Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O Professor

por jpt, em 18.03.13

 

Nosso professor no mestrado, no ISCTE. Nós chegados de outras áreas, desconfiados do discurso economês, aquela arrogância ideológica que se grita ciência, aquela outra vinda da costela dos gestores disfarçados. E a sermos recebidos por um economista assim, economia compreensiva, outros a dizerem-na "economia social". Debruçado na questão do desenvolvimento, mudar "isto" - e acho que ainda não se lhe chamava "sustentável", era "enraízado" o apelido inglês que se lhe dava. E quão complexo era pensar o desenvolvimento naquele princípio dos anos 1990s, esbroado o mito comunista, explodindo os "tigres", alterando-se a situação política em África sob "Bretton Woods", contratualizando-se o GATT. E, já então, notoriamente descentrando-se o mundo da Europa. Podemo-nos sentar, eu, em casa, em família, o FF [meu co-bloguista no ma-schamba] e não só, e não só, e constatar que para tanto do que se anda hoje a discutir [a nossa vida, o nosso futuro, e o da(s) nossa(s) comunidade(s)] fomos nós convocados naquela altura. Alguns responderam à chamada, outros nem tanto. Pois a cada um o seu caminho, intelectual e profissional.

Assim um Professor. Um cavalheiro, também, dotado de uma enorme doçura, cruzada com a ironia bem-humorada. Com especial carinho por nós, gente da antropologia. Não só pelo seu humanismo. E não só por causa da sua paixão por Cabo Verde ... Passados anos, uma década, integrou um processo de formação pós-graduada em Maputo. Por várias vezes aqui esteve. Foi visita cá em casa, nós cerimoniosos, em reverência não só pela sua idade. Nessas vezes chegou, pelo acaso, até a coincidir com o antropólogo da sua família, o Jorge, nosso companheiro de há muito. E era sempre um prazer a conversa com ele. Até pelo seu interesse no que aqui fazíamos e no aqui se passava, até nisso denotando um raro descentramento. De si próprio, do seu e nosso país. E do pequeno  mundo académico.

Um economista nada acidental. Ficam os livros ali na estante. E também a sua página informática. Para quem o leu e conheceu. E para quem não o leu. Está aqui: Mário Murteira.


4 comentários

Sem imagem de perfil

De Alexandre Carvalho da Silveira a 18.03.2013 às 13:47

Acredito que Mário Murteira fosse uma excelente pessoa, e uma mente intelectualmente superior.
Mas MM fica na História do pós 25/4, como o ministro das finanças que nacionalizou a economia portuguesa a seguir ao 11 de Março de 1975, era então 1º ministro do IV governo provisório Vasco Gonçalves, e fê-lo não para salvar a economia portuguesa, mas por razões exclusivamente ideológicas, provocando uma catastrofe de que Portugal nunca mais recuperou.
Faço votos de que "a terra lhe seja leve".
Imagem de perfil

De jpt a 18.03.2013 às 16:28

Desculpar-me-á, mas não quero fazer aqui, neste texto e neste momento, um debate sobre esse sempre momento da história do país e da biografia de Mário Murteira. Ouvi-o fazê-lo, até à minha mesa (tendo eu colocado as coisas mais ou menos como V. as coloca). E muitos o fizeram já. (E continuarão a fazer).

Ainda assim, e até lateralmente, permita-me sublinhar que quando a governação acredito numa coisa, e acredito visceralmente: não se governa sem opções ideológicas. Pior do que os tecnocratas (aparentemnte desideologizados) só, alguns, apparatchiks. A esses "que a terra lhes seja pesada".
Sem imagem de perfil

De Alexandre Carvalho da Silveira a 18.03.2013 às 19:31

Caro JPT, a minha ultima frase nada tem de irónico: o homem já não pertence ao mundo dos vivos, pelo que da minha parte tudo quanto eu escreva ou diga sobre a sua actuação como politico, e neste caso como ministro das finanças, não será nunca pessoal.
Podia ter escrito p. ex. RIP!
Quanto ao resto, cada um fica com a sua.
Imagem de perfil

De jpt a 18.03.2013 às 21:34

Ainda bem.
Até breve, cumprimentos

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D