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A derrota em toda a linha de Nuno Crato abre pistas de interpretação do futuro próximo. Se alguma dúvida houvesse, estão identificados os alvos prioritários do ajustamento no sector público: os pensionistas e os contratados a prazo. As razões são simples. Os pensionistas não têm estruturas representativas enraizadas na sociedade, não podem fazer greve e não atiram pedras em manifestações. Os contratados a prazo são a última das preocupações na agenda dos sindicatos e serviram, na educação mas também em outros sectores, de moeda de troca sistemática das reivindicações sindicais, ficando sempre a perder. Estava escrito que um governo politicamente inepto como o de Passos Coelho acabaria mais cedo ou mais tarde por direccionar-se para os que não lhe podem fazer frente. E estava escrito que no final ganhariam (ou perderiam menos) os que têm como objectivo final a defesa dos direitos adquiridos. Dos interesses dos insiders sobre os dos outsiders. Neste contexto, não servem as explicações da realidade que recorrem à luta de classes. Está na hora de darmos as boas-vindas aos tempos da luta de gerações sendo que, ao que parece, esta tem um vencedor anunciado. A greve geral de hoje é apenas mais um episódio deste tempo histórico.


8 comentários

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De IsabelPS a 27.06.2013 às 11:29

A derrota de Crato???
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De lucklucky a 27.06.2013 às 12:01

É luta de classes é: Entre o Estado e o seu cartel, político-"educativo" e quem o controla e o resto das pessoas.

Sempre foi assim. A corda parte sempre por aqueles que não pertencem ao Estatismo.
Com o Estado a ter cada vez mais poder e a secar tudo à sua volta ainda fica mais fácil.

Como se descobriu pela enésima vez o Ministério de Educção Política e a Escola Política oops! "Publica" existem para servir os Sindicatos.
E como entregar uma criança a semelhante organização deveria equivaler a maus tratos e falta de cuidado dos pais e como o regime socialista não permite a Liberdade ... as pessoas abstêm-se de fazer filhos também por essa causa. Depois desta notícia esperam-se relevantes resultados na taxa de natalidade nos próximos anos.

Já chegou aos ouvidos do WP hecatombe da natalidade...
http://www.washingtonpost.com/world/portugals-baby-bust/2013/06/10/487cc680-d1c5-11e2-a73e-826d299ff459_gallery.html#photo=1

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De jo a 27.06.2013 às 14:57

Isto de considerar que os não se pode lutar por direitos se eles já foram adquiridos é um pouco estranho.
Ninguém nega o direito de existir a um blogue chamado Delito de Opinião. Imaginemos que algum governo ou organização proibia a existência do blogue Delito de Opinião. No momento em que os seus subscritores se queixassem de censura podíamos sempre dizer que eles estavam a defender direitos adquiridos, logo não tinham razão. Claro que dito assim parece um disparate. Mas tente ver que direitos estão em causa nas lutas laborais:
Direito a um salário justo.
Direito ao salário de um trabalhador não poder ser diminuído arbitrariamente pela entidade patronal.
Direito ao horário de um trabalhador não poder ser definido após o início do contrato unilateralmente pela entidade patronal.
Direito ao bom nome e a não ser caluniado pela entidade patronal.
Direito a trabalhar no local de trabalho para que foi contratado e a ser indemnizado pelas despesas decorrentes de deslocalizações arbitrárias.
Direito a não ser o único a pagar pelos erros de gestão que lhe são alheios.
Direito a conhecer com uma antecedência razoável das alterações inevitáveis do seu estatuto.
Direito a não ficar sujeito ao arbítrio da chefia em questões não laborais sob pena de despedimento.
Direito a saber quando lhe são pagas as prestações devidas pelo seu trabalho, incluindo prémios e subsídios.
Direito a progressão na carreira e não a congelamentos arbitrários.
Do ponto de vista específico do ensino:
Direito a ter um número de alunos e de turmas razoável que lhe permita um acompanhamento minimamente eficaz (os 30 alunos por turma do ministro Crato são a forma mais curiosa de defender o ensino de qualidade que se conhece).
Direito a ter o seu trabalho limitado a ensinar e não a ser obrigado a prestar assistência social por falência do Estado nos seus deveres.
Direito a ter diretivas de trabalho claras e não currículos, organização de locais de trabalhos e programas a serem mudados todos os anos.
Direito a ver pelo menos uma destas mudanças ser implementada o tempo suficiente para se perceber o que está bem e o que está mal, antes de vir outro ministro iluminado que muda tudo e tudo volta ao início.
Repare se dermos nomes aos direitos e não lhe chamarmos só adquiridos a perspetiva é outra.
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De Palha d'Aço a 27.06.2013 às 15:10

Mesmo assim, vou gostar de ver os outros funcionários públicos a quererem que lhes aumentem o horário de 35 para 40 horas semanais mediante um acréscimo de 5 horas semanais em casa.
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De jo a 27.06.2013 às 16:23

Labora em dois erros:
Primeiro o facto de os professores não quererem que o seu horário seja aumentado unilateralmente não quer dizer que aumentar o horário dos outros unilateralmente seja uma coisa correta. Parece um sadomasoquista a queixar-se de que as pessoas não gostam de ser espancadas.
Se acredita que o governo não vai aproveitar a folga dada pelos sindicatos para aumentar o horário letivo então ainda acredita no Pai Natal.
Se o ministério não quer que os professores trabalhem em casa só tem de lhes proporcionar um local de trabalho onde possam estar as 40 horas.
Só quem nunca deu aulas é que acha que um horário letivo de 22 horas não é desgastante.
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De Palha d'Aço a 28.06.2013 às 10:02

Por acaso, os erros em que "laboro" até já tinham tido as primeiras manifestações:

http://economico.sapo.pt/noticias/funcao-publica-exige-o-mesmo-tratamento-dos-professores_172068.html
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De Luís Lavoura a 27.06.2013 às 16:53

Não vejo por que é que afirma que Crato foi derrotado.
A verdade é que, desde o primeiro momento, logo que o governo anunciou a sua intenção de despedir funcionários públicos, Nuno Crato afirmou que iria implementar expedientes com o fim de que isso não acontecesse no setor da educação.
Ou seja, desde o princípio que Crato quis evitar despedir professores.
Nessa medida, não houve luta nenhuma, nem derrota nenhuma. Crato e os professores estiveram de acordo desde o primeiro momento.
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De António M P a 28.06.2013 às 03:15

Eu, reformado, só tenho a ganhar com a contestação às políticas deste governo, venha ela dos jovens, dos funcionários públicos ou dos sindicatos. Se o Governo cair, cai para todos.

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