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Do total descaramento

por Ana Vidal, em 12.06.13

"Um banqueiro disse esta noite, pomposo, solene e pesaroso, que "andámos muitos anos a viver acima das nossas possibilidades" (José Maria Ricciardi a Mário Crespo). Como se os bancos não tivessem sido os primeiros a impingir crédito fácil para ganharem, como ganharam, muitos milhares de milhões. Antes tinha metido os pés pelas mãos a não explicar por que motivo traz dinheiro do BCE a 0,5 por cento e o empresta a 7 por cento, como disse o Presidente da República. Depois, negou qualquer conflito de interesses no facto de o BES assessorar a venda da TAP, tendo vendido a sua companhia aérea falida -a Portugália - à mesma TAP. Por fim, achou perfeitamente natural - como não? - que o Governo tenha contratado para assessorar a venda dos CTT um banco (o J.P.Morgan) que, ainda há poucas semanas, queria levar a tribunal por causa dos famigerados swaps. Há entrevistas a banqueiros que deviam ter bolinha vermelha."

 

(Fernando Madrinha, no Facebook)

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15 comentários

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De Luís Lavoura a 12.06.2013 às 11:04

(1) O facto de os banqueiros terem contribuído para que vivêssemos acima das nossas possibilidades não lhes retira o direito de denunciarem tal problema.

(2) Os banqueiros trazem dinheiro do BCE a 0,5% apenas para empréstimos overnight, ou seja, para empréstimos pelo prazo de um dia. Um empréstimo pelo prazo de um dia é completamente diferente de um empréstimo pelo prazo de 5 anos, para o qual é razoável exigir um juro muito superior (porque o risco é também muito superior).

(3) Não vejo de facto qualquer conflito de interesses, quando a venda da Portugália foi um negócio que já foi concluído há muitos anos. É um negócio encerrado e no qual o BES e o Estado já não têm qualquer interesse.
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De Ana Vidal a 12.06.2013 às 12:25

(1,2 e 3) Lavoura, ainda hei-de vê-lo saltar em defesa do Hitler, só para contradizer alguém. Enfim.
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De Anónimo a 12.06.2013 às 13:51

Meu caro Luís,

1 - ainda que assim fosse, e não é, um negócio overnight, rende muitos milhões;

2 - Eu até concordo com o que Ricciardi disse. Sim, porque isto de andar a sustentar negócios privados em todas as áreas (PPP´s e não só: compra de títulos da dívida etc. etc. etc.) é efectivamente viver acima das nossas possibilidades. Acontece que essa vida foi imposta;

3 - Só não concordo com algumas afirmações, isto é: muitos banqueiros e parabanqueiros, como foi o caso das declarações de João Salgueiro há pouco mais de um ano, dizendo algo nesse mesmo sentido, e afirmando que os portugueses têm de se fazer à vida (expressão minha para traduzir o sentido), convencem-se que os portugueses são os outros, eles são filhos de um outro deus que não Portugal;

4 - As vendas até podem parecer inofensivas, mas o que não é inofensivo são os custos que os portugueses pagam.

Aninha, vai muito bem esgalhada toda essa transcrição. Quanto me tocam nos pontos nevrálgicos até me provocam uma nevralgia. É certo que isto também acontece-me no sentido erótico, mas nem só de pontos G´s vivem os Homens.
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De JS a 12.06.2013 às 11:13

Acontece aos melhores. Na sua torre de marfim, rodeados por uma corte de yes men ", nem se apercebem do nível histriónico dos seus argumentos.
Apenas julgam que conseguem enganar tudo e todos ...
Patológico.
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De Ana Vidal a 12.06.2013 às 12:26

O nosso mal, JS, é que acontece muito aos piores. :-)
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De Blondewithaphd a 12.06.2013 às 11:51

Nem no zapping lá parei, livra!
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De Ana Vidal a 12.06.2013 às 12:29

Eu fiquei a ouvi-lo, Blond. Puro masoquismo, porque me irritou imenso. É imoral esta tentativa de culpabilização do cidadão comum, quando a responsabilidade dos bancos no estado da economia portuguesa é infinitamente superior. E muito mais imperdoável, porque com total conhecimento de causa.
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De para que serve o estado? a 12.06.2013 às 13:42

Os banqueiros fizeram os seus negócios,como sempre,assim ou assado,conforme as circunstâncias,poderemos esperar deles preocupações morais?Ora,ora.E é por isso mesmo que o tal banqueiro deveria estar caladinho,ou então o entrevistador indicar-lhe a contradição entre a sua prática e o posterior discurso hipócrita.O banqueiro que fez péssimos negócios deveria assumir o erro e no limite falir.Outra coisa é a responsabilidade de quem nos governa na área financeira e económica,essa gente tem obrigação de nos avisar atempadamente acerca das contas públicas e do desastre iminente.Por causa do deixa andar até à última é que o país está de mão estendida a pedinchar pela 3ª vez!
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De Ana Vidal a 13.06.2013 às 00:23

Não esperava dos banqueiros preocupações morais, mas esperava (sou ingénua, eu sei) um comportamento mais discreto e algum pudor neste apontar de dedo às pessoas que se deixaram seduzir pelos eldorados que eles próprios lhes venderam.
Quanto ao papel do estado e de quem nos governa, dou-lhe inteira razão.
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De gustavo lopes a 12.06.2013 às 13:59

Lembro-me de ter recebido um cheque de dezenas de milhares de euros, acompanhado de uma carta que me lembrava que era altura de férias, ou talvez de comprar um quadro.

O cheque era utilizável imediatamente, sem mais formalidades, mas na carta vinha mencionada a taeg.

Passados cinco minutos estava no lixo.

Agora, se as pessoas querem ser tratadas como crianças...
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De Ana Vidal a 13.06.2013 às 00:29

É contra a perversidade dessas "ofertas" que me insurjo, Gustavo. É tão fácil seduzir quem tem uma vida difícil, não acha? Nem todos têm a informação e a sensatez suficientes para rejeitar liminarmente essas facilidades que aparentemente caem do céu, e para perceber que a factura virá fatalmente e será pesada.
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De Bandeira a 13.06.2013 às 11:57

Muito bem dito, Ana. Ou não vivesse o nosso sistema económico e financeiro de expectativas altas. Que aconteceria se de repente as pessoas de poucos recursos deixassem de acreditar que só podem melhorar as suas vidas - quiçá um dia até ser ricas? E a lata de quem engana e seduz as pessoas e depois vem dizer que são pouco menos que inimputáveis... um dia ouço-os dizer que os cremes que se vendem na TV tiram mesmo a celulite. Beijo
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De Vasco a 12.06.2013 às 19:52

Nem mais. Sempre achei que se devia ter deixado os bancos falir, como acontece com as empresas normais.
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De da Maia a 12.06.2013 às 19:58

Deve ser problema meu, mas... às vezes olho para porqueiros e penso - têm figura de "gentinha importante", e às vezes é o contrário.

Acho que se nota uma tentativa de eliminar a lama e o mau cheiro, pela sua fatiota dominical, e pela pose altiva.

Bom, hoje já percebemos que temos ter cuidado com a língua. Deve ser do Acordo Ortográfico. Por exemplo:
- "Vai trabalhar!"
... pode ser julgado sumariamente como impropério.

Hmmmm.... "palhaço" ainda aguarda investigação pelos SS - serviços silábicos - da República.

Ah! Este Estado de coisas acho que era normal... no tempo da outra República, não era?

Nesse tempo os governos cumpriam a Constituição?
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De Bandeira a 13.06.2013 às 11:58

Voltámos ao regime das queixinhas, da Maia;) Abraço

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