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O carburante da extrema-direita.

por Luís Menezes Leitão, em 24.06.13

 

Em 2002, a França entrou em estado de choque quando Jean-Marie Le Pen conseguiu passar à segunda volta das eleições presidenciais, ultrapassando o socialista Leonel Jospin. Todos os partidos democráticos aliaram-se então a Chirac, que foi reeleito com 84% dos votos. Nessa altura, no entanto, Jean-Marie Le Pen não conseguiu mais do que 16% dos votos, só tendo passado à segunda volta em virtude da divisão do campo socialista, que posteriormente passou a ser resolvida com a criação de uma espécie de primárias socialistas nas presidenciais.

 

Ontem, no entanto, a Frente Nacional obteve 47% dos votos numa eleição parcial, só não tendo conseguido a eleição do seu candidato em virtude de todos os outros partidos se unirem contra ela. A França já percebeu, por isso, que nas próximas europeias corre o risco de assistir a uma vitória da Frente Nacional. Para tal contribuem dois factores: Primeiro, a personalidade de Marine Le Pen, bastante mais perigosa do que o seu pai, e que tem feito crescer paulatinamente o seu partido. Em segundo lugar, a incompetência total da Comissão Barroso, cujo liberalismo radical ameaça fazer cair a Europa nos braços do nacionalismo. Tem toda a razão o Ministro francês Arnaud Montebourg quando avisa que Durão Barroso é o carburante da extrema-direita. Efectivamente, a política da Comissão Europeia só tem tido como efeito o crescimento dos partidos nacionalistas e xenófobos em toda a Europa.

 

Só que a irresponsabilidade da Comissão Europeia ameaça virar-se contra si própria. Efectivamente uma das propostas eleitorais de Marine Le Pen é a saída da França do euro. Como o euro não subsistirá sem a França, se a Frente Nacional alguma vez ganhar as eleições, é certo e seguro que o euro acaba e com ele a União Europeia. E Durão Barroso será o principal responsável por este descalabro.

 


18 comentários

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De am a 24.06.2013 às 08:58

Barroso é o "bode expiatório"...Holland prometeu o paraíso.... O inferno está a cair-lhe nos braços.

É um filme já demasiado visto!

Venha o Tó Zé!!!!
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De Luís Lavoura a 24.06.2013 às 09:34

Confesso que não entendo este post:
(1) Em que é que a atual Comissão Europeia tem sido radicalmente liberal?
(2) A maioria dos comentadores são unânimes em dizer que esta Comissão Europeia tem muito menos poder prático do que anteriores comissões e que Durão Barroso tem sido um chefe muito débil. Como é que, então, o Luís lhe atribui tanto protagonismo?
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De Luís Menezes Leitão a 24.06.2013 às 13:09

O radicalismo liberal da Comissão Barroso resulta precisamente na abstenção de qualquer intervenção, deixando a economia europeia à deriva. Eu não atribuo qualquer protagonismo especial a Durão Barroso, que concordo que tem sido muito débil. Saliento, no entanto, que não fazer nada é também uma forma de agir. E neste caso com consequências trágicas.
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De Anónimo Desconhecido a 24.06.2013 às 10:17

Como se dizia nos tempos em que Durão Barroso era uma acendalha da extrema esquerda, os extremos tocam-se. Mas Durão Barroso é apenas mais um, há muita gente a contribuir para esse fenómeno, cada um com maior ou menor responsabilidade consoante a visibilidade que tem. Até aqui neste blogue de vez em quando aparecem publicações, de supostos democratas liberais, que ajudam a facilitar esse caminho.
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De Anónimo a 24.06.2013 às 12:05

Parece que os franceses esquecem a paupérrima política de Sarkozy e Merkel, e da política chancha de Hollande, mas também de Sócrates e Passos e de outros um pouco por esta Europa, sem esquecer a Holanda, Finlândia e Suécia, agora a braços com os resultados de suas alianças ao estapafúrdio Merkozy.
Se houve (e há) alguém que no contexto europeu tem feito algo com dignidade é a Espanha. É aqui, não obstante alguns inevitáveis prejuízos sociais, que se deve pôr o olho.
É no reforço de políticas comuns, com Espanha, que Portugal poderá ver um pouco da luz que brilha ao fundo do túnel.
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De José Menezes a 24.06.2013 às 12:41

Historicamente, as nascentes das tentativas de Imperialismo na Europa estão em França e na Alemanha.
Historicamente, são as pátrias europeias da xenofobia. Da verdadeira xenofobia como a que o Luis Menezes Leitão refere.
Mas é tanto o medo e os fantasmas criados por eles que conseguiram criar numa juventude suburbana, desenraízada e violenta, uma cartilha para seguir.

Em Inglaterra qualquer pessoa pode ser neo-nazi, tem o direito do o ser. Os crimes de violência, provocação e discriminação, são crimes de violência, provocação e discriminação. Ponto final. Têm (os ingleses), no entanto, um ponto fraco (?): o desportivismo.

Não há neo-nazis em Inglaterra porque isso não choca os ingleses, mas há holigans que acompanham o futebol. Que horror!!

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De Salvador a 24.06.2013 às 13:35

Muito boa e pertinente, a reflexão. Só uma dúvida: Durão Barroso manda alguma coisa ou, qual CEO de uma grande multinacional, limita-se a cumprir instruções (ordens?) dos accionistas mais poderosos?
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De jpt a 24.06.2013 às 15:45

Cá de longe parece-me um pouco excessivo, atribuir a subida da FN apenas à personalidade da sua líder (hipótese já de si discutível) e à "prestação" (passe o futebolês) de Durão Barroso. E sobre a influência desta Comissão será ainda de pensar - digo-o sem ser especialista da "arquitectura" institucional europeia - não só as dificuldades desta década (políticas, nem tanto económico-financeiras) como, e fundamentalmente, a fragmentação do seu topo, em particular após o Tratado de Lisboa, ilustrado pelo surgimento institucional de Ashton e Van Rompuy. Talvez tudo pesado se possa afastar um pouco a mira do nosso compatriota (será ele, realmente, tão mau assim?)
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De William Wallace a 25.06.2013 às 01:58

Não é mau , é péssimo , um homem sem coluna vertebral , pronto a vender-se a quem der mais nem isso o obrigue a fazer de mero cicerone de uma cimeira de trogloditas.
Quanto ao post em si é de facto uma boa reflexão pois na minha humilde opinião é a fraqueza da Comissão em assuntos vitais para a vida na Europa que dá força a partidos de extrema direita e nos quais se vão vendo propostas não débeis , com tectos definidos e fundações escorreitas , não as meias tintas habituais dos políticos actuais subservientes de interesses económicos obscuros.
A Alemanha não tem este tipo de partidos porque já tem o poder nas mãos , quem o vê a fugir ( como a França ) é que precisa de lhe dar gáz.
Penso que na Bulgária ou Hungria está um partido semelhante já no poder e que eu saiba ainda não se passou nada.
Hollande prometeu mundos e fundos e já sabemos o que está a acontecer , Sarkozy não teria feito melhor) e depois a malta acha escandaloso que as pessoas votem mais á direita , é a democracia a funcionar.
As pessoas estão fartas de mentiras , meias tintas , decisões embotadas por interesses que não o do país ou da população.
Hoje o deputado Miguel Frasquilho na TVI 24 apresentou um quadro (sobre a % da austeridade desde 2010 versus redução do défice) que achei interessante pois representa de forma clara e inequívoca que a austeridade versou única e exclusivamente sobre os mesmos de sempre levando á destruição de grande parte da economia enquanto que os monopólios e oligopólios permaneceram intactos como sabemos e agora dizem mal da troika que até tinha umas ideias boas (pelo menos as em relação á energia , e câmaras e outras deveria lá haver) mas pasme-se após 2 anos nada aconteceu (o pessoal anda a renegociar) mas sempre a favor de alguns.
Por isso se nada se fizer acreditem que a Europa de Delors irá cair e com ela muitos países entre os quais Portugal e depois não se admirem.

P.S. - Estas negociações para a criação de uma zona franca EU / USA servem a quem ?
Será aos povos ou ás multinacionais (nomeadamente bancos) sem escrúpulos que pululam dos dois lados do Atlântico
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De José Couto Nogueira a 24.06.2013 às 18:20

Pode dizer-se muita coisa sobre Durão Barroso e da sua equipa, mas não, certamente, repetir o disparate atirado pelo ministro francês Arnaud de Montebourg num momento de chauvinismo exacerbado.
Montebourg e os franceses em geral estão furiosos porque temem que os "produtos culturais" americanos - especificamente o cinema e a música pop - destruam os franceses. O temor é legítimo e devem defender-se, mas a opinião de Barroso não é de todo descabelada. Com efeito, manter um previlégio com legislatura é uma postura reaccionária.
O caso traz para a ribalta uma questão nunca resolvida, que é poder efectivo da Comissão. Quer dizer, a Comissão pode tormar qualquer decisão, desde que não vá contra os interesses dos alemães e/ou dos franceses. Mas, para manter a ficção democrática, convem que ninguém na Comissão mije fora do penico e assim não ter de ser remetido a silêncio pelos bosses da França e Alemanha.
Não sei o que se passou com Durão, sempre tão ciente desta posição cerimonial sem poderes reais. Talvez, por estar no fim do mandato sem hipótese de ser reeleito, tenha finalmente decidido dizer o que pensa.
Note que não estou a concordar com ele, nem com o oposto - apenas gostaria de apresentar as subtilezas da situação e criticar o LML por partilhar a ideia peregrina de que a Comissão tenha algo a ver com a subida da extrema direita. Infelizmente, as razões são mais complexas e profundas e não é mudando a Comissão inteira que irão desaparecer.
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De lucklucky a 24.06.2013 às 19:29

Huau! Liberalismo Radical de Durão Barroso!
Isto só pode ser uma piada.
Suspeito que se ele tivesse feito uma Conferência Internacional e tivesse botado um discurso redondo e pateta como Obama já não seria...
Quer uma siderugia, industria pesada, aço ? que tal um plano Quinquenal!? nah isso é sujo e poluente , há melhor! Que tal a asséptica Estratégia de Lisboa com pompa e circunstância? Foi em 2000.
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De Exagerado a 24.06.2013 às 21:20

Olhe que não, olhe que não. O único repito único responsável é o Sampaio, que entusiasmou o Barroso a aceitar o cargo.

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