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Combates no centro de Moçambique

por jpt, em 05.04.13

Foto Canal de Moçambique

(Fotografia do "Canal de  Moçambique")

 

Na madrugada de ontem combates em Muxungue, noticia o Canal de Moçambique, que tem jornalistas no local, um posto administrativo no distrito de Chibavava, no centro de Moçambique, a cerca de 150 km a sul da estrada que liga Chimoio à Beira, uma artéria crucial no país. Na véspera a polícia interrompeu uma concentração de militantes da Renamo, prendeu alguns e apreendeu bicicletas, o meio de locomoção rural por excelência. Na madrugada seguinte um destacamento da Renamo cometeu um inesperado ataque à vila, matando pelo menos quatro polícias e ferindo cerca de 15, tendo sido também abatido um comandante da força atacante (dizem-me, desde o local, que um brigadeiro).

 

 

Há longos meses que a tensão no centro do país tem sido referida. Em particular desde que o dirigente histórico do partido Renamo se deslocou para a sua sede tradicional, a Gorongosa, a cerca de 200 Kms a norte do local que refiro. Ao longo dos anos de quando em vez surgem conflitos entre apoiantes dos diversos partidos, em particular entre os dois grandes partidos históricos, Renamo e Frelimo, opositores na terrível guerra civil que avassalou Moçambique entre 1976 e 1992. Essa do milhão de mortos, dos cinco milhões de refugiados. Mas os contornos militares deste acontecimento são verdadeiramente inesperados. Deixando temer um mal até maior, mais continuado - ainda que não haja, hoje em dia, contexto internacional regional de sustentação de um conflito prolongado. Mas não é momento para análises, agora "a quente". Muito menos para especulações. Mas é o momento certo para que todos falemos do importante. Da paz. O supremo bem. Falem, também. Por favor.


14 comentários

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De jj.amarante a 05.04.2013 às 01:20

Será já a maldição da recém-descoberta abundância de recursos naturais?
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De jpt a 05.04.2013 às 10:17

O anúncio constante de descoberta e exploração de recursos naturais ajudará a criar o horizonte para reclamações, sobre uma "distribuição" do acesso a acesso a recursos. Como em tantos países, daí essa "maldição" dos recursos naturais, que tantos temem. Mas julgo que aqui as questões conflituantes, ainda que integrem já essas expectativas, são mais vastas, anteriores.
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De jj.amarante a 05.04.2013 às 10:45

Embora as questões conflituantes possam já existir, a descoberta de recursos naturais pode amplificá-las ao fazerem chegar ao local partes dispostas a aumentar o financiamento das facções em conflito. Por exemplo a Guiné-Bissau, embora agora não vá nada bem, e tenha sido vítima do golpe do Nino Vieira na deposição do Luís cabral, esteve durante décadas gozando de alguma paz enquanto em Angola a guerra atingiu níveis elevadíssimos, nesse caso financiada pelo petróleo e pelos diamantes. Mas ouvi dizer que na parte eléctrica a State Grid está a fortalecer a sua posição.
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De JS a 05.04.2013 às 06:36

Infelizmente é, foi, uma "paz", imposta pela Frelimo, via mão armada. Infelizmente aquela organização nunca consegiu ultrapassar, transcender, a cultura -o poder da mão armada- em que foi criada. Nunca consegiu "civilizar", desmilitarizar, as suas estruturas.

Infelizmente a ameaça das incontáveis riquezas que paira sobre aquelas paragens pode vir a tornar-se a nova raiz do mal....
O povo moçambicano -da "terra da boa gente"- merecia, merece, melhor, muito melhor, sorte....
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De jpt a 05.04.2013 às 10:24

A paz não teve aspas, a sociedade moçambicana cumpre vinte anos de paz efectiva, conflitual como é comum nas sociedades, mas efectivamente pacífica - e então se se comparar com a terrível guerra ocorrida menos "relativização" se colocará na pacificação ocorrida.

Eu discordo da sua opinião sobre uma "paz imposta pela Frelimo". Foi um processo de paz contemporâneo de um poder central estatal (Frelimo) exaurido e exangue e uma guerrilha incontrolável no terreno mas em vias de perder os apoios externos (e com isto eu não estou a reduzir a Renamo a um epifenómeno exógeno, apenas a referir que na confrontação militar teve apoios - às vezes bem menores do que o referido, mas consistentes).

De qualquer forma vamos ver. Hoje grande acalmia aparente, e um forte movimento das instâncias religiosas para o apelo à paz. É o importante. Evitar a demência violenta
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De Luís Lavoura a 05.04.2013 às 10:29

É como diz, a paz, supremo bem.
Repudio totalmente o ataque da Renamo e o assassínio de polícias e de cidadãos civis. Se querem atacar, ataquem militares.
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De graça a 05.04.2013 às 11:55

o seu post foi inteirinho para o meu desabalo e partilhado no fb.
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De Gui Abreu de Lima a 05.04.2013 às 15:06

Ah, JPT, que notícia... Estilhaçou-me o Coração. Cuidava eu que Moçambique ganhara um lugar na Paz.
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De da Maia a 05.04.2013 às 15:48

A notícia apareceu no Publico hoje às 14h17:

http://www.publico.pt/mundo/noticia/antigo-movimento-rebelde-mocambicano-matou-quatro-agentes-em-ataque-a-comando-da-policia-1590261

Portanto temos, mais ou menos, 30h de atraso, face a essa notícia do Canal Moçambique.
Pode chegar tão atrasada a outros jornais, que nem seja considerada notícia de actualidade.

Terá que passar pelo SIS para decidir se é ou não segredo de estado?
Antigamente, creio que passavam pela PIDE/DGS.
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De jpt a 05.04.2013 às 16:16

Não exageremos, a falta de interesse da comunicação social sobre esta matéria não se deverá, com toda a certeza, à influência de uma intervenção exógena. De qualquer forma em Maputo poucas horas após os acontecimentos a notícias e fotos já circulavam na imprensa. Aí, porventura, tudo o que não seja maningue nice ou as aventuras de Armando Vara, Isaltino Morais ou o "regresso dos portugueses" de boas famílias (a la histórico catastrófico artigo de Maria João Avillez, um must de indigência) pouco interessa. De qualquer forma, imprensa portuguesa residente ou visitante não falta
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De da Maia a 05.04.2013 às 16:33

:)
... eu sei, mas há uma coisa que é bom não perder, a capacidade de interrogar.
Assim, não é bom desculpar o sistema por antecipação, devemos obrigá-lo a desculpar-se.

Não tendo necessariamente a ver com este assunto, tenho notado que o pessoal habitua-se a achar tudo normal. Ou seja, não interroga nada, e isso poupa trabalhos de desculpa, e dá relaxe de acção...

Lembro-me quando a actualidade internacional era frequente ser capa dos jornais portugueses. Depois, qualquer trica interna passou a ser mais importante. Hoje em dia, só há notícias internacionais se houver ordem da Reuters (que concentra todas as notícias, para o mundo ocidental). Deixamos de ligar aos outros, os outros deixam de se ligar a nós...
A globalização foi comercial, a parte informativa, com perda de correspondentes, etc... acho que ficou pior.

Por isso, só faz bem provocar o sistema... deixá-lo no relaxe total só lhe dá mais margem de manobra.
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De jpt a 05.04.2013 às 21:08

A ausência de uma boa informação internacional na imprensa portuguesa é uma coisa constante e, paradoxalmente, crescente. E em vivendo fora do país nota-se muito. Não é apenas vontade de dizer mal, é mesmo uma realidade. E é, acredito, um factor de empobrecimento. E não falo apenas dos "maus jornais" etc e tal. Hoje mesmo nos comentários aqui no DP ao texto sobre Relvas referi que o que vou vendo da TV portuguesa por cá é muito radialista, por razões decerto económicas. São poucas pessoas (os comentadores) a dizerem pouca coisa, acima de tudo sobre poucas coisas. É tudo muito centrado no pequeno pénis da actualidadezinha lisboeta ...

Quanto ao aqui que aí se ecoa, e já referi o paradigma da mediocridade intelectual, Maria João Avillez, já vi de tudo abaixo dos mínimos. É uma questão cultural, lata, não há nada a fazer. Ou talvez haja, esperar pela falência radical. E pela reaprendizagem da vida em comum.

(e tem toda a razão, há que dar caneladas)
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De jpt a 05.04.2013 às 21:50

veja no expresso a inenarrável cobertura que, no local (ou seja, em Maputo), se faz sobre a situação. É de urrar aos céus
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De da Maia a 05.04.2013 às 23:57

Não tinha visto.
É mau sinal... pode significar que se trata apenas de acender rastilho para algo mais complicado.
Se intoxicarem os circuitos informativos, mesmo a situação da maior concórdia se transforma em potencial situação de caos.

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