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Deixando de lado considerações sobre a clarividência  actual (ou falta dela) de Mário Soares, talvez seja oportuno recordar que afirmações deste teor, se proferidas na fase final do reinado de D. Carlos a propósito dos responsáveis políticos de então,  teriam como consequência mais provável, nos termos do Decreto de 30 de Janeiro de 1908, a expulsão ou a deportação para alguma das colónias:

 

No dia 30 de Janeiro, o ministro Teixeira de Abreu foi a Vila Viçosa submeter à referenda régia um decreto que previa a expulsão do País ou a deportação para as colónias de África e Timor dos alegados implicados em conspirações ou delitos contra a segurança do Estado, «quando os interesses superiores do Estado assim o aconselharem». "O ministro regressou no dia 1 de Fevereiro, de madrugada. O decreto foi logo impresso; circulava pouco depois, entrando logo em vigor." (in História do Regimen Republicano em Portugal) Com este decreto, obtém o governo de João Franco do rei um instrumento de violenta repressão administrativa sobre os seus opositores.

Já por aqui se vê o despropósito da comparação e o profundo desrespeito pela instituições democráticas que o proclamado paizinho do regime insiste em revelar. O facto de a passagem transcrita ter sido encontrada no site da Fundação Mário Soares é apenas um pormenor sem especial relevância.



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27 comentários

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De Bento Norte a 13.04.2013 às 17:49

Conselheiro de Estado ou cangalheiro da Nação? Com as responsabilidades institucionais que protagonizou e pela condição de senador que ainda detém, este pirómano assumido não devia ser preso e julgado por comportamento terrorista que atenta contra princípios elementares de um Estado de Direito?
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De André Benjamim a 13.04.2013 às 17:53

Falta referir que nesse mesmo dia 01 de Fevereiro de 1908, às 17h30, morriam em Lisboa o Rei D. Carlos e o Príncipe Real, Luís Filipe (morreram também Manuel Buíça e Alfredo Costa)...
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De fgh a 13.04.2013 às 17:58

Enfim, que dizer?
Não vá por aí!
A comparação que faz é uma falácia e tem um nome: Cherry picking: consiste em apontar um caso particularíssimo para querer ilacionar algo de geral.
Acontece que a legislação que cita se referia a actos de terrorismo ou subversão do sistema parlamentar - como existe agora...
Se quer comparar o caso de Soares, compare com o "Caçador Simão", o poema do Guerra Junqueiro em que este apelou ao assassinato do Rei: nada lhe sucedeu.

E sobre liberdade, não vale a pena tentar comparações: o parlamentarismo monárquico de 1834 a 1910 foi o regime mais livre de que há memória em Portugal, com liberdade de expressão e liberdade política: não havia qualquer censura e o partido republicano tinha os seus deputados no parlamento. Quanto à liberdade de expressão, as Farpas de Eça e Ramalho aí estão para prova plena.

Pelo contrário, quem fez censura e perseguiu por motivos de opinião, políticos e religiosos foram a I e II repúblicas portuguesas (de 1910 a 1974). E sobre censura estamos todos lembrados do bem recente caso de Manuela Moura Relvas já na III república.

Sobre o desterro: a república francesa também conhecia-o bem (assim como qualquer país com colónias) - era uma medida penal do tempo. Todavia, e ao contrário de França no Portugal de D. Luís I ou de D, Carlos I nunca houve nenhum Caso Dreyfuss.
Os tribunais eram respeitados: Camilo, já célebre, esteve preso - teve menos sorte que o Isaltino.


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De rmg a 13.04.2013 às 18:57


"Manuela Moura Relvas" ?

Assim se escreve direito por linhas tortas .
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De fgh a 13.04.2013 às 21:21

Moura Guedes.
Não creio que o lapsus linguae venha daí - do Relvas - mas se viesse era bene trovato.
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De fgh a 13.04.2013 às 19:01

Isto para não falar já do "Marquês da Bacalhoa" livro em que a Família Real era vilipendiada da forma mais torpe ( uma enormidade tal que o autor, do seu leito de morte escreveu a pedir desculpa à Rainha, já então no exílio).
A única coisa que se fez em relação a esse livro foi a sua apreensão, por ofensivo - direito que assiste a casa um de nós - mas depois de editado e vendido quase na totalidade!

Quem dissesse da Barroso ou da Cavaco e dos respectivos o que o autor do Marquês da Bacalhoa disse da Rainha de Portugal e do Rei D. Carlos I não teria a vida fácil em Portugal, a julgar pelos exemplos mais recentes e pelo estado da justiça portuguesa, que atravessa um dos seus piores momentos.
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De rmg a 13.04.2013 às 20:37


As coisas precipitaram-se a partir de 1906 com João Franco e não só .
Situações várias (questão dos tabacos , dissolução do parlamento sem as consequentes eleições , questão dos adiantamentos ,a entrevista ao "Le Temps) não ajudaram nada .

E até que ponto o atentado teve a ver com algumas deportações que se adivinhavam ainda está , e porventura ficará , por esclarecer .

Mário Soares passa assim mais um atestado de incultura geral à rapaziada cá do burgo ao fazer comparações destas .
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De da Maia a 13.04.2013 às 23:00

Em geral estou de acordo com o fgh, mas acho que se tem vindo a exagerar da "liberdade" na Monarquia, por oposição à repressão que se seguiu, na 1ª e 2ª Repúblicas.

Enfim, coisas de Macavencos...
http://expresso.sapo.pt/a-sociedade-secreta-dos-makavenkos=f561905

... e depois vejam lá se reconhecem o símbolo do PS com o punho fechado, à laia de "bater punho", mas com bom vinho e gajas à discrição, na boa tradição da probidade maçónica.
E quem disto mal pensar, que bata punho...
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De Jorge a 13.04.2013 às 18:43

Não fala das benesses e mordomias que ainda tem. O problema é só um: foram-lhe aos bolsos, vidé reformas e fundação. Mesmo assim +e um priveligiado e nunca ouvi a voz deste hipocrita contra as pensões miseráveis de 200 e poucos euros.HIPOCRISIA
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De Emaudio a 13.04.2013 às 19:01

E, apesar de felizmente termos liberdade de expressão, quer-me parecer que as destrambelhadas afirmações do patarouco não andam longe do incitamento à violência.
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De JS a 13.04.2013 às 19:03

À cerca de políticos, poder e outras graves maleitas.
...
Ponerology 101: Lobaczewski and the origins of Political Ponerology
http://www.sott.net/article/203026-Ponerology-101-Lobaczewski-and-the-origins-of-Political-Ponerology
...
The Anatomy of Power
James Margach.
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De atento a 13.04.2013 às 19:54

Obrigado

:)
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De JS a 13.04.2013 às 19:14

Não é neologismo, nem Acordo Ortográfico. É asneira.
a cerca de: perto de, aproximadamente, à volta de
acerca de: sobre, a respeito de, relativamente a, quanto a
há cerca de: existem perto de, faz aproximadamente
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De sr. a 13.04.2013 às 19:32

Nem a idade refreia este sr. Muito controverso e altivo devia primar pela discrição, tendo em conta, leia-se: portadaloja.blogspot.com/7 de Dez.2012.
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De Amendes a 13.04.2013 às 19:36

A Falácia dum troca tintas ... só em 1984!!!

-" A imprensa portuguesa ainda não se habituou suficientemente à democracia e é completamente irresponsável. Ela dá uma imagem completamente falsa"
Der Spiegel, 21 Abril /84

"ANUNCIÁMOS MEDIDAS DE RIGOR E DISSEMOS EM QUE CONSISTIA A POLITICA DE AUSTERIDADE, DURA MAS NECESSÁRIA, PARA READQUIRIRMOS OS DÉFICES E NOS PORMOS AO ABRIGO DE HUMILHANTES DEPENDÊNCIAS EXTERIORES, SEM QUE O PAÍS CAMINHARIA, NECESSARIAMENTE PARA A BANCARROTA E O DESASTRE"
RTP - 1 de Junho 1984

-- " Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto"...
DN 27 de Maio 1984

" Quem vê do estrangeiro, este esforço e a coragem com que estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço feito por este governo"

JN 28 de Abril 1984

-- Fomos obrigados a fazer, sem contemplações, o diagnóstico dos nossos males colectivos e a indicar a terapêutica possível"
RTP, 1 Junho 84

- Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos"

RTP ,1 Junho 84

-- O importante é saber se invertemos ou não a corrida para o abismo em que nos instalámos irresponsavelmente"

RTP, Junho 84

(!!!!) - " PEDI COM IMAGINAÇÃO E CAPACIDADE CRIADORA O MINISTÉRIO DAS FINANÇAS CRIASSE UM NOVO TIPO DE RECEITAS...(!!!!!) DAÍ SURGIRAM ESTES NOVOS IMPOSTOS"
1ª. Pagina - 6 Dezembro 83

-- " A CGTP concentra-se em reivindicações politicas com menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende representar"

RTP, 1 Junho 84

...." DENTRO DE SEIS MESES O PAÍS VAI CONSIDERAR-ME UM HERÓI"

RTP 1 Junho 84

--- Há mais ... e mais degradantes!


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De atento a 13.04.2013 às 20:07

aposto que se lhe forem mostrar as imagens ou os jornais diz que são montagens !

enfim ...

A "Ponerologia" explica !

:)
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De Amendes a 13.04.2013 às 22:36

Só mais 3 " preciosidades", que definem bem o carácter do "herói " : -

- " Quando nos reunimos com os macroeconomistas todos reconhecem com gradações subtis ou simples nuances que a politica que está a ser seguida é a necessária para Portugal"
JN 28 Abril 94

" A terapêutica de choque não é diferente, aliás, da que estão a aplicar outros países da Europa bem mais ricos do que nós"
RTP, 1 Junho 84

" Não se fazem omeletas sem ovos. Evidentemente teremos de partir alguns"

DN, 1 Maio 84

Esta não resisto... Meu ... Brigadeiro Vasco Lourenço:

" A Associação 25 de Abril é qualquer coisa que não devia ser permitida a militares em serviço"

La Republica, 28 de Abril 1984
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De atento a 14.04.2013 às 13:15

é a cereja em cima do bolo !

nem sei se :) se :( ...

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De Pedro Correia a 13.04.2013 às 20:48

Profundamente lamentável. Nem apetece dizer mais nada.

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