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Sem reparar

por Pedro Correia, em 08.04.13

1. Apresentou uma moção de censura que sabia antecipadamente condenada ao fracasso dois dias antes do veredicto do Tribunal Constitucional. Sem reparar que oferecia de bandeja a Passos Coelho, nessa data crucial, uma relegitimação política da maioria governamental na Assembleia da República.

 

2. Afirmou-se disponível para ascender desde já ao governo, apressando-se no entanto a declarar que deve ser o Executivo em funções a "resolver o problema" orçamental criado pelo acórdão do TC. Sem reparar que a segunda frase anulava sem remissão a primeira.

 

3. Mandou dizer aos jornalistas que reagiria sem demora à mensagem do primeiro-ministro ao País, mas transferiu afinal essa reacção para o dia seguinte. Sem reparar que deixava assim o terreno livre para que José Sócrates pudesse ditar a táctica ao principal partido da oposição.

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23 comentários

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De jpt a 08.04.2013 às 03:29

que postal tão maldoso. O homem a tentar e a gente, cruel, a reparar
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De Pedro Correia a 08.04.2013 às 23:21

E a gente a tentar perceber o nexo de tudo isto.
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De Luís Menezes Leitão a 08.04.2013 às 06:55

Tens toda a razão, Pedro. Nesta semana alucinante as coisas só não correram pior para o Governo, graças a António José Seguro. E comparando o seu vazio político com a estratégia consistente de Sócrates em colar Passos Coelho a Cavaco, qualificando o seu Governo como de iniciativa presidencial, torna-se claro quem é que efectivamente lidera a oposição.
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De Pedro Correia a 08.04.2013 às 11:58

Nem mais, Luís.
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De Pedro Santos a 08.04.2013 às 10:46

Seguramente um génio táctico, ávido leitor de Sun-Tzu e Maquiavel!
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De Pedro Correia a 08.04.2013 às 23:22

Tzu-Nami e Mau-quiavel.
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De Anónimo a 08.04.2013 às 11:17

Pedro, em alguns pontos, vou procurar seguir a lógica de seu raciocínio:

1 - Todos sabemos que neste país não existe governo. Aquilo que existe são testas de ferro que aplicam uma política determinada por alguém que deseja andar mas, impedido por suas limitações físicas, usa como suas as pernas dos outros. Sim, refiro-me ao senhor Schauble (e escrevo isto metaforicamente e sem qualquer crueldade);

2 - No quadro anteriormente exposto, a moção de censura de José Seguro, a meu ver, determina a intenção de dizer ao herr schauble que a partir de agora Portugal, na óptica do PS, só lhe permitirá tal mobilidade se ele estiver disposto a caminhar connosco e não por nós, fazendo-se nossas pernas. Assim sendo, a moção de censura está por demais legitimada;

3 - Por outro lado não vejo que Sócrates, em relação ao PS, seja uma circunstância anormal. É aqui que inicio o seguimento de seu raciocínio. Repare bem, Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes mais aquele outro que aparece na RTP1 (esqueci-me agora do nome) não passam de representantes e condicionadores das decisões de Passos e também do PR. Todos nós sabemos que estes comentadores, ainda que apelem à sua enorme isenção relativamente às pernas do senhor Schauble, não passam, simultaneamente, de propagandistas e fazedores de opinião conveniente. É lógico que, para parecer que existe isenção nos seus ditos comentários, lá vão dando uma caneladas às pernas de Schauble;

4 - Para o PR, porque possui um perfil paternalista, é sempre conveniente que estas pernas de quando em vez falhem, para poder dar um ar de bom samaritano e ao invés de colocar o ferido em tratamento numa esplanada, como fez o bom samaritano, amarra-o a seu cavalo colocando nelas, nas pernas, os freios. Neste sentido, parece-me que Sócrates incomoda com a verdade. Se é certo que ele, Sócrates, não é referência de governação, não menos certo é que por seus erros nós somos capaz de ver a grosseria de erros quer das pernas de Schauble quer do PR;

5 - Por último, o PS foi liminarmente afastado por estas pernas de Schauble de qualquer decisão dita governamental, e agora, que provaram a sua absoluta incompetência, querem apanhar uma boleia para colar o PS à sua desgraça.

Valha-nos nos Deus, porque, como disse um bispo de nossa praça, estamos entregues a diabinhos!
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De Advogado do Diabo, a 08.04.2013 às 14:24

Há muito tempo que não lia uma coisa com tanta profundidade: fiquei praí cinco minutos sem respirar! Eh pá...poças!
P.S. Eu cá acho que não foram as pernas do Herr Schauble que afastaram o PS da coisa; estou mais inclinado prás coxas da Mme Merkell.
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De Pedro Correia a 08.04.2013 às 23:35

Nada elegante, convenhamos.
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De rmg a 08.04.2013 às 23:52


"Nada elegante , convenhamos" é muito elegante , convenhamos .
Isto só vindo de si .

Quando para defender ideias pré-concebidas ideológicamente se tem que basear TODO o discurso nas insuficiências físicas da vítima de um atentado político (por pouco que se goste dele) é porque algo não bate bem nem sequer mal - não bate de todo.

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De Anónimo a 09.04.2013 às 12:52

Sem qualquer ar professoral, permita que inicie a tradução de TODO o discurso.
O discurso gira em torno não das pernas mas da falta de cabeça, que é o que nos falta em termos governamentais e de independência nacional. Ou seja, quem pensa é Schauble, e como é na cabeça que surgem as ordens para que os membros se movam fica explicado o meu discurso.
Não estou arrependido de ter citado o herr Schauble para usar esta metáfora. E não estou pelas seguintes razões:
1 - Após o desfecho da crise do Chipre o senhor Schauble, em fanfarroneira típica, à semelhança de várias lideranças alemãs ao longo da história, afirmou que a vontade alemã tinha sido cumprida;

2 - Muito recentemente fez a afirmação que o problema fundamental residia na inveja que os países tinham da prosperidade e riqueza alemã (mas ele não especificou os termos em que se deu toda essa prosperidade, inclusive o perdão das dívidas de guerra e o não pagamento dos estragos cometidos a outros países). Não citarei mais exemplos.

Um homem que não é capaz de respeitar a dignidade que habita nos seus semelhantes (salvo seja, e estou a ser mailcioso), e que se arroga de um grande poder sobre os outros, está sempre sujeito a ouvir algo sobre si mesmo (neste caso sobre a conduta de seu país). De tal forma é assim que Marcelo Rebelo de Sousa, muito bem, diga-se, teve de explicar que esta "coisa" da inveja é algo que reside em todos os povos, e acrescentou: "certamente que os judeus alemães, no período da 2ª. guerra mundial, aí residentes, invejavam os outros judeus que se tinham refugiado em Portugal"; e agora acrescento eu: em particular aqueles que se encontravam em campos onde o "harbeit macht frei".

Ainda durante TODO este discurso, fiz a distinção entre "as pernas de Schauble" e o nosso PR (disse nosso), era o que nos faltava que até o mais alto magistrado da nação (que ocupa um cargo cuja dignidade lhe é atribuída por uma nação) pudesse estar conotado como sendo as pernas de Schauble. Ele que nos lembrou que a constituição não estava suspensa e que referiu sobre uma espiral recessiva. Sobre o meu desapontamento em relação à atitude do PR não vou usar de mais delongas.

Sobre os exemplos que cito dos comentadores, não pretendi dizer mais que tão somente o que referi, ou seja, seguindo a lógica do que presumo ter sido o raciocínio do Pedro, pretendi dizer que Sócrates poderia estar para o PS na mesma proporção que os demais estavam para o PSD, isto é, que nesta vertente uns e outros poderiam definir as tácticas e ou estratégias, antecipando-se aos líderes. E depois centrei meus pensamentos, interiorizando-os, em algumas frases que de uns e outros ouvi.

Rmg, se verificar que subsiste alguma explicação para que possa elucidar ainda mais, por favor, não hesite em vir ao diálogo. Esqueça a acusação gratuita e entre, no que não compreende, em diálogo com seus interlocutores.
Por último, gostaria de lhe dizer que eu não sou uma pessoa que me cole aos ditos discursos "politicamente correctos", porque quem diz assim agir, em regra, não é correcto. E neste país, depois que aqui cheguei, tenho verificado que existe em muita gente públicas virtudes e nos mesmos demasiados pecados privados. Não estou a ser moralista, estou contra os falsos moralistas.
Sou cristão, por opção e identificação com o Cristo, e sei que o cristianismo não é moralidade, é antes um Caminho que nos ajuda a encontrar, sem a impor, a moral e a ética (sabe o que é a ética? É algo assim: não faças aos outros o que não queres que te façam a ti.). Sabendo eu que este Caminho nunca está concluído.
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De rmg a 09.04.2013 às 19:16


Como queira .

Não sei dialogar com quem começa por atirar-me com os dons morais que considera ter e insinua que há coisas que eu não compreendo só porque não lhe bati palmas e achei confusas (e infelizes).










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De Anónimo a 09.04.2013 às 22:42

Pois é, que quer que lhe diga? Quando as sintonias são diferentes o melhor é deixa-las fluir, sem forçar. Teria novamente de transformar o alimento em papa, e não tenho paciêncioa. Cada um vê à sua própria dimensão.
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De rmg a 10.04.2013 às 00:33


" Cada um vê à sua própria dimensão".

Grande verdade !
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De Anónimo a 10.04.2013 às 16:34

E para compreender melhor a diferença dessa dimensão, permita que lhe dê mais uma achega:

Se rmg pensa que umas pernas disfuncionais me comovem, engana-se. A mim o que me "comove" são as falsas indignações e disfuncionalidades que transformam pessoas com pernas disfuncionais em autênticos paralíticos. Mas como a tradição neste país é mostrar-se condoído e nada fazer por tirar as dores, as verdadeiras, as dimensãoes de visão perpetuar-se-ão.
E volto a referir, não me senti nada infeliz pela metáfora usada, fi-lo com bastante agrado, consciente que o Herr Schauble, apesar de pernas disfuncionais, sabe perfeitamente o que faz e como se deve mover.
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De Anónimo a 08.04.2013 às 23:51

Peço desculpa por lhe ter causado a falta de fôlego, recomendo que continue com exercícios na barra.
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De José Manuel Faria a 08.04.2013 às 12:03

Todos os ataques de Sócrates ao governo reflectem para Seguro e, com maior veemência.
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De Pedro Correia a 09.04.2013 às 02:33

Daí ficar tão inseguro.
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De rmg a 08.04.2013 às 18:12


Quando leio alguns comentários por aí lembro-me sempre da velha máxima :

"Se não consegues explicar algo de forma simples é porque não o percebeste" .
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De Língua da Sogra a 08.04.2013 às 19:58

Coitado dele, o Tozé é um choninhas chapado.

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/seguro_ps_escreveu_a_troika_garantindo_que_honrara_compromissos_do_estado_portugues.html
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De ERA UMA VEZ a 08.04.2013 às 22:43

SEM REPARAR???
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De Pedro Correia a 08.04.2013 às 23:31

Necessita de reparação.

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