Trinta Anos e Oito Dias Depois
«Sem estabilidade e continuidade governativa não é possível disciplinar e aumentar a produção nacional, acumular a riqueza necessária ao investimento privado ou público, pôr termo aos elevados défices do Orçamento Geral do Estado e das Contas com o exterior; sem estabilidade e continuidade governativa não é possível extinguir ou sequer reduzir o endividamento externo, combater a inflação e o desemprego, proporcionar aos portugueses habitação, ir em auxílio dos reformados, dos pensionistas, dos doentes, dos inválidos e dos deficientes, tornar mais promissor o futuro dos jovens, etc; enfim, sem a estabilidade e a continuidade governativa não é possível elevar o nível de vida do povo português»
Carlos Alberto da Mota Pinto (1936-1985)
[Discurso de tomada de posse como Vice-Presidente do IX Governo Constitucional, conhecido por 'Bloco Central', 24 de Junho de '83]
Há outros, mas tem-me ocorrido Mota Pinto, homem que detinha já uma carreira académica sólida quando iniciou actividade política. Foi cooptado pelo PPD logo na sua fundação, tornou-se líder parlamentar durante a Constituinte. Desentendeu-se e reentendeu-se com o partido algumas vezes ao longo dos anos, foi ministro, primeiro-ministro. Impressiona-me particularmente o ter aceite, depois de disso, a vice-presidência de um governo de coligação com o PS, em circunstâncias tão adversas como as que acompanharam a intervenção do FMI.

