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Inteiros numa fé talvez sem causa

por Pedro Correia, em 17.06.13

 

Vários colegas de blogue já comentaram a greve dos professores. Eu prefiro comentar estas declarações, para mim espantosas, da presidente da auto-intitulada Associação de Professores de Português (quantos professores representa esta associação?) que vem contestar o carácter "dúbio" do exame do 12º ano hoje realizado.

Dúbio, para a professora Edviges Antunes Ferreira, é algo que merece crítica. Como se a literatura pertencesse ao reino das matemáticas, em que dois mais dois serão sempre quatro.

Admira-se esta docente que houvesse "questões dúbias" sobre Ricardo Reis, por sinal um dos mais dúbios autores da literatura portuguesa, heterónimo de um poeta que ultrapassava os restantes naquela ambiguidade que por vezes molda o génio.

Dúbio, em literatura, não é defeito: é qualidade. Queria o quê, doutora Edviges? Um teste à americana, cheio de quadradinhos, como quem preenche um boletim do Euromilhões?

"Tem quatro questões e duas delas podiam ser mais objectivas", queixa-se a docente, esquecendo talvez que o enunciado em causa não se destinava a alunos do ensino básico mas a um exame do 12º ano de escolaridade, em que se pressupõe que qualquer estudante esteja apto a interpretar textos que ultrapassem a linearidade objectiva de uma notícia de jornal. "O poema, só por si, é subjectivo", pasma a doutora Edviges. E nós pasmamos com ela. Como se a subjectividade, inerente à melhor literatura, fosse defeito em vez de qualidade.

Queixa-se ainda a presidente da APP de, noutra parte do exame, estar incluído um texto de António Lobo Antunes, que exige - como qualquer texto deste escritor - "uma leitura muito atenta". E aponta o dedo acusador, segundo as declarações recolhidas pela Lusa: "Não chegaria uma vez. Os alunos teriam de encontrar as respostas ao longo de todo o texto". Até porque os alunos eram "obrigados a ter uma percepção global do texto" para conseguirem "responder a essas questões de uma forma correcta".

Eu é que pasmo cada vez mais. Mas qual é o problema de um exame requerer "leitura atenta" de quem o faz, doutora Edviges? A senhora prefere cultivar o facilitismo na escola em contraste com as crescentes dificuldades na vida extra-escolar? Algum dos seus alunos se sente capaz de interpretar um texto sem ter uma "percepção global" daquilo que lê? À luz de que patamares mínimos de exigência se deverá elaborar um enunciado destes que não implique uma "leitura atenta"?

E volto ao princípio: que critérios pedagógicos a senhora adopta, poupando "subjectividades" e "leituras atentas" aos seus alunos? Como sei de antemão que ficarei sem resposta, respondo eu próprio. Com estes versos - muito subjectivos - de Ricardo Reis: «Seja qual for o certo, / Mesmo para com esses / Que cremos serem deuses, não sejamos / Inteiros numa fé talvez sem causa.»

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82 comentários

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De João Campos a 17.06.2013 às 23:47

Nem sei que te diga. Mas por nostalgia, fui rever o meu exame nacional de Português A, feito há exactamente 10 anos. Tanto nervosismo para resolver a coisa em 50 minutos... :)
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De Pedro Correia a 18.06.2013 às 00:12

Não deixarei de me surpreender com alguns docentes que persistem em encarar alunos quase adultos (ou mesmo já adultos) como se fossem criancinhas, João. Em vez de subirem os patamares da exigência vão descendo a fasquia. Como se a escola fosse uma redoma destinada a proteger os alunos das dificuldades quotidianas da vida pós-escolar.
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De João Campos a 18.06.2013 às 01:32

De facto. Mas essas declarações são mesmo de antologia.

Não são representativas da classe dos professores, e ainda bem (como dizia há dias, no secundário tive professores extraordinários); mas não deixa de assustar que haja gente do calibre dessa senhora a dar aulas a crianças ou adolescentes.
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De AEfetivamente a 24.06.2013 às 23:07

Obrigada, João Campos. Ainda tenho esperança na bondade humanas depois de ler o que escreveu. Andava mesmo desanimada com o calibre dos ataques e das generalizações... sou professora de Inglês.
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De Leonor Barros a 18.06.2013 às 11:37

É fácil. Basta ver o que acontece no âmbito da Direcção de Turma, que escapa à maior parte dos incautos, para perceber a desresponsabilização permanente de pais e alunos. A culpa, a haver, de incumprimentos vários implica um processo kafkiano de legislação, cartas para casa, telefonemas sem fim, facilitismos de ordem vária. A redoma é também trazida de casa, nada pode acontecer aos meninos, e de nada têm culpa. Em caso de dúvida, vão à Direcção, põem a sua cara de cachorros abandonados ou mostram o dedo em riste e tudo se resolve, pobre menino.
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De jpt a 18.06.2013 às 12:45

Já para não falar das queixas de alguns professores, com as pressões que sofrem, oriundas de direcções e colegas, para elevar as notas dos alunos.
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De Leonor Barros a 18.06.2013 às 12:55

Isso ainda não felizmente mas pode acontecer. A pressão sobre as classificações de exame e a aplicação dos critérios de avaliação é imensa.
Só para se ver o estado de coisas, e isto foi implementado este ano, um aluno que ultrapasse o limite de faltas e que esteja abrangido pela escolaridade obrigatória pode ser excluído à frequência das aulas, mas tem de vir à escola e, pasme-se, pode entrar sala dentro a qualquer altura e em qualquer aula, sem que o professor o possa proibir. Aconteceu-me este ano. O aluno foi excluído por faltas depois de mil e uma manobras, papéis, contactos e sei lá mais quê, esteve meses sem aparecer e uma bela quarta-feira de manhã bate-me à porta, chegou atrasado, e entra. Quando pergunto o que estava ali a fazer, diz-me que se não viesse à escola, a mãe ia ter problemas e ele ia para uma instituição. Et voilá. E ainda se indignam quando protestamos. Uma semana de vida de professor era capaz de fazer bem a muita gente em vez de virem tirar a traça aos chavões para a praça pública.
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De Pedro Correia a 18.06.2013 às 12:47

Só o mini-relato que aqui deixas já deixa antever um ambiente kafkiano. E quanto à malfadada "redoma": nada pode ser tão nocivo para as meninas e os meninos, como se vivessem numa bolha enquanto estão na escola - bolha que logo rebenta quando mergulham no mundo real.
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De Ana a 18.06.2013 às 13:42

Foi o recrudescimento da desresponsabilização dos E.E. que subverteu em muito a autoridade dos docentes. A partir do minuto em que a sua envolvência na avaliação dos docentes se verifica dá-se um revés e desde o dedo em riste ao calão tudo valeu! Como se os pais (atentos) não soubessem ajuizar o trabalho dos docentes por aquilo que os seus educandos observam quando chegam a casa. Fica, para muitos, a gratíssima saudade de algumas DTs onde o respeito, a atenção e a co-participação dos pais foi clara. Fugi um pouquinho à essência do debate, mas afinal isto está tudo ligado. Cumptos.
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De Leonor Barros a 18.06.2013 às 15:31

Os encarregados de educação não entram na avaliação dos docentes e acho bem, porque são parte interessada na avaliação dos educandos e é fácil subverter tudo. Contudo, quem for consciencioso sabe a qualidade do trabalho de um professor, tem toda a razão.
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De AEfetivamente a 24.06.2013 às 23:09

Apoio e subscrevo completamente tudo o que escreveste aqui, "amiga" Leonor.
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De AEfetivamente a 24.06.2013 às 23:06

Concordo em absoluto - anda-se a proteger demais e a facilitar mais ainda. Docentes, é um facto, pais, outro, ( os miúdos nem podem estar nervosos num exame do 4º ano nem podem estar depois nervosos se não têm exame do 12º ano), e, em última instância o facilitismo causado pelas metas e pelo trabalho de estatísticas para ficar bem nas fotografoa do ranking.
Sintonia com a última frase na totalidade. Ou em 101%. :)
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De Paulo Inácio a 18.06.2013 às 00:48

Caro João Campos, se foi rever o seu exame de há dez anos, repare bem no cabeçalho e verá 120 minutos. Actualmente os exames duram os mesmos minutos, com mais 30 minutos de tolerância e são bem mais extensos. Sei do que falo porque fui corrector de exames nacionais de português entre 1995 e 2010.

Concordo com as palavras do Pedro Correia e também fiquei espantado com o comentário da presidente da APP. Então a subjectividade do texto poético...
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De João Campos a 18.06.2013 às 01:30

Caro Paulo Inácio, não me fiz entender. Vou tentar de novo: ao recordar o meu exame, ou o tempo que demorei a fazê-lo, não pretendia estabelecer comparações em termos de critérios de avaliação, extensão da prova ou de dificuldade (ou mesmo estabelecer quaisquer comparações entre eu e os alunos actuais - seria um disparate!); apenas e só recordar o meu estudo intensivo e o meu nervosismo para afinal ter um exame que consegui resolver de forma rápida e com uma boa nota (tive também uma excelente Professora, assim, com "P" maiúsculo). Daí ter ido ver o meu exame - pura nostalgia, mais nada.
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De Anónimo a 18.06.2013 às 11:38

Comentário apagado.
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De João Campos a 18.06.2013 às 17:38

Leonor, como disse acima, não era comparação - mas nostalgia. Até me alongava mais sobre o tema, mas talvez escreva qualquer coisa nos próximos dias (fora de questões políticas, para as quais já não tenho paciência).
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De Leonor Barros a 18.06.2013 às 12:57

Não compares, João. Os tempos não têm nada a ver, nada, rigorosamente nada.
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De rmg a 18.06.2013 às 01:46


E eu que tive a disciplina de Português pela última vez há 50 anos não sei como estou vivo e inteiro .

É que depois disso só me tenho visto a braços todos os dias da minha vida com questões dúbias e textos que obrigam a leituras muito atentas e não há APP que me defenda .
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De Pedro Correia a 18.06.2013 às 12:48

As próprias declarações da presidente da APP, agora que as reli, me começam a parecer dúbias. Estou aqui estou a sentir-me incapaz de fazer exame.
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De dt a 18.06.2013 às 06:21

Caro Pedro Correia: só em aritmética é que 2+2=4.
Em matemática as coisas não têm as as certezas de que as edviges tanto precisam.
Seria interessante - e necessário, já que recebe dinheiros públicos - saber quantos são os sócios dessa associação. Não encontrei relatórios e contas.
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De da Maia a 18.06.2013 às 12:12

«Em matemática as coisas não têm as as certezas de que as edviges tanto precisam.»

Deve querer dizer outra coisa...
A Matemática lida apenas com certezas, até na incerteza.
O resto ou é folclore popular, ou ambiguidade contextual.
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De Pedro Correia a 18.06.2013 às 12:32

Tem razão: esqueci-me, desde logo, do Princípio da Incerteza. Esqueçamos a matemática, fiquemo-nos então pela aritmética, livre de famigeradas "subjectividades".
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De da Maia a 18.06.2013 às 13:17

O Princípio da Incerteza é Física, uma hipótese da Mecânica Quântica... mas sim, pode ser inserido num contexto matemático, só que aí "incerteza" passará a ser apenas o nome.
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De Pedro Correia a 18.06.2013 às 13:32

Vou reler um texto do Lobo Antunes para ficar menos "subjectivo". Ou mais, sei lá. Só sei que nada sei. Dois e dois são vinte e cinco.
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De Vasco a 19.06.2013 às 19:05

Nunca consegui passar dos títulos: "Os Cavalos Também Voam Sobre A Praia Das Águas Turvas" e coisas do género.
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De Pedro Correia a 19.06.2013 às 22:53

Eu também não consigo passar de alguns títulos, que me parecem muito subjectivos. E obrigam-me, com frequência, a uma segunda leitura seguida de bastantes bocejos e uma considerável fadiga mental.
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De dt a 24.06.2013 às 06:22

http://www.arachnoid.com/is_math_a_science/
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De Pedro Correia a 24.06.2013 às 23:44

Hum... a doutrina divide-se?
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De Isabel a 18.06.2013 às 07:08

O problema da subjectividade do texto de Ricardo Reis nao se contempla nos critérios de correção, onde as linhas orientadoras de correção nao admitem as varias leituras que enriquecem a leitura do texto poético.
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De Pedro Correia a 18.06.2013 às 12:34

E mesmo assim a professora Edviges ainda se queixa do inverso - ou seja, da "falta de objectividade". Mas o melhor mesmo é aquele protesto pela necessidade de um texto requerer "leitura atenta".
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De Luís Lavoura a 18.06.2013 às 08:42

Queria o quê, doutora Edviges? Um teste à americana, cheio de quadradinhos

Eu não sei o que a Edviges quereria, mas eu consideraria um teste à americana um grande progresso. Porque simplificaria consideravelmente a sua correção e evitaria ambiguidades na classificação.

Suponha que o professor que corrige o teste vê no poema de Ricardo Reis algo que o aluno não viu, e não vê nele aquilo que o aluno viu. Pode acontecer. O aluno apanha um zero por não ter sensibilidade condizente com a do professor. Acha correto?

prefere cultivar o facilitismo

O Pedro parece aqui preferir cultivar o ser papagaio do senhor ministro. Está bem que sabemos que o Pedro é um assessor de (des)informação governamental, mas escusava de trazer a sua profissão para o blogue.
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De Pyr a 18.06.2013 às 12:05

Não sei se o Luís alguma vez corrigiu testes. Já o fiz (não no secundário, mas não é relevante), e garanto que já tive respostas que não estava à espera e que não eram necessariamente erradas. O facto de um alunio não concordar connosco em termos de opinião não é base para o "prejudicar", desde que a opinião em causa seja sustentada, quer em termos de matéria analisada, quer em termos de sustentação teórica (se for esse o caso).

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De Luís Lavoura a 18.06.2013 às 12:26

(1) Já corrigi testes, mas de uma disciplina científica exata, onde (felizmente) há bem menos lugar para interpretações.
(2) Espero que todos os professores que corrigem os testes tenham a mesma latitude de interpretações de Pyr. Um problema, contudo, levanta-se: há diferentes professores a corrigir os testes de diferentes alunos, e os critérios de correção poderão divergir de corretor para corretor. Por isso, continuo a achar que seria altamente preferível que os testes tivessem, tanto quanto possível, respostas objetivas, e que fossem, tanto quanto possível, pelo método americano das cruzinhas.
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De Leonor Barros a 19.06.2013 às 20:02

Os critérios são os mesmos para todos os classificadores de exames, não há correctores, ninguém corrige nada, apenas classifica. Mas concordo consigo numa coisa, a escolha múltipla permite objectivar, reduzindo o leque de respostas possíveis e a subjectividade.
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De Pedro Correia a 18.06.2013 às 12:30

Você é conhecido aqui, e não apenas aqui, pelos disparates que vai escrevendo em sessões contínuas, Luís Lavoura. Mas recomendo-lhe que fique só pelos disparates, que é a sua área de eleição: não escreva também aldrabices.
Pelo elementar respeito que tenho por qualquer espécie zoológica, não lhe retribuo epítetos como "papagaio", mas fica desde já avisado: se recorre novamente à via do insulto como sucedâneo de argumento, a conversa entre nós termina de vez nesta ou em qualquer outra caixa de comentários. Não volto a admitir-lhe isso.
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De da Maia a 18.06.2013 às 13:12

Quanto ao Luís Lavoura, é assim:
- o teste de quadradinhos não tira nem põe objectividade. Pode ter ambiguidade interpretativa, ainda que haja apenas um número limitado de escolhas.
- não se percebe onde é que "ser contra o facilitismo" é exclusivo de um Ministro, ou colagem à sua posição. A sua posição está então colada à CGTP?
- parece que a cabeça do Luís é que funciona aos quadradinhos - e a maneira como os preenche parece ser um totoloto.

Estando de acordo com o Pedro Correia, não posso deixar de o alertar para não cometer o mesmo erro que o ministro...
Ou seja, que um blog chamado "Delito de Opinião" não considere a opinião como um delito.
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De Pedro Correia a 18.06.2013 às 13:24

Não se preocupe, da Maia: em todos os dias da sua já longa existência este blogue sempre fez jus ao título, que também é lema e mote e meta. Isso nota-se, desde logo, na consideração que temos pelos leitores e no destaque que damos ao que escrevem, pensem como pensarem. Soubessem tantos outros que apregoam liberdade e blablá patati patatá fazer o mesmo e a blogosfera não seria o pequeno mundo de trincheiras em que se foi tornando.
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De amaricano a 18.06.2013 às 13:09

tamém axo,devia ser texte amaricano:

risqe as erradas:

fernando:
-pessa
-peça
-pessoa
-peçoa

Nõ lea u teisto todo,leia so o qe lha apetesser e fassa uma redação.

Agora podse ir enbóra.
Boa práia.
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De Pedro Correia a 18.06.2013 às 13:25

Bué da fish (na praia à bué da fish)
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De Gui Abreu de Lima a 24.06.2013 às 00:22

Devias ter destacado este comentário. Parti-me a rir, eheh
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De Pedro Correia a 24.06.2013 às 23:45

Estamos quites, Gui. Também já me partiste com alguns dos teus.
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De Vasco a 19.06.2013 às 19:15

Tinha um colega que fazia testes americanos. Como se não bastasse fazer o trabalho todo de síntese que compete ao aluno e que é ele-próprio o OBJECTIVO da aprendizagem, o fulano aprimorava os testes garantindo que todas as respostas incorrectas fossem absolutos disparates, não fosse dar-se o caso de os pobres alunos se enganarem. Do género: Quem descobriu o Brasil? 1) Pedro Álvares Cabral 2) Pedro Abrunhosa 3) o Tintin 4) o Rato Mickey
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De Pedro Correia a 19.06.2013 às 22:56

Para ninguém falhar e haver cem por cento de aproveitamento, o que é sempre bom pr'às estatísticas e pr'à auto-estima dos putos, pode haver sempre testes como este:
Quem descobriu o Brasil?
a) O Pedro
b) O Álvares
c) O Cabral
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De AEfetivamente a 24.06.2013 às 23:12

Hehehe já me ri, agora. Mt bom para as estatísticas, metas e consequentes regalias de acordo com. :)
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De Bento Norte a 18.06.2013 às 09:55

Se a matemática não é uma batata, com uma enorme percentagem de exames realizados e uma adesão grandiosa á greve, então há carradas de professores a mais.
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De Pedro Correia a 18.06.2013 às 12:36

Eu ainda estou baralhado com a "falta de objectividade" destes números, que requerem uma "leitura atenta" - algo que, como todos sabemos, suscita fortíssimas dores de cabeça e eventuais protestos nos jornais.
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De da Maia a 18.06.2013 às 12:53

Bento Norte:
- portanto para si a noção de ensino é a da vigilância.

Talvez esta sua percepção mostre que nunca vai haver professores suficientes para eliminar a estupidez congénita.
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De Bento Norte a 18.06.2013 às 15:22

Portanto, para mim a noção do ensino que temos é a de analfabetos que produzem analfabetos. Nos concursos televisivos em que se mostram os senhores profes mesmo em cultura geral ficam a milhas de distância de qualquer 4ª classe dos anos 50 do século passado. Nunca viu ou faz que não vê um ilustre licenciado não saber onde corre o rio Douro?
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De da Maia a 19.06.2013 às 17:17

Tem razão, e o problema não é apenas nosso, veja-se onde levou no modelo seguido:
http://www.youtube.com/watch?v=40mScqtbL-E
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De rmg a 18.06.2013 às 16:15


Não foi a parágrafos como este seu 2º que nos habituou por aqui .

É chato ler pessoas com ideias interessantes como é o seu caso (concorde-se ou não com elas) quando escrevem certas coisas .

É a vida ...
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De da Maia a 19.06.2013 às 17:52

RMG:
Convém-nos separar do boneco que fazem de nós.
Uma coisa é o que somos, outra coisa é o que querem que sejamos, pela imagem que fizeram.

É interessante a questão, porque isso acontece muito nas figuras que se tornam públicas. Criam um boneco que todos alimentam, o próprio, e quem o vê. O próprio acaba por prender-se ao boneco para evitar desiludir os outros.

O que importa é que o se escreve sirva o argumento com clareza. O resto são mais ou menos salamaleques... e não pode haver nada de pessoal entre anónimos. Há apenas ideias que se debatem.
As pessoas só estão presas às ideias por obstinação.
Ninguém deve ficar eternamente preso a ideias erradas só por questão de coerência...
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De rmg a 20.06.2013 às 01:08


Não percebi o que é que esta sua resposta tem a ver com o meu comentário, mas adianto desde já que o defeito é certamente meu .
Muito haveria no entanto a dizer sobre o que escreveu mas eu não vou caír daí abaixo .

O "da Maia" também não me desiludiu nada porque eu sobre si não tinha ilusões .
Só quis dizer - e repito - que não o tinha ainda visto chamar nomes a outros e respectiva família (estúpidos congénitos , neste caso) para defender os seus pontos de vista , pareceu-me argumento mauzote .

Mas vou "passar" os seus comentários a partir daqui porque a sua noção de "debate" não é parecida com a minha e não me apetece caír na tentação de o voltar a comentar .

Espero que não leve a mal , não há evidentemente nada de pessoal entre anónimos como nós e decerto não ía querer que eu me pusesse aqui com salamaleques consigo .





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De da Maia a 20.06.2013 às 20:17

RMG:
Não tenho interesse em anúncios, sejam eles seus ou de qualquer outra propaganda.
Por isso, é-me indiferente que anuncie se me vai comentar, se me lê ou deixa de ler. As ilusões de cada um, são problema do próprio.

Não entendeu a resposta que lhe dei, mas achou que entendeu a outra resposta que não lhe era dirigida.
Pois, lamento, mas creio que não entendeu.

Note que o sujeito da frase era "a percepção". O ensino não tem tido sucesso em combater a abundância de nexos ilógicos (sem salamalaques - estupidez), que são herdados de discurso em discurso. A percepção pode ser afectada por nexos ilógicos congénitos, misturando causalidades, confundindo noções e funções.

O resto que pretendeu invocar, mudando o sujeito da frase, é uma percepção sua.
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De José António Abreu a 18.06.2013 às 10:24

E provavelmente na próxima teremos o/a presidente da Associação dos Professores de Matemática a dizer que o exame de matemática podia ter sido menos objectivo...

Adenda:
Teria uma certa piada, exames de português em teste americano, só com duas opções, "sim" e "não" (p. ex.:“Camões foi ferido no olho direito”; "Em média, os livros de António Lobo Antunes têm mais parágrafos dos que os de José Saramago") e exames de matemática interpretativos ("Desenvolva o ponto de vista expresso pelo autor da seguinte equação”; “Em menos de duzentas palavras, defenda a posição segundo a qual a fórmula resolvente não resolve o que quer que seja de verdadeiramente importante na vida de um estudante do secundário"; etc, etc.). Isso, sim, seria educação inovadora. ;)
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De Maria a 18.06.2013 às 11:18

Não há-de tardar.

Se não fosse tão vergonhoso, podíamos rir.
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De José António Abreu a 18.06.2013 às 11:42

Próxima semana, queria eu escrever...
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De Pedro Correia a 18.06.2013 às 12:37

Já estiveste a dar-lhes ideias...
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De Pedro Correia a 19.06.2013 às 13:39

... e são mesmo capazes de pegar nisso.
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De IsabelPS a 18.06.2013 às 10:26

Ainda ontem li isto do Bruno Faria Lopes (que escreveu recentemente um péssimo artigo sobre o Paulo Macedo no Económico, daí que fui ver que mais ele dizia alhures):
"As pessoas com mais impacto potencial na economia (o que restringe a definição do termo "cérebro") saem não tanto por falta de oportunidades em Portugal, mas por falta de oportunidades boas, criadas não só pela economia mas também pela cultura laboral e de gestão. Não há suficientes chefias boas a ensinar. A gestão é hierárquica e motiva pouca participação. Os salários são baixos e mal distribuídos face ao topo. As gerações que educaram os jovens com um foco excessivo na auto-estima dominam um ambiente de trabalho que hostiliza as expectativas emocionais e profissionais desses mesmos jovens."
Achei interessante, e muito bem vista, a referência à auto-estima como factor essencial da educação mais recente. E às dificuldades que isso pode causar mais tarde na vida real.

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De Pedro Correia a 18.06.2013 às 12:14

Chama-se a isso acertar em cheio, Isabel. É mesmo assim. E a tendência é para continuar, como podemos deduzir pelas inacreditáveis declarações da presidente da APP.
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De José Catarino a 18.06.2013 às 10:49

Vindo da APP, nada me espanta. Rompi com a associação há uns bons anos, fazendo saber por carta os motivos que me moviam. Quanto à representatividade, não errarei muito ao afirmar sem números que se representa a si própria e mais nada. O que não é muito diferente de alguns sindicatos de professores. Existem para dar reduções aos seus dirigentes, em troca de boa vontade na mesa das negociações. Ah, e o dinheiro que têm ganho com "formações"!
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De Pedro Correia a 18.06.2013 às 12:39

Alguns desses temas, provavelmente, ainda serão abordados aqui. A começar pela real representatividade da autodenominada Associação de Professores de Português.
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De José Catarino a 18.06.2013 às 15:27

Tocar na questão da representatividade das associações, como a APP ou as dos pais, é mexer em vespeiro. Acabará picado e feito em picado. Repito o conselho de personagem de Mário de Carvalho (em Era bom que trocássemos umas ideias...) "Vai com calma, pá".
Há tempos escrevi sobre o nosso associativismo:
http://jose-catarino.blogspot.pt/2013/05/democracia-portuguesa.html
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De Pedro Correia a 19.06.2013 às 13:36

Não tenho a menor dúvida de que será tocar num vespeiro. Tal como não ignoro como se formam certos movimentos "associativos", garantindo o protagonismo instantâneo de certas figuras que se perpetuam durante anos a fio, por vezes décadas, na comunicação social.
O seu texto sobre "uma certa democracia à portuguesa" é certeiro, José Catarino.
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De a.m. a 18.06.2013 às 11:10

Também, e "à luz de patamares mínimos de exigência", foram as orientações dadas aos professores correctores de provas de aferição(sextos anos), num passado muito próximo, quando em Língua Portuguesa os erros ortográficos deviam ser desvalorizados, porque o que contava era a ideia/pensamento do aluno expresso na escrita. E na Matemática pretenderam-se outras pérolas com a benesse de operações erradas na resolução de problemas.
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De Pedro Correia a 18.06.2013 às 12:51

Essa de os erros de ortografia serem desvalorizados em provas de Língua Portuguesa, talvez para não perturbar as meninges das criancinhas, é de mestre. Não devemos estranhar, portanto, a profusão de bacoradas escritas por aí.

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