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Duas horas no nevoeiro (19)

por José António Abreu, em 19.03.13

 08:23:45


12 comentários

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De Bartolomeu a 19.03.2013 às 09:23

Lá estão eles...
guardiões de memórias
Dos tempos em que os homens
arriscavam a vida, Douro a baixo
Douro a cima.
Desde a Régua, Barca Dálva, Pinhão
Trazendo o néctar a Gaia.
Esse vinho de refinado bouqué,
Criado nas encostas de xisto
Rasgadas em sucalcos,à força de músculo,
com ferro de aluvião, como quem rasga o ventre
da mãe, em que foi gerado e, na ânsia de se dar,
se solta, encosta a cima, às costas do homem,
em cestos de vime, até ao lagar.
Depois, encosta a baixo, em carros de bois ronceiros,
chiadores, que é preciso ir calçando amiúde,
não vá a carga despencar-se, ribanceira a baixo.
Lá estão eles...
testemunhos de uma luta de anos; o homem contra os elementos, contra a pobreza, sempre com a coragem ao seu lado.
Depois, chegando à foz, Gaia, descarregava os pipos.
Seguiam até à ribeira onde o mestre recebia, de barrete na mão, a parca paga pelo transporte e a distribuia pelos da campanha.
Tostões que nos bolsos eram guardados, só o tempo de chegar à primeira taberna, e depois de uma parte se gasta num meio-quartilho de verde tinto, a outra se gastava num recanto entre as pernas de moça.
Um néctar tão inebriante, quente e doce, quanto o que nas pipas viajaria para inglaterra...
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De José António Abreu a 19.03.2013 às 21:05

Quem é que escreveu isto, Bartolomeu? Você?
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De Bartolomeu a 20.03.2013 às 08:09

Ófecórce jaa.
Não me tome por plageador...
;)
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De Bandeira a 19.03.2013 às 10:47

Belíssimo!
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De José António Abreu a 19.03.2013 às 21:07

Obrigado. A quem não tem jeito para o desenho só resta a fotografia - e tentar apanhar a realidade num bom momento.
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De ilda pontes a 19.03.2013 às 15:51

:((
... até consigo sentir o silêncio.
http://youtu.be/GuLSIEOznwY

............ turn around
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De José António Abreu a 19.03.2013 às 21:12

Ah, Badalamenti... Excelente banda sonora, sem dúvida. Mas tenho de confessar: quando vi o Mulholland Drive pela primeira vez fiquei tão entretido a olhar para as duas actrizes que nem me apercebi da música.
(Quem diz a verdade não merece castigo.)
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De ilda pontes a 20.03.2013 às 11:11

Tonto ... :))
Beijinhos carregadinhos de sol!! Eu acredito nos seus olhos, continue ...
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De Cristina Torrão a 19.03.2013 às 19:15

Ficaram bem bonitos :)

E a ponte, senhores, a ponte que tantas vezes atravessei, desde os dois ou três anos de vida. Ambos os tabuleiros, a pé, de autocarro, de trólei, de carro... E também, hélas, de metro de superfície, numas férias, há uns anos (o tabuleiro superior, claro).
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De José António Abreu a 19.03.2013 às 21:16

É preciso ser muito mau fotógrafo para os conseguir tornar feios, Cristina. :)
E - nha nha nha nha nhaaam - eu ainda atravessei a ponte - a pé, pelo tabuleiro inferior - na Quinta-Feira passada.
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De Cristina Torrão a 20.03.2013 às 19:08


O tabuleiro inferior é mais indicado para atravessar a pé. Acho o corrimão do superior muito baixo, houve uma altura na minha vida que tinha medo de tal caminhada. Era na altura em que havia um movimento louco de carros e autocarros, durante todo o dia. E tudo tão estreito... E a ponte abanava que se fartava... Admira-me nunca ter havido um acidente grave! (Ainda bem que não houve).

Já agora, e correndo o risco de tornar este comentário longo, com banalidades, lembrei-me de uma história:
Acordei, há cerca de dez anos, uma manhã, aqui na Alemanha, com o rádio/despertador a dar as notícias. Ainda estremunhada, ouvi a jornalista germânica falar de um acidente grave em Portugal, uma ponte que caíra, arrastando um autocarro e alguns carros consigo, na cidade do Porto!!! Ela disse mesmo na cidade do Porto!!! Levantei-me com o coração aos pulos. Pensei logo na Ponte de D. Luís, fiquei muito angustiada e não descansei, enquanto não telefonei à minha mãe, que me disse que tinha sido uma ponte em Castelo de Paiva (o que não minimiza o acidente, mas, enfim, não era a D. Luís). Pois, para uma locutora alemã, Castelo de Paiva e Porto eram a mesma coisa! Uma ponte, continuou a minha mãe, onde passámos tantas vezes... Não te lembras?
Não, não me lembrava (nem lembro). É que, na verdade, nasci em Castelo de Paiva e morei lá até aos 4 anos. Até mudarmos para Vila Nova de Gaia.
Já agora: o jaa conhece a Rua 1º de Maio? (Não fica longe do local destas fotografias)

O tabuleiro superior da D. Luís, agora, é bem mais sossegado, só com o metro ;)
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De curtos instantes a 20.03.2013 às 03:46

As pontes unem o que o nevoeiro separa...

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