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Os protestos no Brasil.

por Luís Menezes Leitão, em 18.06.13

 

A onda de protestos que atingiu o Brasil justifica que se pondere a insensatez de os países se candidatarem a organizar eventos desportivos de grande dimensão, com um peso gigantesco no seu orçamento. Em Portugal ainda hoje estamos a pagar a loucura de construir dez estádios totalmente inúteis para organizar o Euro 2004. Só de pensar na falta que faz esse dinheiro neste momento de crise deveria motivar declarações públicas de arrependimento por parte de todos os responsáveis pela candidatura. Mas na altura ninguém se apercebeu do disparate que constituía a organização desse evento. Pelos vistos os brasileiros aperceberam-se a tempo do que lhes vais custar a organização do Mundial de 2014, já para não falar das Olimpíadas de 2016.

 

Este tipo de eventos deveria ser sustentado exclusivamente com financiamento privado. Os Estados não devem dar apoio a estas actividades, ainda para mais quando as mesmas são altamente lucrativas. Há situações de necessidade e injustiças sociais a resolver que merecem muito mais a aplicação do dinheiro dos contribuintes.

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23 comentários

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De Acudam a 18.06.2013 às 14:00

Brasileiro protestanto contra o pontapé na bola... que mais irá acontecer?
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De Thiago Barbosa a 18.06.2013 às 14:36

Ou param a roubalheira ou paramos o Brasil!
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De Luís Lavoura a 18.06.2013 às 15:01

Excelente post! Com a devida vénia, vou transcrever para o meu blogue.
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De José António Abreu a 18.06.2013 às 16:14

Não sei se são actividades "altamente lucrativas" para os Estados/cidades que as organizam (são-no indubitavelmente para a FIFA e para o COI) mas isso é um detalhe. Estou tão de acordo que até andava a pensar escrever algo do género.
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De zé luís a 18.06.2013 às 16:33

A reflexão é pertinente e partilho a sua conclusão.

Já agora, para quem gosta tanto de criticar este Governo, lembro só, a propósito disto

"Em Portugal ainda hoje estamos a pagar a loucura de construir dez estádios totalmente inúteis para organizar o Euro 2004. Só de pensar na falta que faz esse dinheiro neste momento de crise deveria motivar declarações públicas de arrependimento por parte de todos os responsáveis pela candidatura. Mas na altura ninguém se apercebeu do disparate que constituía a organização desse evento"

que o responsável, se é que sabe e porventura sabe mas faz por esquecer, chamou-se, mais uma vez, José Sócrates, empurrou a FPF da marionete Madaíl para a organização.

Pode ser vago quando lhe interessar e concreto quando pretende martelar alguém, mas fixe o nome. E também não é verdade que ninguém se apercebeu do disparate. O Sócas e o Madaíl não e o resto da maralha marimbou-se, os responsáveis dos jornais aplaudiram todos, foi como atirar bolotas a porcos.
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De estrangeiro a 19.06.2013 às 18:51

psst...pssst
2004?
Sócrates?

oh really? f#cking really?
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De Anónimo a 18.06.2013 às 17:07

É efectivamente verdade que a dita "onda" de prosperidade que dizem viver-se no Brasil também se deve a todos estes investimentos em torno do Mundial 2014; vamos aguardar, posteriormente, os resultados. Também é verdade que uma grande parte da "onda" ascencional da dita nova classe média também se deve a subsídios governamentais, não está mau; resta saber se as receitas agora extraordinárias não se converterão em ordinárias, e qual o impacto que isso terá no futuro na relação do estado com os cidadãos. Também me surpreende que durante anos tivesse existido dificuldade em acabar com certo domínio nas chamadas favelas em torno do Rio, mesmo no próprio Rio, e de um momento para o outro, de uma forma em tom de espectáculo, as autoridades brasileiras tivessem tomado conta desses locais; será que houve negociação com os ditos cujos? Será que são assim tão fortes ou tão fracos como querem fazer parecer?
Pois bem, eu não sei tudo. Mas do pouco que sei penso que está agendado um conflito social para outras calendas.
Sobre as manifestações no Brasil, o quadro que aqui vai postado diz muito dessas razões; e aqui também:

http://www.youtube.com/watch?v=W6QVLE8PQJ8
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De da Maia a 19.06.2013 às 19:29

Este vídeo também tem alguma informação sobre a informação:
http://www.youtube.com/watch?v=IuL890rwNvo

O grande problema no Brasil é que foi injectado capital externo que provocou um aumento de preços galopante, extremamente maior que a inflação - que só mede um leque pequeno de bens.

Isso tem sido uma técnica repetida para destruir o equilíbrio económico de países.
A injecção de capital externo ilude investimento, trazendo dívida externa privada. Os privados, normalmente através dos bancos, ou dos estados, ficam na mão dos seus credores.

Depois, o resto já sabemos.
Primeiro enche-se o balão especulativo, e depois de afastar a cara, rebenta-se com um alfinete...

É por isso é que eu acho "piada" a quem gosta do investimento externo... suprime-se sempre a informação de que a economia local fica refém das oscilações que esse capital externo manipula.

Qualquer recuperação económica séria tem que assentar no reforço da independência da economia interna, para evitar as variações das especulações internacionais.

É claro que há sanguessugas que manipulam discursos pois só sabem viver do sangue dos outros...

Outros exemplos que podem a rebentar serão as repúblicas do Cáspio... endividaram-se para além do admissível, só com a ilusão do petróleo. Nem precisam de ter petróleo, basta terem a ilusão.
Depois, os cidadãos têm estados comprometidos com dívidas impagáveis...

O investimento externo só é positivo se o estado tiver visão e força de soberania para colocar limites nos compromissos assumidos.
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De Anónimo a 20.06.2013 às 12:42

Caro da Maia,
obrigado pelo link que anexa neste comentário. Já o conhecia. O apresentador andou em vão às voltas para ver se conseguia uma resposta favorável à sua pergunta. A falta de literacia social por parte de governantes e "economêses" conduz à incompreensão do fenómeno catártico.
O Brasil está a viver outro momento especulativo: no imobiliário, nos bens alimentares e também nas transacções virtuais (faço-me entender?). Penso que o goveerno brasileiro, antecipando-se com o aumento dos preços dos transportes, estava não só a entrar nessa onda especulativa, pois aguarda muitos visitantes também, como também estava e está a ensaiar a inevitabilidade, isto é: apercebendo-se que o que tem em mãos são receitas extraordinárias está a fazer, aproveitando uma onda de euforia, o aumento inevitável que aconteceria no futuro; aguardemos também pelas outras "receitas ordinárias" (impostos) no futuro.
A tendência geral vai no caminho do que refere, ou seja, as nações devem apostar no relançamento da economia interna e do consumo interno. No caso português, desengane-se quem pensa que o investimento se fará à conta da destruição legislativa e das ditas "reformas". Não há investimento sem propensão para o consumo; e não vai haver investimento por conta de mão-de-obra barata. E não há pelo seguinte factor: a onda migratório que ocorre em todo o mundo permite adquirir no próprio país do investidor mão-de-obra a baixo preço, isto já ocorre na Suíssa e em outros países europeus, mas também nos EUA, com a vantagem também da dimensão tecnológica e geográfica.
O que se anda a fazer nada mais é que apostar na pobreza por conta da dimensão virtual dos movimentos de capitais. Repare no seguinte exemplo: as próprias companhias petrolíferas, em particular "as sete irmãs" movimentam mais dinheiro virtualmente que o valor dos stocks que não têm, não nos admiremos, portanto, com a euforia de guerras e guerrinhas na questão do oriente médio e de outros países produtores, como é o caso da Venezuela e do Brasil.
Já disse no último post do autor que todos estes acontecimentos são bons, porque obrigarão os fugitivos em busca da "prosperidade" a concentrarem suas atenções no próprio país.
Infelizmente vivemos num mundo que não se acomoda ao amadorismo dos ditos líderes que trazemos por casa, quer no sector governativo quer no sector financeiro e económico. Os líderes existem, mas o problema reside naqueles que falam de renovação reproduzindo-se a si mesmos, e não renovam nem se deixam renovar.

Aproveito, caro da Maia, para voltar a referir que não sei o que se passa com os comentários que deixei em seu post. Fiz várias tentativas: fiz "preview", fiz clic no botão "publicar", mas as mensagens não aparecem. Já me aconteceu o mesmo noutro post de outro autor que possui as mesmas características de publicação de comentários, não sei se existe alguma incompatibilidade com o meu browser. Abraço
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De da Maia a 20.06.2013 às 14:18

Ah! é o Anónimo...
Pois, não sei o q se passa. Como há vários que conseguem comentar, não sabia que havia quem não conseguisse... bom, mas nada é de espantar no dias que correm.
Se quiser está aqui o email:
alvorsilves@gmail.com

Quanto a este assunto, vejo que estamos de acordo, e sintonizados no problema global.
Cumprimentos.
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De Cuidado! a 18.06.2013 às 18:41

O problema é que o Estado, além de se ufanar deste tipo de eventos, teria muita dificuldade, mesmo que o quisesse, em afastar-se dos investimentos necessários. Estamos a falar, além de toda a máquina necessária para se ganhar a organização, e, SEM FALAR DE ESTÁDIOS, de acessos, de meios de transporte, de gares, etc, etc, até de segurança (e não só nos desafios - ou provas, no caso das Olimpíadas). Não são nem podem obviamente ser os privados a encarregar-se de tudo isso...
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De rmg a 18.06.2013 às 19:06

De facto não há nenhuma onda de prosperidade no Brasil , o país cresceu 0.9% o ano passado segundo os números divulgados pelo próprio governo local.

Razões para isso , segundo o mesmo governo : a crise internacional e o endividamento galopante das famílias .

Com inflações acima dos 6% (e dos 12% em alguma "alimentação") é claro que "a festa não está bonita , pá" .

A diferença é que , quando dos "nossos" estádios , ainda se vivía por cá em clima de ilusão e por lá já muita gente percebeu o "filme" .

Um filho meu viveu e trabalhou lá nos últimos 2 anos , o que sei vai para além das fotos do Corcovado ...

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De Ana Lima a 19.06.2013 às 01:38

Esse princípio deveria aplicar-se a muitos eventos que, uns porque envolvem verbas astronómicas, outros porque são de qualidade e resultados duvidosos, deveriam obrigar a uma reflexão séria antes de se utilizarem dinheiros públicos. Mesmo tendo consciência que a intervenção do Estado é um motor importante da economia há questões que têm que ser bem pensadas. Apesar de se saber que os custos da sua realização são elevados, há certas situações em que me parece que, sem dúvida, se justificaria um referendo.
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De Pedro Mendes a 19.06.2013 às 09:47

Este post só demonstra duas coisas.

1 - Não percebe nada daquilo que está a acontecer no Brasil.

2 - Não percebe nada do que se passou e está a passar em Portugal.

O grande problema no Brasil não é construir estádios para o mundial ou infraestruturas para os JO. O problema no Brasil é fazer tudo isso enquanto ainda há milhões que vivem com imensas dificuldades, enquanto ainda não existem um sistema nacional de saúde e educação dignos desse nome, enquanto continuam a haver enormes assimetrias entre ricos e remediados, enquanto há gente sem terra para cultivar e sem casa para morar....etc etc etc...

Mais. Estes protestos existem porque nos últimos 10\15 anos nasceu no Brasil uma coisa chamada classe média. Essa classe média, e principalmente os seus filhos, agora cada vez mais educados e instruídos têm a perfeita noção de quais devem ser as suas prioridades e as prioridades do seu país, e por isso hoje se revoltam e estão nas ruas a pedir mais e melhor. Isto é o que se passa no Brasil.

Folclore e populismos bacocos como os expostos neste post só desvalorizam a sociedade brasileira e a sua evolução.

Pedro Mendes
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De Luís Menezes Leitão a 19.06.2013 às 10:58

Tem toda a razão. A culpa não é de o Mundial de 2014 custar mais do que os três anteriores. A culpa, imagine-se, é de o Brasil ter passado a ter classe média, coisa que todos os países habitualmente têm. É essa classe média brasileira que anda a perturbar isto tudo, dizendo aleivosias do grande evento futebolístico como sucede no vídeo abaixo.
http://www.youtube.com/watch?v=ZApBgNQgKPU
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De Pedro Mendes a 19.06.2013 às 11:30

Por mais que tente subverter o conteúdo do meu comentário, uma pessoa inteligente que o leia percebe-o.
Sim. A culpa é da classe média. Claro que é da classe média, cada dia que passa mais instruída e com maior capacidade crítica. Claro que a culpa é da classe média que tem cada vez mais noção dos problemas do Brasil e que quer mais e melhor saúde, educação e habitação. Claro que a culpa é de uma classe média que teve oportunidade de ir para a Universidade e de ver outros mundos, e agora já não se contenta com os mínimos, que quer um modelo social equivalente ao europeu, e que no mínimo acompanhe o crescimento económico do Brasil. Claro que a culpa é desta classe média que quer um Brasil mais igual e menos assimétrico. Claro que a culpa é da classe média.

Reduzir esta força viva que é a sociedade brasileira a protestos contra o mundial de futebol é, simplesmente, não ter a mínima noção do que se passa.

Pedro Mendes
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De Luís Menezes Leitão a 19.06.2013 às 11:49

Sintetizando o seu comentário: "A culpa é da classe média. O mundial de futebol nada tem a ver com isto". E o facto dos protestos terem sido desencadeados pelo aumento do preço dos transportes também nada tem a ver com isto. É tudo uma questão de mais instrução e capacidade crítica. E já agora criticam o quê?
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De Anónimo a 19.06.2013 às 12:34

Sem pretender tomar partidos, quero simplesmente referir o seguinte:
Os governos vivem do que é mediático, e o cidadão vive do imediato. O equílibrio entre estes dois vectores determina a sanidade de uma nação.
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De Vasco a 19.06.2013 às 11:03

"O problema no Brasil é fazer tudo isso enquanto ainda há milhões que vivem com imensas dificuldades". Nem sempre concordo com o autor do post, mas o que você diz não é nada diferente do que disse o autor do post. Em boa verdade, até é ridículo por ser redundante, uma vez que só enuncia o que já está implícito no post.
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De Pedro Mendes a 19.06.2013 às 11:32

Caro Vasco.

Leia por favor o meu comentário antes de o comentar.
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De Vasco a 19.06.2013 às 14:48

Não pretendo reler o seu comentário. Quem afirma que nos últimos 10/15 anos nasceu no Brasil uma coisa chamada classe média só evidencia que nasceu ontem, e não acrescenta nada em banalidade às outras banalidades que se escrevem sobre o assunto.

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