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Telefones, rochedos, reys e delírios

por João André, em 19.07.13

A Portugal Telecom deixa de ser responsável pelos telefones fixos e é indemnizada em 33,5 milhões (ou 33,5 mil milhões, não sei como ler a absoluta iliteracia científica dos jornalistas portugueses) de euros. Este valor terá sido um valor 7 vezes mais baixo que aquele que seria o acordado originalmente, claculado como o «número de anos que faltarem para o termo do prazo da concessão [neste caso eram 13 anos], multiplicado pelo valor médio dos resultados líquidos apurados nos cinco anos anteriores à notificação do resgate», o que significa que em condições normais a PT teria resultados líquidos de algo como 18 milhões (ou milhares de milhões) por ano. Pelo que parece, o estado foi forçado a passar este serviço para os privados e, nos concursos, terá arrecadado algo como 12 (mil) milhões de euros mais outro tanto para os postos públicos. Resultado, por um serviço que dá lucros anuais de 18 (mil) milhões, o Estado acabou a pagar 9 (mil) milhões para o entregar a Belmiro de Azevedo (pela Optimus) e a Isabel dos Santos (pela Zon). E sem competição (não competem na mesma região, têm monopólio nas suas zonas). Isto é o equivalente a vender o anel pagando para que fiquem com ele.

 

Depois temos um auto-proclamado Principado da Pontinha a dar autorização ao Presidente da República para entrar no seu território. Em condições normais isto seria apenas um fait-divers para rir. Infelizmente, o gabinete de Cavaco Silva parece ser tão tresloucado como o seu chefe e decidiu reconhecer o edital e carimbá-lo em vez de o mandar para o lixo.

 

Temos então um país com um Presidente que reconhece lunáticos; um Governo que não sabe se o é, com ministros que não sabem o que são e líderes da oposição que não sabem se o são; e obrigado por um grupo de especialiastas do Excel que obriga o Estado a desfazer-se dos serviços lucrativos enquanto paga por esse privilégio.

 

Um bom retrato.


2 comentários

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De jj.amarante a 19.07.2013 às 16:57

Essas decisões do Estado que parecem absurdas são infelizmente perfeitamente razoáveis desde que se reconheça que o Estado Português foi capturado pelos donos de Portugal e pelo capital financeiro internacional. Reconhecendo isso todas estas compras, vendas, concessões e indemnizações passam a fazer sentido.
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De Anónimo a 19.07.2013 às 19:12

Onde se lê "claculado", "especialiastas" deve ler-se "calculado", "especialistas". Shadow

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