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Os assassinos do euro

por Pedro Correia, em 18.03.13

Uma espécie de vitória póstuma da União Soviética, este confisco dos depósitos bancários dos cipriotas - totalmente inimaginável, totalmente inaceitável. Burocratas que nunca se submeteram a uma eleição, no conforto climatizado dos seus gabinetes em Bruxelas, tomam decisões em nome de estados soberanos que afectam irremediavelmente os povos desses estados, despromovidos de cidadãos a súbditos. São assassinos em potência. Os assassinos do euro. Os assassinos do projecto europeu, que se arrisca a repetir o destino de Lenine: glorificou-se em formato múmia.

 


48 comentários

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De Tiago Cabral a 18.03.2013 às 21:56

E mais Pedro, não sabem sequer abrir um livro de história e ver que a única altura de paz na Europa aconteceu com a União Europeia. É esta paz que aqui está em causa. Os cidadãos dos países que pediram assistência financeira são uns joguetes e apenas representam percentagens nas macros destes imbecis. É assustador.
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De Pedro Correia a 19.03.2013 às 00:08

Razão tem Jean-Claude Juncker, Tiago: os velhos demónios da Europa estão apenas adormecidos.

www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/germany/9922063/Jean-Claude-Juncker-Europes-demons-are-only-sleeping.html

É um aviso que todos devemos ler. Porque a história pode sempre repetir-se: esta é a maior lição que devemos colher dela. Há cem anos, em 1913, os europeus acreditavam na paz perpétua e num progresso imparável. Depois foi o que se viu.
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De Textículos a 18.03.2013 às 22:05

Ainda ontem na France5 o senhor Mélenchon afirmou que havia muito dinheiro em França para apoiar o crescimento (os frnaceses tal como os portugueses agora "descobriram" que tinham um mar imenso por explorar), bastava aplicar uma taxa de 2% nos depósitos e nos seguros privados.
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De Pedro Correia a 18.03.2013 às 23:59

Vindas do senhor Mélanchon, receitas como essa não surpreendem. Surpreendem muito mais, isso sim, vindas da Europa liberal que a todo o momento trai os seus princípios.
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De Textículos a 19.03.2013 às 00:29

Eu só não consigo é ver os liberais mas deve ser falta de vista minha! :)
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De Pedro Correia a 19.03.2013 às 11:21

Ups, eu também não.
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De rmg a 18.03.2013 às 22:10


Não sei bem se será uma vitória póstuma da União Soviética ou uma vitória antecipada da Federação Russa ...

Excelente artigo que nos trouxe aqui .
E que saudades eu tenho do anterior director-geral do FMI nestas alturas (o senhor DSK é outra história que não misturo).
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De Pedro Correia a 19.03.2013 às 00:00

Talvez seja mesmo uma vitória antecipada da Federação Russa. Ao ponto de Putin já se oferecer para cobrir o resgate cipriota - uma módica quantia de dez mil milhões de euros...
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De zé luís a 18.03.2013 às 22:37

À semelhança do sr. JMDB, não será isto o ressuscitar da ideologia "socialista" extensiva a muitos outros revolucionários de pacotilha convertidos aos meravedis de Bruxelas? A vingança, sim, do pilhar o dinheiro dos outros em nome do alegado "bem-comum"?
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De Pedro Correia a 19.03.2013 às 00:11

O que mais me impressiona é a nítida sensação de que estes factos só ocorrem porque a Alemanha já vive em clima de pré-campanha eleitoral para as legislativas do próximo Outono. Os países periféricos da UE andam a ser transformados em trunfo - da pior maneira possível para nós - pelos estrategos eleitorais da chanceler Merkel. O que agora sucede em Chipre pode render-lhe mais uns quantos milhares de votos.
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De José António Abreu a 19.03.2013 às 12:01

Pedro:
Não concordando eu com a «solução» para o Chipre, este é o ponto que me faz discordar da tua frase sobre "burocratas que nunca se submeteram a uma eleição". Merkel e os parlamentares alemães foram eleitos e respondem perante o seu eleitorado, sendo que os eleitores alemães têm tanto direito às suas posições como os portugueses ou os italianos. Ainda que, de facto, isso signifique o colapso do euro.
Repara, por exemplo, neste artigo (espero que o link funcione) da edição em inglês da Der Spiegel, onde se explica que nem sequer o plano original para o Chipre tem garantias de passar no parlamento alemão. A democracia tem coisas destas.
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De Pedro Correia a 20.03.2013 às 00:45

Meu caro: pelos vistos essa questão já nem se põe em Berlim, com a recusa do parlamento cipriota e o recuo "europeu".
Chipre - que representa apenas 0,2% do PIB da UE - parece estar a ser testado como balão de ensaio para uma reconfiguração do euro ou para servir de "vacina" a outros países. Em breve saberemos.
Acontece no entanto que o projecto europeu, tal como foi concebido pelos seus fundadores, era o oposto da política de 'diktakt' que aos poucos se tornou realidade em Bruxelas. A votação unânime dos ministros das Finanças no Eurogrupo sobre Chipre ilustra bem esta política de 'diktakt' que só pode terminar mal.
E atenção à geopolítica: será do interesse estratégico da Europa - e dos EUA - ter um porta-aviões russo chamado Chipre nessa zona-chave que é o Mediterrâneo Oriental, quase às portas do Médio Oriente? Como se já não bastasse o conflito greco-turco e a divisão da ilha em pano de fundo...
De facto, podem querer despedir a política, substituindo-a pela finança, mas ela acaba sempre por voltar, nem que seja pela porta das traseiras.
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De RAA a 18.03.2013 às 23:02

É tão incrivelmente estúpido e inepto, que não se acredita.
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De Pedro Correia a 19.03.2013 às 00:02

E assim se sujeita a uma inaceitável humilhação um país de apenas 800 mil habitantes que representa 0,2% do PIB da UE. Fortes com os fracos, fracos com os fortes.
Será esta a Europa solidária, onde vigora o princípio da subsidiariedade previsto no Tratado de Maastricht? Onde isso já vai...
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De rmg a 19.03.2013 às 00:15

Meu caro

A solidariedade só existe quando tudo corre bem a todos ou , pelo menos , à maioria .
No mundo , na Europa , no país , na empresa , no serviço , no clube , na família .
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De Pedro Correia a 19.03.2013 às 11:22

Infelizmente é verdade, caro RMG. Mas o projecto europeu, se continuar assim, passa do sonho ao pesadelo. Se é que não passou já.
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De rmg a 19.03.2013 às 18:42

Caro Pedro Correia

Tem toda a razão .
Já passou ao pesadelo .

Mas como sempre as pessoas agarram-se a ilusões e muitos "talvez não seja assim" com que vão enchendo vazios de conhecimento e de percepção de que nem sequer têem culpa , o mundo avança depressa demais mesmo para os que têem formação adequada e hábitos de estudo .

E ainda somos invadidos , como sempre nestes períodos aconteceu ao longo da História , por muito acessório pois quase ninguém quer encarar o essencial (quando não mesmo têem raiva a quem o mostra).
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De Pedro Correia a 20.03.2013 às 00:47

A política de 'diktakt', como refiro acima, conduziu a mil anos de guerras na Europa. A pretexto da condução financeira da UE, tem vindo a regressar. É uma péssima notícia para o continente.
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De rmg a 20.03.2013 às 02:17


Mais uma vez lhe dou toda a razão .

Nunca a Europa teve quase 70 anos de paz como agora , paz essa que trouxe consigo uma prosperidade generalizada e até certo ponto facilitada pelas novas tecnologias .
Todo esse mundo está a desabar sob o peso das várias crises (e não só a financeira) , havendo mesmo um virar do feitiço no caso das tecnologias , inibidoras da manutenção de um quase pleno emprego , de braço dado com globalizações e deslocalizações variadas .

Quando se está bem durante muito tempo há uma natural tendência para o adormecimento das más memórias e para o empastelamento das boas consciências .

A última geração que viveu as agruras do tempo de guerra já cá não está ou , estando , pouco se lembra ou é ouvida .
Temos a História de volta , envolta em mantos não tão diferentes dos outros como a maioria julga .

E , como muito bem diz , é uma péssima notícia para o continente .
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De Pedro Correia a 21.03.2013 às 00:31

Péssima notícia para o euro, para a União Europeia, para a Europa, para o 'Ocidente'.
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De rmg a 21.03.2013 às 03:11


A leitura dos jornais de referência norte-americanos mostram-nos bem - e diáriamente - como os EUA se vêm paulatinamente fechando sobre si próprios , como que numa tentativa de se demarcarem "as soon as possible" de tudo isto que vai aqui pela Europa .

Suspeito mesmo que deixarão a Rússia mais à vontade que nunca pois os problemas deles são outros e já não estão aqui .
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De Pedro Correia a 23.03.2013 às 00:13

Os EUA estão cada vez mais virados para o Pacífico, afastando-se dos aliados tradicionais no Velho Continente. Até isto demonstra a perda de importância da Europa. A economia cresce em todos os continentes menos no nosso.
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De André Couto a 18.03.2013 às 23:30

Muito bem, Pedro!
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De Pedro Correia a 19.03.2013 às 00:03

Muito bem também tu ali mais abaixo, André. Abraço.
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De Fernando Figueiredo a 19.03.2013 às 01:13

Pedro, totalmente de acordo. Permiti-me "adaptar" esta sua leitura chave em artigo de opinião que esta semana escreverei, certo da sua atenção. Abraço e continuação de bons posts
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De Pedro Correia a 19.03.2013 às 11:22

Permito à vontade, claro. Um forte abraço aí para Viseu, Fernando.
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De William Wallace a 19.03.2013 às 03:59

Repetindo a questão :


De William Wallace a 18 de Março de 2013 às 22:58
Então onde andava a supervisão do BCE neste BPN cipriota.
Então se eles ofereciam juros melhores que os outros porque não depositar lá o dinheiro ?
E obviamente que quem lá depositou o dinheiro não foi o zé povo , foram os mini-tubarões que ainda não tinham estofo ou artimanhas para o pôr na Suiça.
Mais uma vez se verifica que os culpados desta mega-crise foram os gestores bancários e os accionistas dos bancos que delinearam a estratégia e a sancionaram em busca de chorudas recompensas que até tiverem, com os lucros obscenos da última metade da década, criados unicamente através de especulação e economia de casino.

Quem paga por todo esse hedonismo é o mexilhão que nunca lá tocou e quando muito contribuiu com o endividar ligeiramente exagerado sendo que na minha modesta opinião apenas 5% a 10% faliram por incapacidade de se controlaram ,os demais foi porque lhes tiraram o sustento !

Ora a crise começou nos USA e estendeu-se á Europa por arrasto devido á desregulação dos mercados para os tubarões da Finança que apostam na tal economia de casino que se mantém (ainda existe short selling e a Taxa Tobin é uma miragem) , além do fluxo massivo de capitais por magia (a net permite ) entre países , algo só possível também aos tubarões que são os únicos a beneficiar destes esquemas mas QUEM ESTÁ A PAGAR ESTA BANDALHEIRA TODA É O MEXILHÃO.


Cronologia :

1º - Bancos e acionistas ficam em apuros em devido á economia de casino onde ganharam milhões !

2º - Forçam ajudas sobre o pretexto de proteger os depositantes !

3º - Bancos usam o dinheiro das ajudas para comprarem divida publica !

4 º - Estados endividam-se para aquecer ligeiramente a economia (em Portugal despejou-se gasolina na fogueira)

Bancos pressionam as taxas de juro dos Países alertando (com a ajuda das agências de rating que não previram o colapsar dos bancos) que a divida dos Países é demasiado elevada , divida originada em 3º e 4º .

5 º - Bancos salvos apostam agora fortemente contra os Países que os ajudaram. Politicos e reguladores a soldo dos bancos (por isso os ajudaram em 1º em vez de se preocuprem unicamente com os depositantes e trabalhadores) ordenam que o Povo pague agora por erros que não cometeu e onde nem foi achado, apenas ludibriado.


Obviamente o objectivo é criar novos medos subjugando toda uma sociedade pelo pobeza com todas as dificuldades e constrangimentos que isso acarreta para beneficio de uns poucos sem rosto que agora mandam em tudo sem legitimidadee para tal.


Quem souber explicar melhor ou veja que cometi algum erro na análise que complemente ou corrija.


P.S. - Muito resumidamente 2ª Guerra Mundial começou porque os alemães não queriam continuar a pagar as indeminizações da 1ª .
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De Pedro Correia a 19.03.2013 às 11:24

A "supervisão" do BCE, neste caso, terá de ser escrita assim mesmo. Com aspas.
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De IsabelPS a 19.03.2013 às 08:40

Já recuaram em relação aos depósitos inferiores a 100000 euros, como era bom de ver. Só não entendo o que é que lhes deu para escrevere, preto no branco, uma proposta obviamente cretina e obviamente inadmissível. Há coisas que se dizem nos intervalos das reuniões mas não se escrevem.
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De Pedro Correia a 19.03.2013 às 11:27

É isso mesmo, Isabel. Nunca antes tinha acontecido nada assim: acontece quando vemos técnicos, não sufragados pelos cidadãos, no lugar dos decisores políticos. É um precedente gravíssimo. A quebra da confiança dos europeus no sistema bancário abalaria tudo o resto. Não há economia que resista a um disparate destes, que deve ser corrigido em toda a linha. Nem política.
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De Anónimo a 19.03.2013 às 13:11

Pedro, já escrevi aqui pelo DO que o liberalismo ou neo-liberalismo navega em duas águas: centraliza o roubo e liberaliza o esbulho.
Todavia, depois de ler as declarações de Belmiro de Azevedo fazendo a apologia da mão-de-obra barata, não posso estar mais de acordo com esta política do confisco, se centrada sobre as fortunas destes pórceres para compensar o que o estado deixa de arrecadar com salários de miséria. Devo dizer, em abono da verdade também, que ele muito incomodado ficou com a situação do Chipre, chegando mesmo a afirmar "que o estado não devia ter qualquer direito de confiscar os depósitos". Fiquei a pensar que qualquer empresário, no seu interesse, pode ter o direito de confiscar a vida das pessoas, através de mão-de-obra barata.
Se os consumidores, de cada vez que alguém preconiza tal política de miséria, soubessem levantar-se e decidissem um cut off sobre os bens adquiridos nas empresas de tais empresários, ou banqueiros ou quem quer que seja talvez tivéssemos um país e um mundo melhor. Outros viriam, em substituição desses, que melhor fariam.

http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=71327

http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=71306

Devo acrescentar: com mão-de-obra barata não só não existe emprego como também não existirá estado, porque o estado passa a ser um mero capataz de senhores, como o tem sido nestes últimos tempos.

Um dos problemas em Portugal, a sociologia interpretará melhor estes sinais, reside no facto de não se ter feito a transicção intelectual de uma era feudal para uma outra era que já abundava noutras partes do mundo. As relações de feudalidade mantiveram-se substantivamente através de servos que, apesar de gerados à margem dos muros de seus senhores, sempre pretenderam ser ordenados cavaleiros; e aí chegados, ainda que só figurativamente, porque lhes falta o sangue da linhagem, deram continuidade a um modelo que só é próprio de quem só soube ser servil. Ora bem, filho de peixe peixinho é. Se não proporcionarmos que a larva se transforme em borboleta, o que teremos no futuro serão ricos miseráveis e pobres transformados em zés do telhado.
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De Pedro Correia a 20.03.2013 às 00:48

Agradeço a sua reflexão. Aqui fica, à consideração dos leitores.

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