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Como se liquida um Estado.

por Luís Menezes Leitão, em 29.07.13

 

 

A soberania de um Estado é essencialmente simbólica, pelo que depende da preservação dos seus símbolos. Ora, o que se tem visto nos países que se submeteram a este vergonhoso protectorado é a destruição total dos símbolos da soberania nacional. Os Governos transformaram-se em simples paus mandados dos credores, obedecendo cegamente a qualquer disparate por eles sugerido, mesmo que esteja em causa grande parte da herança cultural de um povo. Em Portugal, o país deixou de comemorar a sua independência e o regime republicano. Na Grécia vai-se paulatinamente destruindo tudo o que resta do Estado grego, transformando o país novamente num território ocupado. Primeiro encerra-se a televisão pública numa noite e agora é a sua orquestra nacional que vai encerrar. Nas lágrimas desta violinista o que eu consigo ver é a alma grega a desaparecer. Ora, nem todo o dinheiro do mundo, venha ele da troika ou de outro lado qualquer pode pagar isto. Apetece citar a velha sabedoria do evangelho: "De que adianta o homem ganhar o mundo inteiro se perde a sua alma?" (Marcos 8:36).

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9 comentários

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De Anónimo a 29.07.2013 às 12:31

Depois das lágrimas seguir-se-á a revolta. É tudo uma questão de tempo.

"Pois que se uniu a mim, eu o livrarei;
E o protegerei, pois conhece o meu nome.
Quando me invocar eu o atenderei;
Na tribulação eu estarei com ele;
Hei-de livrá-lo e o cobrirei de glória.
Será favorecido de longos dias,
E mostrar-lhe-ei a minha salvação."

Final do Salmo 90 (Hebreus 91)

Para que fiqueis atentos, a seguir será o monopólio das sementes (o ciclo já se iniciou) e o domínio dos alimentos básicos:

http://economico.sapo.pt/noticias/wall-street-armazenar-para-mandar-nas-materiasprimas_174347.html

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De cr a 29.07.2013 às 12:52

É mesmo Luis a alma grega a desaparecer, como está desaparecendo a nossa e outras. Restarão as grandes potências, ricas, que vingarão num mundo feito só para eles, não tendo eles povos para subjugar que entretanto terão desparecido, como viverão eles ? espero que se matem uns aos outros.
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De Luís Lavoura a 29.07.2013 às 13:09

Com franqueza, não vejo bem qual é a necessidade ou importância, simbólica ou outra, de um país ter uma qualquer "orquestra nacional".
Há orquestras privadas, que dão concertos onde haja ouvintes para eles.
E há as bandas militares.
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De Miguel a 30.07.2013 às 10:37

"orquestras privadas", hospitais privados, escolas privadas, aviões privados, restaurantes e clubes privados, condomínios privados... penso que entendi!!!
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De Luís Lavoura a 30.07.2013 às 15:33

orquestras públicas, hospitais públicos, escolas públicas, aviões públicos, restaurantes públicos, condomínios públicos... penso que também dá para entender!
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De Anónimo a 30.07.2013 às 19:51

Pois é, Lavoura. O público também é do domíno e benefício privado; e o privado é do domínio público, para compensar perdas. Se quiser discutir assuntos sobre o privado, no domínio público, estou aqui para batermos um papo. Eu que até não tenho nada contra o privado, se for efectivamente privado; mas diga-me o que é privado em Portugal; só se forem aqueles que são privados de tudo para outros não se privarem. Mas podemos colocar aqui outra vertente, que é também o das corporações que julgam que o público é do seu próprio domínio, isto é, privado. Posso dar o mote, por exemplo: justiça e saúde, mas também tudo (espero que não confunda o tudo com o todo) que diga respeito à dita administração pública, que agora tem uns putos a fazer "estágios" bem remunerados. Ouvi dizer que são tecnicamente formados, mas que me parece mal formados (eu sei, é discutível). Espero que compreenda que tudo isto é dito em privado. É só para nós. Veja bem que até os swap são feitos para benefício privado, isto é, para que todos possam usfruir do que é público. Mas paga cá a gentalha, para os privados, não só o capital como também o risco; quem nos manda querer ser públicos? Estou convencido que se isto fosse tudo privado o público andava constantemnte de "carrinho", até deslizávamos mais, ainda melhor do que o que deslizamos agora. É fácil ser privado em Portugal, com um público tão generoso; é fácil ser do público, com o que é privado de tudo, para pagar o público que é do privado e o privado que não é público.
Sabe uma coisa, Lavoura?, andamos armados aos artolas.
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De da Maia a 29.07.2013 às 13:37

Há aquela pseudo-citação remetida a um Churchill em plena WWII sobre cortes:
- Se não for pela cultura, por que lutamos?
Se chegasse ao ponto de pedirem aos gregos para fazerem um McDonalds no Partenon?

Estamos a falar de adolescentes perigosos e amedrontados, que controlam as negociatas globais.
Perigosos, porque são como crianças numa sala de mísseis nucleares, reais ou financeiros.
Têm a possibilidade de brincar com os botões e usam essa chantagem para as suas birras.
Amedrontados, porque tudo corre conforme previsto, sem que nada corra conforme queriam.
Amedrontados, porque todos têm medo de ser julgados pela ira da popular.

Como é óbvio, só há uma maneira de lidar com adolescentes que julgam que perderam toda a estima da família, pelas atrocidades que cometeram... é compreender por que o fizeram.

Por isso, a sociedade só se livra desta praga de energúmenos se tiver compreensão suficiente para perceber por que razão o fizeram, colocando-se na posição reflexiva. Porém, os próprios energúmenos mantêm-se reféns uns dos outros, num pacto de fidelidade perante o desespero do colapso. Afinal, eles sabem perfeitamente que educaram a sociedade para não ser compreensiva nem tolerante com aberrações, por isso o seu destino sempre traçado, é o da última trincheira.
Estamos nesta situação há séculos... e cada vez a trincheira dos desesperados fica mais desesperada, iludindo uma confiança milenar.
Para além de terem a insegurança infantil de sempre, têm agora a certeza de que estão errados, e sabem-no... pelo que vão fazer do erro uma política de afirmação imberbe, pedindo compreensão para erros, ao mesmo tempo que persistem neles.
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De Vasco a 29.07.2013 às 19:32

Qual alma a desaparecer qual carapuça. A senhora pode estar triste com a situação (não duvido), mas os Gregos têm 3000 anos e não é a falência do Estado Social Republicano que vai pôr o País em causa e muito menos a 'alma' grega seja lá o que isso for. Basta não terem lá idiotas a tentar afinar-lhes a ortografia e a 'alma Grega' estará a salvo durante muitos e muitos anos.
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De amendes a 29.07.2013 às 22:05

Lavoura... para quê cultivar tomates... se os há de plástico?

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