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Tempo de incertezas

por Pedro Correia, em 05.07.13

 

Alguns nostálgicos do Egipto de Mubarak garantem em blogues que os problemas actuais naquele país se devem à deposição do ditador, em Fevereiro de 2011. É tão absurdo afirmar isto como sustentar que o PREC foi consequência da cadeira mal armada onde Salazar se sentou numa manhã de Agosto de 1968, no forte de Santo António. Não explica nada, não justifica nada, não projecta a menor luz sobre o problema, mas alivia algumas consciências que sentem a irresistível tentação de prever sempre o pior para depois poderem proclamar que tinham razão. Seria mais fácil seguirem a velha fórmula de Vasco Pulido Valente: "O mundo está perigoso." De alguma forma acertavam sempre.

Estas Cassandras sentem a nostalgia de um mundo arrumadinho e cheio de etiquetas, onde era fácil traçar diagnósticos e fazer previsões. Um mundo sem redes sociais, sem internet, sem globalização, sem a "voz da rua" a propagar-se de continente em continente. Um mundo de fronteiras esbatidas, onde o indignado de Teerão pode ser cúmplice do indignado de São Paulo, a multidão tronitruante em Alexandria provoca ecos em Barcelona e os protestos em Istambul se escutam em tempo real em todas as latitudes.

A única certeza que temos é a de vivermos num tempo de incertezas. Gostaria de vaticinar que destes anos tumultuosos que vamos testemunhando sairá um mundo mais livre. A isso me induz a comparação entre 2013 e 1913: o ser humano aumentou em décadas a esperança de vida, foram debeladas doenças epidémicas, a maioria dos habitantes do planeta vive hoje em países democráticos, as generalizadas sombras da guerra deram lugar a inúmeras peregrinações pela paz.

Mas sei bem que a história é feita de linhas sinuosas, não de rectas. Os amanhãs não cantam - talvez até chorem. Devemos estar sempre preparados para o pior.

Depois não digam que não avisei.

 

Imagem: multidão em protesto na praça Tahrir, no Cairo (Foto Reuters, 29 de Junho)

 

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26 comentários

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De Anónimo a 05.07.2013 às 12:51

Meu caro Pedro,

um coração Imaculado para vencer a batalha é primeiramente provado pela dor. A vitória é certa, mas para que nasçam novos céus e nova terra o parto nunca é isento de dor.
Subscrevo sua reflexão.
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De Anónimo a 05.07.2013 às 23:08

Pedro,

pensando que talvez quisesse fazer referência no seu blog, lembrei-me de si para anexar a encíclica do nosso Papa Francisco (Lumen Fidei, que foi escrita a quatro mãos e duas cabeças):

http://www.vatican.va/holy_father/francesco/encyclicals/documents/papa-francesco_20130629_enciclica-lumen-fidei_po.pdf

Bom fim-de-semana
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De Pedro Correia a 06.07.2013 às 15:22

Vou ler, com atenção. Grato pela lembrança.
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De Sol na Cabeça a 05.07.2013 às 13:22

Os egítios deviam obrigar o Egito a sair do Euro.
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De Pedro Correia a 05.07.2013 às 13:47

Segundo os egitólogos, já a Cleótara defendia isso.
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De Carlos Cunha a 05.07.2013 às 14:12

tempo de incertezas?

só para quem brinca aos governos....

http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=3307187
http://expresso.sapo.pt/o-ultimo-conselho-de-ministros-so-os-astros-podem-responder=f818233
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De Pedro Correia a 05.07.2013 às 20:17

Essa merece aparecer na nossa galeria de frases do ano.
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De CeC a 05.07.2013 às 19:24

O que afirmas tem toda a razão de ser, Pedro. O passado recente que promoveu a globalização noticiosa assim como, com inclusão das redes sociais, uma mescla - que apesar de tudo não será sempre construtiva - de globalização ideológica. Acontece que será precisamente nessa última questão que toda a estrutura benéfica, que poderia existir, descamba.

A própria questão da Primavera Árabe foi um excelente exemplo. Aliás, recordo-me do quanto me desagradou comentadores Ocidentais a comentarem dito acontecimento; vaticinando a 'criação' e propagação da Democracia no Mundo Árabe. Acontece, no entanto, que essa ideologia politica standard não encaixa, de modo algum, nos dogmas da cultura Árabe. O próprio Wadah Khanfar, presidente do "Fórum Sharq", escrevia em 2012: "It is past time for the West to accept the Arab people’s will and to stop exaggerating the repercussions of change. The West must support genuine democracy in the Arab world. If the Arab Spring is aborted, the result will be not dictatorships that are loyal to the West, but rather, a tsunami of rage that will spare no one."; o que se veio a provar, tendo sido eleito na Tunísia o Ennahda, na Turquia a JPD, no Egipto a Irmandade Muçulmana, etc., tudo partidos - excepto no caso do Egipto - que apesar das bases Islamista afirmavam procurar, dentro do possível, a aproximação ideológica à de Estados Laicos.
O Egipto, por outro lado, tendo feito a sua escolha, há menos de um ano, apenas voltou a confirmar a sua própria ingerência. Digamos que juventude influenciada, Democracia desvirtuada e uma pitada algo contrastante de pan-islamismo, deu os resultados esperados.
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De Pedro Correia a 05.07.2013 às 21:59

Mas, CeC, o discurso de que a democracia é incompatível com certas regiões e culturas já foi escutado noutros tempos. Não faltou quem dissesse, até meados do século XX, que os países latinos, do sul da Europa, não estavam preparados para a democracia. Isso ouviu-se também, até à década de 80, em relação aos povos da América Latina e aos europeus que se encontravam do lado de lá da Cortina de Ferro. Até à década de 90 não faltou também quem jurasse o mesmo em relação aos povos africanos - e apesar disso há hoje democracias relativamente saudáveis em África.
O caminho faz-se caminhando. Não em linha recta, claro. Esse "determinismo histórico", de raiz hegeliana, é enternecedor mas não passa de ficção.
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De MM a 05.07.2013 às 23:16

"...democracias relativamente saudáveis em África."
Onde? Em que planeta vive o comentador Pedro Correia?
-A natureza humana por si só não aceita a democracia. Há sempre uns poucos que querem impôr a sua vontade e privilégios sobre os demais, acumulando poder sobre os alimentos, territórios, minérios, dinheiros, e nos próximos séculos os medicamentos e as tecnologias essencias à vida humana.
-A organização das estruturas familiar/social/política africanas abominam a democracia. E olhando para a história da Europa vejo que a democracia é uma utopia. Temos "democracias orientadas", com povos mantidos na ignorância e assim manobrados facilmente por um punhado de espertalhões.
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De Anónimo a 06.07.2013 às 02:21

MM,
democracia é uma forma de governo em que o poder de tomar importantes decisões está nas mãos dos cidadãos de uma qualquer comunidade.
Significa isto que a democarcia pode ocorrer num sistema tribal, quer nos sistemas tribais antigos europeus quer nos sistemas tribais africanos, quer num sistema monárquico, quer republicano, presidencialista, parlamentarista.
Aquilo que o MM escreve é o que desvirtua ou descaracteriza a forma de governar, mas não é a essência da democracia.
Estes métodos, usados um pouco por todo o mundo, referem efectivamente essa capacidade de subjugar a interesses corruptos e corruptores, porque se beneficiam pessoas e ou grupos (corporações) em detrimento do todo, os interesses de uma nação, mas, uma vez mais, não significa isto que esta seja a substância do viver democrático.
O modelo democrático não faliu, ele ainda está aí para ser implementado, mas necessário é limpar as estruturas mestres de uma sociedade (onde se inclui a justiça) de modelos e conceitos que impedem a harmonia social.
Por outro lado, pensa-se, erradamente, que o modelo democrático deve ficar refém de interesses partidários e ou presidenciais, e que este modelo se esgota em actos eleitorais retirando posteriormente da esfera das decisões a presença e vontade dos cidadãos.
Geralmente quem assim pensa, e são muitos a pensar assim, tem a tendência para julgar-se a consciência da nação, pnsando que aquele acto soberano de pensar e agir do cidadão, através do voto, que lhes confere o dever de representatividade, se torna incapaz e ineficaz em outras matérias de importância nacional, internacional e/ou local.
Na realidade os povos não estão na condição que indica, isto é, de ignorância; simplesmente temos assistido a abusos de confiança, porque é um abuso de confiança e consequentemente um crime este abuso de confiança, em que alguns um pouco por todo o mundo cometem fraudes em seu próprio benefício e de uma pequena pandilha que se lhes agrega.
Para tal, a meu ver, é de extrema urgência criar-se um tribunal de júri, com escolha aleatória e participação obrigatória de cidadãos ou fregueses que administrem conjuntamente com o(s) juíz(es) a justiça, retirando assi, a possibilidade da justiça ser transformada numa roleta russa, fazendo depender da convicção de um qualquer indíviduo que até é juíz a decisão de um julgamento. É um absurdo que a decisão de pronúncia de uma situação dependa da convicção de alguém; tem de haver muito mais para além disto. A título de exemplo: Hitler também agiu por convicção, agindo muito mal, mas com a certeza que estava certo nos métodos que usava e nas leis que promulgava.

A democracia é como um lego, surgem sempre novas peças, arquitecturas e edificações. Tudo depende da imaginação de quem a constrói.
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De Pedro Correia a 06.07.2013 às 15:26

Gostei muito dessa reflexão, anónimo(a): tenho pena que não tenha deixado aqui um nome ou um pseudónimo. Com toda a probabilidade seria eleito o Comentário da Semana aqui no blogue.
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De Pedro Correia a 06.07.2013 às 15:28

Ao leitor MM: penso em alguns países africanos que vivem em sistemas democráticos. Imperfeitos, como todos os sistemas políticos, mas que merecem todo o crédito. Penso na África do Sul, o mais próspero país do continente - herança política do génio de Mandela. Mas também na Namíbia, por exemplo. Ou num país de que gosto muito e que nos diz tanto: Cabo Verde. Com uma democracia já considerada exemplar pelas instituições internacionais.
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De MM a 06.07.2013 às 20:31

Quando puder, o Pedro Correia vá visitar esses países democráticos que nomeou, não como turista mas como residente pelo menos durante 1 ano vivendo como um cidadão local. E não adie muito a visita à Africa do Sul.
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De Pedro Correia a 06.07.2013 às 20:45

Obrigado pela sugestão, MM. Aliás esse deve ser um princípio geral: devemos estar sempre informados e actualizados sobre o maior número possível de temas. Mas devo dizer-lhe que conheço bem Cabo Verde e tenho familiares muito próximos a viver na África do Sul.
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De MM a 06.07.2013 às 20:25

O conceito de democracia com o Homem (com maiúscula) actual continua uma utopia. Há países que conseguiram desenvolver sociedades mais próximas da democracia que define no seu comentário. Através do investimento na educação de várias gerações, a Noruega, Islândia, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Austrália e Nova Zelândia, implementaram uma responsabilidade civil com direitos e deveres bem definidos e o respeito pelas instituições que gerem a sociedade. Mas repare que estes países têm uma proporção população/(território+recursos) pequena (consulte os indíces na www.eiu.com). São países ricos em recursos que alimentam essa organização social que mesmo assim ainda não corresponde à definição da democracia no seu comentário. Nesses países ainda há sectores das populações que estão afastados da vida política e económica. Na tentativa de globalização do sistema democrático na Europa temos a União Europeia onde os recursos e os territórios e a gestão destes se associam. Mas a maioria dos cidadãos europeus continuam ignorantes quanto às regras de gestão desses recursos e territórios e quanto às suas responsabilidades, direitos e deveres, e não me refiro somente aos portugueses. A burocracia é imensa quando tentamos aceder a essa informação e parte dela não chega ao cidadão comum. Estamos a viver as consequências do desrespeito pelas regras que supostamente possibilitariam uma união democrática. O conceito de democracia e a sua aplicação prática será possível, quem sabe, daqui a uns séculos com um novo Homem, se investirmos mais na educação para a cidadania.
Mas tenho a certeza que os tempos vindouros serão sempre de incertezas.
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De Anónimo a 07.07.2013 às 13:03

MM,
pelo seu comentário verifico que já há uma conversão no seu modo de pensar. Afinal não está em causa a democracia, mas o que falta complementar. É precisamente isto que dava conta em meu comentário.

Citou em seu comentário o exemplo de alguns países e refere a proporção dos recursos à população , mas gostaria de dizer-lhe algo mais: Nesses países, e particularmente na Finlândia, que saiu de uma situação de extrema pobreza. a fórmula foi a seguinte: "todos somos poucos, por isto mesmo ninguém pode ficar de fora".
Esta fórmula contrasta com outros modelos ditos democráticos, mas não porque a sua população fosse altamente habilitada e ou informada. Foi a partir desta fórmula que assistimos ao progresso do modelo democrático nórdico.
Já uma vez aqui, no blogue do Pedro, partilhei o meu conceito de utopia com um outro comentador, foi este: a utopia está para a acção social da mesma forma que a experimentação está para a ciência. Foi isto a que assistimos nos países nórdicos, mas que necessitam evoluir.
Sobre o fenómeno da globalização devo dizer-lhe que ele não reside na globalização do modelo democrático, mas sim do modelo oculto do capitalismo sem rosto que se iniciou nos anos 70 (71/72) com a crise do petróleo, onde, por exemplo, o valor monetário deixou de estar indexado ao padrão ouro (muito mais há a discutir sobre este pormenor) para se introduzir o quantitative easing. Significa isto que o valor concreto do seu trabalho, expresso pelo dinheiro que aplica, ganho concretamente e com o padrão do sacrifício, é convertido num papel de valor virtual, visão própria de uma mente social esquizofrénica que a Europa e outros países pretendem adoptar. Devo dizer-lhe que este conceito tem progredido essencialmente nos círculos académicos e noutros círculos ditos de cultura, educação e informação.
Significa isto que o que está em causa é precisamente o modelo educativo e informativo e não a dita ignorância da população. Está em causa a ignorância que grassa pelos sistemas de educação tal como se apresentam hoje em dia. Os cidadãos deram-se conta deste embuste e, hoje, reivindicam uma nova atitude.
Uma das causas da ignorância de nossos sabichões reside precisamente na total ausência do conhecimento filosófico e antropológico (nos diversos domínios da antropolia) e, consequentemente, na incapacidade de interrogar e de se interrogar: Quem sou eu? Quem é o Homem? Qual a minha raíz e qual o meu destino? Qual o sentido de minha vida?
Abraço


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De CeC a 06.07.2013 às 19:53

Gostava de acreditar nesse progressismo, Pedro, mas, verdade seja dita, não consigo antever melhorias, evoluções, adaptações, etc., que ofereçam essa capacidade uno entre uma ideologia politica que obriga à participação activa da população e o seu a posteriori alheamento ou irresponsabilidade - pois, de facto, é esse o comportamento que ocorre e irá sempre ocorrer, um estranho behaviourismo de direitos vincados e de deveres esquecidos.
Pensemos, até, nos casos que fizeste referência, sendo todos eles bastante significativos na sua essência singular. Os países do Sul da Europa que de forma inata contaminam essa noção de Politeia com demagogia; os sul-americanos, com o populismo hiperbólico; os africanos que transformam o vislumbre de estabilidade em guerra civil (Mali será um exemplo incontornável, primeiro com a Revolução de 1991 e depois com o Golpe de Estado de 2012 e a rebelião tuaregue).

A certa altura dou por mim em dúvida: será isso democracia falhada ou, de um modo algo mirabolante, uma personalização, aliando e modelando conceitos filosófico-políticos a traços concretos de culturas especificas.

PS: uma estrela ao texto do(a) Anónimo(a); foi muito bem conseguido.
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De Pedro Correia a 07.07.2013 às 22:26

A história é feita de linhas sinuosas, CeC. A linha recta faz parte dos contos de fadas. E dos filmes de Walt Disney.
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De AEfetivamente a 07.07.2013 às 12:50

Concordo em absoluto com o que diz aqui, Pedro ( e com o post). As pessoas têm memória curta. Parece que viveram sempre na mais perfeita das clarezas e das dignidades, é incrível. Que foram sempre evoluídos. Discordo totalmente de que as regiões ou religiões sejam incompatíveis com o que quer que seja, há uma coisa chamada evolução. E outra chamada tempo. De cada um, a cada um. Que pode não ser simultâneo, por um conjunto variado de razões. O "ocidente" não é perfeito, há muita coisa interessante e boa a acontecer a leste, a oriente, a sul. Que gente incrédula, pessimista. Pode sempre piorar, claro. Ou, pasme-se, não.
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De Pedro Correia a 07.07.2013 às 22:24

Sintonia, AE. Sintonia.
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De JSP a 05.07.2013 às 22:23

Já ninguém recorda o discurso de Junho de 2009 , no Cairo, debitado pelo palhaço da Casa Branca?...
Uma infâmia - e uma traição.
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De Pedro Correia a 06.07.2013 às 15:24

Sei que agora é moda chamar palhaço aos presidentes, mas não alinho em modas - e muito menos nessas. Se está a referir-se à intervenção de Barack Obama no Cairo, considero esse um dos melhores discursos que já ouvi, em todos os tempos, a um responsável político.
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De lucklucky a 06.07.2013 às 19:57

O Egipto teria de passar por isto, ditaduras nacionais socialistas como Mubarak & Co. não duram para sempre.
Pode dar resultado ou não.

É bom lembrar que uma Democracia pode ser bem menos livre que uma Ditadura.
Com a destruição das Republicas estamos a ver isso cada vez mais.
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De Pedro Correia a 06.07.2013 às 20:43

De acordo. Uma democracia pode ser menos livre do que uma ditadura. Em casos muito pontuais, mas tem acontecido. Isso não nos deve fazer defender ditaduras, naturalmente.

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