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Subsídios para call-centers

por João André, em 24.06.13

Leio no Público (via der Terrorist) que Nuno Crato está a pensar em benefícios para as empresas que contratem doutorados. Para um governo que se anuncia liberal, isto é de rir. Para socialistas de cartoon (como imaginados por alguns dos nossos comentadores ultra-liberais), isto seria um sonho. a realidade é mais complicada.

 

José Simões já falou da forma como estes subsídios servirão apenas para continuar a contratar doutorados para trabalhos pouco classificados enquanto que o dinheiro extra vai para o bolso das empresas. Só que isto não advém (apenas) de qualquer ganância corporativa, antes do facto de, independentemente dos subsídios, ninguém no seu perfeito juízo ir contratar uma pessoa com doutoramento quando não há tabalho para lhe dar.

 

As dificuldades ao nível da contratação dos doutorados não é financeira por si. Muitos estariam plenamente satisfeitos em receber os salários do grau abaixo, desde que isso significasse ter algum tipo de trabalho. O problema está entes no facto de as empresas em si não verem qualquer vantagem em ter alguém com doutoramento nos seus quadros. Os doutorados continuam a ser vistos como os tipos de bata branca e óculos que se sentam em bancadas de laboratório o dia inteiro e desenvolvem protectores solares quando lá fora está a chover.

 

Enquanto as empresas não virem aquilo que um doutorado pode trazer, os subsídios de nada adiantarão. Especialmente porque os maiores custos seriam materiais, para o desenvolvimento do trabalho desse doutorado.


15 comentários

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De José Catarino a 24.06.2013 às 13:32

Acrescento: há doutorados e doutorados, doutoramentos e doutoramentos -- que proliferaram nos últimos anos. Muitas teses de licenciatura de há três décadas são incomparavelmente melhores do que teses de doutoramento recentes na mesma área. Conheço doutorados a quem dificilmente alguém daria trabalho; em certos casos, nem da tese que supostamente fizeram são capazes de falar.
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De João André a 24.06.2013 às 14:28

Também é verdade. Uma vez que as licenciaturas de há 3 décadas eram tão difíceis de atingir como os doutoramentos actualmente, não me espanta que a qualidade de quem os obtivesse fosse semelhante (ou até superior na altura).

A grande diferença está no tipo de trabalho feito para uma tese de doutoramento ou de licenciatura. O trabalho de doutoramento é habitualmente um trabalho original enquanto que a tese de licenciatura serve essencialmente para avaliar o grau de conhecimento sobre um tópico e não é ncessariamente original (embora o possa ser, claro está).

A qualidade dos doutoramentos é naturalmente algo a ter em conta: há uma velha piada sobre o coelho que escreve a sua tese de doutoramento com o tema de "Coelhos como predadores de ursos". Um urso ri-se do assunto, vem o orientador do coelho, um leão e mata o urso. A moral é a de que não interessa o tema, apenas quem é o orientador.

Mas mais que a qualidade também está em causa a forma como o doutoramento é feito. Na Alemanha o aluno de doutoramento (em engenharias, lamento mas é o que conheço melhor) é essencialmente um gestor de projecto cujos estudantes fazem o trabalho prático. Na Holanda o doutorando passa a maior parte do tempo no laboratório. Em Inglaterra o doutorando não pode usar o trabalho dos alunos na sua tese e tem apenas 3 anos para completar o doutoramento (contra os habituais 4 noutros países). Tudo isto leva a enormes disparidades.

Aquilo que se pode dizer que é constante é o seguinte: um aluno de doutoramento está (excluindo alguns casos) perfeitamente habilitado a conduzir e gerir investigação científica na sua área de conhecimento. O diploma de doutoramento normalmente não mais significa que isto.
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De rmg a 24.06.2013 às 15:00


E eu acrescento ao que José Catarino acrescentou .

As coisas não são hoje necessáriamente melhores nem piores , não é caminho pelo qual eu siga alegremente pois toda a vida trabalhei na indústria e muito pouco tempo sentado a uma secretária , sei o que é uma empresa (aliàs sei o que são várias empresas e em 4 distritos diferentes do país).

Mas tirei uma licenciatura no IST há mais de 40 anos e fazer uma tese implicava um esforço maluco de pesquisa para os padrões actuais , era preciso andar de biblioteca em biblioteca , que o Google da altura eram umas vagas dicas ouvidas aqui e ali .

E não havia dezenas e dezenas de cursos que só servem para fazer "doutores e engenheiros" mas cujas saídas profissionais são mais que vagas , aqui ou lá fora (lá fora também , tenho filhos que o tentaram e são dos que pouco se atrapalham) .

Repito que não está em causa o mérito ou demérito dos cursos , das pessoas que os tiram ou dos professores que os ministram .
Está em causa que o mundo mudou muitíssimo e cada vez mais sinto que pouca gente se deu conta disso ou , pior ainda , se quer dar conta disso .

De resto estou de acordo com o seu post , as empresas nunca (mesmo nos "good old days" !) quiseram ter doutorados nos seus quadros se não precisassem deles para trabalhos a condizer com a respectiva formação .

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De João André a 24.06.2013 às 15:40

A questão da pesquisa é pouco prática. No meu curso cheguei a ter trabalhos de pesquisa bibliográfica que me obrigaram a dias inteiros, das 8 às 20, de nariz enfiado nos jornais científicos a percorrer artigo atrás de artigo, e que no meu doutoramento me demorariam um par de horas. E não é uma questão de Google, há ferramentas bem melhores que essa.

Pessoalmente não falo das «dezenas e dezenas de cursos que só servem para fazer "doutores e engenheiros"» porque essa discussão parece-me inútil. É um facto incontestável que quanto melhor uso um país faz dos seus profissionais com educação superior, melhor se consegue desenvolver (eu falo frequentemente de ciências naturais e engenharia, mas poderia falar também de outras áreas). Se há sempre excepções (onde não os há?), a regra é cumprida. As empresas com melhor uso de doutorados (não necessariamente com maior número) têm habitualmente melhores desempenhos.

Saídas profissionais vagas não é mau, antes pelo contrário. Tenho colegas de doutoramento que são hoje engenheiros de processo, producção, produto, estão em marketing, são gestores (frequentemente com pouco contacto com a sua área de especialização), estão na ciência ou ficaram na academia. Há de tudo um pouco. como escrevi acima, um doutoramento não significa que agora a pessoa tenha que fazer investigação na área em que fez o doutoramento, apenas que é uma pessoa que aprende depressa e bem (regra geral) e é capaz de inovação. Isto, só por si, já deveria ser razão suficiente para o nosso mundo empresarial investir um pouco mais nos doutorados. Nossos ou doutro lado qualquer.
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De rmg a 24.06.2013 às 17:15


O problema da net é que conversas interessantes ficam pelo caminho .
Eu não sei qual é a sua experiência concreta e o João André não sabe qual é a minha , virmos para aqui falar disso é que é inútil pois neste mundo daqui as pessoas tendem a não acreditar em quase nada do que os outros dizem .

Concordei em grande parte com o post original mas não sei o que lhe dizer agora : tudo o que diz já era assim há 40 anos , sempre foi e eu "não sou tão burro como pareço" .

De resto não percebo bem porque é que acha inútil falar da minha afirmação que citou .
Cursos de engenharia ou de medicina "a sério" (por exemplo) têm saída em qualquer parte do mundo e não era óbviamente a esses que eu me referia .

Talvez eu estivesse ultrapassado na visão destas coisas se não tivesse 4 filhos , entre os 35 e os 43 anos , que lhe garanto que não o estão de todo ...

95% das nossas empresas são microempresas ou pouco mais que isso , geridas por pessoas muitas vezes com limitações efectivas .
É chato mas é o que é , o resto são boas intenções e ideias bonitas , sejam minhas , sejam suas , sejam do ministro .
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De João André a 25.06.2013 às 12:07

Meu caro, não pretendo minimamente menosprezar qualquer parte do seu comentário, penso que o problema foi eu não me ter exprimido de forma correcta. Aquilo que eu quis dizer com o comentário do "inútil" é apenas o facto de as discussões caírem nos cursos que "não servem para nada". Esses existem e sempre existirão. Existirão para governos criarem lugares no ensino superior e cumprirem promessas, para as universidades públicas dizerem que têm mais alunos e assim pedirem mais dinheiro, e para as universidades privadas poderem sorver mais dinheiro a famílias pouco avisadas. O que me interessa é falar do ensino superior em geral, o qual é útil, tem uma (vasta) maioria de cursos que tem utilidade (mesmo que não seja imediatamente óbvia para outros) e serve para avançar o país. É só por isso que usei o termo "inútil" para esta discussão específica.

Quanto à comparação com há 40 anos, discordo pelo simples facto de hoje em dia o acesso ao ES ser mais aberto. Talvez o meu amigo, se estudasse hoje, acabasse a ser doutorado em vez e "apenas" (não pretendo minimizar os seus estudos, atenção) licenciado. O que é certo é que será hoje mais fácil para um qualquer jovem obter um doutoramento do que seria há 40 anos entrar simplesmente para a universidade. Para mim isso é progresso, mas para o usarmos temos que ter um país (não falo do estado) que saiba aproveitar esses recursos humanos.

Já os cursos "a sério" como os descreve, não têm necessariamente saída. Pelo menos em Portugal. Os meus colegas de engenharia química continuam a lutar por encontrar emprego (quando o encontram) e até engenheiros mecânicos ou civis têm problemas. E os médicos começam a tê-los.
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De rmg a 25.06.2013 às 13:33


Muito agradeço o seu comentário .

Estou totalmente de acordo com os seus 2 primeiros parágrafos ainda que o acesso ao ensino superior há 40 anos fôsse mais fechado por razões ligadas a aspectos sócio-económicos das famílias do que pela dificuldade em entrar via a evolução no liceu .
Claro que hoje seria doutorado como equivalente aos 6 anos que andei no IST , também aí estamos de acordo .

Mas olhe que os cursos "a sério" (não quero ser mal interpretado ...) também não tinham tanta saída como isso naqueles tempos em que o país ainda crescia e havia uma indústria - que era o que era - mas havia .
E agora não há .

Eu também sou engenheiro químico e reconheço honestamente que tive sorte profissionalmente e fiz por tê-la (por esta ordem).
Mas metade dos meus colegas de há 43 anos viram-se aflitos na altura e acabaram a dar aulas , a entrar para comissões reguladoras e outras que tais , a trabalhar em repartições variadas como administrativos "ligeiramente graduados" , a entrar no mundo na altura novo das empresas de informática .
E nessa altura este tipo de situações , mais evidente em Química , não deixava de ser um pouco transversal , em especial ao curso de Civil .

Há um pouco mais de 20 anos , e por razões ligadas a uma doença prolongada do responsável , vi-me durante 2 anos a "coordenar interinamente" com frequência uma comissão de especialidade da Ordem e dei-me conta de todo um mundo que a minha vivência estritamente empresarial e industrial não me tinham permitido ter .

Claro que temos que ter um país (e não só um estado) que os saiba aproveitar , é mesmo o mais importante que o meu caro aqui diz , na sequência de todo um raciocínio .
Mas ao dar a minha volta diária pelos jornais europeus aqui na net (não vejo telejornais) dou-me todos os dias conta de como por essa Europa fora a situação é igualzinha à nossa .

Não nos serve de consolo nenhum saber que , por exemplo em França , a emigração de jovens altamente qualificados é percentualmente superior à nossa , mas é decerto um sinal complicado de receber por parte da 2ª economia da zona Euro .

Continuaremos a conversa quando quiser .

Um abraço
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De lucklucky a 24.06.2013 às 19:21

Não vi o Governo a anunciar-se liberal, nem o vejo nas suas práticas. Antes pelo contrário só o vejo a dar mais poder para o Estado.
Houve é uma quantidade de gente interessada em que o governo da "austeridade" tivesse uma "tag" diferente de qualquer dos partidos.
Dito isto...
Pelos vistos os doutorados tão extraordinários são incapazes de formar uma empresa que seja melhor que os supostos reles e medíocres empresários que não lhes reconhecem valor para lhes dar um empregozito.
Não era supostos os novos, modernos empresários saírem dos superiormente instruídos quadros da educação socialista?

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De João André a 25.06.2013 às 12:11

Se não viu o governo a anunciar-se liberal então vá ler novamente aquilo que PPC foi dizendo ao longo dos últimos anos. Eu não tenho paciência para lhe fazer a sopa.

Penso que quer empresas formadas sem ter qualquer dinheiro. Explique-me como é que um doutorado forma uma empresa, independentemente da ideia, se não encontra financiamento. A maior parte não tem o dinheiro no bolso (nem debaixo do colchão) e os bancos não emprestam dinheiro com base em ideias de negócio. Querem garantias reais (casas, salários de parceiros ou pais, etc) e se o negócio colapsar, os empresários sabem que vão trabalhar os 20 anos seguintes para pagar a dívida contraída para tentar avançar uma ideia. Quer ser empresário assim? Força, vá em frente. deslumbre-nos e conte-nos os seus sucessos. Ou é à base do "lucky" que lá conta chegar?
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De lucklucky a 25.06.2013 às 13:51

O que é que PPC - ou outro PSD- foi dizendo ao longo dos ultimos anos que não seja contraditório?

"Explique-me como é que um doutorado forma uma empresa, independentemente da ideia, se não encontra financiamento."

E aparece a desculpa fácil sem provas algumas do facto.
É admirar então como os burros dos empresários sem instrução conseguem.

Mas vamos agora supor que de facto não há credito será porque o socialismo dá melhores negócios aos bancos incluíndo ao banco do estado? como por exemplo construção civil em vez de arrendamento? dívida publica? obras do regime? empresas com rendas devido à regulação.



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De João André a 27.06.2013 às 12:32

Sem provas do facto? Olhe, use lá a sua sabedoria imensa e explique como é que faz para arranjar o seu financiamento para as suas dezenas de empresas que têm aumentado o PIB português por alguns 20% ao ano.

O seu comentário acerca dos "empresários sem instrução" só me dá a entender que V. não conhece minimamente o mundo empresarial português. Posso estar errado, mas se assim for estarei certamente correcto ao imaginar que o seu fundamentalismo ideológico é semelhante ao do governo: se realidade e ideologia não estão de acordo, a realidade é que está mal.

Quanto ao resto, deve ser mesmo pavloviano em si: quando alguém diz algo que V. não gosta lá vem o "socialismo", a "esquerda", etc. É mesmo conversa do camarada cassete lucky.
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De William Wallace a 25.06.2013 às 02:36

Se bem enquadrada pode ser uma boa medida.
Só tem vários problemas :
1 º - A malta com massa cinzenta e capacidade de arriscar , já arriscou , pôs-se no c******* quando a convidaram (os mais relutantes) porque os outros já tinham ido.
2 º - As empresas alvo , não estão para aí viradas (pelo menos as Portuguesas ) o que está a dar é fechar , deslocalizar ou importar conhecimento , fica mais barato e dá menos trabalho (dores de cabeça)
3º - Os doutorados que ficaram têm a ideia errada que têm só de trabalhar em laboratório e que trabalhar e aprender ao lado de um operário é desprestigiante.
4 º - Sem duvida será uma boa desculpa para acabar com os recursos que algumas instituições publicas ainda dedicam á investigação feita em Portugal por Portugueses com o argumento de que o "mercado" agora já tem bases para funcionar.
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De João André a 25.06.2013 às 12:15

Ponto 3: se há doutora(n)dos que de facto têm essa mentalidade, a maior parte dos que conheço não a tem de todo. E se acha mal, olhe que na empresa onde trabalho (na Alemanha) são os operários que muitas vezes não deixam (não é brincadeira) os doutorados trabalharem nos laboratórios técnicos, nas fábricas, etc. Uma (possível) maioria de doutorados neste país (pelo menos em engenharia) é, nas palavras de um colega, "engenheiro de powerpoint", uma expressão que vale enciclopédias.
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De Rui Sousa a 25.06.2013 às 18:06

Em Portugal já nem as licenciaturas valem alguma coisa, quanto mais doutoramentos. Jovens licenciados hoje em dia são tratados como se fossem os culpados da crise, causadores de todos os males do Estado, parasitas que não querem trabalhar a cavar terra e semear batatas ou couves. Doutorados, ainda pior. Um doutoramento em Portugal é visto como um amontoado de papéis. Não serve para nada. Aliás, ninguém dá valor a um doutoramento nos dias de hoje. O melhor é abrirem um doutoramento em "call-center" ou "vendedor da Zon/Meo".
Quanto aos doutorados abrirem empresas: para tal é preciso dinheiro. Flexibilidade do Estado. Diminuição da burocracia. E sim, perceberem que os licenciados, mestres e doutorados não são uma cambada de preguiçosos ou meninos mimados.
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De Aniceto Rui a 26.06.2013 às 15:13

Mas alguém acha que a McDonald's precisa de mais benefícios fiscais? Ou a Zara?

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