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Tresleituras

por José Navarro de Andrade, em 18.07.13

 

A propósito do recém-anunciado encerramento da Livraria Sá da Costa uma venerável critica literária & jornalista cultural recorda o fecho da Livraria Portugal e a sua substituição por uma pastelaria, para imprecar com amargura: “nunca passo pela Rua do Carmo sem um abalo e nunca resisto a desejar que as pessoas que estão sentadas a comer brioches e queques coloridos no lugar onde antes havia um balcão de livros, pessoas que recomendavam leituras, memórias de tanta gente – minhas também – e de uma cidade, se engasguem com as migalhas.”

Em jovem cheguei a supor que os livros e o amor por eles nos tornariam pessoas melhores, mais cultas e cosmopolitas, mais tolerantes e generosas. Mas conforme fui lendo um pouco mais (curiosa contradição), também fui percebendo que as maiores maldades que a humanidade perpetrou foram inspiradas em livros, uns sagrados, outros idolatrados.

Confesso que me impressiona bastante que alguém deseje a infelicidade ou o mal dos outros como forma de compensar a dor que sente. Mas esta cultura do lamento, que tão candidamente a autora expõe, procede de uma ética altiva, em que faz prova de refinamento o sentimento de superioridade intelectual e o despeito pelos miseráveis ignaros que não partilham os meus inteligentíssimos gostos. Todavia, quem diz viver rodeado de bestas talvez devesse ponderar se foi ali parar por engano ou se não fará parte da manada.

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7 comentários

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De Fgh a 18.07.2013 às 18:54

Tem razão: essa indignação é de quem não gosta de ler.
Quanto à Sá da Costa fechar: merecemos isso e muito mais, até à cafrealizqção total
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De rmg a 18.07.2013 às 20:47


As livrarias estão a fechar em toda a Europa (e de um modo geral em todo o mundo) não porque estejamos a ficar mais cafres ou menos cafres mas porque as compras pela internet vieram alterar completamente o mercado .
É fenómeno mais que estudado e conhecido , tanto no Reino-Unido como em França o tema tem sido muito debatido .
A juntar a isso temos as novas tecnologias que até já "anunciam" o fim do livro em papel .

O que se passa com o suporte CD para a música é exemplar , está em total decadência .
Já para não falar dos cinemas , cuja razão de existir já lá vai (até o DVD já viu melhores dias).

Mas a mim o que me chateia mais é que acabo invariávelmente por concluír , em conversa , que os que mais se indignam são os que há mais anos não entravam numa livraria ou num cinema - o que é preciso é criticar , a culpa é sempre "dos outros" .

Conheci muito bem a Livraria Portugal , nos últimos anos até lá entrava todos os dias .
É preciso não conhecer de todo o que era essa livraria no mundo do "livro técnico" em Portugal e aquilo que as compras on-line "lhe fizeram" para alguém se espantar com o seu desaparecimento .

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De Miguel a 20.07.2013 às 21:44

Tenho de concordar.

Para livros não em português, uso o Bookdepository para quase tudo, às vezes o amazon.co.uk também. Só vou mesmo a livrarias quando quero comprar algo de um escritor de língua portuguesa (o que até costuma ser muitas vezes), ou quando há algo em português que não encontro em inglês.
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De Carlos Cunha a 18.07.2013 às 21:19

tsss...a sádacosta vai fechar...ou fechou...
e eu que ia lá...quê...meia vez por ano, talvez... metade das vezes do autor deste post...ou por aí...
e agora, para ver livros que ninguém lê, como é que se faz?
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De Miguel a 18.07.2013 às 23:32

A Sá da Costa vai fechar?

Lamento saber isso, apesar de raramente lá comprar livros. Hoje em dia frequento mais a Pó dos Livros. Mas sempre que subia o Chiado, sentia-me feliz por ver a vetusta livraria na esquina.
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De Moderado a 19.07.2013 às 09:12

Eu tenho pena que feche e, modestamente, parece-me que desejar que alguém se engasgue com as migalhas (repito, ENGASGUE com as MIGALHAS) será, além de irónico, bastante mais suave que desejar que morra estrebuchando.
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De Luís Lavoura a 19.07.2013 às 09:58

Além do mais, é ridículo lamentar o desaparecimento de uma livraria, na medida em que a área total de livrarias não está a diminuir, bem pelo contrário. E as vendas de livros, excetuando muito recentemente, também não têm diminuído. O que acontece é, apenas, que as livrarias se mudam das ruas para os grandes centros comerciais. E, se o fazem, não é por maldade ou má-vontade, é basicamente porque é lá que os potenciais leitores estão.

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