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Perplexidade

por Pedro Correia, em 29.04.13

Dois partidos que nunca ganharam uma eleição para a Assembleia da República repetem, a todo o momento, que os portugueses devem ir a votos outra vez.


40 comentários

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De Gui Abreu de Lima a 29.04.2013 às 12:38

O que eu dava para ver ambos a tocar a concertina. Palavra de honra. Nessa certeza concordaria com eleições antecipadas.
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De cr a 29.04.2013 às 14:59

não tocam concertina, mas estão " concertados "...eh eh eh
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De Ferrugem a 29.04.2013 às 12:51

Até os verdes por fora o pedem e nunca jamais foram a votos.
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De Pedro Correia a 29.04.2013 às 23:00

É verdade, até me tinha esquecido desses. São partido há 30 anos, duplicam a voz dos comunistas na Assembleia da República desde então, e nunca concorreram isoladamente a uma só eleição. Nem uma para amostra.
Vê-los exigir eleições é uma prova evidente de hipocrisia política.
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De ora ora a 29.04.2013 às 13:17

Já os tivemos durante o glorioso Processo Revolucionário em Curso:Descolonização exemplar,nacionalizações,ameaças de guerra civil,...,caminho aberto ao 1º pedido de empréstimo ao FMI.
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De Pedro Correia a 29.04.2013 às 23:02

É curioso que o PCP só tenha aceitado integrar o Governo no regime pré-constitucional - e esteve, de facto, no Executivo durante dois anos, entre Maio de 1974 e Julho de 1976. Ou seja, no período em que não havia eleições legislativas. Desde então, já com a Constituição vigente, os comunistas nunca mais quiseram ser governo.
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De Luís Lavoura a 29.04.2013 às 14:14

nunca ganharam

Os ares do Algarve confundiram a cabeça do Pedro.

"Ganhar", para a generalidade dos políticos (e desportistas), não é ficar em primeiro lugar, é alcançar um resultado muito superior aos anteriores e às expetativas.
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De Pedro Correia a 29.04.2013 às 19:16

Retiro o que disse, então. Ganhar é ficar em segundo. Ou em último.
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De JS a 30.04.2013 às 17:11

O curioso é que os cabeças de cartaz desses dois minúsculos partidos, apesar de tudo, até representam, na AR, mais veramente os seus eleitores -apoiantes- do que dezenas de "figurantes" dos "grandes" partidos PSD, PS e CDS que povoam as bancadas, em puro estado de corpo presente.

Merecem o respeito de quem assume e defende causas. (Óbviamenete não as que defendo).
Apesar de tudo aquelas (trágico/cómicas) personagens até vociferam em público, e no respeitável areópago, opiniões, as suas opiniões!.

Outro tanto não se pode dizer daquela enorme, amorfa, des-numenclatura em corte.
Alguém ouviu uma opinião proferida por aquelas dezenas felizes, principescamente beneficiados ... "representantes" do eleitorado?.
E na verdade ... para quê?.
Se a disciplina partidária os condiciona.
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De Pedro Correia a 01.05.2013 às 22:31

Merecem respeito, sem dúvida. Isso está fora de causa. Não estão - aliás nenhum está - imune a críticas.
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De Ana A. a 29.04.2013 às 14:52

A esperança é a única a morrer ou só os burros é que nunca mudam! De que é que o povo terá medo?! Dos papões de criancinhas?!
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De Pedro Correia a 29.04.2013 às 19:17

Não sei do que é que o povo tem medo. Sei que não precisa de vanguardas iluminadas a dizer-lhe como deve votar. Houve quem tentasse isso em 1975, sem nenhum resultado.
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De L.Gomes a 04.05.2013 às 20:18

Gosto tanto de ver os PSD's arrependidos e ultrajados por se sentirem enganados por um da própria cor.
Mas nem mesmo assim dão o braço a torcer.
Triste...
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De Isabel a 29.04.2013 às 15:20

Pois, mas tantas vezes vai o cântaro à fonte até que se lhe parte a asa...
E os partidos do chamado arco da governação estão em risco de tal acontecer, dado terem governado tão mal ao longo destes quase 40 anos que chegámos à situação actual..., pese embora achem arrogantemente que aquele arco será sempre sua propriedade (está visto que não sabem história).
Ora, sem saída, os eleitores poderão querer experimentar um novo arco da governação, sendo que a classe média destroçada pelo tal arco acabará por achar que não ficará pior do que o que já está com um novo arco!
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De Pedro Correia a 29.04.2013 às 19:04

Não é por acaso que a esses partidos se chama do 'arco da governação' (expressão que sempre achei detestável). É que esses partidos querem disputar eleições e ganhá-las e chegar ao poder. Mas há partidos que só querem ser partidos de protesto, nada mais. Não são do 'arco da governação' porque não querem ser governo. E nada fazem por isso.
Veja o caso do PCP. Diz você que "os eleitores poderão querer experimentar" levar os comunistas ao poder. Mas já tiveram muitas oportunidades. Em 1976, 1979, 1980, 1983, 1985, 1987, 1991, 1995, 1999, 2002, 2005, 2009 e 2011. Conto 13 eleições legislativas. Não foi certamente por falta de oportunidade.
A verdade é que os eleitores - eleição após eleição, geração após geração - não querem o PCP no poder. E o PCP também não quer ser poder caso contrário mudaria - de programa, de propostas, de estratégia, de alvos, de inimigos principais.
Para quê, então, vermos o PCP a clamar por eleições todos os dias? Está finalmente disposto a integrar um governo de unidade de esquerda, liderado pelo PS? Ou alguma sondagem lhe atribui vitória eleitoral?
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De Ana A. a 29.04.2013 às 19:34

"E o PCP também não quer ser poder caso contrário mudaria - de programa, de propostas, de estratégia, de alvos, de inimigos principais."
Ou seja, se se quiser ganhar eleições muda-se de programa para "apanhar" os incautos...eu sugeria formarem um novo partido, e aí sim com um novo programa, coisa que deveriam ter feito o Sócrates e o Passos Coelho, para não adulterarem as matrizes dos partidos a que pertencem!
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De Pedro Correia a 29.04.2013 às 19:48

E não acha que deve mudar?

Repare só nisto:
www.pcp.pt/sobre-evolu%C3%A7%C3%A3o-da-situa%C3%A7%C3%A3o-na-pen%C3%ADnsula-coreana
Um partido que continua a apoiar o perigoso aventureirismo militarista da ditadura norte-coreana, que fabrica ogiva atómicas enquanto priva os seus habitantes dos direitos mais elementares, tem mesmo de mudar. Porque os portugueses rejeitam o modelo do capitalismo monopolista de Estado de fachada socialista, como já demonstraram diversas vezes nas urnas.

A verdade, no entanto, é que o PCP até tem mudado. Em Janeiro de 2012, por exemplo, criticou a venda de parte do capital da EDP a interesses empresariais ligados ao Estado chinês:
www.tvi24.iol.pt/aa---videos---politica/pcp-edp-tvi24-energia/1311166-5796.html
Mas, muito mais recentemente, Jerónimo de Sousa já apelou ao investimento chinês em Portugal:
www.publico.pt/politica/noticia/jeronimo-de-sousa-quer-mais-investimento-chines-em-portugal-1585287

Eppur si muove...
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De da Maia a 29.04.2013 às 20:07

Mas há partidos que só querem ser partidos de protesto, nada mais. Não são do 'arco da governação' porque não querem ser governo. E nada fazem por isso.

Essa é que é essa... e o resto é conversa de "virgem ofendida", que nos idos 1975 não esquece que foi noiva deixada no altar, quando preparava casamento eterno com o povo.
Nem sei se tem pena que o povo seja traído pelas rameiras do arco, afinal isso só lhes dá mais virtude virginal...
Quando for escolhida, será para casamento à moda antiga, e as libertinagens acabam... não lhes chegou a lição?
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De Pedro Correia a 01.05.2013 às 22:45

Há noivas que ficam por casar a vida inteira, da Maia. Parece-me o caso.
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De Bergman a 29.04.2013 às 16:36

Ou seja, "dois partidos que nunca ganharam uma eleição" não podem apelar a votos? É isso, belo democrata me saíste... com a ajuda do miserável discurso e pessoa do presidente da república andais a sair da toca. A máscara democrata cai-vos um bocado todos os dias.
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De Pedro Correia a 29.04.2013 às 18:55

Se fosse futebol, esse seu comentário equivaleria a uma entrada a pés juntos e garantia-lhe um cartão de uma cor de que deve gostar muito. A menos que o árbitro se chamasse Capela.
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De João André a 29.04.2013 às 18:24

Pedro, que tem isso a ver? Pode haver muitas razões para torcer o nariz aos pedidos, mas o nunca ter ganho as eleições certamente que não é uma delas.

Faz lembrar o outro que criticou um actual ministro por falar de família (ou algo do género) sem nunca ter tido filhos...
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De Pedro Correia a 29.04.2013 às 19:11

Geralmente quando se clama por eleições é para ganhá-las. Neste caso clama-se por eleições para perdê-las, algo que me deixa perplexo. Vinte e dois meses após as últimas legislativas, com o País sob intervenção fiannceira externa até Junho de 2014 e quando existe maioria absoluta no Parlamento.
Daí o título, João.
A menos que, das duas uma:
- O PCP tenha tido acesso a uma sondagem que mais ninguém conhece que lhe atribui vitória eleitoral;
- O Bloco de Esquerda tenha tido acesso a uma sondagem que mais ninguém conhece que lhe atribui vitória eleitoral;
- O PCP e o Bloco, que nunca integraram nenhum projecto eleitoral comum, estejam finalmente dispostos a integrar um governo de "unidade de esquerda" liderado pelo PS;
- O PCP e o Bloco de Esquerda - que, noto, não conseguiram entender-se, em nenhum dos 308 municípios do país, para uma candidatura conjunta às próximas autárquicas - estejam finalmente disponíveis para uma futura coligação governamental "verdadeiramente de esquerda" (sem o PS), desde que seja sufragada pelos eleitores, naturalmente.
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De João André a 29.04.2013 às 22:22

Continuo na minha Pedro. Pedir eleições não significa necessariamente que se vá ganhar, caso contrário nem valeria a pena ir a elas. Nalguns casos esses partidos poderão querer uma clarificação das posições e opiniões do eleitorado (sim, eu sei que o PCP e o BE não mudariam a sua posição após perder, continuariam a ser contra, não é isso que está em causa). E poderão querer eleições para reforçar os seus lugares no parlamento (independentemente do que as sondagens possam apontar).

Se ganhariam ou não é indiferente. Os objectivos são (ou deveriam ser) indiferentes. Os motivos, esses sim, deveriam ser claros. Neste momento o governo vai avançando com um programa que é diferente daquele com que foi a votos. Seja ou não por necessidade, é normal que haja partidos a reclamar que o mesmo seja novamente sufragado, algo a que o governo deveria dar atenção nem que mais fosse para se distinguir do de Sócrates, o qual tanto criticou por fazer o mesmo.

Podemos obviamente apontar para o facto de existir um governo eleito, com maioria no parlamento, com óbvio apoio do presidente da república, não existir qualquer crise institucional e ser sempre preferível manter estabilidade governativa (nisto não incluo qualquer pretensão da troika ou mercados, os quais não foram eleitos pelos eleitores portugueses). Seja como for, nada disso invalida que se peçam eleições, independentemente do resultado.

Caso contrário o argumento da provável derrota poderia ser atirado ao ar em qualquer situação. Além disso, quem sabe se não poderia surgir uma qualquer surpresa. Desde que vi porcos a voar...
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De Pedro Correia a 29.04.2013 às 22:54

João, vou tentar explicar melhor o meu ponto de vista ao correr da pena.
O meu argumento neste pequeno postal é de algum modo simétrico ao teu de ontem, sobre o Seguro e o pedido - evidentemente extemporâneo - de maioria absoluta para o PS numa eleições que não estão ainda no horizonte e que no fundo ninguém deseja.
Este é um tema sobre o qual escrevo recorrentemente, neste blogue e noutros locais.

Há um problema que a esquerda portuguesa deve resolver antes de andar a reclamar eleições que poderão servir para coisa nenhuma.
Enquanto a direita tem à partida a questão das alianças políticas resolvida (há uma coligação natural entre o PSD e o CDS), nada semelhante ocorre à esquerda devido a feridas ainda por sarar que remontam ao processo revolucionário de 1974-75 e ao movimento contra-revolucionário liderado por Mário Soares.
Tudo isso já pertence à história, o mundo já deu mil voltas desde então, mas os velhos fantasmas persistem. Não é possível, continua a não ser possível, uma coligação pós-eleitoral entre o PS e o PCP. Os comunistas, de resto, aliaram-se ao PSD e ao CDS em 2011 para derrubarem o governo minoritário socialista. E vampirizaram os 'verdes', que são força politica autónoma nos outros paises europeus mas em Portugal permanecem totalmente amestrados pelo PCP, não se tendo nunca sequer sujeitado uma só vez, em 30 anos de existência, a uma eleição sem irem a reboque dos comunistas.

Tudo isto limita e condiciona fortemente o quadro de alianças à esquerda. O BE podia ser uma alternativa. Acontece, porém, que a orientação estratégica do Bloco - errada, a meu ver, e os últimos resultados eleitorais assim o demonstraram - tem sido mimetizar o PCP em praticamente tudo (tirando na política europeia). E também, portanto, na recusa de alianças com o PS - que é, não haja ilusões, a única força de esquerda em Portugal capaz de liderar uma maioria governamental.
Acontece, porém, que o PS ou forma governo sozinho ou procura por exclusão de partes entendimentos parlamentares à direita. À sua esquerda sempre existiu um muro. Agora existem dois.
O que adianta portanto exigir eleições dia sim dia sim se mal essas eleições ocorrem PCP e BE apenas estão apostados em disputar o lugar de "verdadeira oposição" seja a que Governo for?

Repara o que acaba de suceder em Itália. Após dois meses de absoluto impasse, acaba de tomar posse um Executivo que é uma autêntica sopa da pedra, no qual Berlusconi faz de fiel da balança e que será derrubado assim que for entendido como mais conveniente pelas forças políticas mais populistas e demagógicas. Fatal como o destino.
Todas as sondagens em Portugal apontam para uma solução política semelhante - embora não haja, por enquanto, um Berlusconi português.
O PS tem uma vantagem ligeira mas está muito longe de poder constituir governo sozinho. O que nos forçaria a repetir por cá, se houvesse eleições já, um cenário à italiana. Com o PCP e o BE a fazerem em duplicado o papel de Grillo.

(Reparo agora que este comentário pode ser transposto como texto para a página principal do blogue, o que talvez venha a fazer; para já fica por aqui)
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De Palha d'Aço a 29.04.2013 às 20:02

Já o camarada Cunhal tinha imenso respeito pelas eleições, só que jamais ocupou o seu lugar de deputado na AR. Essa gente conheço bem, já era crescidinho quando foi o 25 do A.
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De Pedro Correia a 01.05.2013 às 22:32

Cunhal, de facto, não chegou praticamente a ocupar o lugar de deputado embora fosse cabeça-de-lista por Lisboa em várias eleições.
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De am a 29.04.2013 às 21:55

Votarei de bom grado no ti Jerónimo se:

Me apontar um país de governo comunista onde haja:
Liberdade sindical - Liberdade de circulação internacional - Livre Iniciativa - Imprensa Livre... enfim...aquilo que sabemos.

Será Cuba... Coreia do Norte - Vietname - China... haverá mais?

...Só lamento que os alemaes da antiga RDA os polacos e russos queiram de volta os "tais"!!!!
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De Pedro Correia a 29.04.2013 às 23:45

Acha que querem? Olhe que não, olhe que não, como diria o doutor Cunhal.

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