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O que torto nasce nunca se endireita

por Pedro Correia, em 27.05.13
Numa semana de Outubro de 1990, dúzia e meia de sábios iluminados reuniram-se no velho edifício da Academia das Ciências de Lisboa para mudarem a ortografia de uma língua falada por mais de 200 milhões de pessoas. Foi assim, neste ambiente de secretismo, quando não havia nenhuma demanda social para esse efeito, que nasceu o acordo ortográfico.
Nasceu torto. E, como diz o povo, o que torto nasce tarde ou nunca se endireita. O acordo nasceu torto desde logo por ignorar a esmagadora maioria dos pareceres técnico-científicos sobre a matéria. Foram produzidas notáveis peças de análise crítica por parte de escritores, professores, linguistas - e todas acabaram no fundo de uma gaveta, olimpicamente ignoradas. O poder político fez tábua rasa dos alertas da comunidade científica - não só portuguesa mas também brasileira - que advertiam para as suas inúmeras deficiências técnicas, para as suas incongruências conceptuais, para os seus clamorosos erros.
Temos, portanto, um acordo que quase ninguém defende, que quase ninguém respeita, que quase ninguém aplica na íntegra. O Presidente da República, que o promulgou, confessa numa entrevista que em casa continua a escrever como aprendeu na escola. O Ministro da Educação, que o faz aplicar no sistema lectivo, admite que não gosta de mudar a maneira de escrever. O secretário de Estado que o assinou em nome do Governo português continua a escrever, em blogues e jornais, na correcta grafia anterior ao convénio de 1990.

Este acordo pretendia unificar o nosso idioma, na sua versão escrita, mas acabou por consagrar grafias diferentes. Hoje o Estado angolano, por exemplo, tem uma grafia diferente da do Estado português. E este, por sua vez, acolheu como boas mais de 200 novas palavras que passam a ser escritas de forma diferente entre Portugal e o Brasil. Palavras como recepção ou excepção, que viram cair o p nos documentos oficiais portugueses, enquanto mantêm o p que sempre tiveram no documentos oficiais brasileiros.
Entre nós, em resultado das chamadas "facultatividades" reconhecidas pelo acordo, vai-se abolindo o carácter normativo da escrita, dando lugar a uma espécie de ortografia à la carte, ao sabor da subjectividade de cada um. Assim é possível ver órgãos de informação pertencentes ao mesmo grupo editorial escreverem nuns casos sector, com c, e noutros setor, sem c. Há jornais que adoptaram o acordo, mas adiantando desde logo várias excepções à regra, continuando por exemplo a pôr acento na palavra pára. Ainda há dias, a propósito da co-adopção, registámos quatro grafias diferentes desta palavra: com p e sem p, com hífen e sem hífen.
E porque não haverá de se instalar a confusão geral na escrita jornalística se ela impera no próprio Diário da República, onde já foram consagradas na letra da lei expressões como fato ilícito ou união de fato?
 
O acordo acabou por conduzir, portanto, ao caos ortográfico.
O que fazer?
Aquilo que deve ser feito quando alguma coisa não está bem: mudá-la.
Deve ser constituída sem demora uma comissão de revisão do acordo, com carácter muito alargado e reunindo especialistas dos mais diversos saberes, de modo a produzir um dicionário ortográfico e regras claras, que não violem a etimologia das palavras, como no absurdo espetador em vez de espectador, e não separem famílias lexicais, como na frase «há egiptólogos no Egito».
Enquanto não houver essa revisão profunda e enquanto não for produzido esse dicionário, o acordo deve ser suspenso. E naturalmente a sua aplicação obrigatória, prevista para 2016, deve ser adiada, como aliás o Brasil já fez.

 

Alguém me perguntava há dias por que motivo não se ouvem as vozes dos defensores do acordo.
A resposta é simples: essas vozes não se ouvem porque os defensores deste acordo são em número muito diminuto. Basta folhearmos livros que vão sendo publicados, de escritores das mais diversas tendências, das mais diversas escolas estéticas e de todas as gerações para se perceber que fazem questão em escrever estas suas obras na ortografia anterior ao acordo ortográfico de 1990. Isto sucede não apenas com escritores portugueses: ainda agora foi editado um livro póstumo de Antonio Tabucchi, intitulado Viagens e Outras Viagens. Lá vem a advertência, na ficha técnica: «Por vontade expressa dos herdeiros do autor, a tradução respeita a ortografia anterior ao actual acordo ortográfico.»
O mesmo sucede nos jornais: mesmo naqueles que aplicam o acordo, aliás cada qual a seu modo, não faltam colunistas e articulistas que insistem em escrever na ortografia pré-AO.
Em todos os sectores da sociedade portuguesa a rejeição das normas acordísticas é claríssima. E maior seria ainda se não houvesse a imposição de adoptá-las na administração pública, incluindo nas escolas, onde são largos milhares os professores que se opõem às regras ortográficas emanadas do AO. A estes professores, tal como a todos os utentes qualificados da língua portuguesa, o poder político tem a estrita obrigação de reconhecer e garantir o estatuto de objecção de consciência.
 
Vou terminar. Mas antes gostaria de contar um episódio que protagonizei e do qual me lembro sempre que ouço alguns dizerem que não vale a pena discutir o acordo por ele ser irreversível. Já tenho anos suficientes para ter visto enterrar muitas coisas consideradas irreversíveis. Em 1984, estava eu no início da minha carreira jornalística, escrevi uma carta aberta a José Ramos-Horta que terminava assim: «Um dia hei-de abraçá-lo num Timor livre e independente.» O jornal onde eu trabalhava tinha uma linha editorial de apoio à integração de Timor na Indonésia precisamente por a considerar irreversível.
Afinal não era irreversível. E vinte anos depois dessa carta aberta, em 2004, pude abraçar de facto Ramos-Horta - já então galardoado com o Nobel da Paz e exercendo as funções de primeiro-ministro do seu país, num Timor livre e independente.
Os timorenses souberam resistir.
Nós devemos continuar a resistir também. Em nome daquilo em que acreditamos. Por isso dedico este livro à minha filha Joana, aqui presente. Porque nós, os mais velhos, somos fiéis depositários de valores culturais que temos o dever de legar às gerações futuras. E nenhum valor cultural é tão nobre e tão inestimável como a nossa língua.
 
Texto lido na apresentação do meu livro, dia 21, em Lisboa.

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84 comentários

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De Daniel João Santos a 27.05.2013 às 21:34

uma pergunta: o meu filho aprendeu e só escreve segundo o Acordo Ortográfico, se a coisa andasse para trás como se resolvia este problema?
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De Pedro Correia a 27.05.2013 às 22:23

Caro Daniel:

O 'acordo' torna a nossa língua cada vez mais distante do étimo clássico, nomeadamente do latim, afastando-nos assim das grandes línguas contemporâneas do mundo ocidental - nomeadamente o inglês, o espanhol, o francês e o alemão.
Falando claro: de que adianta o seu filho aprender agora a escrever "ator" ou "diretor" em acordês se logo a seguir, quando aprender inglês ou espanhol, tiver de escrever "actor" ou "director"?
De que adianta aprender a escrever "exceção" , "perspetiva" ou "receção" - palavras inventadas pelos acordistas - se em todo o mundo lusófono, começando pelo próprio Brasil, já sem falar em Angola ou Moçambique - se escreve "excepção", "perspectiva" e "recepção", como nós sempre escrevemos?
O acordo, em vez de nos aproximar dos padrões ortográficos dos principais idiomas, que respeitam a etimologia - ou seja, a impressão digital da palavra -, afasta-nos desses padrões. E afasta-nos ao mesmo tempo dos países africanos de língua oficial portuguesa, que continuam a optar pela variante europeia do português. E afasta-nos, em mais de duas centenas de vocábulos de uso muito corrente, dos próprios brasileiros.

Que regras ortográficas podem ser neste momento ensinadas às crianças nas escolas portuguesas se uma palavra como "confeccionámos" passa a ser escrita de quatro formas diferentes, todas lícitas face ao acordo, e "electrónica" admite oito grafias diferentes (com C e sem C, com acento agudo ou circunflexo, com maiúscula ou minúscula conforme se trate ou não de uma cadeira académica)?

Os encarregados de educação têm, neste quadro, uma palavra muito importante a dizer. Deixando claro, junto dos responsáveis escolares, que rejeitam o novo quadro pseudo-normativo, que introduz o caos ortográfico na língua portuguesa. E os alunos, de graus superiores de ensino, têm igualmente todo o direito de rejeitá-lo sem ambiguidades.
Foi já isso que aconteceu
Não por acaso, a Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa acaba de rejeitar, em moção aprovada na íntegra, a aplicação do "acordo ortográfico".
(aventar.eu/2013/05/24/estudantes-contra-o-acordo-ortografico/)
Na linha do que já havia sucedido no Instituto Superior Técnico, por iniciativa da respectiva Associação de Estudantes.
(www.publico.pt/educacao/noticia/estudantes-do-tecnico-de-lisboa-contra-acordo-ortografico-1547013)

Um abraço.
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De PPorto a 28.05.2013 às 13:33

PC,
Sem mentiras, não há desacordismo.

O espanhol, o italiano, o romeno têm todas ortografias etimológicas simplificadas.
Em espanhol escreve-se actor porque aquele c soa. Mas também se escreve "abogado" porque o "dv" latino não se pronuncia. Em francês escreve-se "avocat", sem d latino, pela mesma razão.

O inglês "object" escreve-se em espanhol "objeto", e em francês "objet", e fazem-no pela mesma razão que nós escrevemos "objeto". Será que todos os milhões de falantes de espanhol, frances e português têm a desdita de não saber o que é um "objeto", coisa que só é verdadeiramente acessível a quem fala inglês?

Quanto aos professores, também eu acho que eles têm todo o direito de objeção de consciência sobre o AO ou o vegetarianismo ou o criacionismo. No entanto, os pais dos alunos e os alunos têm o direito de que a objeção de consciência dos professores não interfira com a qualidade do ensino, incluindo a transmissão da norma ortográfica que os pais já usam e que os filhos vão usar na sua vida profissional.
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De Pedro Correia a 28.05.2013 às 15:46

Palavras como essas revelam a mesma arrogância manifestada pelos autores/produtores do AO, que tentaram impô-lo na sociedade portuguesa (e em todos os países lusófonos!) contrariando a grande maioria dos pareceres técnico-científicos, incluindo um parecer com a chancela oficial da Direcção-Geral do Ensino Básico e um documento detalhadíssimo assinado por 20 professores da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Os professores exigem e verão reconhecido o estatuto de objector de consciência porque têm a força da razão com eles e não por especial condescendência do poder político.
Malogrou-se a sua tentativa de ironia ao invocar o vegetarianismo e o criacionismo, procurando desta forma desqualificar os seus oponentes no plano intelectual, mas o gesto não deixa de ser significativo por emanar do mesmo caldo de cultura que produziu este inaceitável 'acordo': a tentativa permanente de impor fa(c)tos consumados sem qualquer debate.
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De da Maia a 28.05.2013 às 18:44

PPorto:
... sempre o mesmo vazio, sai debaixo das pedras apenas para cumprir a faxina acordista?

Está com a letra da lei, castrada para lhe servir ao feitio?
- Muito bem, houve sempre muitos colaboracionistas, prontos a seguir a letra de qualquer lei para lucrar com ela.
O que é sempre mais difícil é lutar contra as imposições.

Argumentos de cumprir lei, encontramos em qualquer executor, em todos os tipos de regime. São especialmente acarinhados em ditaduras.
Porque um executor, executa... para ser coerente você deveria escrever "ezecuta".

Mas a questão nem é a fonética, é mais a falta de respeito por ela, aumentando o número de palavras homógrafas, favorecendo apenas a instalação de um maior caos linguístico.
O que interessa sempre aos agitadores patrocinados é a instalação da confusão.
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De Luís Lavoura a 28.05.2013 às 15:22

O 'acordo' torna a nossa língua cada vez mais distante do étimo clássico, nomeadamente do latim, afastando-nos assim das grandes línguas contemporâneas do mundo ocidental - nomeadamente o inglês, o espanhol, o francês e o alemão.

Pois, o Pedro preocupa-se especialmente com o inglês, está-se a ver, as outras línguas deve conhecê-las mal.

O alemão não deriva de nenhum étimo clássico, muito menos do latim. Em alemão as palavras escrevem-se tal e qual como se lêem.

O italiano, que pelos vistos não é para o Pedro uma grande língua, escreve-se como se lê (incluindo não ter hs no princípio das palavras).

Em espanhol escreve-se "Federico", não respeitando o étimo alemão "Friedrich". O Pedro tem que ir ensinar os espanhois a porem lá um r, mesmo que não o queiram ler. Vai ver a resposta que recebe.
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De Pedro Correia a 28.05.2013 às 16:50

A única língua com grande dimensão no Ocidente que tem uma base essencialmente fonética é o italiano. Mas mesmo o italiano conserva resquícios etimológicos ao dobrar a consoante cuja grafia foi alterada (p. ex: 'actor' e 'actriz' originou 'attore' e 'attrice').
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De Luís Lavoura a 28.05.2013 às 18:24

Fico satisfeito por o Pedro se dispôr a reconhecer que o italiano é uma grande língua.
Agora reparo que para o Pedro o "Ocidente" não abrange a Alemanha. O alemão é uma língua 100% fonética (a não ser umas poucas palavras importadas, como por exemplo Universitaet em que o v se lê mesmo v em vez de se ler f como em geral).
Ademais, se o Pedro se dedicar a aprender ainda mais um bocadinho de línguas, descobrirá com surpresa e choque que no "Oriente" as línguas também são praticamente todas fonéticas (o polaco, o checo, o sérvio, etc).
Conclusão: o inglês e o francês são línguas excecionais. Elas não são a norma, são exceções.
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De Vasco a 28.05.2013 às 23:52

As outras línguas que se phodam. Se não fossem cobardolas tropicalistas como vocês — cujo único intuito é lixar tudo com a vossa ideologia miserável — estávamos bem melhor.
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De João André a 29.05.2013 às 10:32

A essas adiciono o holandês, também bastante fonético, tanto quanto o consigo imaginar. Só aponto um aspectozinho: tenho dificuldades em ver como fonética uma língua como o alemão onde o "ch" se pronuncia de forma diferente consoante o caso. É certo que existem regras para isso, mas o simples facto de haver duas formas diferentes de o pronunciar faz-me torcer o nariz. Seja como for, é apenas uma questão de perspectiva pessoal, que não está necessariamente correcta.

Quanto às línguas eslavas (prefiro isso a "orientais"), a única que conheço 100% fonética é a versão sérvia do serbo-croata, onde a cada letra corresponde um som. Ao ponto de os nomes serem escritos foneticamente. Nesses casos apenas me incomoda o hábito de escrever em alguns casos o "u" nos nomes estrangeiros como "v".
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De Luís Lavoura a 29.05.2013 às 10:55

O ch alemão não é problema nenhum: você aprende a regra e aplica-a. No alemão o problema não são as regras, são as exceções, que as há muitas (mas raramente na forma de se ler, e nesses casos trata-se de palavras de origem estrangeira) e você tem que aprender essas exceções todas e isso é lixado. Mas o ch não tem exceções, lê-se como se lê dependendo apenas da letra que está antes dele e de estar no fim de uma sílaba ou não. É simples.

Eu apenas me referi às línguas eslavas como "orientais" porque o Pedro falou no seu comentário de "no Ocidente" omitindo deliberadamente o alemão e o italiano. Pelos vistos para o Pedro "Ocidente" é França, Inglaterra e Espanha...
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De Bic Laranja a 29.05.2013 às 11:18

O holandês agora? Ponha-se aí o tupi que calha a propósito.
Cumpts.
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De shj a 30.05.2013 às 03:36

Philosophie und Physik
Alemão, língua da filosofia e da ciência.
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De da Maia a 28.05.2013 às 19:04

Luís,
essa é engraçada. Um dia, um alemão veio-me com essa conversa (devem convencê-los disso), e eu disse-lhe:
- Em "machen" lês o "ch" como "R" e em "durch" como "ch" e em "Technik" como "k"...
É claro, ele calou-se... deve ter ficado a pensar que alguma coisa lhe tinha escapado.

O alemão não ter uma parte de raiz latina é também para rir... vai-se a ver e nem é indo-europeia, descobriu agora o Luís.

Sobre o italiano, o Pedro Correia já respondeu, e mais importante, há séculos que eles decidiram isso... porque tomaram Dante como referência.
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De Luís Lavoura a 29.05.2013 às 09:22

da Maia,

Os alemães na generalidade conhecem muito mal a gramática da sua própria língua. Isso explica por que motivo esse alemão não lhe soube responder.

O ch alemão tem uma regra clara e inequívoca: lê-se RRR quando vem a seguir à letra a ou à letra u, lê-se ch (ou k, se fôr no fim de uma sílaba, mas isso depende da pronúncia, isto é, da região da Alemanha) quando vem a seguir a qualquer outra letra.

Por isso, não há qualquer ambiguidade: havendo um ch, você sabe sempre como se lê, mesmo que não conheça a palavra.

Já agora, a palavra alemã Technik lê-se mesmo technique. O ch pronuncia-se mesmo ch (mais própriamente pronuncia-se de uma forma muito suave, um som que não existe em português - ch não é o mesmo som que sch em alemão), não se pronuncia k.
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De da Maia a 29.05.2013 às 13:27

Sai mais uma excepção prá mesa do Luís:
- "doch" lê-se "RR"
- "gemocht" lê-se "ch"

Lá se foi a regra inequívoca...
Quanto ao "k" sim, varia consoante a área.
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De Luís Lavoura a 29.05.2013 às 15:38

da Maia,

Peço desculpa, enganei-me no comentário anterior. O ch lê-se RRR a seguir a A, O e U e lê-se chch a seguir a qualquer outra coisa.

Por exemplo, com RRR:

Bach (ribeiro), Loch (buraco), Buch (livro)

ou, com chch:

ich (eu), Pech (azar), Richter (juiz), feucht (húmido), maechtig (poderoso), Buecher (livros).

As letras chs lêem-se KS, por exemplo em Fuchs (raposa).

Quanto ao ler-se k ou chchc, foi um engano meu, referia-me aí à letra g no fim de uma sílaba, por exemplo em "es regnet" (chove), que tanto se pode ler "ess reknât" como "ess rechchnât", dependendo da zona da Alemanha.

Seja como fôr, e isto é o que interessa para o caso, as palavras lêem-se tal e qual se escrevem, de acordo com uma regra bem definida. Não há letras mudas.
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De Daniel João Santos a 28.05.2013 às 21:42

tudo bem. bem colocado. No entanto, os manuais estão segundo o AO.
De qualquer forma, digo eu, parece-me algo difícil "desformatar" quem aprendeu segundo o AO.
Regresso ao exemplo: o meu miúdo lê trator. Um dia deste surgiu num texto de um livro antigo tractor e ele leu o c.
Eu próprio, estou a escrever agora segundo o AO de forma a me entender com ele enquanto estudamos juntos.
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De Pedro Correia a 28.05.2013 às 23:44

Caro Daniel: não me parece mal ler 'tractor'. Muito pior é ouvir dizer "contato" na TV, como tantas vezes me tem acontecido.
Quanto ao "livro antigo", talvez não seja tão antigo assim: todos os meses, todos os dias, continuam a ser editados dezenas de livros em grafia pré-AO, assinados pelos melhores escritores portugueses. Ainda ontem saiu um, do Herberto Helder.
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De hjk a 30.05.2013 às 04:14

A grafia do livro de Herberto Helder e de tantos outros - até muitos de Saramago, não é pré-acordo, mas post-acordo. O "acordo" era de 1990 e o livro saiu agora.
Como o acordo é, de facto, a ortografia brasileira dos anos 30 do século passado, nada mais normal do que usar a ortografia portuguesa vigente no séc. XXI em Portugal
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De Pedro Correia a 01.06.2013 às 20:46

De acordo (não ortográfico).
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De klo a 30.05.2013 às 04:09

E deixa que desapossem o seu filho da lingua dele por motivos políticos, como diz o Casteleiro?

Mas não é problema nenhum ler o c de trator.
Quando aprender inglês saberá que não deve ler o k de "know". Afinal o que faz aquele "k"?
Será por essas e por outras que os brasileiros têm tantos problemas com o inglês? "A falta de domínio de inglês é outro entrave às candidaturas. "Até o pós-graduado tem inglês ruim"
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De zedeportugal a 28.05.2013 às 23:39

O Pedro responde-lhe longa e didaticamente. Eu responderia de forma muito mais simples, com uma sugestão: Porque não pergunta o Daniel aos EE brasileiros como resolveram eles esse problema quando o AO foi suspenso por lá?
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De Pedro Correia a 01.06.2013 às 20:48

Os brasileiros estão-se nas tintas para a "unificação" ortográfica. Isso foi uma miragem daqueles que, por cá, são sempre mais papistas que o Papa.
Aliás como poderia haver "unificação" ortográfica se há desunião em tudo o resto - lexical, sintáctica, vocabular e de pronúncia?
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De Vasco a 28.05.2013 às 23:50

Se aprendeu, desaprende. O AO só foi imposto às escolas desde finais de 2011 ou mesmo 2012, portanto duvido que tenha deixado marcas irreversíveis. E não usem as criancinhas como desculpa para não fazermos o que temos de fazer: abolir este monstro para sempre.
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De Bic Laranja a 29.05.2013 às 11:06

O confrade Pedro Correia é mais paciente consigo do que eu.
Abreviando. Porque o seu filho que começou agora nas letras já escreve torto, nunca mais devemos endireitar a escrita.
Parece-me que optamos presentemente por coisas demasiado estúpidas por não pensarmos nas consequências; e deixamo-nos seguir na estupidez sem emenda, por persistirmos em não pensar.
Cumpts.
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De ghy a 30.05.2013 às 03:53

E que tal começar a explicar ao seu filho o que é um Estado de Direito e uma Democracia?
É que a imposição do acordês é exactamente o contrário: o acordês não está em vigor.
A ortografia da Lingua Portuguesa é regida pelo Decreto 35228, que está em vigor, mesmo se o governo o desrespeita.
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De jj.amarante a 27.05.2013 às 22:54

Concordo muito com o que diz. E toda a história do que se passou com este malfadado acordo dá mais força à tese de que este enorme disparate pode e deve ser corrigido. Considero a suspensão imediata como a melhor solução.
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De Pedro Correia a 28.05.2013 às 15:37

Estamos em sintonia, meu caro. Os acordistas querem fazer de conta que o problema não existe: sempre evitaram o debate, antes e depois da aparição do acordo, como se duas dezenas de pseudo-iluminados tivessem mandato para alterar uma ortografia praticada por duzentos milhões de pessoas.
Mas a questão existe. Aí está ela, bem patente nas ortografias cada vez mais diversificadas que separam portugueses de brasileiros e de angolanos e de timorenses e de moçambicanos. Aí está ela, na criação de palavras como 'exceção' ou 'receção', que mais ninguém usa em lugar algum.
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De jpt a 28.05.2013 às 04:48

Suspenda-se, já! Abraço e parabéns.
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De Pedro Correia a 28.05.2013 às 15:14

Obrigado, meu caro. Um abraço daqui até ao Índico.
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De fatima a 28.05.2013 às 10:19

Bravo! Vou imprimir este texto e juntá-lo ao livro.

Bem haja, Pedro, e todos os que não baixaram os braços perante esta imoralidade.
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De Pedro Correia a 28.05.2013 às 16:34

Eu é que agradeço mais estas palavras de incentivo, Fátima.
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De Luís Lavoura a 28.05.2013 às 11:27

a correcta grafia anterior ao convénio de 1990

Por que raio hé de essa grafia ser correta? Ela própria resultou de múltiplas alterações, de múltiplos decretos, de múltiplos compromissos. Por que não se escreve "mãi"? Por que não se escreve "bibliotheca"? Por que não se escreve "pharmacia"? Tudo por resultado de alterações instituídas por decretos. Por que motivo considera o Pedro esses decretos corretos, mas o presente acordo não?
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De Pedro Correia a 28.05.2013 às 16:45

Não sou eu que digo: o problema em Portugal é o contínuo "achismo" de quem julga ter necessidade de emitir opinião sobre os mais diversos assuntos que conhece apenas superficialmente ou nem conhece de todo. Por isso li diversos pareceres especializados sobre o AO, todos críticos e todos ignorados pelo prof. Malaca Casteleiro e pelos legisladores que lhe deram ouvidos.
Refiro-me, por exemplo, aos pareceres da Comissão Nacional da Língua Portuguesa, da Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário e da Associação Portuguesa de Linguística.
Legislar sobre a língua não pode decorrer de palpites ou de "achismo": tem de estar assente em sólidas bases científicas. Ou então dá asneira, como foi o caso.
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De hjk a 30.05.2013 às 04:24

O Pedro Correia desconhece porventura que o acordo foi em boa hora imposto por Cavaco Silva e Santana Lopes?
Dois gigantes! Um confundiu Thomas Mann com Thomas More, outro é o dos concertos de violino de Chopin.
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De Pedro Correia a 01.06.2013 às 20:50

Não desconheço, hjk. Por acaso até refiro isso com algum pormenor no meu livro.
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De da Maia a 28.05.2013 às 19:23

Quanto mais não seja porque manter uma grafia durante umas décadas permite uma ligação estável e saudável ao passado.
Já bastavam as 3 mudanças que se produziram no último século, coisa que não se viu em mais nenhuma língua importante, para agora ainda aparecer esta quarta mudança.

Que tal mudar de grafia com cada governo?
Hmmm? De quatro em quatro anos, sai decreto e ora saem umas letras ora entram outras...

A língua portuguesa não é propriedade de nenhum governo.
Não é o governo que nos ensina a falar, é a família, é uma tradição milenar, que foi preservada.
O governo meter a colher na escrita, havendo manifesta resistência de grande parte da população, é impor aculturação, em vez de preservar cultura.
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De Luís Lavoura a 29.05.2013 às 09:25

A tradição é uma coisa horrível. A tradição que se phôda.
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De farrusca a 29.05.2013 às 17:34

Senhor Luís L(av)oura:
Sem "tradições" não há "memórias".Sem "memórias não há "raízes". Sem "raízes" não há...........

“A maior parte dos problemas do homem decorre de sua incapacidade de ficar calado.”
Blaise Pascal 1623-1662), filósofo, matemático e físico francês

“Ninguém pode esperar ser compreendido até que os outros aprendam a linguagem em que fala.”
Fernando Pessoa, (1888-1935)

"Que sorte possuir uma grande inteligência, nunca lhe faltam asneiras para dizer”
Tchekhov
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De da Maia a 29.05.2013 às 19:55

Luís, ok, vá lá então submeter-se acocorado à tradição que lhe incutiu os arrotos pré-sinápticos que vai teclando.
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De Bic Laranja a 29.05.2013 às 11:17

Irra! O erro não é a escrita. É ESTAR SEMPRE A MUDÁ-LA!
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De hjk a 30.05.2013 às 04:29

Mudá-la em Portugal e ditatorialmente.
O inglês e o francês têm a mesma ortografia há mais de 250 anos.
Aliás, facto interessante: não há qualquer país que desconheça a ditadura ou a ocupação que tenha feito reformas ortográficas.
O que fizeram foi acabar com o analfabetismo.
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De Luís Lavoura a 30.05.2013 às 11:33

O inglês e o francês têm a mesma ortografia há mais de 250 anos.

É certamente por esse motivo que as ortografias dessas línguas são as borradas que se vê.

Os maus exemplos não são para imitar.
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De da Maia a 30.05.2013 às 15:42

Luís, veja se percebe uma coisa.

Sabe como se chama a uma criatura que despreza o registo passado?
- Barata tonta!
E isto não é ofensa. Você confunde tudo!

Para si o passado parece um obstáculo ao futuro, porque lhe impingiram a tradição niilista, que lhe impregna uma ideia de liberdade infantil.

Porque crianças, libertas de memória, julgam-se sempre livres, mas são também os cordeiros mais fáceis de conduzir pelos pastores de serviço.

A quase totalidade da população é órfã de informação dos antepassados. E os órfãos são os mais fáceis de manipular contra as tradições, porque não as percebem, julgam que é tudo estupidez... e que a esperteza vai começar agora.
Essa esperteza de que "os velhos eram burros", recomeçou vezes sem conta, em muitas gerações, para ser sempre manipulada.

A língua traz uma informação do passado... com imensas excepções. As excepções não são defeito, são feitio.
O seu exemplo do alemão até foi bom. Não tinha reparado que a pronúncia do "gemocht" é "gemoRRt", uma deturpação da fonética do verbo "möchten" para se adaptar à regra (mais valia escreverem "gemöcht").
Isso é uma aberração, e devemos estar contra essas aberrações impostas por regras mecânicas, que sempre foram tentações dos gramáticos.

Se quiser perceber o português, comece por notar que o verbo "ir" e o verbo "ser" se confundem nas conjugações... e isso é feito de forma natural, ninguém lhe nota ou aponta razão. As crianças rapidamente interiorizam as excepções, e após uma meia-dúzia de erros naturais, falam na perfeição.

Pode mecanizar isso, destruir a tradição, mas não ganhará nada com isso, e por outro lado, nem vai perceber o que perde, e o que está a fazer perder, a troco de aparente simplificação - será só mecanização, robotização das cabeças.

Ou seja, você poder querer a liberdade da "barata tonta", mas essa liberdade termina quando é feita para impor aos outros que também o sejam.
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De Luís Lavoura a 31.05.2013 às 09:27

O caso do verbo alemão moechten, que no particípio passado é gemocht, com os chs a lerem-se de forma diferente, nada tem de especial. É como nos plurais em que por vezes se acrescenta um Umlaut e a letra se fica a ler de forma diferente, por exemplo Macht e Maechte (= poder, poderes).

É verdade que as crianças aprendem as línguas. Isso vê-se peculiarmente bem precisamente na Alemanha, onde as pessoas aprendem a declinar corretamente os substantivos mas, na generalidade, não fazem ideia do que seja o dativo ou o genitivo. O conhecimento da gramática alemã entre os próprios alemães é muito baixo. E muitos cometem erros de ortografia, por exemplo, uma vez num comboio vi uma mãe a jogar ao jogo da forca com o filho com a palavra Arzt (= médico), que ela escreveu incorretamente Artzt!

Sobre as tradições, não tenho muito a dizer-lhe, simplesmente que o meu gosto pessoal, político e filosófico é diferente do seu. Para mim a principal utilidade da tradição é phodermo-la. Para mim, as tradições são em geral aquilo que se deve violar. É por isso que sou politicamente um liberal completamente anti-conservador. Mas compreendo e aceito que haja pessoas com sensibilidades opostas.
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De da Maia a 31.05.2013 às 17:55

Sobre o alemão, já vi que viveu na Alemanha, e por isso, parece saber mais de alemão do que de português. São coisas diferentes, e pode ser alemão, na Alemanha.

Quanto ao resto, resta a condescendência que se dá às crianças que julgam que não têm que crescer, que podem ser sempre crianças.
Consistentemente, irá educar o seu filho a opor-se à tradição. Muito bem, só que depois a tradição será representada por você. Para a próxima geração, você será o conservador... apesar de se julgar liberal.
Percebe o absurdo?

Você julga que é algo de novo, que é evolução, mas não é... ideias anti-tradição existem há milénios.
Depois de apagar a memória, passam a nova tradição...

Olhe, se o seu filho lhe partir a louça toda, sacar-lhe a carteira, etc... isso não é errado, ele apenas não estará a respeitar a sua tradição.
Deve até ficar contente com isso - aprendeu consigo!
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De hjk a 30.05.2013 às 18:54

O inglês e o francês e a sua estabilidade ortográfica são maus exemplos em quê?
Nos dois países o analfabetismo é zero há muitos decénio. A literacia é altíssima. Foi naquelas línguas e continua a ser, pelo menos no inglês que e escreveram alguns dos mais importantes textos do séc. XX. O inglês é a língua da ciência e a língua franca da cultura.
Onde está, precisamente, o mau exemplo? O que propunha?
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De Luís Lavoura a 31.05.2013 às 09:19

O que propunha?

Eu sei lá, no mínimo, que em francês Dupond e Dupont se passassem a escrever da mesma forma. Em inglês, no mínimo, que through se passasse a escrever thru - como se escreve correntemente nos EUA.

Mas enfim, longe de mim querer ir dar ordens nas línguas dos outros.

O que não quero é que o português fique como elas, com uma ortografia anquilosada no tempo, cheia de letras que se pronunciavam talvez há duzentos anos mas que hoje não se pronunciam.

As línguas faladas evoluem, o que deve implicar que as suas ortografias também evoluam.
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De hjk a 30.05.2013 às 04:19

"múltiplas alterações, de múltiplos decretos, de múltiplos compromissos."

Seria interessante que lesse a história: até 1911 não há qualquer decreto ou compromissos. Há consensos e bom senso.
De decretos há o decreto ditatorial de 1911, há o acordo de 1945 - que pouco difere do primeiro e uma alteração de 1973.
É a isso que chama múltiplos decretos?
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De Helena a 28.05.2013 às 12:41

A única coisa irreversível é a morte. Suspenda-se este disparate. Gostei( como sempre) de te ler.


Um beijinho de Dili.
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De Pedro Correia a 28.05.2013 às 15:33

Um beijinho agradecido e votos de boa estada nessa cidade onde vivi mais de dois anos inesquecíveis e fiz tantos e tão bons amigos, Helena.
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De PPorto a 28.05.2013 às 13:08

PC,
Não se "ouvem as vozes que defendem o acordo" pelo mesmo motivo que não se ouvem as vozes a favor da água canalizada nem se ouvem as vozes a favor de carrinhos de bebé: quem está bem não protesta.

O par Egito/egipcio tem a mesmo fundamento filológico que os pares Guimarães/vimaranense, ou Chipre/cipriota, ou Mónaco/monegasco e outros. O que é que o primeiro tem de tão mau que os outros têm de tão bom, tão perfeito e tão intocável?

Erros no DR e em tantos outros lugares sempre houve e continuará a haver. Mas para quem tem ódios de estimação e faz pesca à linha, "a culpa é do AO".

"Em todos os sectores da sociedade portuguesa a rejeição das normas acordísticas é claríssima."

Nada mais falso. Não confunda caturras com "toda a gente", nem caturrice com o "todo o mundo".

Na vida pública, na comunicação social, na edição de livros, já quase ninguém usa a ortografia antiga. Nas universidades, apenas a Faculdade de Letras teima em usar ortografia antiga. São caturrices.

Quanto ao mais, desejo sinceramente que tire proveito financeiro das vendas do seu livro.
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De Pedro Correia a 28.05.2013 às 15:32

Começando pelo seu sarcástico e algo deselegante comentário final: como deve saber, se há "proveito" que não imagino ter com este livro - como sucede com 99% dos livros que se editam em Portugal, na perspectiva de um autor - é o financeiro.
A sua recusa em debater esta questão comparando o AO com carrinhos de bebés é típica da mentalidade com que foi lançado o convénio concebido pelo prof. Malaca Casteleiro, sob pressão directa dos titulares ocasionais do poder político: impõe-se o facto consumado e debate-se depois - ou melhor, não se debate em circunstância alguma alegando então estarmos perante um fa(c)to consumado.
É curioso que este seu comentário surja no dia seguinte ao do aplaudido lançamento de um livro de Herberto Helder - também escrito na grafia pré-AO, como sucede com a esmagadora maioria dos escritores portugueses. De António Lobo Antunes a João Tordo, passando por Manuel Alegre, Mário de Carvalho, Maria Velho da Costa, Miguel Esteves Cardoso, Miguel Sousa Tavares e um imenso etc.
Você confunde imposições de algumas empresas de comunicação social e de alguns grupos editoriais aos seus assalariados com adesão voluntária e entusiástica ao AO - algo que mais ninguém vislumbra. Aí tem o caso recentíssimo da Ana Margarida de Carvalho, que enquanto jornalista da revisão 'Visão' utiliza o acordês (imposição do grupo Impresa) mas no romance que acaba de editar, 'Que Importa a Fúria do Mar', escreve como gosta e como quer e como entende que deve ser veiculada correctamente a nossa língua na sua versão impressa: rejeitando o 'acordo'.
'Velhos caturras', os alunos da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico que rejeitaram expressamente, em votação, a aplicação do acordo? 'Velhos caturras', os alunos da Associação de Estudantes da Faculdades de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que acabam de seguir o exemplo dos colegas do Técnico?
(aventar.eu/2013/05/24/estudantes-contra-o-acordo-ortografico/)
Comunicação social: da Rádio Renascença ao Porto Canal, do Público ao Diário Económico, do i ao Jornal de Negócios, passando pela grande maioria da imprensa local e regional, não aplicam o acordo. Não confunda Portugal com três ou quatro grupos de CS sediados em Lisboa.
E já agora, do alto da sua sabedoria, não se esqueça de ensinar aos franceses, ingleses, alemães e espanhóis que a verdadeira ortografia é aquela que deita a etimologia borda fora enquanto presta culto à transcrição fonética da "pronúncia culta", seja lá o que isso for.
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De PPorto a 28.05.2013 às 16:06

PC,
Em primeiro lugar, se o meu comentário sobre o seu livro lhe soou a sarcasmo, peço desculpa porque essa não era de todo a minha intenção. E a prová-lo, digo-lhe que só não comprei ainda o seu livro porque nem na Bulhosa nem no lugar da apresentação ele estava disponível. Mas irei comprar. De resto, ja sabemos que não terá proveitos financeiros, é assim que essas coisas são (quase) sempre. Mas penso que a minha compra dará para um café: portanto - lembre-se mesmo disto - a próxima bica é por minha conta (e com muito gosto).

Todos os nomes que citou são caturras, velhos do Restelo. Disso não tenha dúvidas. A caturrice também pode ser ilustrada, e quanto mais ilustrada mais caturra é.

Os jornais que cita são residuais; 80% da imprensa portuguesa usa o AO, todas as televisões generalistas usam.

Quanto aos estudantes da AE da Nova e do IST, eles não estudaram, porque se tivessem estudado não usavam argumentos de caturras; e agora é a sua vez de passar publicidade:
http://emportuguezgrande.blogspot.pt/2013/05/se-a-ignorancia-desse-equivalencias.html
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De Pedro Correia a 28.05.2013 às 16:29

Não bebo café, mas agradeço-lhe a intenção.
O livro está à venda na Bertrand e na FNAC, por exemplo. E, até 10 de Junho, no pavilhão da Guerra & Paz da Feira do Livro de Lisboa.
Apreciei - desta vez sim - a sua ironia ao invocar as televisões generalistas como referência na defesa do idioma. Dispenso-me de anotar aqui as dezenas de agressões diárias ao português, pré ou pós-'acordo ortográfico', que nos chegam por essa via e são facilmente documentáveis: nós próprios aqui damos nota frequente disso. Mas confesso-lhe que há muito não ria com tanto gosto.
Todo o processo do AO, que estudei em pormenor, decorre sob o signo permanente da falta de debate. A técnica é conhecida: primeiro consuma-se a coisa sem discussão, depois diz-se que já não vale a pena discuti-la porque ela já foi posta em prática. Se este procedimento fosse adoptado a todos os níveis entre nós, concluiríamos sem risco de falhar que a democracia em Portugal teria emgrado para parte incerta.
Não o acompanho minimamente, nem ao autor da hiperligação que aqui traz, na contínua desqualificação de quem se opõe às nossas teses ("caturras", etc). É o caso dos estudantes universitários: se são a favor do AO, trata-se de malta fixe; se são opositores do AO, são uns calões e até pouco menos que analfabetos. Não adianta nada para a discussão nem me parece uma forma justa e leal de debater. Tratando-se deste tema ou de outro qualquer.
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De PPorto a 28.05.2013 às 18:29

Desculpe, Pedro, mas quando à posição da AE, o assunto não está tratado em termos "os fixes são meus, os caturras são teus". Muito pelo contrário.
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De zedeportugal a 29.05.2013 às 00:15

O gago do Porto (presumindo que PPorto é gaguês de escrita) tem razão neste ponto. A terminologia é que não está correcta. Se na sua terminologia, "os fixes" significa "os intelectuais orgânicos" (conforme definidos por Gramsci) eles são definitivamente os seus. Do mesmo modo, se na sua terminologia "os caturras" significa "todos os que se opõem à escola única" (conforme definida pelo mesmo Gramsci), então, eles são definitivamente os nossos.
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De da Maia a 28.05.2013 às 20:22

PPorto:
... se não sabe, deveria saber, as instituições estatais portuguesas estão obrigadas a cumprir a lei, seja a bosta do acordo, ou outra qualquer.
As universidades não são excepção.
Por isso tem convenientemente uma tácita adopção do acordo... porque as pessoas não estão para arranjar problemas com fraternidades do avental, e as sumidades que as representam na hierarquia.

A sua resposta, colocada no seu "saite", à frase de uma Associação de Estudantes, só revela ignorância, porque ignora obviamente Duarte Nunes de Lião, o gramático de referência do Séc. XVI.
Você sabe disso, quanto mais não seja, porque eu já lhe disse. Mas isso não lhe interessa, porque tem um servicinho a cumprir, e a honestidade intelectual que se lixe...

Para complemento, notei que o seu "proteitor" aparece uma só vez em Garcia de Resende, e pode passar até por erro tipográfico. Servem os erros tipográficos?

E em Camões encontra "aspeito", mas também "daspeito"... e daí? O que conclui sobre variações de forma numa obra poética?

O que poderia concluir está no primeiro tratado sobre ortografia, que omite convenientemente!
Daí, conclui-se que vale tudo... mesmo a sua conveniente ignorância.
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De PPorto a 28.05.2013 às 22:01

Maia,
Vc está azedo, amargurado. Ainda bem, é sempre bom quando os que puxam para trás andam mal dispostos, é sinal que o mundo vai no bom caminho. Vou continuar a azedá-lo.

Uma das carateristicas fundacionais e evolutivas da LP é a eliminação das sequências consonanticas. Por exemplo, o "ect" latino foi por regra transformado em "eit" Português. É por isso que temos "peito", "efeito", "respeito", "leitor", etc, etc. Damião de Góis escreveu proteitor, e Camões escreveu "aspeito", porque era assim que se pronunciava e grafava tudo quanto tinha origem no latim "ect", não porque fossem erros de ortografia.
Em Camões há outros exemplos interessantes e reveladores da fonética do tempo. Ele escreveu "sutil" e nunca "subtil" porque tal coisa não se pronunciava assim naquele tempo. Assim como escreveu benino e quase nunca benigno e malino e quase nunca maligno porque aquele g não se pronunciava. Sobre a fonética do tempo de Camões, e as concessões classicistas que ele umas vezes tolerou e outras não, aconselho-o a ler o trabalho do professor Pimpão.

Mas há mais. Tanto Oliveira, como Barros, como Gondavo, como Góis, como depois Lião escreverem "dição" e nunca "dicção". E fizeram-no porque aquele c mudo era mesmo mudo, e por algum motivo o proprio Lião, o mais classicista, nem se lembrou que ele existia. Mais tarde houve quem lembrasse e passasse a escrever diCção, diCtado, diCcionario, sem que em nenhum destes casos aquela muda de lesse. Era um penduricalho latinizante. E as bacoquices ortográficas e despropositadas latinizantes foram aumentando (sobretudo a partir de meados do século 18) à medida que o pais ia desprezando os seus maiores vultos, como Verney.
A maior parte das barbaridades latinizantes nunca chegaram a entrar na fonética e foram retiradas da ortografia em 1911, ainda que algumas outras tenham morrido antes; por exemplo, ainda houve quem tentasse impingir "lector", mas a coisa não vingou, e hoje temos leitor.

Mas alguns penduricalhos bacocos acabaram por forçar a entrada na fonética, como o c de diCção ou o b de suBtil. E assim a tal ortografia perfeita que os caturras têm medo de perder tem hoje diCção, mas di_cionário e ditado.
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De da Maia a 28.05.2013 às 22:54

PPorto:
... não confunda a funda com o fundo.
Mas quais tangas fundacionais é que você quer vender?
Acaso vocemessê tem fundamentos para vir falar de origem e evolução da língua portuguesa?

É claro que houve aspectos introduzidos por contaminação "erudita" do latim... e daí?
O que é que isso interessa?
Também houve do inglês, do francês, etc...

Do Prof. Pimpão aconselho especialmente a menção dele, após operação à vista, quando se sentiria mais próximo do escritor.

Também aconselho a abrir mais um olho, e não tanto o outro.

Você quer falar de 2 palavras - dicção e subtil?
Só pode estar a gozar...

É isso que retira da Orthographia de Lião?
É muito pouco...

Reparou quais eram as diferenças de pronúncia que Lião assinalava no território continental?
- Os B pelos V no Norte, e os CH de Vicheu.

Praticamente as mesmas que assinalamos hoje, passados quase 500 anos, em que por muito que tentassem não conseguiram mudar a língua.
Por isso, faça o favor de não me inventar evoluções que só existem na sua cabeça.

E quanto à origem, é melhor procurá-la no Vaticano, na biblioteca, que deve ser o último sítio do mundo onde ainda o latim vive.

Ainda não percebeu uma coisa... eu nem discordo de algumas coisas que diz, discordo é por completo das suas ideias sobre a "evolução da língua" e da sua posição lapidar face ao acordo.
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De PPorto a 29.05.2013 às 00:19

Maia,

Portanto, fechamos a conversa desta maneira:

Para além do portuguesíssa "dição", o Lião escreveu ainda os portuguesissimos "perfeito" e "leitor" (porque era assim que se pronunciava). No entanto, tentou enfiar o "perfecto" e o "lector", porque, segundo ele, deixava a lingua mais polida. Essas acabaram por se perder. Deo Gratia.

O Verney, que foi traduzido e lido por toda a Europa, esteve-se nas tintas para os parolos que o ostracizaram por cá e que escreviam "correcto". Vai daí, escreveu "correto", "objeto", "protetor". Como hoje fazemos.

Depois, e segundo vc, o maior especialista português em Camões estava parvo porque tinha sido operado a uma vista e vai daí disse preto no branco que Camões não escreveu mudas que hoje se leem porque naquele tempo não se pronunciavam.
Ainda segundo vc, Camões, teve um problema parecido com o de Pimpão porque só via de um olho, e vai daí escreveu corrução por corrupção, dino por digno, Egito (imagine-se!!!), Antartico (sem c mudo, como antes do AO), contrato, sem o c etimolgico que depois foi enfiado, e escreveu também decer por descer, porque aquele s também foi enfiado na ortografia por bacoquice latinizante. Etc, etc, etc.

Mas, prompto, esta gente só via com um olho.
Vale-nos que vc que vê com três, como já se percebeu.

E a aulinha foi de graça. Seja plas almas.
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De da Maia a 29.05.2013 às 02:59

Não percebeu?
Eu volto a explicar:
- A língua portuguesa não teve nenhuma evolução significativa nos últimos 500 anos.

Sobre isso, o que você disse?
- Calou-se, bem caladinho - que é o que faz bem!

Onde é que você foi buscar a ideia que eu defendia que leitor vinha de lector, ou perfeito de perfecto?

Leu isso nos livros que lhe mandaram ler, foi?

Se calhar você também acha que leite vem de lecto e feito vem de fecto...

Santa Paciência...
- é defeito ou deleite?
- fez-se de feito ou de leite?

Minha Nossa. Camões escreve:
"Sobem aa Ethiopia, sobre Egipto,"

Quer analisar todos os "aa", os "th", ou quer só comer o "p" de Egipto que está no original de 1572?
- É pimpão, vesgo, ou simplesmente mentiroso?

Está viciado em três ou quatro exemplos, sem pés nem cabeça, tem o disco riscado, e como não sabe responder, aparece a falar de "aula"... com uma atrevida ignorância.
Vá partir pedra, e não ofenda uma língua que você trata com um escopro.
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De Bic Laranja a 29.05.2013 às 12:30

Só gostava de saber qual é o problema de escrever dicção, dizendo 'dição'? Gostava, a sério.
Já escrever 'seção' com toda a gente a dizer secção é que...
Enfim!
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De ghj a 30.05.2013 às 05:01

Verney seguiu as modas da altura que foi traduzindo.
As modas, já se sabe, mudaram.
O Verney ficou, por ser maçon - e a maçonaria em Portugal manda - e porque dizia que o soneto de Camões "Alma minha gentil" e o "Sete Anos de Pastor Jacob servia" seriam "sem graça nenhuma" e que a expressão "longo amor", também de Camões, era uma "parvoice" (sic).
Já se vê que um homem destes, com esta apurada e superior visão não podia deixar de ter admiradores seus em Portugal, passados 250 anos.. e que não fosse citado pelos defensores do acordo: estão todos bem uns para os outros.
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De António Godinho gil a 28.05.2013 às 14:32

Caro Pedro, muito bem. Já partilhei no FB.
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De Pedro Correia a 28.05.2013 às 15:32

Um abraço, meu caro. E espero o regresso do seu blogue, que sempre acompanhei com atenção.
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De da Maia a 28.05.2013 às 20:42

Muito bem, Pedro, parabéns.

Convirá notar que não se está contra a fonética. A parte fonética é o principal legado da língua portuguesa, que importa preservar.

Por isso mesmo, é que devemos ser contra as aberrações deste acordo, porque prejudicam a fonética, retirando acentos, criando mais palavras homógrafas e aumentando a confusão na leitura, sob pretexto de a simplificar.

Como se vê, nem sequer interessava a questão da internacionalização, estamos agora isolados, com uma grafia diferente dos restantes países lusófonos.

Interessava apenas a agenda da confusão, promovida pelos habituais agentes da confusão que sempre procuram perturbar qualquer coisa sólida que este país mantenha.
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De Pedro Correia a 28.05.2013 às 21:35

Sim, caro da Maia, ninguém está contra a fonética. Mas o 'acordo' está. Porque? Porque, pelos efeitos perversos que induz, adultera a fonética.
Não restam dúvidas: a ortografia influi de forma clara nas normas fonéticas. Desde logo com a absurda extensão de regras acordísticas a vocábulos que permanecem intocados no próprio AO: não há praticamente dia em que não ouçamos 'fato' (em vez de facto) ou 'contato' (em vez de contacto).
Além disso, o acordo suprime o efeito diacrítico das supostas consoantes mudas, sendo natural que as vogais antecedentes passem fechar-se, aumentando a distância entre a pronúncia do português nas suas versões europeia e sul-americana. De resto, a tendência para o emudecimento de palavras entre nós é tão forte que isso já sucede hoje com vocábulos que conservam as referências etimológicas, como 'actual' ou 'tactear'.
Imagine-se como sucederá depois de amanhã, caso o AO se mantenha, em palavras como 'a(c)tor', 'refle(c)te', 'ado(p)ta' ou 'dete(c)tive'.
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De PPorto a 28.05.2013 às 23:37

Pedro,

É absolutamente falso que as vogais mudas sirvam para abrir vogais.

Não servem, nunca serviram.

Como é que vc pronuncia dilação? E actuar? E então qual é a falta que faz uma muda na primeira e qual é o efeito da muda na segunda?

Consoantes mudas não abrem vogais. Eu sei que há muito boa gente disse e diz o contrário. Mas também há muito "boa" gente que escreveu e escreve tratados sobre a bondade do comunismo. E daí?

Despreze os doutrinadores, rejeite as frases feitas, use o raciocínio.
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De Pedro Correia a 28.05.2013 às 23:59

Eu gosto de aprender com quem sabe, meu caro. Neste caso, aprendi com o professor Antonio Houaiss, insuspeito de qualquer antipatia em relação ao AO90. Afirmou ele, sem papas na língua, com o seu acento carioca: «Em Portugal, o c de 'actividade' tem um valor diacrítico. Seguindo-se a uma vogal antetónica, mas aberta, o c tem função de acento grave.»
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De PPorto a 29.05.2013 às 11:19

Bem me parecia que já tinha visto o Houaiss ser chamado para o asssunto em qualquer lado. Foi aqui, com bonecos a mexer e tudo:

http://aventar.eu/2012/06/14/acordo-ortografico-antonio-houiass-reconhecia-o-valor-diacritico-das-chamadas-consoantes-mudas/

Dê especial atenção ao comentário do J.Silva. O que não convém é "a gente" contrariá-lo muito, pelo menos em público, porque o tipo é completamente intragável.
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De Bic Laranja a 29.05.2013 às 12:40

As consoantes mudas não abrem vogais? Gonçalves Vianna dizia que sim. Rebelo Gonçalves dizia que sim.
Eu apenas digo que aprendi 'faturar' nos livros da Editora Abril (brasileiros) e interiorizei o primeiro 'a' como 'â'. Só mais tarde aprendi que facturas do comércio e o 'fâturar' do Tio Patinhas e liguei uma coisa à... mesma coisa.
Vossemecê certamente descobriu a pólvora. Ou é brasileiro, porque não entende lá muito bem a metafonia do português.
Continue a dizer que não se isso o satisfaz.
Cumpts.
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De Bic Laranja a 29.05.2013 às 15:53

... aprendi que facturas do comércio...
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De Rui M. Duarte a 28.05.2013 às 22:13

Muito bem, Pedro. Muito, muito bem. Força!
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De Pedro Correia a 28.05.2013 às 22:42

Obrigado, caro Rui. Grande abraço.

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