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Europeias (25)

por Pedro Correia, em 20.05.09

 

 

PODIA SER SÓCRATES A FALAR

 

Li com atenção a entrevista de Paulo Rangel à edição de ontem do novo diário i, muito bem conduzida por Ana Sá Lopes. Procurei nestas duas páginas de jornal propostas diferentes do PS em matéria europeia: não encontrei nada. O líder parlamentar do PSD e cabeça de lista social-democrata ao escrutínio de 7 de Junho assume-se como federalista, embora não goste muito de usar esta expressão. Defende que a União Europeia tenha "um órgão com poder eleito por sufrágio directo e universal" que tutele todos os estados-membros. Diz-se "aberto a um referendo europeu", mas não quer referendar o proto-Tratado de Lisboa com o insólito argumento de que a Constituição da República Portuguesa também não foi referendada. José Sócrates podia responder da mesma maneira a estas questões e a outros temas focados na entrevista, da moral sexual católica à necessidade de "abertura" da Igreja. A diferença mais notória entre ambos resume-se a isto: Rangel revela que durante anos andou a navegar entre o PSD e o CDS, partido em que terá chegado a militar - o condicional deve-se ao simples facto de não se lembrar se chegou a assinar a ficha de inscrição. Estes lapsos de memória são saborosíssimos. E dizem muito da nova estrela da 'direita' portuguesa, acolhida entusiasticamente em tantos blogues como se fosse o Sá Carneiro de 1974 ou o Cavaco Silva de 1985. Lamento, mas não é. Como esta entrevista demonstra de forma exemplar.

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16 comentários

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De João Carvalho a 20.05.2009 às 10:10

Tem de haver diferenças entre os dois, pelo que seria normal que ele as destacasse. Não quis ou não soube e a dúvida que fica é razoável: haverá diferenças mesmo?
Ser federalista e não gostar de dizê-lo abona pouco a favor: medo de assumir, para não afastar os eleitores que não o são.
Mais "abertura" da Igreja? A Igreja católica deve ser a religião mais aberta do mundo! Não me parece que seja grande tema europeu.
Falta de memória sobre o seu percurso político é mais um medo: não assume aquilo que pode afugentar algum intolerante.
Não referendar os avanços da Europa e defender "um órgão com poder eleito por sufrágio directo e universal" é contraditório.
Enfim: como bem dizes, compadre, a estrela está muito aquém. Também lamento. Não será falta de Maizena, mas ele não é o que se diz por aí.
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De Pedro Correia a 22.05.2009 às 00:43

Depois de ler esta entrevista fiquei com a dúvida se Paulo Rangel comeu papa Maizena a menos ou comeu papa Maizena a mais.
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De Nuno Pereira a 20.05.2009 às 10:13


Um é o vendedor de ilusões! JGA
O outro ainda agora chegou à ribalta da politica e já tem lapsos de memoria!
Eis aqui um retrato pintado no mesmo blogue e no mesmo dia, talvez com pouquíssimas horas de diferença. Dos dois cabeças de listas ás europeias.
Ou seja, nada de novo e de positivo, neste carrossel politico que dentro de 15 dias dará o tiro de partida.


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De Pedro Correia a 22.05.2009 às 00:45

Ficam muito mal estes lapsos de memória a Paulo Rangel. Se esteve no CDS, como aliás é público e notório, há que assumi-lo e não aludir envergonhadamente ao assunto como se fosse pecado. Não há pachorra para tanta dissimulação. Será isto a «política da verdade»?
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De Miguel Marujo a 20.05.2009 às 10:28

é verdade, Pedro... deliciosas falhas de memória sobre fichas de inscrição.
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De Pedro Correia a 22.05.2009 às 00:45

Deliciosas mesmo, Miguel. Vão persegui-lo até ao fim da campanha e mesmo depois.
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De tric a 20.05.2009 às 11:57

"E dizem muito da nova estrela da 'direita' portuguesa, acolhida entusiasticamente em tantos blogues como se fosse o Sá Carneiro de 1974 ou o Cavaco Silva de 1985. "

é acolhida entusiasticamente por ser uma pessoa inteligente, honesto e humilde! um conjunto de caracteristicas dificeis de encontrar na classe politica e classe jornalistica ..., raridades, e as raridades positivas devem ser acarinhadas!!
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De Pedro Correia a 22.05.2009 às 00:46

Não precisa de puxar mais o lustro. As polainas já estão a brilhar.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 20.05.2009 às 13:54

Em 2007 escrevi, no AlemBojador, que Paulo Rangel tinha todas as condições para ser um dos melhores deputados da nova geração e que poderia ter um futuro político promissor, se não se deslumbrasse. Disse, na altura, que era uma lufada de ar fresco que poderia dar outra perspectiva e dimensão ao PSD.
Mantive a mesma opinião até ao momento em que, submisso, se sujeitou às reguadas públicas de MFL com um sorriso nos lábios e uma vénea de subserviência.
A partir daí a sua postura mudou e quando foi nomeado pela líder como cabeça de lista às europeias, entrou na perigosa fase do deslumbramento.
Ainda não é um caso perdido, mas para lá caminha.
A classe política portuguesa em exercício é uma trituradora de gente que pretenda ser diferente.
Quanto ao facto de PR não se lembrar se já foi do CDS, eu posso apresentar-lhe umas pessoas que lhe avivem a memória.
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De joao severino a 20.05.2009 às 15:02

Não consegui compreender a que propósito um jornal, que solicita uma entrevista para abordar as Europeias e outros temas fortes da política, atira para a primeira página com a homossexualidade na boca de Rangel.
Teria havido casca de banana intencional ao serviço de terceiros?
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De ariel a 20.05.2009 às 15:59

Caro Pedro Correia, permita-me uma apontamento irónico, comparar a dimensão humana, cultural e política de Sá Carneiro com a do homem de Boliqueime, por favor... Sá Carneiro foi de facto uma estrela...
Quanto ao resto, estes lapsos de memória são de facto saborosos, e parece que é problema muito comum ali para aquelas bandas, uns não sabem se assinaram a ficha do partido, outros também não se lembram de nada no caso do BNP ... , não é de papa maizena que eles precisam, é mais de doses maciças de cerebrum ...
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De Pedro Correia a 22.05.2009 às 00:47

Já mandei umas embalagens de Fosgluten para a São Caetano à Lapa. Dizem que é bom para avivar memórias.
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De Daniel João Santos a 20.05.2009 às 21:07

parece-me muito barulho para tão pouca coisa. O conteúdo da embalagem ainda não entusiasmou.
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De Chloé a 21.05.2009 às 02:41

Não acho que o ambiente em torno de Paulo Rangel seja exactamente o da aclamação do homem providencial. - É?
Não me parece sequer que alguém o avalie na mesma medida de Sá Carneiro ou Cavaco Silva, que foram de facto 'the right men on the right place'.
- Parece-vos mesmo?
A minha impressão é que apenas se lhe reconhecem atributos e qualidades inegáveis e imprescindíveis, que há muito pareciam ter-se desvanecido da lista de ingredientes pessoais dos líderes - ou candidatos a líderes - do PSD, perante os nossos olhos horrorizados.
E é nessa medida que se sente, indesmentivelmente, um suspiro de alívio nacional, reconheço que sim. A falta de ar era muita.

Agora:
Pode desacreditar-se do sistema e considerar tudo 'mais do mesmo'. Entendido (já estive mais longe).
Pode até preferir-se outra pessoa concreta no lugar dele, ou seja, considerar-se que há alguém mais habilitado a preencher a sede vacante do candidato viável, à altura da situação. Acredito que sim.
No meu caso, é simples: - ou essas possibilidades que vejo, e têm rosto e nome, não avançaram; ou as que já se chegaram à boca de cena não servem, não chegam, são poucochinho e não me representam.
Pelos vistos, esse é o sentimento dominante, a avaliar pela aprovação tácita de tantos a Paulo Rangel. Nem que seja pela capacidade de fazer oposição e afastar o fantasma do fazedor de promessas.

Uma coisa, porém, me parece sensata, se não estivermos numa muito clara de 'malhar' no sistema ou de defender a alternativa A ou B a Paulo Rangel, mas então é um alguém com nome, morada, profissão, BI e número de contribuinte.
É sermos uma espécie de anti-João das Regras, ainda por cima sem pretendente concreto, ou postulante a defender.
- Não seria melhor dar oportunidade a quem tem condições objectivas para reunir consensos e contrariar a apatia e o tal estado de horror nacional?
Não, não é ser acrítico. Não é sequer 'deixar-se ir' (já se provou que os eleitores não são parvos, porque quando não querem, não deixam mesmo).
É apenas ser-se judicioso, mas prudente
É apenas, não baixar os braços e não desistir.
E não matar a coisa à nascença.

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