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Ainda o serviço militar

por Ana Margarida Craveiro, em 20.05.09

Tinha pensado em escrever um post sobre o tema. Aliás, até o tinha escrito, e apaguei, por achar que já ia fora de tempo. Mas, ao ler o Miguel Marujo, voltei a recuperá-lo.

Há uma questão fundamental nesta história dos bairros de risco: a desestruturação social. Por outras palavras, o não saber a que se pertence, que lugar temos na sociedade. Quando Campos e Cunha, o tal sociólogo de sofá na crítica do Vasco Barreto, vem recuperar o serviço militar obrigatório, é porque lhe parece que a estrutura militar integra, criando um papel ao indivíduo, com direitos e deveres. A diferença entre o SMO e o ensino profissionalizante nas escolas é que o primeiro oferece uma estrutura, da qual qualquer um se pode tornar uma parte. Permite criar redes de lealdade e amizade filial, quando o exército substitui a própria família (muito mais facilmente nos casos em que esta não existia anteriormente). Isso é completamente impossível nas escolas. Numa escola, essa rede pura e simplesmente não existe, olhe-se por que se lado olhar. Grande parte daqueles miudos dos gangues procuram isso mesmo: uma família, um lugar a que pertençam, no qual tenham deveres e direitos, onde a disciplina se ligue a uma autoridade que vêem como legítima. O SMO é uma solução possível. Funcionará? Não sei. É verdade que há um hiato de idades, entre o início da violência e a idade de alistamento, como o Vasco aponta. Ainda irá a tempo? De novo, não sei. O que sei é que as soluções correntes têm falhado, e as condições agravado.
Por outro lado, é também verdade que o exército é uma fuga ao desemprego e à pobreza. Mesmo que seja pouco, os militares têm sempre um ordenado, pago a horas. Há sempre algum dinheiro, que evita a necessidade do roubo. Aliás, recentemente li até nos jornais que, com a crise, houve um aumento na "procura" de emprego nas Forças Armadas. Por muita confusão que isso me faça, o exército é hoje um emprego vulgaríssimo, das 9 às 5. E isso tem vantagens, nos tempos que correm.

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7 comentários

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De João Carvalho a 20.05.2009 às 11:53

Tem vantagens e tem as desvantagens abordadas. Na essência, estou de acordo: vale a pena repensar o SMO, porque tende a integrar o indivíduo numa idade em que ainda pode estabelecer a diferença.
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De Jorge a 20.05.2009 às 12:45

Sou contra o SMO. Os indivíduos integram-se na sociedade por meio da família, da escola e das restantes instituições. Se existem problemas de deliquência e marginalidade, estes residem em desigualdades sociais que devem ser corrigidas. O Exército não se substitui às estruturas da sociedade, além de que as regalias e subsídios atribuídos a militares tendem a diminiur com este governo socialista. A minha proposta? Mais disciplina nas escolas, maior investimento no apoio a jovens de famílias carenciadas e problemáticas, maior esforço de integração e oportunidades de emprego.
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De João Carvalho a 20.05.2009 às 13:21

Certo. Mais o SMO, que também pode contribuir para o mesmo.
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De Luís Bonifácio a 20.05.2009 às 15:18

Discordo em parte.
Numa sociedade que se quer moderna, um serviço Cívico Obrigatório (que englobaria uma parte militar) é uma parte fundamental para a obtenção da cidadania plena. Só pode exigir direitos quem cumpriu com os seus deveres.
O que se observa em Portugal é o resultado de nos ultimos 20 anos, quem deteve as rédeas do poder (a classe política) era constituída, na sua maioria) pelos filhinhos do papá que fizeram a guerra colonial nas "selvas" do pigalle e a Universidade com passagens administrativas. Foi uma geração que teve todos os direitos sem ter que cumprir um único dever. A partir daí fez ruir tudo! Acabou como SMO, pois eles eram cidadãos de pleno direito e não o fizeram, impuseram o facilitisnmo em todos os graus de ensino, pois eles tinham tirado cursos, sem terem pegado num único livro. Coisa que Sócrates levou ao grau mais elevado.

Para Portugal ser um país decente, há que correr com estes e voltar a impôr as velhas noções de cidadania.
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De Luís Bonifácio a 20.05.2009 às 15:22

Nos Estados Unidos foi tentada uma nova abordagem aos delinquentes juvenis que pertenciam a gangues de rua violentos.

Ao contrário da abordagem clássica (Prisão para menores) foram criados reformatórios militares nos quais os jovens delinquentes eram submetidos à férrea disciplina militar dos Marines, como se estivessem numa recruta. A taxa de recuperação foi elevadíssima e a grande maioria dos antigos delinquentes seguiu a vida militar, alguns deles mesmo nas próprias academias.
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De Carlão a 20.05.2009 às 15:28

Só posso falar da minha experiência pessoal: passei à reserva territorial e dei um profundo suspiro de alívio quando o soube.

Em contrapartida, alguns dos meus amigos de bairros problemáticos, nomeadamente de Setubal, onde residi durante a infância e adolescência, adoraram ir à tropa, quase todos nas forças de élite, como os páras e os comandos.

Isso, contudo, não fez deles, a prazo, indivíduos mais ou menos enquadrados.

O regresso duma "cultura" que cultivava o mérito e o esforço e onde eram respeitados (curioso o enorme garbo que manifestavam ao apresentarem-se de licença nos ditos bairros, imaculadamente fardados e com a postura correcta e ainda o requinte de uma boina verde ou vermelha à través), para a dura realidade do bairro, quando licenciados do SMO, não poucas vezes levou a que esses meus amigos seguisssem pelo caminho da droga e da criminalidade. Com consequências.

Afinal, não tinham sido só valores civilizacionais aquilo que se lhes havia "inculcado" durante a formação militar; no regresso ao gheto e à frustração do mesmo essas outras matérias revelar-se-iam preocupantes para os próprios e para outros.
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De Zé da Burra o Alentejano a 20.05.2009 às 17:02

O FIM DE DO OCIDENTE

A Globalização, tal como foi concebida, vai determinar o fim da prosperidade do ocidente que passará para segundo plano e será ultrapassado pelas as novas superpotências que a globalização ajudou a criar: a China, a Índia...
O Ocidente caiu na armadilha da globalização que interessava às grandes Companhias, que pretendiam aproveitar-se dos baixos custos de produção no oriente. Todos sabem que o custo da mão de obra é insignificante no valor dos bens aí produzidos, em virtude dos baixos salários e da inexistência de quaisquer obrigações sociais. Como os bens produzidos se destinavam è exportação para o ocidente, como o ocidente perde poder de compra, a crise acaba por tocar também as novas potências, mas a crise nesses países é e será sempre um menor crescimento económico: há poucos anos era de dois dígitos e agora deverá ficar-se por 6 ou 7%, mas a isso não se poderá chamar de “crise”. O ocidente é que está condenado a um crescimento económico negativo (regressão económica).
Ao aderiram ao desafio da "globalização selvagem", os países da União Europeia prometeram ao seus cidadãos que as suas economias se tornariam mais robustas e competitivas (não sei bem como?) e não exigiram aos países do oriente que prestassem às suas populações melhores condições sociais, como: criar regras laborais, melhores salários, menos horas e menos dias de trabalho, férias anuais pagas, assistência na infância, na saúde e na velhice para poderem aceder livremente aos mercados do ocidente. Não, o ocidente optou simplesmente por abrir as portas à importação sem essas condições, criando assim uma concorrência desleal e “selvagem” de que sairá sempre a perder. A única solução será a de nivelar os salários e as condições sociais dos ocidentais com os do oriente. E não é a isso que estamos a assistir neste momento? Esses países nem sequer estão comprometidos com a defesa do ambiente e as suas tecnologias são até mais baratas mas altamente poluentes. Assim, o ocidente e a UE ditou a sua própria “sentença de morte”: enquanto algumas empresas não resistem à concorrência e fecham as portas para sempre, outras irão deslocar-se para a China ou para a Índia para assegurar a sua própria sobrevivência o que provocará o definhar da economia ocidental e obviamente desemprego. Quanto aos trabalhadores, será que depois do razoável nível social que atingiram vão aceitar trabalhar a troco de um ou dois quilos de arroz por dia sem direito a descanso semanal, sem férias, sem reforma na velhice, etc...? Não! por isso o ocidente está já a iniciar um penoso caminhar em direcção ao caos: a indigência e o crime mais ou menos violentos irão crescer e atingir níveis inimagináveis apenas vistos em filmes de ficção que nos põem à beira do fim dos tempos como consta nos escritos bíblicos. A Segurança Social não poderá em breve suportar o esforço para minimizar os problemas que irão crescer sempre: a época áurea do ocidente já é coisa do passado e em breve encher-se-á de grupos de salteadores desesperados, sobrevivendo à custa do saque. Regressaremos a uma nova “Idade Média”, se é que poderei chamar assim: A classe média desaparecerá e existirão uns (poucos) muito ricos, alguns à custa do crime violento e/ou económico, e que habitarão autênticas fortalezas protegidas por todo o tipo de protecções, e que apenas sairão rodeados por guarda-costas dispostos a matar ou a morrer pelo seu “senhor”; haverá, em simultâneo, uma enorme mole de gente desesperada de mendigos e de salteadores que lutam pela sobrevivência a todo o custo e cuja protecção apenas poderá ser conseguida agrupando-se, pois as ruas serão dominadas pelos marginais, ficando as polícias confinadas aos seus espaços próprios e reservadas para reprimir as “explosões” sociais que possam surgir.

Zé da Burra o Alentejano

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