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Teletrauma

por Ana Vidal, em 07.05.13

 

Há coisas que não percebo. Em vez de proibirem as suas criancinhas de levar telemóveis para um exame - por iniciativa própria e sem que sejam precisas recomendações exteriores, como seria lógico e natural - os pais dos alunos que fizeram hoje o exame do 4º ano vêm para a televisão insurgir-se contra o terrivelmente traumatizante pedido de assinatura de um papel que garante que os meninos não estão a conversar com os amigos em vez de estarem concentrados no exame. Insurgir-se, no fundo, contra a introdução das primeiras e utilíssimas noções de responsabilidade, ética e compromisso nas mentes dos filhos.

 

Esta nova forma de educar (ou de não educar, mais precisamente) com base no pressuposto de que tudo traumatiza as crianças, deixa-me seriamente preocupada. Primeiro, porque cria gerações sucessivas de florzinhas de estufa que não podem ser contrariadas nem suportam qualquer espécie de autoridade, o que as deixa totalmente impreparadas para o que vão enfrentar na vida real. Depois, porque torna quase insuportável o trabalho dos professores, desautorizados por um muro acusatório constituído por alunos mal educados e pais incapazes de autoridade que os apoiam incondicionalmente, tenham ou não razão. Finalmente, porque não vejo este excesso de protecção aplicado depois a outras frentes, como por exemplo à enorme exposição a que essas mesmas crianças estão sujeitas com a net, a televisão, a "noite" precoce, etc. Seria bom que estes pais pensassem um pouco mais em tudo isto, em vez de saltarem escandalizados, com acusações que não têm pés nem cabeça, para o microfone que a voraz media lhes estende à porta da escola.

 


97 comentários

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De fatima a 07.05.2013 às 13:41

Pois a mim, Ana, o que me espanta mais ainda é como se chegou ao ponto de criancinhas tão pequenas já andarem munidas de telemóvel!
Pior: e no caso de andarem(como andam), quais termos de responsabilidade, qual carapuça! É: toca a desligar imediatamente essa porcaria e pôr tudo num caixote à entrada até ao final do exame!... Irra!!!
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De Ana Vidal a 07.05.2013 às 15:03

Irra! Diz muito bem, Fátima.
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De Bernardo Hourmat a 07.05.2013 às 16:06

Mas a questão é precisamente essa. Porque carga d'água é preciso mais uma inefável papel?

Não era mais fácil as regras do dito exame dizerem que os telemóveis e outros aparelhos electrónicos devem ser desligados e colocados em cima da mesa, junto do lápis/caneta ou o que raio forem usar para fazer o dito exame?

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De Ana Vidal a 07.05.2013 às 16:31

Era mais fácil e com certeza as regras já o dizem há muito tempo, Bernardo. Vejo este papel como um compromisso pessoal que os miúdos assumem, nada mais. Até porque um papel assinado por um miúdo de 10 anos não pode, penso eu, ser usado para efeitos legais.
O que não percebo é porque se faz tanto barulho em volta de uma ninharia destas, com tantos erros bem mais graves para corrigir no actual ensino. Quem quiser atacar o ministro tem motivos de sobra, mas não este que não vale um caracol. É a minha opinião, claro.
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De João André a 08.05.2013 às 09:36

Concordo que esta história é apenas barulho, mas também vejo o papel como inútil. Se as crianças não obedecem á ordem, porque carga de água hão-de ligar a um papel qe não acarreta qualquer consequência? A verdade é que, compreendendo ou não o conceito de honra, as crianças não têm qualquer razão para ligar a isso.
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De Ana Vidal a 08.05.2013 às 10:33

João, pondo de parte a história do papel (que me parece bastante irrelevante) há nisto tudo uma incongruência que me encanita: as pessoas que infantilizam ao limite as crianças de 10 anos, defendendo a tese de que elas não têm capacidade para entender noções de honra, compromisso e responsabilidade, são as mesmas que acham naturalíssimo essas mesmas crianças terem maturidade para usar um telemóvel, estar horas em frente a um televisor ou a um computador sem qualquer vigilância, concorrer a programas televisivos de caça-talentos, etc. Qual a explicação para isto que não seja a confusão, a demissão e o facilitismo dos pais?
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De Anónimo a 08.05.2013 às 12:34

Muito bom dia, Aninha. Permita-me que aqui produza uma retro-introdução ao pape :-)l. A estorieta do papel é relevante, porque temos de ensinar as criancinhas a amar as arvorezinhas. Elas são muito nossas amigas: oferecem sobra, espaço para os passarinhos fazerem o ninho e, quando em seus galhos, permitem que dejetos esparços nos atinjam. Contra estes dejetos não me oponho, oponho-me a outros.
Vai daí, Aninha, entendo que esta qu-es-tão da honra só nos desonra, aos que têm honra. Por que a honra não se produz numas linhas de papel mas sim em atitudes. Se ela existisse sempre não seriam necessários tribunais e as leis que as nações produzem muitas vezes elaboradas por gente com pouca ou nenhuma honra.
É aqui que dorme o gato, e necessário nos é ir mais longe. Há uma nostalgia, em particular por parte dos novos neoliberais, que são uma espécie de novos ricos armadilhados de tradicionalistas, que conduz este tipo de gente a passadas noções de honra. Quero com isto dizer que essa honra que se propõe enaltecer esta muito próxima da hipocrisia passada onde as virtudes eram públicas e os pecados privadamente trabalhados. Assim sendo, e era continuando a ser, não se pode driblar uma mentira com outras ainda mais elaboradas, caso contrário caímos no grave risco de perpetuar a tradição. O conceito de honra deve ser desenvolvido em torno do conhecimento e não da autoridade, porque esta infelizmente produziu o caos que todos vivemos. Os neoliberais, ainda que disfarçados de tradicionalistas ou conservadores, procuram sempre camuflar sua culpa com a produção de uma falsa autoridade que negam para eles. Geralmente estas personalidades costumam estar bastante alinhadas com a imagem de uma falsa religiosidade que só se mantém porque os quadros das religiões, para bem deles, estão velhos. E é esta caricatura de autoridade que também os move. Mas lá diz o evangelho, citando Jesus, "Não se cose pedaço de pano novo em roupa velha, de contrário será maior o rasgão; e também não se coloca vinho novo em odres velhos, de contrário os odres se arrebentarão". É este equílibrio entre o que é novo, no sentido de uma verdadeira novidade, que eu não vejo que se estabeleça; e continuarei a não ver porque isto requer um trabalho individual sobre si mesmo, sobre o próprio indíviduo. Só me resta a Esperança, Aninha, mas aquela esperança que surja através de uma baleia que a todos engula e que a todos vomite sobre esta Ninive. Jonas aprendeu, mas os tradicionalistas continuam a teimar em manter a beatitude que os afundará.
Vai daí, Aninha, e como falamos de autoridade telemobilizada, gostaria de aqui deixar uma atitude que considero bastante pedagógica para a qu-es-tão que foi versada. Professores, sigam este exemplo e acabam-se as merdas:

http://www.youtube.com/watch?v=q9cbM18bTj4&NR=1&feature=endscreen

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De Ana Vidal a 08.05.2013 às 20:05

Os passarinhos, tão engraçados
Fazem os ninhos com mil cuidados
Usam pauzinhos, folhas, enfim
Só telemóveis nunca lá vi.

;-)

(Anoniminho, essa professora traumatiza muito as crianças...)
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De José Menezes a 11.05.2013 às 19:14

Tenho poucos motivos para atacar este ministro. Para já tem cumprido com o que prometeu (antes sequer de sonhar ser ministro).
Talvez o único motivo de ataque será a lentidão. Mas se conhecer o ambiente patético, com a medrosidade do fanfarrão e um QIb que se vê entre os professores (meus colegas), talvez a calma seja ciência.
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De Leonor Barros a 07.05.2013 às 23:38

Não é suficiente, Bernardo. Não conseguem resistir ao telemóvel.
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De Luís Lavoura a 07.05.2013 às 13:41

Não é "Em vez de", é "conjuntamente com".

Repare, Ana. Eu posso perfeitamente proibir o meu filho de qualquer cosia mas, simultâneamente, revoltar-me em que ele seja obrigado a assinar um papel com palavras que ele não compreende e que ele não sabe para que é necessário, papel esse que pode ser utilizado contra ele, que não passa de um menor.

O meu filho não sabe o que significam palavras como "compromisso" e "honra", não sabe o que é uma assinatura nem qual o seu valor legal. Eu revolto-me, naturalmente, se seja quem fôr pretender obrigá-lo a "assinar" uma declaração, ainda por cima com palavras que ele não entende.

E havia necessidade? Não havia. Qualquer criança percebe o que é "ter um telemóvel" e "levar um zero no teste". Bastava explicar-lhes isso. Não era preciso compromisso nenhum. Muito menos uma assinatura.

Enfim, Cratices.
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De Tiro ao Alvo a 07.05.2013 às 15:12

O Lavoura já reparou que é sempre no contra?
Quem falou em compromisso e em honra? Ninguém, como dois dedos de juízo.
Quem acredita que uma coisa destas está a ser pedida a crianças de 9/10 anos? Acreditam os tipos (e as tipas) tipo "Lavoura"...
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De Luís Lavoura a 07.05.2013 às 15:35

(1) Não sou sempre do contra. Simplesmente, quando sou a favor, não sinto necessidade de o dizer.
(2) Num blogue chamado "delito de opinião" é-se suposto ter opiniões contraditórias, parece-me a mim. Peculiarmente, os autores deste blogue parecem achar o oposto.
(3) Quem falou em "compromisso" e "honra" foram os mídia, que disseram que as crianças são supostas assinar um papel em que diz "comprometo-me por minha honra". Eu (talvez ingenuamente, concordo) acreditei nos mídia.
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De jpt a 07.05.2013 às 23:20

Caro comentador,
por favor, quando está de acordo diga-o ...
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De Anónimo a 07.05.2013 às 23:43

"As crianças são supostas?" Que português é esse? Aprendeu-o na Lavoura?
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De Ana Vidal a 07.05.2013 às 15:13

Não, Luis, para mim é mesmo "em vez de". O problema nem sequer devia chegar a pôr-se na escola. Já agora, acho graça a essa sua indignação pela assinatura de um papel "que a criança não compreende", coitadinha. Se tem estatuto e compreensão para usar um telemóvel, também tem para compreender um papel que limita o seu uso num exame.
Não sei a idade do seu filho, mas os conceitos de compromisso e de honra podem e devem ser transmitidos bem cedo às crianças, e elas compreendem-nos perfeitamente. Além disso, que eu saiba este papel só terá consequências legais (se as tiver) no caso de a criança usar um telemóvel durante um exame. Acha mal? Eu não, acho até muito bem que as tenha.
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De Luís Lavoura a 07.05.2013 às 15:24

A Ana já tem filhos muito velhos e já se deve ter esquecido do que são crianças pequenas. Eu tenho filhos dessa idade, estou mais consciente.
(1) A maior parte das crianças da 4ª classe não tem telemóvel.
(2) A generalidade das crianças consegue facilmente trabalhar até com um computador, coisa que para elas é muito mais fácil de aprender do que para um adulto. Já compreender o que é uma "assinatura", o que é "honra" (um conceito que hoje em dia praticamente ninguém usa) ou o que é "comprometer-se" é muito mais difícil. Não tem nada a ver, conseguir manejar um telemóvel com compreender o que é honra.
(3) Muito menos sabem as crianças o que é uma assinatura. Sabem escrever o nome, mas não sabem o que significa assinar. (O que aliá é um conceito esquisito, se você pensar bem; por que raio é que escrever o nosso nome há de ter qualquer valor legal?)
(4) O que a Ana está a dizer é que as crianças de 10 anos são imputáveis em troca de um papel com o nome delas escrito (e uma criança de 10 anos ainda não tem uma caligrafia definida). Um conceito que brada aos céus.
Não há dúvida: as pessoas velhas tornam-se efetivamente de direita, quando não de extrema-direita.
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De Ana Vidal a 07.05.2013 às 15:46

Olhe, Lavoura, vou passar por cima da sua habitual deselegância, já todos percebemos que você tem a sensibilidade de uma retro-escavadora. Pior para si, enfim.
Mas não passo por cima de uma acusação de extrema-direita, não só porque não lha admito como porque não sei de onde a deduziu. Quanto ao resto do relambório, ou muda de tom ou não me darei sequer ao trabalho de lhe responder.

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De Ana Vidal a 07.05.2013 às 15:51

E digo-lhe só mais uma coisa: tenho um curso de educadora de infância, além de ter filhos. Estudei psicologia infantil e lidei com muitos pais de crianças da idade dos seus. Eram habitualmente mais bem educados do que você, mas isso foi no tempo do arroz carolino dos velhos como eu.
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De rmg a 07.05.2013 às 16:09

Sempre o li , aqui e noutros sítios , com evidente prazer intelectual mesmo quando (e especialmente quando) não concordo consigo .

Mas como pai de 3 filhos entre os 38 e os 42 anos (nenhum deles com mais que o 12º ano) e avô de 3 netos dos quais 2 estão a prestar provas nestes exames , acho que V. sabe muito bem o que está a dizer e é isso que é muito grave .

Claro que para si é "igual ao litro" e se "está cagando" mas não vou perder mais tempo na vida a lê-lo e a si o deve - a honestidade intelectual só pode ser exigida aos outros por quem a pratica .
E V. exige muito e cada vez pratica menos .
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De Alfacinha a 07.05.2013 às 17:46

Engano seu, sr. L.L. Se observar com alguma atenção acaba por verificar que em cada dez crianças da 4ª classe, 7/8 possuem tlm.
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De Ana Vidal a 08.05.2013 às 10:35

Claro que sim, qualquer estatística o diz. É um argumento que nem vale a pena rebater.
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De SC a 07.05.2013 às 15:34

"revoltar-me em que ele seja obrigado"
Uma sintaxe à altura do acordês.
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De Advogado do Diabo, a 07.05.2013 às 19:19

O que é grave é o seu filho com 10 anos não saber ler o que está escrito no papel, nem saber o significado das palavras "honra" e "compromisso", ou o que é uma assinatura e para que serve. Está à espera que lhe ensinem essas coisas na universidade?
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De luisa agricultura a 07.05.2013 às 23:40

Não é "fôr" é "for"!
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De José Couto Nogueira a 07.05.2013 às 14:00

Concordo totalmente.
A noção de que os pais devem saber educar os filhos assenta num pressuposto falso: que os pais foram educados. Acontece, no nosso país, que o nível de vida subiu muito (agora está a descer, mas isso é outra história) e esta geração de pais tem acesso a bens de consumo que PARECE que são famílias de boa educação burguesa; mas não são. Andam de Audi e os miúdos usam Adidas, mas não sabem comer à mesa nem tratar os mais velhos com a deferência devida. (Não quis usar "respeito" para este comentário não ficar com um ar ainda mais classista...)
O Nuno Crato está a fazer muito bem; há mais disciplina nas escolas, há mais stress para os alunos, que é o que eles devem ter (em doses medidas) para aprender, realmente, o que é a vida.
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De Ana Vidal a 07.05.2013 às 15:22

Zé, eu também acho que o Nuno Crato está a fazer muito bem em introduzir novas regras de disciplina e de responsabilidade. Muita falta têm feito nas escolas, como qualquer professor poderá comprovar. Até o facto de voltar a haver exame no 4º ano é positivo porque reintroduz também a noção da seriedade com que deve ser encarado o ensino básico, basilar para todo o futuro ensino.
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De Luís Lavoura a 07.05.2013 às 15:29

Nunca tinha visto defender a existência de exames pelo seu valor como ensino moral. Julgava, na minha ingenuidade, que o objetivo dos exames fosse aferir dos conhecimentos das crianças. Agora vejo que não: no reacionário entender da Ana, o seu verdadeiro objetivo é criar stress e transmitir uma ideia de seriedade, isto é, o objetivo do exame é moral e não educativo. Interessante.
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De Ana Vidal a 07.05.2013 às 15:31

Interessante (caso de estudo, até) é essa sua capacidade ou necessidade de distorcer tudo. E reaccionária é a sua avó.
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De fgh a 07.05.2013 às 15:33

A educação ou é ética ou não é educação.
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De Ana Vidal a 08.05.2013 às 10:37

Evidentemente.
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De singularis alentejanus a 07.05.2013 às 22:38

Sr. Luis Lavoura, lamento dizer-lho, mas o senhor está desloicado, já reparou?
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De Tiro ao Alvo a 07.05.2013 às 14:25

Tem inteira razão. Bom seria que coisas destas fossem ditas numa dessas reportagens que todos os dias os nossos jornalistas apresentam, sobre assuntos do mesmo género, sem uma palavra de alguns pais que demonstrem possuir bom-senso e a mostrarem que, verdadeiramente, gostam dos filhos.
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De Ana Vidal a 07.05.2013 às 15:24

Provavelmentesso não vai acontecer, Tiro ao Alvo. Os jornalistas querem é polémica, darão sempre mais relevo a quem está contra do que a quem está a favor de quaisquer medidas.
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De Ana Vidal a 08.05.2013 às 10:38

"Provavelmente isso", era o que queria dizer.
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De DNO a 07.05.2013 às 14:42

Assino por baixo. O conceito de educação está a tomar contornos bizarros.
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De Ana Vidal a 07.05.2013 às 15:26

Pois está, DNO. Ou, pior do que isso, a ficar sem contornos.
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De Fernando Sousa a 07.05.2013 às 15:06

Absolutamente de acordo na parte relativa aos pais, Ana. Já sobre o pedido de assinatura não sei; a história dos telemóveis resolve-se bem proibindo simplesmente o seu uso nos exames, sob pena, à semelhança do que acontece com o copianço, de anulação da prova. Não?
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De Ana Vidal a 07.05.2013 às 15:25

Sim, claro. Mas qual é o mal de isso ficar consignado num papel? É um compromisso, e não lhes faz mal nenhum aprender a assumi-los.
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De Luís Lavoura a 07.05.2013 às 16:14

qual é o mal de isso ficar consignado num papel

Nenhum, se o papel fôr entregue às crianças e aos pais. Também nenhum, se aos pais fôr pedido para assinar o papel.
O que tem mal é pedir às crianças para escreverem o seu nome no fundo desse papel e interpretar esse nome escrito como sendo uma assinatura que responsabiliza a criança.
Um dia destes ainda vamos ver o Nuno Crato a autorizar putos de dez anos a ter conta bancária sozinhos e a passar cheques sobre essa conta... Ou a fazer escrituras de compra-e-venda de propriedades...
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De Ana Vidal a 07.05.2013 às 16:34

Esse seu "fôr" é português de Portugal ou do Brasil?
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De Fernando Sousa a 07.05.2013 às 18:58

O mal, Ana, muito francamente, é o carácter formal, constrangedor, atemorizador, quase criminalizador sobre idades em que quanto a mim o processo deveria ser educar na responsabilidade através - à partida -da confiança. De outro modo ter-se-á de estender um papel ao aluno por cada um dos mil processos de falcatruas possíveis numa prova. E isso não parece saudável nem garantia de um bom crescimento.
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De Tiro ao Alvo a 07.05.2013 às 19:27

É pertinente a sua observação. Mas daí, como fizeram outros, até acusar os nossos governantes de exigirem do aluno um "compromisso", tipo juramento, vai uma distância muito grande.
Alguns dos nossos jornalistas gostam não de criticar e assumir a crítica, mas de atiçar a fogueira contra tudo o que cheire a autoridade, mesmo que para isso tenham de recorrer a tontices. Como foi o caso.
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De Ana Vidal a 08.05.2013 às 10:43

Concordo, Fernando, que a educação da responsabilidade deve ser dada através da confiança. Mas já não concordo que este papel, que nem legal é, seja de algum modo "constrangedor, atemorizador, quase criminalizador". Vejo-o, acho que já o disse, como a assunção de um compromisso. E não vejo em que é que isso poderá traumatizar as crianças, sinceramente. Nas entrevistas que lhes fizeram nenhuma se referiu a isso sequer, a histeria foi inteiramente dos pais.
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De Fernando Sousa a 08.05.2013 às 22:35

Bom, Ana. Eu não vejo como a confiança precisa de um papel. Ter confiança é precisamente dispensar um compromisso desta natureza. É uma contradição, mas, posso estar enganado. A assinatura de papéis está na nossa sociedade associada a uma garantia de cumprimento que implica, no caso da falta, uma sanção. Logo, sim, julgo que tal assinatura é um constrangimento. (Não usei a palavra constrangimento)
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De Fernando Sousa a 08.05.2013 às 23:58

(Ai!!! Não usei foi a palavra traumatizante!... Ufff. Ehehehe...)
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De Ana Vidal a 09.05.2013 às 00:11

Não vejo contradição, Fernando: a confiança não precisa de um papel, o que precisa de um papel é a falta de educação. E nas escolas há muito mais quantidade da segunda do que da primeira, logo, o papel não é disparatado. E sobretudo não traumatiza nenhuma criança, já que nem sequer pode ser usado contra ela.
(bem sei que não usaste a palavra, mas uso-a eu) :-)
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De Luís Lavoura a 08.05.2013 às 11:43

o carácter formal, constrangedor, atemorizador

Exatamente.

Se o Fernando reparar ainda melhor, a própria existência de um exame de 4º ano tem esse caráter, eu diria mesmo que o seu objetivo é essencialmente esse: constranger e atemorizar.

De facto, no sistema de ensino atual, em que não há um diploma da 4ª classe (como havia no meu tempo, que fiz esse exame) e em que ninguém (exceto os deficientes mentais) sai do sistema de ensino no 4º ano, não faz qualquer espécie de sentido haver um exame no final desse ano.

Ou seja, o exame não se destina verdadeiramente a nada, a não ser a constranger, atemorizar e dar um caráter formal à instrução.

O objetivo deste exame é moral. Não se trata de avaliar nada, trata-se de dar uma lição de moral aos alunos e aos seus pais.
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De Luís Lavoura a 07.05.2013 às 15:32

a história dos telemóveis resolve-se bem proibindo simplesmente o seu uso nos exames, sob pena, à semelhança do que acontece com o copianço, de anulação da prova

Evidentemente. Bastava explicar isso tanto às crianças como aos encarregados de educação. É trivial. Tal como, aliás, se faz em qualquer exame de qualquer nível de ensino: é explicado às crianças que, se copiarem, chumbam. Não é preciso nenhum papel assinado para impôr tal norma.
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De Ferrugem a 07.05.2013 às 15:55

Infelizmente, o pobre jornalismo a que temos direito é perito em colocar-se acriticamente de microfone em punho à frente de gente, toda contente por aparecer, mas com flagrante carência de ideias/informação/algo que valha a pena ouvir dizer sobre o assunto, e é vulgaríssimo as peças supostamente informativas que passam na TV limitarem-se a isso.

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De Ana Vidal a 07.05.2013 às 16:06

Infelizmente é isso mesmo que acontece, Ferrugem. Raramente vão além desse papel.
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De rmg a 07.05.2013 às 16:35


Um amigo meu , canadiano residente em Vancouver , costuma dizer :
"Ponham uma câmara e um microfone em frente de uma pessoa normal e de imediato se transforma num cretino" .
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De José Catarino a 07.05.2013 às 16:58

Concordo inteiramente com o teor do post. Já alguns dos comentários me oferecem dúvidas. Suponho que o exame tem um peso de 25% no resultado final, pelo que não consigo entender isso do chumbo. Por outro lado, não duvido de que cairia o Carmo e a Trindade se um miúdo tivesse zero na prova por, coitadinho, se ter esquecido de obedecer à ordem de desligar o telefone. Ou, por, inocentemente, como é suposto em tal idade, conversar com o colega do lado, esclarecendo pequena dúvida -- até saberia a resposta, mas "com os nervos", varreu-se-lhe...
Um exame, para além de prova destinada a avaliar conhecimentos, é um acto formal, que deve ser assumido com responsabilidade pelos pais e pelos miúdos. Fiz o meu exame da 4ª classe aos dez anos, logo seguido dos exames de admissão às escolas técnicas e aos liceus e não fiquei traumatizado por isso. Nem os meus colegas, que então não havia stress, nem traumas, apesar da certeza de uma boa tareia em caso de reprovação.
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De Ana Vidal a 08.05.2013 às 10:51

José, eu não conheço uma única pessoa que afirme ou sinta ter sido traumatizada por um exame da 4ª classe (ou do 4º ano, como se diz agora). Pelo contrário, era um marco solene - o primeiro - na vida escolar e uma espécie de ritual de passagem a uma nova fase de responsabilidades, que todas as crianças desejam porque lhes dá estatuto de "gente grande". Por alguma razão (e não é pelo traumatismo, com toda a certeza) esse momento é sempre inesquecível, por mais exames que se faça depois. Sinceramente, não entendo nem concordo com esta aversão a exames.
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De José Couto Nogueira a 07.05.2013 às 17:48

Isto nunca mais acaba... Santa teimosia de certas pessoas.
UM. As crianças de 10 anos sabem muito bem o que é "honra" e "compromisso". Nem é preciso que lhes ensinem os pais, basta que vejam televisão para a idade deles - o que quase todos fazem. (Digo para a idade deles porque os programas de adultos nem sempre... bem, adiante).
DOIS. O compromisso escrito parece excessivo, mas provavelmente tem a função de os habituar a assumir compromissos. Não tem valor legal, isso não tem, e é impossivel que no ME não saibam isso. De qualquer maneira parece-me uma questão menor; seria mais interessante que se discutisse aqui a volta dos exames, que a esquerda radical e o insuportável Mário Nogueira consideram um retrocesso educativo. Em todos os países civilizados há exames, nos mais avançados os exames são mais terríveis ainda, e acho que estavam a fazer muita falta por cá. Têm um valor de 25% para a nota final, o que dá um certo equilíbrio com as impressões das aulas. O ensino tem de ser difícil, duro, exigir muito e puxar as responsabilidades. Assim, além de se instruir, ensina-se como é a vida - como se fosse uma vacina. E olhem que não só conservador em nada! Acho supreendente este paradigma que se criou em Portugal de Democracia e ensino à balda, sem stress, serem sinónimos...
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De Ana Vidal a 08.05.2013 às 10:58

As crianças de 10 anos sabem muito bem o que é "honra" e "compromisso". Nem é preciso que lhes ensinem os pais, basta que vejam televisão para a idade deles - o que quase todos fazem.

Exactamente. Os programas infantis (os que são bem feitos, pelo menos) têm a preocupação de ser didácticos. Ou seja, são pensados para introduzir essas noções essenciais. Os próprios desenhos animados (e há muitos de inspiração oriental, os mais eloquentes nesse sentido) giram em torno do conceito de honra.

Quanto aos exames, continuamos de acordo.
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De amendes a 07.05.2013 às 19:10

O cara lavoira devia assinar um compromisso de honra de não poder utilizar linguagem de "pateta"-

É chato pr'a caramba!
Porquê não te calas?

Quanto ao post concordo 1000000%.
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De Ana Vidal a 08.05.2013 às 11:00

Há quem ponha a ribalta acima do ridículo, amendes. Cada um é como é, e tudo bem para mim desde que não insulte os outros.

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