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A tal história de reis

por Marta Spínola, em 19.03.13

A propósito deste post do Pedro, lembrei-me de um episódio a que assisti numa aula na universidade. 

O meu curso, ainda que por acabar, é História. Tenho para mim que se há coisa simples em História é perceber que se um Afonso é II ou III é porque antes dele houve um ou dois. E sempre achei que não era preciso explicar isto a uma criança. Mal sabia eu...

 

Estava no quarto ano, numa aula do terceiro porque tinha de fazer ainda História Moderna Geral desse ano. Era a aula das 8 da manhã, aquela não era a minha turma, tudo me aborrecia, e eu sentava-me logo na primeira fila para tirar apontamentos e nem me distrair. 

O professor falava nessa manhã sobre a sucessão de Carlos VIII, "que não tendo descendência masculina directa, foi então sucedido pelo primo Luis XII". Apontamento tiradinho, pronta para continuar.

Alice não, a Alice quis saber, quis indagar, estranhou e avançou: "Pode repetir?" e o professor, paciente, simpático, repetiu: "como Carlos VIII não tinha descendência masculina directa, quem lhe sucedeu foi primo, Luis XII, o parente mais próximo". Mas a estranheza da Alice estava noutra questão, e não  hesitou, juro que ainda a vejo encostar a caneta ao lábio antes de atirar: "Mas isso não faz muito sentido, pois não? Devia ser Luis IX." (a numeração romana é minha, ela pensou em "9º", tenho essa convicção). 


11 comentários

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De monge silésio a 19.03.2013 às 21:27

Convide-a para economista...só pensou nos números. É que aqui no burgo, a aritmética (a da boa, a da 4ª classe , a que era feita com memória, lágrimas e raciocínio, foi ...) não funciona.
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De Marta Spínola a 20.03.2013 às 00:10

Não mantive contacto. O meu pânico foi que estando ela no ramo educacional (o meu era o outro) um dia fosse (talvez seja) professora dos filhos de alguém.
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De c. a 20.03.2013 às 00:41

É, de facto, assustador: repare-se que ela não atribui a si mesma a incompreensão: é o mundo que não faz sentido. É o atrevimento ignorante que encontramos nas escolas do magistério, na política, etc.
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De Marta Spínola a 20.03.2013 às 15:31

Muito isso, muito mesmo. Em todo o lado, lembro-me muitas vezes da anedota do condutor que ouve na rádio que "há um condutor na ponte em sentido contrário" e comenta "um não, todos!". Penso nela mais vezes do que gostaria.
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De Tiro ao Alvo a 20.03.2013 às 08:53

Porquê essa aversão aos economistas? Por que não sugeriu matemática? Ou matemática aplicada?
Uma coisa lhe digo, eu que não sou economista, conheço alguns licenciados em história que sabem matemática, mas conheço outros que nem a aritmética dominam.
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De Bartolomeu a 20.03.2013 às 08:51

A dúvida de Alice, não foi completamente desprovida de lógica.
Todos os que passaram os olhos pela História de Portugal, lembram-se certamente da 3ª dinastia, a Filipina, aquela que sucedeu porque um reizinho dado a neblinas decidiu partir num rompante para a conquista do norte de áfrica, esquecendo-se de deixar descendência (não sei se o acaso o tivesse mantido no posto, teria dado a tal descendência, mas pronto, não vale (des)perorar) Na dinastia subsequente à 2ª e por conseguinte, anterior à 4ª (aprendi este arazoado com o Vitinho das finanças) o Iº Filipe cá, era o IIº lá e assim sucessivamente até que um D. João IV o 1º da quarta dinastia, que não teria chegado a ser, se a sua esposa, D. Luisa de Gusmão, a isso o não tivesse obrigado, colocando-o perante a decisão: João de Bragança; ou assumes a restauração, deixas os conjurados correr com os castelhanos e recebes a coroa, ou então ficas um mês a dormir no sofá da sala. A escolha é tua!
;))
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De Marta Spínola a 20.03.2013 às 15:30

Percebo, mas em França não era o caso :) E no nosso curso, Filipe sempre foi o II, convencionou-se assim precisamente para não haver confusões. A Alice achou mesmo mais simples ter os reis por ordem numérica, facilitava-lhe o estudo, penso.
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De c. a 20.03.2013 às 21:09

A questão do Filipe II era, de imediato, bem explicada e não fazia confusão a ninguém.
E, de igual modo, havia mnemónicas e regras simples (em português, história, matemática) que toda a gente aprendia sem dificuldade, fosse em casa, fosse na escola. Percebo, pelos erros dados hoje em dia, que essa prática desapareceu, sendo de considerar que já há uma geração de professores que as não sabe - seja para uso próprio, seja para ensinar.

Havia, ainda, perguntas mais difíceis, às vezes à mesa: "Já sabe quem foi D. Pedro IV, o do Rossio? Sabia-se. E, também, quem era D. Pedro II. A pergunta vinha depois: E D. Pedro III, quem foi?
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De Bartolomeu a 21.03.2013 às 09:50

E já agora, c. Sabe que o fundador do Fê Cê Pê, foi também um Dom Pedro? E que era irmão do rei D. Carlos, o biólogo marinho?
Ah pois é...
Ha Pedros que nasceram para reinar noutros reinos.
;))
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De beirão a 20.03.2013 às 18:44

O que não faltam por aí são 'Alices'. E, infelizmente, não é apenas no ensino. O que aí vai de 'Alices', por exemplo, na comunicação social e, sobretudo, nas televisões. É o país que temos.
A outra, que tinha responsabilidades na Educação, no tempo do bonzinho do Guterres, não disse, com ar sério ao país, que o facto dum fedelho na escola dar uma lamparina no professor não era caso para o alarido que ia na paróquia, porque, ennfatizava a senhoreca, um estalo no professor era um sinal de afirmação.
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De xico a 21.03.2013 às 00:54

Eu não concordo nada. Deveria ter sido Carlinhos. Porque Carlos deve ter sucedido ao Carlão. Carlão; Carlos; Carlinhos e depois Carlitos. Mania de complicar as cabecinhas das Alices...

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