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Delito de Opinião

Poesia por Filipa Leal

Patrícia Reis, 23.03.13

"No fundo dos relógios"

"Demoro-me neste país indeciso
que ainda procura o amor
no fundo dos relógios,
que se abre
como se abrisse os poros solitários
para que neles caiam ossos, vidros, pão.
Demoro-me
no ventre desta cidade
que nenhum navio abandonou
porque lhe faltou a água para a partida,
como por vezes desaparece a estrada
que nos conduz aos lugares
e ali temos que ficar."

de Filipa Leal, _A Cidade Líquida e outras texturas_ 2006 (p. 22)