainda não publicou. Porém admito que haja necessidade de lhe responder de outra forma mas sempre em seguimento ao caminho da TRANSFIGURAÇÃO.

Todos nós, ou uma grande parte de nós, já passamos por tempestades em nossas vidas. Essas tempestades ocorreram certamente na primeira pessoa e/ou através de outras pessoas. Significa isto que os acontecimentos que nos abalam, por nós causados ou contra nós causados, afectam de forma determinante os acontecimentos futuros. Durante estes difíceis eventos a pergunta que sempre nos afigura é o porquê(?). Consideramo-nos sempre pouco merecedores e vítimas, e até mesmo revoltamo-nos quando as vítimas são por demais a nossos olhos de tal forma inocentes que a razão não "cobre" ou não valida, ao momento, qualquer forma de benefício.
Pois bem, concluída a travessia de tais acontecimentos, e abaladas, agora, as tempestades e não mais nós, é-nos possível analisar e constatar que através desses mesmos acontecimentos se opera uma TRANSFORMAÇÃO em nosso agir, pensar e viver. Mesmo quando o acontecimento diga respeito a um terceiro, se isto proporcionou essa alteração no nosso Ser então estamos perante a evidência do Ordem do Acaso.

Neste sentido, compreenderemos que a questão que se impõe perante tais situações já não será mais o Porquê(?) mas sim o Para Quê(?).

Sei que falamos sobre os acontecimentos que nos descreve em seu texto, algum dia alguém ligado a esses acontecimentos poderá responder sobre esse tal Para Quê (?). É no seu (deles) testemunho que encontraremos a resposta.

Por último, continuo a ver em nossa educação a morte como a causa e obsessão de nossas vidas, mas muito pouco a concepção de como se pode vencer a Morte. Sim, Aninha, o caminho faz-se caminhando e nem sempre quando olhamos vêmos. Por vezes é necessário distanciar dos acontecimentos para vermos o que foi feito.
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De Ana Vidal a 08.08.2013 às 02:18

Tem graça, Inho, sem ter lido este seu comentário estava mesmo agora a falar do porquê e do para quê. Parece-me que ambas as perguntas são essenciais, não no sentido da vitimização mas no do conhecimento. No resto concordo inteiramente consigo: tudo o que nos toca nos transforma, nos altera o rumo de alguma forma. E é preciso distância para ver com clareza.

Mas a minha questão permanece, independentemente de qualquer nomenclatura: existe uma entidade superior (exterior ou interior a nós, porque essa é outra e a mesma questão) ou somos simplesmente produto e veículos do acaso? Perante acontecimentos aparentemente inexplicáveis - escolhi estes casos como poderia ter escolhido outros, são meros exemplos - não escolheremos sempre a resposta menos dolorosa, a que menos nos assusta?
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De Anónimo a 08.08.2013 às 12:19

Minha doce Inha,
Não, creio que não escolhemos a resposta menos dolorosa. Simplesmente esforçamo-nos para compreender a dor e o seu sentido; isto é mesmo muito doloroso e também de uma coragem extrema, porque ao enfrentar a dor desprendemo-nos dela, vencêmo-la.
E já que falamos em dor, e parece que pouco ou nada a compreendemos, permita a Inha que eu entre em algumas considerações, socorrendo-me de um acontecimento que também revela brutalidade extrema.
Vamos lá a Jesus, por passos, para compreendermos essa Entidade que busca:

Todos nós estamos familiarizados com a palavra Sacrifício, certamente que já ouvimos falar no Sacrifício da Santa Missa. Os não católicos não atribuem a isto o mesmo significado que os católicos (não sei se nós católicos compreendemos isto), eles falam-nos do Calvário como Sacrifício. Creio que ambos têm razão, ainda que, como católico, veja nesta comunhão, ainda que com muita secura e aridez, aquilo que Tomás de Aquino referiu para este Sacramento (já lá vou, aguarde mais um pouquinho).
A questão que se coloca, e que parece dividir o que é indivisível, é se este Sacrifício ocorre dentro ou fora do Templo. Naquele quarto no primeiro andar, onde Jesus se reune com seus díscipulos, estamos perante a celebração da Páscoa. Esta Passagem, na tradição judaica, visa celebrar o Caminho da escravidão para a Liberdade (saída do Egipto e travessia do deserto até à terra prometida), mas possui uma outra conotação no sentido cristão, a Passagem da Morte para a Vida; pois é em torno desta celebração que penso devermos reunir neste comentário. A partir de agora escreverei só e somente sobre o sentido cristão. Os não católicos vêm o Sacrifício essencialmente nos acontecimentos do Calvário. Mas uma situação leva a outra.
A inserção retórica que estabelece a ligação entre o Pão que partilha com o Seu Corpo, dado em Benefício de Todos, e o Vinho que bebe com o Seu Sangue, símbolo da ALIANÇA, permite-nos antever a DOR do CALVÁRIO (repare que usei o termo dor). Neste sentido a EXECUÇÃO ROMANA transforma-se em SACRIFÍCIO, mas Sacrifício que visa a REDENÇÃO. Por isto mesmo a EUCARÍSTIA é transformada no clímax da NOVA PÁSCOA. Assim, se não virmos nesta primeira Missa o início do Sacrifício, então, o Calvário é uma mera Execução. Mas não o sendo, a Eucarístia TRANSFORMA o Calvário num SACRIFÍCIO DE OFERTA (Que Lindo! Aqui tem o Para Quê (?) de tanta dor. Sendo que este Para Quê responde a todos os Porquês(?)). E por isto mesmo o SACRIFÍCIO SE TRANSFORMA EM SACRAMENTO; e transforma-se em SACRAMENTO porque estamos perante o CORPO ASCENDENTE, repito, CORPO ASCENDENTE. Consequentemente a celebração não é uma simples REFEIÇÃO, é uma COMUNHÃO.

Aqui chegados, compreenderemos que Jesus não é vitíma de uma EXECUÇÃO mas da LEI DIVINA, esta Lei Divina leva por nome AMOR. Amor que transcende os meros afectos e sentidos que, legítimos e saborosos, por vezes impedem essa outra ASCENDÊNCIA.

Por último, Tomás de Aquino afirmou: "O sacramento é sinal rememorativo daquilo que o precedeu, ou seja, da Paixão de Cristo; e demonstrativo daquilo que EM NÓS a Paixão de Cristo realiza, ou seja, da GRAÇA; e prognóstico, quer dizer, que anuncia de Antemão A GLÓRIA FUTURA". (in Summa theologiae)
Aqui tem o sentido da Dor e dos acontecimentos na nossa TRANSFIGURAÇÃO. Sendo que o sofrimento provocado pelo AMOR é aquele que se torna legítimo. Todo o outro, aquele que procede do pecado, isto é, de errar o alvo (significado de pecado em hebraico) é o que deve ser combatido, a começar por nós.

Doce Inha, posso continuar a responder às suas questões, mas o Caminho será feito por si e por mim. E este caminho só é possível com muita Oração. Pedindo sempre o que não temos, para nós e para os outros.
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De DNO a 06.08.2013 às 23:09

Quanto a mim, estas notícias só tem realce porque os pobres jornalistas não sabem o que hão-de fazer para criar casos. Deve haver por esse mundo fora milhares de situações semelhantes ou talvez mais feias. Em Setembro volta tudo aos eixos, vai ver... :)
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De Ana Vidal a 08.08.2013 às 02:21

Claro que sim, mas esssa é outra questão. Estas notícias, assim como quaisquer outras, servem-nos para pensar.
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De da Maia a 06.08.2013 às 23:26

O único problema levantado pela Ana está na palavra "final".
Essa percepção é do positivismo antropocêntrico.
Ou seja, aquela ideia de que tudo começa e acaba na percepção que a tribo humana partilha num dado instante.

Ok, e se agora lhe disserem que a notícia da serpente era falsa, inventada, isso diminui a possibilidade de acontecer?
Ok, e se agora alguém lhe garantir que tal coisa não se passará jamais, a Ana fica descansada?

Livrar-se de adversidades, por acordo com quem, a troco de quê?
Creio que a esse tipo de pactos, que garantem paraísos a troco de nada, é para patos, e dá-se a assinatura do mafarrico. Porque sentimos intimamente que deve haver um equilíbrio a longo prazo...

Se a compreensão se fecha, pela recusa da racionalidade como entidade supranatural, então falamos do habitual raciocínio bestial, que tem habitado uma ciência fechada no umbigo, e os seus acólitos intelectuais zarolhos.

Os defeitos da imprevisibilidade são maiores ou menores que os da previsibilidade?
Não basta ignorar o mal, porque sabemos que a hipótese adversa existe.

Tendo uma estrutura de raciocínio suficientemente sólida consegue-se banir todo o mal inconcebível - porque para a irracionalidade não imperar, basta haver alguém que a recuse.
A irracionalidade pode manifestar-se, instalando-se nas cabeças insanas, mas esse espaço que lhe é dado não pode passar acima da percepção racional de quem recusa o irracional.
Nunca conseguiremos assim banir o mal concebível... podemos sim reduzir-lhe a probabilidade a um ponto mínimo, tanto quanto for maior o acordo de harmonia universal, de forma a impedir a sua manifestação insana nas mentes humanas.
Banir o concebível corresponderia a uma castração mental que nos reduziria a uma simples existência vegetal... seria um paraíso de bonecos sem alma.

O longo prazo não se esgota no final dos outros, esgota-se no final de cada um, e esse é um caminho introspectivo.
Quem caminha apoiado na bengala dos outros, esquece que a bengala não é sua.
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De Ana Vidal a 08.08.2013 às 02:34

Da Maia, estou muito longe de considerar-me uma defensora do positivismo. A palavra "final" refere-se ao final dos dois episódios enquanto factos, e não às suas consequências ou à continuidade que possam ter, nos protagonistas ou em quem os observa.
Interessante essa sua tese do domínio do mal inconcebível, anulando-o pela simples recusa de reconhecer-lhe a existência. Mas tem um defeito: fá-lo contradizer-se. Reduzir as possibilidades do universo unicamente ao concebível não será, exactamente, refugiarmo-nos nesse "habitual raciocínio bestial", nessa "castração mental que nos reduziria a uma simples existência vegetal"? A prudência da sanidade, embora útil, não nos limita?
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De da Maia a 08.08.2013 às 06:41

Mas, Ana, essa noção de "facto" é uma ideia casual, no sentido em que ganha existência tanto no campo da realidade que aceita, como noutra que não aceita.
Terá um problema, porque a recusa de aceitar uma continuação limita-lhe a possibilidade de encontrar o nexo. E essa recusa está apenas na sua cabeça, tal como a aceitação de que se tratou de um "facto", e não de eventual notícia falsificável.

É muito bem observado que poderia haver uma contradição naquilo que disse, mas não há. Podemos falar de "homens sem cabeça" para concluir que tal entidade não existe.

Quanto à questão da sanidade... é claro que limita, limita que mais monstruosidades saiam da caixa de Pandora, e fiquem fechadas nas cabecinhas malucas. Já assim, podem ser, e têm sido, muito maléficas...
E limita pouco. Limita, por exemplo, que a Ana que escreveu o texto não coexista com a Ana que não o escreveu.
É desse tipo de monstruosidades que falo... porque há muito boa gente que gostaria de ter tomado outras decisões, e não se importaria de refazer o passado à sua medida.

Tudo tem o seu tempo, e a única coisa que há a melhorar é a compreensão, não apenas de cada um, mas sim de todos... e para isso é preciso aprender a carregar com os outros às costas.

No Mito de Sísifo, o peso que o homem carrega não é apenas o seu, será também o dos outros... só assim ninguém o puxará para baixo de novo.
Só assim se libertará das "leis dos graves"... que o impedem de voar.
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De Pedro Correia a 07.08.2013 às 00:00

Excelentes questões, Ana. Interrogo-me muitas vezes sobre isso.
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De Ana Vidal a 08.08.2013 às 02:36

E não creio que encontres muitas respostas para elas...
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De Pedro Correia a 08.08.2013 às 23:40

Pois não, Ana. Já dizia o poeta: o essencial da vida é fazer perguntas, não é obter respostas.
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De xico a 07.08.2013 às 00:13

Não vou dar qualquer resposta. Nem tentar. Primeiro porque não tenho essa competência, segundo porque aqui não seria fácil. Mas tenho algumas dúvidas sobre o acaso e sobre as probabilidades.
Uma piton numa pet shop numa cidade no Canada, não é um acaso, mas simplesmente uma estupidez, e as probabilidades de um acidente são muitas, ao contrário do que pode parecer. Nenhum selvagem deixaria os filhos dormirem a poucos metros do ninho de uma piton. Infelizmente aqui desafiaram-se as probabilidades, não por culpa das crianças ou dos pais, mas da estupidez de achar que uma piton pode ser um pet e viver junto de pessoas.
Uma mulher grávida, no passado, deitava-se no chão, na cama, numa cadeira, e alguém que fosse buscar a parteira. Mas é uma história com um final feliz. Mas as probabilidades de um acidente eram muitas. Tudo correu bem, já parece o ditado: ao menino e ao borracho... de qualquer forma espelha a nossa sociedade moderna. Onde devia estar mães, tias, vizinhas, amigas, houve um pai a conduzir e duas crianças aflitas e uma mulher só com o seu parto. Da família até à nação passando pela tribo, foi um longo caminho. Agora em poucas horas damos a volta ao mundo, mas o nosso vizinho está tão longe de nós!
Einstein, de qualquer forma, dizia que Deus não jogava aos dados...
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De Ana Vidal a 08.08.2013 às 02:56

Xico, obrigada pela benção do seu pragmatismo! Que é, afinal, uma resposta muito útil.
Quanto ao primeiro episódio dou-lhe toda a razão. Para além de ser uma temeridade e uma estupidez retirar animais selvagens do seu habitat e trazê-los para as cidades como se isso não fosse um risco enorme por si só, parece que neste caso (segundo as últimas notícias) o descuido foi ainda maior, fazendo aumentar exponencialmente as probabilidades de acontecer uma tragédia. Mau exemplo de improbabilidade, afinal.
Quanto ao segundo, dando-lhe também razão no risco acrescido que significa a alteração de comportamentos que refere, a improbabilidade está no balanço do acontecimento: uma família inteira, incluindo uma mulher em pleno parto e um recém-nascido, sai praticamente ilesa de um acidente gravíssimo.
Ou seja, estes ou outros factos menos vulgares (o segundo é mesmo invulgaríssimo) são meros exemplos para nos questionarmos sobre aquilo que, pelo menos aparentemente, não faz sentido nem parece encaixar nos nossos parâmetros de ordem.
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De xico a 08.08.2013 às 09:38

Sempre se pode dizer, um pouco cinicamente, que Deus talvez tivesse feito assim acontecer para que pudessemos estar aqui agora a reflectir no assunto.:)
Um pouco egocêntrico (como se Deus não tivesse mais com que se preocupar...) eu sei, mas valerá a pena procurar respostas? Não é isto que se chama existecialismo???!!!
Afinal, ficarmos felizes com o sucedido àquela famíla talvez seja uma maneira de ultrapassarmos o absurdo desta vida.
Aquele bebé, para além de sobreviver contra todas as probabilidade, foi gerado,também contra grande parte das probabilidades (são muito poucas as pobabilidade de um espermatozóide fecundar um óvulo e resultar). Por isso chamamos o "milagre" da vida! Diríamos, há uns anos atrás, que certamente está fadado para mui e grandiosas coisas! Se quisermos acreditar em fadas.
Eu creio em fadas, duendes e tudo o mais que ponha um sorriso no rosto de uma criança.
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De Anónimo a 09.08.2013 às 11:58

Ri com seu comentário.

Ora lá vai dizendo sobre o cinismo de uma mão Divina sobre um acontecimento prvisívl ora lá vai dizendo que essa mão tem mais o que fazer para se preocupar com coisitas destas. Parece-me que acaba por revelar que o cinismo se adequa a ambas as afirmações, porque parece-me que há sempre uns que sabem mais que outros. Mas ninguém sabe. É esse o problema dos religiosos e dos não religiosos, dos crentes e dos não crentes, dos ateus e dos não ateus, mas todos parecem cegos que pretendem tirar a trave dos olhos dos outros e não aquela que está em seus olhos.

Sobre Deus, permita-me contar-lhe a história dos quatro cegos e do elefante (símbolo de Deus):

Um cego aproximou-se do elefante e tocou em sua cauda, um outro aproximou-se também e colocou-lhe a mão no dorso, o seguinte tocou-lhe as orelhas e o último toca-lhe a tromba.

O primeiro, depois desta experiência, afirmava que Deus era uma corda, o segundo dizia que era uma parede forte, o terceiro dizia que era uma borboleta gigante e o último afirmava peremptoriamente que era uma escada por onde se escorregava.
Repare que todos falavam sobre a mesma coisa, mas sem que tivessem a noção disso.
Existencialismos? Que outra coisa se afigura ao Homem senão a sua própria existência?
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De da Maia a 09.08.2013 às 15:40

Caro Anónimo,

dizer que "ninguém sabe"... pretende revelar uma sabedoria que contradiz a própria natureza da afirmação, assume "que sabe que ninguém sabe"... Ora, "não sabe", em particular, quem diz isso!
Portanto, como compreenderá, é apenas uma opinião, vazia de significado para os outros.

O Homem, para além da sua existência, foi confrontado com noções abstractas intemporais, que não pode negar. Como referi acima, o "número" é apenas um dos muitos exemplos. Portanto, o Homem foi confrontado com a existência de noções que o transcendem, e transcendem o mundo físico.
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De Anónimo a 09.08.2013 às 22:20

Caro da Maia,

Não, a extrapolação é sua. Deve olhar também o comentário resposta que vou fazer ao nosso companheiro Xico. O problema que pretendi focar foi o da Verdade Absoluta (O Todo. O Todo para mim é a soma das partes, mas não posso admitir que uma só parte afirme ser a única que O conhece) e não pôr em causa a Verdade relativa. Esse Deus não pode ser únicamente "medido" pela relevância que detém e pela manifestação que opera num só indíviduo, e isto eu sei. Mas torna-se visível sempre que opera a Transformação no indíviduo. Acontece que acredito que esse Deus não só dá a roupa conforme o frio como também pode ir muito além na cobertura que oferece. Escrevo pelo que vi e conheci, pelo que vi em muitos e pelo que conheci de muitos.
Espero ter precisado o meu comentário. Agora vou ao nosso companheiro Xico.
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De da Maia a 11.08.2013 às 18:59

Caro Anónimo,
no contexto, parecia referir-se claramente a um "ninguém sabe nada", agora parece falar do "ninguém sabe tudo".
Bom, isso encadeia numa retórica que pode levar a "cada um sabe o que precisa de saber".
A completa suficiência do que se sabe anularia o desconhecido, e aniquilaria qualquer propósito futuro. Por isso, considero que a imprevisibilidade tem uma benesse que nos liberta do inferno da previsibilidade total.
Não vejo que esteja muito em desacordo consigo, é mais uma questão de termos, de nomes, e de propósitos. Acho que você não define e é sempre redutor na questão do "amor"... ou seja, quer reduzir tudo a um verbo e a um sentimento.
Na maior abstracção que vejo há pelo menos três noções fundamentais:
- análise, reflexão e síntese.
Na minha opinião, você parece misturar tudo... porque há "amor" na reflexão, no reflexo ao outro, e chega-se lá por sucessiva análise e síntese. Pode chamar a tudo isso, e ao caminho, "amor", mas parece-me que enriqueceria o discurso que não abusasse duma noção pouco clara e que se presta a interpretações diversas, de pessoa para pessoa.

Deixe-me acrescentar um exemplo que me parece ser também instrutivo.
Tem-se verificado que muito poucos são animais que se apercebem que a imagem no espelho é a deles próprios. Há uma falha cognitiva que impede isso.
No caso humano, parece-me haver uma falha educacional (não é cognitiva) quando não nos apercebemos que poderíamos ser o outro. O que vemos nos outros é a nossa imagem pelo espelho de uma outra realidade. Se isso fosse percebido largamente, o caminho para o "amor" ou fraternidade universal seria bem mais simples...
Portanto, não vejo que estejamos em desacordo no essencial da mensagem cristã.
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De Anónimo a 12.08.2013 às 13:55

Meu caro da Maia,

Sim, parece que estamos em sintonia, usando caminhos (palavras) diferentes. Mas o método é o mesmo. Repare bem, sobre Deus Amor e sobre a previsibilidade/imprevisibilidade, se na natureza não existe recompensa nem castigo, porque tudo é CONSEQUÊNCIA, o AMOR, que não é sentimento, mas DECISÃO, é capaz de eliminar o previsível/imprevisível, isto é, a CONSEQUÊNCIA, restaurando-nos a um outro estatuto nunca antes experimentado e, consequentemente, eliminando toda a (im)previsibilidade.
E neste sentido, e somente neste sentido, nós podemos dizer sobre Deus. Porque, em princípio, de Deus não se pode dizer o que Ele é mas o que não É. Se nos fosse possível dizer de Deus o que é, então, Ele não seria Deus. Podemos senti-l´O, tocá-l´O, experimentá-l´O mas de uma forma tão íntima que, tal como o íntimo, não pode ser desenhado. Todavia esta realidade íntima é tão Universal que, aí chegados, nos apercebemos da semelhança uns dos outros e somos capaz de criar laços nunca antes imaginados. Mas faço aqui um pequeno alerta baseado no Evangelho de Tomé: "Aquele que conhece o Todo, se está privado si mesmo, está privado do Espaço Todo." (por isto alertei a Aninha para não adorar a ciência e esquecer-se de si mesma). Para concluir este capítulo, entenda-se que o Sinal do Pai que está em nós é o seguinte: "Movimento e Repouso" (quer tiver ouvidos escute).

Já referi sobre o ser Pessoa, e é a partir daqui que quero entrar na área da evolução. Se por Darwin, e outros, constatamos que a evolução das espécies se deve no essencial à necessidade e capacidade de sobrevivência (por adaptação ao meio), por alterações climatéricas e outros fenómenos que não vou mencionar, também nos damos conta que estas observações são feitas somente ao nível da matéria.
Neste sentido a fase de evolução que se inaugura com o advento de Jesus diz respeito a esta PASSAGEM de ser Humano para ser PESSOA, é isto que Jesus nos revela em paralelo com outras afirmações.
Por isto mesmo, caro da Maia, volto ao evangelho de Tomé que já uma vez abordámos em uma de nossas conferências epístolares aqui no DO. O Evangelho de Tomé não é somente uma obra filosófica, ele mostra-nos mais que isso, melhor, ele ajuda-nos a ir bem mais que isso. Repare na seguinte afirmação do Logion 17:

"Dar-vos-ei o que os olhos não viram,
e o que os ouvidos não ouviram,
e o que as mãos não tocaram
e o que nunca subiu ao coração do homem.".

Porém, que ninguém se desaponte com a dualidade carne e espírito. Repare (Logion 29):

"Se a carne veio a existir por causa do espírito,
é coisa de maravilha:
mas se foi o espírito por causa do corpo,
é a maravilha das maravilhas.
Porém, o que mais me maravilha é como
uma tão grande riqueza pôde habitar nesta pobreza.".

Abraço

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De xico a 09.08.2013 às 17:48

Caro anónimo
Gostei de o ler.
A existência de Deus é, por definição, impossível. Quando provássemos que Deus existia descobriríamos que éramos nós o Deus. Porque nunca a criatura poderá compreender ou medir (que é o que faz a ciência) o criador. Falta-lhe termo de comparação, por isso a ciência é aqui, inútil.
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De da Maia a 09.08.2013 às 21:12

Caro xico,
a sua linha de raciocínio parece boa, mas tem um problema que é não definir o conceito.
Depois, repare, você está a negar a definição de Espinosa, que é inegável.
Espinosa identifica Deus com todo o Universo, logo essa existência fica inegável, e claramente não se identifica com o próprio pensante, a menos que esse negue o tempo e assuma uma postura de vegetal.
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De Anónimo a 09.08.2013 às 22:57

Caro Xico,

Esteve perto do alvo. Se me permite deixe-me ajustar a seta. Se aflorar o meu primeiro comentário, em resposta ao repto da Aninha, sobre a afirmação que faço sobre o Deus Pessoa verificará que isto não é uma figura de retórica. Dei continuidade a isto na dissertação que partilhei sobre o Sacrifício; e nesta concluí que Jesus não é vitima de uma Execução (a dos Romanos) mas da Lei Divina, isto é, do Amor. O Evangelho de João também nos diz que Deus è Amor, e quem diz Amar a Deus e não Amar o próximo é mentiroso. O rapaz era duro nas afirmações.
Ora bem, como Deus é Amor (Deus caritas est) só pode exigi-lo se este nos for dado. Pois o mandamento do Amor só pode ser mandado se antes nos tiver sido dado. Jesus afirmou: "Dou-vos um mandamento novo, amai-vos uns aos outros como eu vos amo". Significa isto que este novo mandamento é uma verdadeira NOVIDADE, porque no dacálogo (nos dez mandamentos) ele não consta. Consta simplesmente amar a Deus e o próximo como a si mesmo, isto em matéria de Amor. Nada nos é referido relativamente ao Amor que ele nutre pelo Homem.
Aqui chegados, compreenderemos que este Amor só é visível e entendido se fôr expresso na Pessoa, sendo Pessoa e expressando-se através da Pessoa este Deus é Homem, Jesus, logo Pessoa. Aqui temos o mistério da Encarnação e o da Nova Criatura e Nova Criação, isto é, o Homem Novo e o Novo Adão.

Todavia permita-me o uso de uma crença Hindu para melhor elucidar sobre este significado de Pessoa. Os Hindus dizem que Deus é ao mesmo pessoal e impessoal. É impessoal no sentido em que a forma infinitamente misteriosa de ser PESSOA difere infinitamente da forma de ser HUMANA, razão pelo qual se define o critério pessoal e impessoal. Esta é uma maneira misteriosa para nós, os Ocidentais, de compreendermos o significado.
Porém eu penso que nós, os portugueses, somos aqueles que melhor entendemos isso, pela seguinte afirmação: Fulano ou Fulana é uma boa Pessoa. Afirmamos isto com o sentido de que esse alguém possui dotes e/ou personalidade diferente do comum Humano. Por outro lado, desculpamos o erro com a seguinte afirmação: Fulano ou Fulana é simplesmente Humano(a), isto é, falível. Fiz-me compreender?

É possível identificar Deus não pelo conhecimento intrínseco de Deus mas de Suas manifestações. E a medição destas intervenções também é feita pela incapacidade da ciência em explicar aquilo que contraria a sua (dela, ciência) própria fórmula. Chama-se a isto milagre, ou seja, o milagre é aquilo que contraria a lei natural. E há muitos vistos e revistos pela ciência.
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De xico a 11.08.2013 às 18:21

Errata: O que quis dizer é que provar a existência de Deus é impossível, e não que a existência de Deus é impossível. Agruras da escrita sem revisão.
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De Anónimo a 09.08.2013 às 12:09

Aninha, a lei da probabilidade é aquela que diz respeito também à improbabilidade dos acontecimentos. Porque a probabilidade admite a improbabilidade. Estamos sempre com fórmulas e equações para tentar responder ou confortar a nós próprios. Se os acontcimentos dos outros nos afectam aquilo que nos afecta não são os acontecimentos, mas o que pretendemos ver neles. É sobre isto que deve canalizar o seu olhar. O pragmatismo é algo que se aplica em todos as dimensões do homem, incluindo a espiritual. Se associar o pragmatismo somnte à dita ciência você está a adorar a ciência e a esquecer-se de si mesma.
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De SSalgueiro a 07.08.2013 às 06:14

Será o desconhecido alguém na penumbra da claridade??.
http://www.youtube.com/watch?v=1od-a_oGtQs
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De Ana Vidal a 08.08.2013 às 02:59

Não sei, mas sei que as canções do Fausto têm sempre muita qualidade. :-)
Mais perguntas, anyway...
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De Equipa SAPO a 07.08.2013 às 09:43

Bom dia,
este post está em destaque na área de Opinião do SAPO.
Cumprimentos,
Ana Barrela - Portal SAPO
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De Ana Vidal a 08.08.2013 às 03:00

Obrigada, Ana.
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De Dinis Lameira a 07.08.2013 às 10:29

Justificar estes acontecimentos através da religião é tão falso como através do acaso.
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De Ana Vidal a 08.08.2013 às 03:02

Diga-nos então que terceiro elemento devemos acrescentar à equação, Dinis. E seja bem-vindo a este mar de perguntas. :-)
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De Dinis Lameira a 08.08.2013 às 10:53

Tudo o que é e tudo o que acontece é a soma de tudo o que estava destinado a acontecer. Uma imensa mas não infinita e simples soma de... destinos. "O tempo é a forma que a natureza encontrou para que tudo não aconteça ao mesmo tempo". O destino não nos é possível de prever. Inferir o destino como pré destino ou como o acaso parecem-me ser compreensíveis falsidades.
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De Dinis Lameia a 09.08.2013 às 10:15

Um facto não poderá ser mais do que o resultado lógico daquilo que lhe deu origem.
O que procura?
Curiosidade? Uma lição? Conforto?
Enfim. Peço desculpa pela verborreia :).
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De Ana Vidal a 09.08.2013 às 12:48

Procuro, essencialmente, encontrar respostas - ou, nem que seja, uma ínfima parte delas - para as perguntas que tenho. Por curiosidade, interesse, fascínio, e sobretudo porque a isso me obriga o facto de ser um ser racional. Nada tem que ver com conforto, porque não persigo nenhum objectivo concreto.
Fascina-me, por exemplo, quem apresenta certezas absolutas sobre assuntos em que só tenho dúvidas, como é o seu caso. Nunca lhe ocorreu que essa infalibilidade, esse grau de segurança nas suas convicções, é muito mais do domínio da fé do que do da racionalidade?
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De Dinis Lameira a 10.08.2013 às 16:55

Pelo contrário, tenho muita fé na utilidade da duvida. Serei o primeiro a admitir estar errado se assim me for demonstrado. Infelizmente este teclado reduzido obriga à economia de palavras e evitei colocar expressões que dêem o lugar necessário à incerteza o que, imagino agora que faça parte do protocolo neste tipo de debate.
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De campus a 07.08.2013 às 17:48

Mas afinal o que tem DEUS a ver com uma cobra de quatro metros que o proprietario da casa onde as crianças dormiam, guardava numa caixa de vidro como animal de estimação ???
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De Ana Vidal a 08.08.2013 às 03:06

A primeira notícia que li sobre este caso não dava conta desses pormenores, Campus. Depois de sabermos tudo isso, não são precisos deuses nem acasos para explicar o que aconteceu.

Esqueça este exemplo, há muitos outros casos de improbabilidade.

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