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Círculos

por Ana Margarida Craveiro, em 05.03.13

Estamos num tempo em que se procuram curas milagrosas para os nossos problemas. Cada ideia diferente é aplaudida como se fosse a última coca-cola do deserto, aquilo que nos vai salvar aqui, já e agora. Os círculos uninominais costumam ser uma dessas curas. Longe das utopias do deputado que recebe individualmente o cidadão, e que o representa em toda a sua plenitude, aqui vai a conclusão de um estudo sério (de 2003):

 

No que diz respeito aos critérios que temos estado a considerar, bem como aos indicadores desses critérios que pudemos empregar, somos simplesmente levados a concluir que nada há a escolher entre círculos uninominais e plurinominais. Isto poderá ser muito contra-intuitivo e contradizer as convicções
tenazmente defendidas pelos apoiantes de ambas as formas de representação, mas a verdade é que as nossas provas sugerem que nenhum dos lados tem argumentos fortes. Este debate particular sobre os sistemas eleitorais parece conduzir simplesmente a um beco sem saída e é evidente que não fornece razões sólidas para preferirmos um dos sistemas eleitorais em detrimento do outro.

 


8 comentários

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De José António Abreu a 05.03.2013 às 10:56

Fingir que mudar o acessório resolve os problemas essenciais é uma das nossas especialidades, Ana.

P.S: Isto não quer dizer que não se possa melhorar o sistema eleitoral; apenas que não vai ser isso a tirar-nos da crise e fazer-nos ricos.
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De Ana Margarida Craveiro a 05.03.2013 às 11:04

o sistema tem defeitos, mas a fé que se põe nas alternativas é assustadora.
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De JS a 05.03.2013 às 11:35

Com Deputados não dependentes dos PMs -responsáveis apenas, directamente, perante o seu eleitor- teriam subsistido, perdurado, as obviamente desastrosas administrações -3 intervenções externas- e o País teria chegado à situação aonde chegou?.
Hoje muitos até procuram distanciar-se dos seus ex-chefe.
Outros continuam, caricatamente, em plena actividade!....
Deputados, sim, mas a representar quem?.
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De José António Abreu a 05.03.2013 às 16:56

Se me permite uma resposta, JS: sim, teria sido tudo mais ou menos igual. Não vi - e não me parece que, com os círculos uninominais, tivesse visto - multidões a protestar contra os aumentos dos salários e das pensões acima da taxa de crescimento da economia, nem a fazer manifestações contra as obras públicas, nem sequer a alertar para os riscos que o crédito fácil lhes (nos) fazia correr. Não sendo eu contra os círculos uninominais, creio que, em termos práticos, seria mudar de um centralismo exagerado para uma espécie de representatividade do caciquismo local - veja-se, a este propósito, como operam os deputados dos Açores e da Madeira ou relembre-se o caso do "queijo limiano".
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De JS a 05.03.2013 às 22:56

jaa . Obg . por ter partilhado o seu ponto de vista.
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De Abstencionista a 05.03.2013 às 15:40

O sistema que vigora entre nós é ótimo, bestial, porreiro.
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De Aos círculos a 05.03.2013 às 18:09

Atendendo a que os dois sistemas têm vantagens e inconvenientes, não me parecia mal que se implantasse um sistema misto, com um círculo nacional para "os senadores" e círculos uninominais para se ficar a conhecer o deputado da área em que se vota...
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De c. a 05.03.2013 às 21:25

«(...) de resto (declarara o Cavalleiro, rindo) aquelle Circulo de Villa- Clara constituía uma propriedade sua — tão sua como Corinde. Livremente, poderia eleger o servente da Repartição que era gago e bêbado. Prestava pois um serviço esplendido ao Governo, á Nação, apresentando um moço de tão alta origem e de tão fina intelligencia. . .
Eça de Queiroz - A Ilustre Casa de Ramires.

Creio que o melhor seria fixar as eleições para de 8 em 8 anos. Ou para de16 em 16. É uma coisa tão acessória a lei eleitoral numa democracia representativa! E Portugal está tão bem com o actual sistema!
Está bom de ver que não vale a pena pensar em mudanças.

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