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Abenomics

por José António Abreu, em 02.05.13

O termo deriva do nome do primeiro-ministro japonês eleito em Dezembro passado, Shinzo Abe. Tentando contrariar duas décadas de marasmo da economia, afogada em dívida e deflação, presa a um iene demasiado forte para os interesses das empresas locais (quase todos os grandes grupos japoneses têm apresentado prejuízos e perdido terreno para os seus congéneres coreanos e chineses), Abe propõe-se aumentar a concorrência em sectores até agora protegidos (a energia, três vezes mais cara do que na Coreia do Sul, é fornecida em regime de quase monopólio por um conjunto de empresas regionais; existem barreiras à entrada de produtos agrícolas, sendo os agricultores o grupo que mais contesta a eventual adesão do país à Parceria Trans-Pacífico), bem como aplicar um conjunto de medidas radicalmente expansionistas, das quais se destacam um estímulo fiscal de 107 biliões de dólares e uma atitude mais interventiva por parte do Banco do Japão – cujo novo presidente, Haruhiko Kuroda (uma escolha de Abe), anunciou há cerca de um mês pretender comprar 70% de todos os novos títulos de dívida pública e duplicar o dinheiro em circulação no prazo de dois anos. Abe tem ainda pedido às empresas privadas para aumentarem salários mas sem grande êxito.

 

Como seria de esperar, Paul Krugman aplaudiu. Outros economistas da escola keynesiana também. Naturalmente, há vozes menos entusiásticas, algumas das quais afirmam que o Japão apenas acelerou o trajecto para a bancarrota. Veremos. Para já, tanto os mercados como os empresários locais estão satisfeitos. Desde Novembro, o iene desvalorizou cerca de 25% em relação ao dólar e o índice Nikkei subiu mais de 50%. Mas estas eram reacções expectáveis. Primeiro pela tão falada questão da psicologia dos mercados. Depois por quase ainda não se ter saído da fase da retórica. Finalmente porque, a existir, a factura demorará algum tempo a chegar. Seja como for, não obstante todas as particularidades da situação japonesa (deflação, mais de 90% da dívida detida internamente, capacidade de inovação de muitas empresas, diferenças culturais que se reflectem na preferência por produtos nacionais, forte possibilidade de atritos políticos e comerciais com a China, etc.), trata-se de uma experiência que outras partes do mundo, igualmente atoladas em dívida (e, no caso europeu, com assimetrias difíceis de gerir no quadro de uma moeda única), acompanharão com interesse. Seja para acabarem cedendo às vozes dos que nelas desejam fazer o mesmo (e entenda-se por «o mesmo» a parte pública e expansionista do plano, não a da liberalização de mercados), seja para validarem a posição oposta e aproveitarem os fluxos de capitais em fuga.

 


Dois artigos sintéticos sobre o assunto: um do Economist (razoavelmente entusiasta), outro da edição em inglês da Der Spiegel (razoavelmente neutro). Numa espécie de comentário à discussão sobre o estado da imprensa portuguesa que, entre outros colaboradores e vários comentadores do Delito, a Patrícia Reis e o João Campos tiveram mais abaixo (1, 2), devo dizer que encontrei muito pouca informação sobre este assunto nos sites dos principais jornais portugueses (a excepção será o Jornal de Negócios mas num artigo para assinantes).

 

Imagem daqui, através do Bing.


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