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Assistimos, na passada semana, a um triste espectáculo político em que Passos e Portas fizeram tudo errado. Do primeiro-ministro fica a ideia de uma total falta de capacidade de liderança. Essa é a conclusão que se pode tirar da carta de demissão de Gaspar. Isso é o que resulta de toda a trapalhada que veio a público a propósito da demissão de Portas. Que tipo de líder permitiria que uma situação desta natureza derrapasse para a opinião pública como sucedeu nesta crise? Já no que diz respeito a Portas, o que fica são as ruínas de toda a credibilidade que pudesse ter. A partir daqui, é praticamente impossível construir qualquer proposta política sobre uma reputação tão arruinada. Todavia, o jogo político tem particularidades verdadeiramente surpreendentes. Numa espécie de tacada às três tabelas, a verdade é que António José Seguro acaba por ser um dos mais prejudicados pela tempestade. Vejamos. Se  há coisa que ficou clara para os portugueses, é que a instabilidade política pode trazer consequências desastrosas. Bolsa a afundar, juros da dívida a dispararem e ameaça de descida dos respectivos ratings pelas agências de notação. Durante a crise, Seguro apostou na irreversibilidade da queda do governo e cavalgou estes sinais. Sabe-se agora que foi um tremendo tiro no pé. Se, como tudo indica, a situação política estabilizar nos próximos tempos, os mercados recuperarão, num claro sinal de que é preferível o mau conhecido do que o bom por conhecer. Neste contexto, com que cara continuará Seguro a forçar o cenário de eleições antecipadas, situação que trará evidentemente uma ameaça de instabilidade, até porque não é claro que do acto eleitoral resulte um cenário de clarificação? É óbvio que Passos Coelho e Portas serão duramente punidos em próximas eleições. Mas é também certo que a percepção generalizada é agora a de que é preferível que prolonguem tanto quanto possível o governo que detém o mandato para a actual legislatura. É neste contexto que Passos se assemelha cada vez mais a um Forrest Gump da política portuguesa. Sem qualidades que permitissem prever qualquer tipo de sucesso, lá vai andando. Quanto a Seguro, fica cada vez mais claro que é alguém a quem os portugueses só recorrerão por absoluta falta de alternativa e como solução de último recurso. Para quem esteve tão perto de chegar ao poder durante a passada semana, a lição política que fica pode ser resumida numa célebre frase do próprio Forrest Gump: a vida é uma caixa de bombons e nunca se sabe o que está lá dentro.


12 comentários

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De 10 badaladas a 07.07.2013 às 10:03

Como já foi tudo dito, e mais alguma coisa, direi modestamente que estranho um bocado que perante tudo isto não vá havendo notícia de motins nos partidos do chamado arco. Houve no PS aquele ameaço em que o Costa também se saíu pessimamente e, no CDS, uns vagos rumores, mas nada de batatada a sério, cisões, rasgar de cartões, etc. Uma sensaboria.

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