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mau tempo

por Patrícia Reis, em 31.03.13

Estão 14 distritos em alerta, a chuva parece que não vai parar e as janelas da casa mínima onde estou ameaçam cair. Oiço o vento lá fora e, confesso, tenho medo. O melhor será um livro.

 

Leio:

 

---
Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça...

Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro...

O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...
Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a água no fato de haver coro...

A missa é um automóvel que passa
Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste...
Súbito vento sacode em esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som de rodas de automóvel...

E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa...

[Fernando Pessoa, in Chuva Oblíqua]

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2 comentários

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De Helena Sacadura Cabral a 01.04.2013 às 00:08

Que bem escolhido minha querida amiga!
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De garimpadas a 03.04.2013 às 02:47

é o texto mais adequado a esta trovoada que se avizinha e cada vez mais perto, vem da Serra de Sintra, parece e tenho o estômago vazio e o pé direito está frio e são 02H30 e apetece-me mergulhar num sonho que estupidamente não acontece porque dormitei ao serão a ver televisão, essa enxovia que nos amorfalha e entedia e o corretor a irritar porque não conhece estas palavras que eu sei existirem e tudo isto me aflige e talvez agora vá dormir não sem antes ter enviado aos meus amigos o poema do Pessoa que mais não é do que um camião na rua deserta a passar e agora é que me vou deitar. Boa Noite e na sala há já pingos sonoros a cair no balde que se infiltram pelo tecto e sonoramente chamam por mim: plim...plim...plim. (a trovoada já está plenamente instalada não sei por quanto tempo)

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