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Amanhã vão crucificar um homem

por Teresa Ribeiro, em 05.03.13

A crucificação ainda se pratica. Vai ser amanhã, na Arábia Saudita. O infeliz contemplado é um jovem que há uns anos liderou um gang de adolescentes que assaltou umas joalharias. Teve primeiro que crescer até à idade adulta na prisão, que os sauditas são muito escrupulosos e não crucificam menores. Aos seus companheiros de infortúnio foi aplicada uma pena mais branda: serão decapitados com uma espada.

O que podemos fazer? Ao menos divulgá-lo. E expressar o nojo que nos merecem as civilizações que desprezam a nossa mas se aproveitam dela. Cujos líderes adoram a nossa tecnologia, mas descartam os valores que evoluíram com ela, condenando a sua gente a viver na Idade Média. Se gostam tanto dessa pureza abdiquem dos aviões, dos automóveis e da Internet. Desprezem-nos mas em tudo. Dividam as águas, arredem pé deste nosso patamar civilizacional e comprem com o dinheiro do petróleo muitos camelos, tendas e tapetes.

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19 comentários

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De José António Abreu a 05.03.2013 às 14:59

Vês? Estamos tantas vezes de acordo...
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De Ana A. a 05.03.2013 às 16:41

Ninguém deve ter o direito de tirar a vida a alguém. Ponto.
Se começarmos a especificar, então teremos uma longa lista: crucificação, decapitação, lapidação, cadeira eléctrica, injecção letal, armas químicas, drones... e o sofisticado terrorismo financeiro que inexoravelmente provoca a morte a muita gente. Ou seja, o patamar civilizacional só nos trouxe formas mais sofisticadas de matar!
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De Teresa Ribeiro a 06.03.2013 às 00:59

Sou contra a pena de morte. Ponto. Mas isso não me impede de reconhecer que há formas de execução mais cruéis que outras. A crucificação é consensualmente considerada uma das mais bárbaras. Quanto ao "terrorismo financeiro", percebo do que fala, mas, convenhamos, metê-lo no mesmo patamar das crucificações e outras penas capitais é um pouco excessivo, não?.
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De Bartolomeu a 05.03.2013 às 17:36

Métudos de julgamento e de punição à parte. Indignação e divulgação, à parte.
Parece-me que quanto ao resto, tento podemos desejar, aconselhar, reivindicar, que os líderes que adoram a "nossa" tecnologia, abdiquem dos aviões, dos automóveis e da Internet, como desejar, aconselhar, reivindicar que, quem lhas vende, deixe de o fazer.
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De Teresa Ribeiro a 06.03.2013 às 01:16

Não é exactamente o mesmo, Bartolomeu. Nós até podemos ser críticos em relação a muitos aspectos da sua cultura mas não temos por isso que impedir que se estabeleçam relações comerciais livres com esses países.
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De Cristina Torrão a 05.03.2013 às 19:39

Vi, há dois dias, uma reportagem na televisão feita numa prisão israelita, onde se encontram presas palestinianas acusadas de atos de terrorismo. Os autores da reportagem não comentavam a favor, nem contra, limitavam-se a entrevistar as presas e a mostrar as imagens. Tentavam encontrar respostas para perguntas do tipo: o que leva uma mãe de seis filhos, ou uma mulher grávida, a cometer terrorismo suicida? Claro que, no caso das presas, algo correu mal, caso contrário, não teriam sobrevivido para contar.

Sim, o que as leva a fazer isso? Será mesmo por amor a Alá e ao Islamismo? Por ódio a Israel?

Apesar de a maior parte delas jurar a pés juntos que era essa a explicação, eu acho que encontrei a resposta numa moça que lá estava e que disse que não fizera nada de mal, que se limitara a passear pela zona de fronteira entre a Palestina e Israel com uma faca no bolso. Revistaram-na e encarceraram-na. A jornalista, pelos vistos, achou aquilo estranho e perguntou-lhe se ela tinha feito de propósito, se tinha desejado ser presa. Depois de uma hesitação, a moça disse que sim.

Durante a reportagem, ela foi libertada, pois o seu delito não era grave e esteve pouco mais de um ano presa. Passado um mês, tornou à prisão. E, desta vez, foi mais aberta com a jornalista: "resolvi voltar. Cheguei a casa e a minha mãe bateu-me. O meu irmão também me bateu. Proibiram-me de falar, só era autorizada a cumprir as tarefas do quotidiano. Sem falar. Aqui (na prisão) estou melhor, sou mais respeitada!"
E tanto se soltou, que disse ainda: "não acredite nisso de lutarem por Alá! Todas elas têm problemas em casa. Mesmo que não o admitam! Porque é que a A., com seis filhos em casa, afinal, está aqui?"

Vem isto a propósito de líderes que condenam a sua gente a viver na Idade Média.
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De Teresa Ribeiro a 06.03.2013 às 01:01

Que pena não ter visto essa reportagem. Sempre me fez confusão como é que mães de filhos pequenos se oferecem para mártires, pois aqui está uma explicação.
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De Cristina Torrão a 06.03.2013 às 12:24

Fui, entretanto, averiguar, pois tinha lido as informações da revista de TV por alto. Não se trata bem de uma reportagem, mais de um documentário feito cheio de vagar. A realizadora israelita, Natalie Assouline, filmou e acompanhou as detidas palestinianas durante dois anos. Vi-o num canal alemão, 3sat, mas hei de verificar se há versões noutras línguas.
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De Cristina Torrão a 06.03.2013 às 20:03

Teresa, se te interessar, encontrei um trailer em inglês:

http://www.youtube.com/watch?v=hjVuJA_VDw4
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De Teresa Ribeiro a 06.03.2013 às 20:27

Obrigada, Cristina.
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De Ana Vidal a 05.03.2013 às 21:42

Inteiramente de acordo. E fico doente com o argumento dos baixos índices criminais nestes países, normalmente usado para justificar a barbárie das penas para crimes de delito comum.
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De Teresa Ribeiro a 06.03.2013 às 01:02

Demagogia da mais asquerosa, Ana.
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De lucklucky a 05.03.2013 às 21:57

Então a autora vai recusar a tecnologia americana?
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De Teresa Ribeiro a 06.03.2013 às 01:04

Porquê, acha que eu sou anti-americana? Nem todas as pessoas de esquerda são anti-americanas. Desiluda-se. Não sou nada estereotipada, acredite.
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De lucklucky a 06.03.2013 às 10:40

Nada disso. Não era sobre esse ângulo.
Os Americanos também têm pena e morte, e os Chineses já agora. Só por isso.
Então o limite em que considera que devemos cortar todos os laços com uma civilização e rejeitá-la tout court é o método da morte.
Note-se que não a questionei sobre o petróleo saudita uma vez que este não é produto da civilização saudita.

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De Teresa Ribeiro a 06.03.2013 às 20:34

Lucky, já afirmei numa resposta a um comentário acima que sou contra a pena de morte, mas também expliquei que me repugnam particularmente os métodos em que à eliminação da pessoa ainda se somam requintes de crueldade, como é o caso. A crucificação é considerada consensualmente como uma das mais cruéis formas de execução.
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De jpt a 06.03.2013 às 00:17

Inenarrável. Enfim, siga o negócio ...
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De Teresa Ribeiro a 06.03.2013 às 01:06

E só nos resta a indignação, jpt.

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