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Quanto vale um insulto?

por Rui Rocha, em 13.06.13

Não sei se vos acontece o mesmo, mas a verdade é que procurei informar-me na televisão, nos jornais e nos blogues e continuo sem perceber exactamente o que se passou. E não, não me refiro à questão do pagamentos do subsídio de férias. Confesso que quanto a isso também cheguei a estar baralhado com aquela coisa do não há dinheiro que passou depois a há dinheiro mas a lei foi revogada pelo acórdão que tinha um parágrafo que colocava em vigor uma alínea de um decreto que suspendeu a vigência de já não sei bem o quê. Foi precisamente nesta parte do já não sei bem o quê que se fez luz no meu espírito: balelas! O pagamento do subsídio está dependente é do estado do tempo. O ministro Gaspar já explicou isto muito bem explicado a propósito do investimento. Se estiver bom tempo, o estado paga. Se chover, nada feito. O problema é que os franceses previram, há não muitos dias, que este Verão vai ser frio e chuvoso. E o ministro Gaspar não quer incorrer em qualquer tipo de precipitação. O certo é que já tínhamos a chuva molha-tolos. Agora temos ainda o tipo de explicação que também só os molha a eles. De qualquer forma, aos funcionários públicos só resta aguardar. Enquanto o ministro Gaspar vai ver se chove. Longe vão os tempos em que as remunerações eram postas à disposição dos seus destinatários de acordo com um ciclo pré-definido de pagamentos. Agora está tudo indexado ao ciclo da água. A verdade é que a este nível está tudo clarinho como... pois, adiante. E adiante para dizer que aquilo que realmente ainda não percebi é aquela coisa do insulto ao presidente. De entre todas as versões disponíveis, fico-me pela do I, até porque algum dia o I teria de servir para alguma coisa que não fosse apenas manter a Ana Sá Lopes ocupada e impedida de ir ao cabeleireiro. Ora, de acordo com o I, o Tribunal de Elvas terá dado como provado que Carlos Costal terá proferido insultos contra o chefe de Estado, tendo dito que Cavaco Silva era "malandro" e que devia ir "trabalhar". "Gatuno", "chulo" e "ladrão" foram outros dos qualificativos que o arguido procurou atribuir ao Presidente. Por tudo isto, a multa aplicada foi de 1300€. Confesso que, à primeira vista, não me parece muito. Vamos lá ver. É preciso ter em conta que se trata do mais alto magistrado  da nação, caramba (a propósito, talvez esteja na altura de abandonar este tipo de designação porque com a sorte que temos um dia o Marques Mendes ainda chega a Presidente e depois vai ser o caraças para descalçar a bota). E depois, foram 5 (cinco) insultos. Assim numa conta rápida, à moda do ministro Gaspar, sai a coisa a pouco mais de 200€ por cada um. Se isto é assim, quanto será para um deputado? Quanto custará, por exemplo, chamar nórdico ao Carlos Abreu Amorim? Deve sair baratíssimo, não é? Note-se que a coima por fumar em recintos fechados pode ascender a 750€. E que a de circular com velocidade entre 90 e 120km/hora fora das localidades pode chegar aos 300€. Ora, por muito que um tipo goste de fumar ou de carregar no pedal, digo que não deve dar o mesmo gozo. E, se quisermos ter uma ideia deste tipo de situação lá fora, basta termos presente que o cidadão espanhol Amadeo Martínez Inglés, militar retirado, foi condenado a pagar uma multa de 6.480€ por se ter referido a D. Juan Carlos como “último representante en España de la banda de borrachos, puteros, idiotas, descerebrados, cabrones, ninfómanas, vagos y maleantes”. Isto é, coisa de oito insultos que saem à razão de 800€ cada um. E ainda há quem diga que a vida é mais barata em Espanha. Em todo o caso, há aspectos em que não me sinto suficientemente esclarecido. A medida da multa é mesmo determinada à peça? Existe uma bandeirada mínima? Há insultos mais caros de que outros? Isto é, "gatuno" e "malandro" valem o mesmo? A partir de determinado número de insultos o preço mantém-se? É que se for assim, já estão a ver o potencial que isto tem... Imagine-se, por exemplo, que a partir de 10 insultos não se paga mais. Assim tipo 1500€ por 10 insultos e daí em diante bar aberto... Ora tudo isto são pontos que é urgente esclarecer. É que, para além do mais, estão a chegar as férias e um tipo tem de ter dados que lhe permitam escolher entre ir passar uns dias ao parque de campismo da Caparica ou, por uma vez, ter um gosto na vida.


37 comentários

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De antímio a 13.06.2013 às 14:10

O Gaspar anda atrasado na leitura do tempo.Você não leu o postal abaixo com o estado do tempo para a Europa decretado há dias por essa carinha laroca(ó nova esperança da governação europeia,farol do socialismo,etc.)que dá Hollande por nome?Andam a dormir?
De facto o insulto anda barato em Portugal,talvez efeito do brutal reajustamento em curso o que nos torna muito competitivos(pena é só ser no insulto...).
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De Rui Rocha a 13.06.2013 às 14:17

Pois, pois. O Hollande disse isso. Mas ia jurar que ainda ontem o vi de galochas.
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De Amendes a 13.06.2013 às 14:35

Caça à multa:
Muito bem observado...

Este tipo de coima também será extensivo aos impropérios/piropos entre condutores/condutoras na fila (bicha) na 2ª circular?

Finalmente (que já se faz tarde) acho que devíamos adoptar o sistema nórdico, onde existe paralelamente uma coima pora cada insulto uma "gorjeta" para o elogio..valores proporcionais, como por exemplo:

" Ó manda chuva ... vai pro c*******" paga 1.500 E; Obrigado ministro pela tromba d'agua" recebe 1.500 E... Justiça nordica, já!!!
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De Rui Rocha a 13.06.2013 às 15:41

E digo mais. Justiça nórdica já, com o loiro Abreu Amorim a ministro.
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De Nascimento a 13.06.2013 às 16:13

A melhor postada que li em todos os blogues que se têm referido ao dito insulto.Bom humor.
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De Rui Rocha a 13.06.2013 às 17:20

Obrigado, Nascimento.
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De hrc8 a 13.06.2013 às 17:43

Se soubesse que não era muito cara a multa, atrevia-me a chamar burro, invejoso e atazado mental ao Srº. José "Inseguro" ... Quem me poderá informar ?
E a "massa"... é para quem ? Soledade Vale
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De Rui Rocha a 13.06.2013 às 17:52

Ora, contas por alto: um líder de oposição apalermado vale por praí 1/8 de um Presidente da República em mau estado. Portanto, 3 insultos x 30€, fica-lhe a coisa em 120€, mais pontapé menos canelada. Há quem gaste mais, com menos proveito, num jantar de sashimi.
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De hrc8 a 15.06.2013 às 17:58

Olá Rui Rocha,

Mas pensando bem, 3 insultos X 30€ = 120€ é batota cara. Um lider da oposição apalermado, não vale tanto.
E se eu em vez de lhe chamar burro lhe chamar asno, será que posso ter um desconto na multa ?

Obrigado
Soledade Vale
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De c.d. a 13.06.2013 às 17:25

A sua pergunta está incompleta. Deve perguntar quanto vale um insulto ao chefe do estado em dois países que tiveram as mais longas ditaduras da Europa.
Assim a coisa fica mais perceptível.
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De José Prata a 13.06.2013 às 18:05

Mais um post de bandeira. Excelente.
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De Rui Rocha a 13.06.2013 às 19:01

Er... Bandeira, creio que este comentário é para ti.
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De Bandeira a 14.06.2013 às 00:12

Não, não, é um post que é uma pedra;)
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De Banhista a 13.06.2013 às 18:48

Talvez o montante da coima esteja matematicamente relacionado com o rendimento do insultado e, como se sabe, o que Cavaco ganha nem dá para as despesas.
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De Rui Rocha a 13.06.2013 às 19:02

Nesse caso, deve sair baratérrimo insultar o Sócrates e o Paulo Campos, tendo em conta que ambos são ajudados pelas respectivas mãezinhas.
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De Banhista a 13.06.2013 às 21:27

Possivelmente, mas apenas desde que haja o cuidado de o insulto não envolver as respectivas mãezinhas.
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De Rui Rocha a 13.06.2013 às 22:01

Deus nos livre. Até porque as senhoras, até prova em contrário, não têm culpa nenhuma. Já bem lhes basta o desgosto.
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De João Campos a 13.06.2013 às 19:16

Estás inspirado hoje, Rui :)
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De Anónimo a 13.06.2013 às 21:51

Vamos lá ver se é ou não é assim: Estamos perante uma malandrice, um desfalque, e de um viver à conta dos sacrifícios dos outros nas seguintes situações:

malandrice, quando apadrinhamos alguém que impõe metas e não as cumpre;
desfalque, quando despojamos alguém do que lhe é devido;
viver à conta, quando impomos aos outros sacrifícios ainda que usufruamos de condições e contribuições desses mesmos para continuarmos a parecer que somos dignos daquilo que temos e julgamos representar.

Por fim, ao impôr a lei ao direito de alguém se pronunciar e reagir a provocações diárias pela inépcia de governantes, estamos perante um golpe de estado institucional.

Por último, não me venham com a treta que ninguém pode usar como argumento o desconhecimento da lei. A lei é feita de bom-senso, e estas provam muitas vezes a falta de senso, mas é direito também quando se reage à falta de senso. Neste sentido, e em todos os outros, é o direito que subordina a lei e não o contrário. É ou não é, porra!?
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De Rui Rocha a 13.06.2013 às 22:03

Se antes já não o estivesse, com o porra final fiquei absolutamente convencido.
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De Anónimo a 13.06.2013 às 22:45

Mermão, espero que outros se convençam também. E que se convençam que o uso de uma ou várias palavras em certos contextos perde por completo o sentido que se lhe atribui. Elas não passam de isso mesmo, de uma mera reacção a uma específica situação que se entende também como uma agressão.
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De Rui Rocha a 13.06.2013 às 23:44

Sim, tudo isto tem de ser visto à luz da 3ª Lei de Newton.
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De Anónimo a 14.06.2013 às 11:18

Pois é, mermão, confunde-se a lei da gravidade com a a lei da gravidez. Emprenham por valores e significados miúdinhos. Mas pronto, é o sumo interesse da nação que já não deita sumo, por muito que ela, a nação, seja sacudida :-).
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De Ana Lima a 13.06.2013 às 23:19

Ó Rui, o que é mesmo valioso é este post.
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De Rui Rocha a 13.06.2013 às 23:45

Obrigado, Ana
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De da Maia a 14.06.2013 às 01:39

Com esta rapidez, a linha de TGV do Côa está a servir muito bem as lojas de insultos.
Ninguém Pia na casa de Elvas da Santa Inquisição dos Insultos.

Em coro:
- Piu, piu, ao terceiro piu:
- Viva o Novo Estado!
- Viva o "Presidente do Conselho"!
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De Rui Rocha a 14.06.2013 às 09:37

Piu, piu... oh caraças. Já não me lembro do resto.

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